Contemplei-a pela primeira vez há uns longínquos anos, aproveitando uma “fugida” a Paris onde Maria Schneider e Marlon Brando comiam laranjas mecânicas com manteiga amarela a passo do tango.
A eles só lhes mirei os traseiros (para não dizer cus); à Gioconda, a cara.
E, acagaçado ante a sua condição de obra de arte, não soube ver que ela, lá do fundo do seu enigma, também me olhava a mim e só a mim.
Creio que lhe agradei.
Temo-nos visto de vez em quando, poucas vezes; eu, em cada encontro menos jovem, enquanto que a ela a vão restaurando.
Pela imprensa escrita inteirei-me que uns cientistas tinham formulado a percentagem de sentimentos contrários que se acolhem entre o seu sorriso e o seu olhar e que algum devasso tinha tentado romper.
Agora encontro-a protegida por vidros anti-bala, três vigilantes, barreiras e cordões de segurança para manter distâncias.
Nada mudou: para além de uns metros mais longe, gentes vindas de todo o planeta continuam a fotografá-la, gravando-a em vídeo, girando em semicírculo sem perder o seu olhar …
Quando acabam … partem para a Torre de Pisa, ou para a Guernica, as pirâmides: gostam tanto de arte que a levam para casa.
Depois de muito matutar sobre isto, acabo de descobrir o verdadeiro enigma da Mona Lisa, o porquê de um dia ou outro da nossa vida, todos acabamos peregrinando entre incómodas multidões até à sua sala.
A chave do enigma reside naquela frase que alguém disse: “O olho que vês não é olho, porque tu o vês, é olho porque te vê”.
É isso sim; vamos para que nos veja, não a vamos ver a ela: da mesma maneira que alguns velhotes feios viajam até Cuba para que as mulatas jovens se fixem neles; muitos acercamo-nos do Louvre para que a mulher mais cara, inacessível e desejada do mundo saiba da nossa existência e, desde a sua extrema elegância, nos perdoe por nos apresentarmos ante ela em chinelos, calções curtos e t-shirt transpirada, olhando-a com olhos de turista plebeu, com a mesma cara embasbacada com que observamos a Vénus de Botticelli, ou do Nilo, a Maja Vestida ou Nua de Goya ou a qualquer outra "senhora", p*ta, do bairro vermelho de Amesterdão.
.
A eles só lhes mirei os traseiros (para não dizer cus); à Gioconda, a cara.
E, acagaçado ante a sua condição de obra de arte, não soube ver que ela, lá do fundo do seu enigma, também me olhava a mim e só a mim.
Creio que lhe agradei.
Temo-nos visto de vez em quando, poucas vezes; eu, em cada encontro menos jovem, enquanto que a ela a vão restaurando.
Pela imprensa escrita inteirei-me que uns cientistas tinham formulado a percentagem de sentimentos contrários que se acolhem entre o seu sorriso e o seu olhar e que algum devasso tinha tentado romper.
Agora encontro-a protegida por vidros anti-bala, três vigilantes, barreiras e cordões de segurança para manter distâncias.
Nada mudou: para além de uns metros mais longe, gentes vindas de todo o planeta continuam a fotografá-la, gravando-a em vídeo, girando em semicírculo sem perder o seu olhar …
Quando acabam … partem para a Torre de Pisa, ou para a Guernica, as pirâmides: gostam tanto de arte que a levam para casa.
Depois de muito matutar sobre isto, acabo de descobrir o verdadeiro enigma da Mona Lisa, o porquê de um dia ou outro da nossa vida, todos acabamos peregrinando entre incómodas multidões até à sua sala.
A chave do enigma reside naquela frase que alguém disse: “O olho que vês não é olho, porque tu o vês, é olho porque te vê”.
É isso sim; vamos para que nos veja, não a vamos ver a ela: da mesma maneira que alguns velhotes feios viajam até Cuba para que as mulatas jovens se fixem neles; muitos acercamo-nos do Louvre para que a mulher mais cara, inacessível e desejada do mundo saiba da nossa existência e, desde a sua extrema elegância, nos perdoe por nos apresentarmos ante ela em chinelos, calções curtos e t-shirt transpirada, olhando-a com olhos de turista plebeu, com a mesma cara embasbacada com que observamos a Vénus de Botticelli, ou do Nilo, a Maja Vestida ou Nua de Goya ou a qualquer outra "senhora", p*ta, do bairro vermelho de Amesterdão.
.



Sem comentários:
Enviar um comentário