O “ponto e vírgula” está em perigo de extinção.
Li isto no Rue89: este sinal ou símbolo da pontuação, utiliza-se cada vez menos em França.
Interrogo-me se o mesmo sucede em Portugal.
Em Ciberdúvidas da Língua Portuguesa … dizem-me … compartem também a preocupação pela paulatina desaparição do ponto e vírgula, cada dia muito mais difícil de encontrar entre as páginas dos livros, para não falar da imprensa escrita.
Parece-me que o ponto e vírgula tem vários inimigos.
O mais perigoso de todos é na linguagem que se utiliza em mensagens de texto nos telemóveis e nos chats.
“Há que fazer um verdadeiro esforço para encontrar o sinal nos teclados dos telemóveis e a linguagem veloz que se utiliza nos chats e no Messenger deterioram parte da pontuação”, penso eu.
Este tipo de “escrevinhação” e de linguagem que impera na rede, não é propício ao emprego de uma sintaxe complexa, campo de aplicação por excelência do sinal de pontuação.

Não há terreno para uma articulação sintáctica como a que requer o ponto e vírgula.
Faz falta uma sensibilidade que não é necessária para pôr uma vírgula ou um ponto.
Na imprensa escrita, a implantação de um tipo de escrita sintética e de frases curtas, importada do estilo anglo-saxão também contribui para usar o ponto em detrimento do ponto e vírgula, menosprezado nas colunas de opinião e nos editoriais.
Fiz um inventário de pontos e vírgulas; assim de repente e no JN de 10 de Julho de 2010 (quando escrevi isto) nas crónicas e artigos de opinião, cheguei a estes números:
“Cavaco Silva” no "Figura em análise";
“Marca de Água” de Joana Amorim (Chefe de Redacção Adjunta), com:
“A ver a política a passar”;
na página dedicada ao Centenário da República de Fátima Mariano, "Do “perfil de pombo” à “cabelos à Joãozinho” e da mesma, “Lugares com história”;
“Há cem anos no JN” por Pedro Olavo Simões.
Já na coluna, “Opinião” do Economista, Rui Moreira, “Não há nada para ninguém…”, é mesmo verdade, não há nenhum.
Pois é, está mesmo em vias de extinção o ponto e vírgula.
Nenhum dos artigos mencionados possuía um só e é quase uma certeza, EM TODO O JN e TODAS AS NOTÍCIAS, desse dia, não havia um único, em qualquer página (pelo que pude observar).
Na literatura, ainda que o grau do seu uso dependa do estilo de cada autor, (Saramago, não o esquecia), também escasseia.
Mas aqui, parece-me que a desaparição da figura do corrector de estilo ou o revisor de provas nas editoras, repercute uma míngua de qualidade dos textos.
A APLICAÇÃO É DIFÍCIL e quando o ponto e vírgula escasseia, a vírgula reproduz-se como os coelhos.
Portugal não defende a sua língua; em França existe um “Comité de defesa do ponto e vírgula”, por cá, fazem-se (des)acordos linguísticos ou ortográficos que ninguém quer, só os doutos eruditos que os vomitaram.
Não vou pronunciar-me onde e como deve ser aplicado o ponto e vírgula; só me interessa a sua preservação.

Os ditos eruditos, assinalam a dificuldade com o seu uso, como uma das causas que quase o exterminaram: o sinal pode ser substituído por um ponto, uma vírgula e inclusivamente, por dois pontos.
Não há regras fixas sobre o seu uso e, ao não existirem, o pessoal tem medo de meter a pata na poça quando escreve textos informais.
Aliás, a reticência (esta é propositada) ao emprego deste sinal de pontuação não é nada novo.
O ponto e vírgula apareceu pela primeira vez na oficina do impressor italiano, Aldo Manúcio, nos finais de século XV e o seu uso foi-se estendendo ao longo do século XVI, altura em que aparece em textos na Península Ibérica (quando ainda existia o galaico-português a fugir para o castelhano dos tempos dos Filipes).
Já em 1582, não me recordo quem, assinalou a particularidade e minudência para a escrita, do ponto e vírgula.
Que não sejas um virgulante, mas continues, como um ponto, a escrever ponto e vírgula.
.
Li isto no Rue89: este sinal ou símbolo da pontuação, utiliza-se cada vez menos em França.
Interrogo-me se o mesmo sucede em Portugal.
Em Ciberdúvidas da Língua Portuguesa … dizem-me … compartem também a preocupação pela paulatina desaparição do ponto e vírgula, cada dia muito mais difícil de encontrar entre as páginas dos livros, para não falar da imprensa escrita.
Parece-me que o ponto e vírgula tem vários inimigos.
O mais perigoso de todos é na linguagem que se utiliza em mensagens de texto nos telemóveis e nos chats.
“Há que fazer um verdadeiro esforço para encontrar o sinal nos teclados dos telemóveis e a linguagem veloz que se utiliza nos chats e no Messenger deterioram parte da pontuação”, penso eu.
Este tipo de “escrevinhação” e de linguagem que impera na rede, não é propício ao emprego de uma sintaxe complexa, campo de aplicação por excelência do sinal de pontuação.

Não há terreno para uma articulação sintáctica como a que requer o ponto e vírgula.
Faz falta uma sensibilidade que não é necessária para pôr uma vírgula ou um ponto.
Na imprensa escrita, a implantação de um tipo de escrita sintética e de frases curtas, importada do estilo anglo-saxão também contribui para usar o ponto em detrimento do ponto e vírgula, menosprezado nas colunas de opinião e nos editoriais.
Fiz um inventário de pontos e vírgulas; assim de repente e no JN de 10 de Julho de 2010 (quando escrevi isto) nas crónicas e artigos de opinião, cheguei a estes números:
“Cavaco Silva” no "Figura em análise";
“Marca de Água” de Joana Amorim (Chefe de Redacção Adjunta), com:
“A ver a política a passar”;
na página dedicada ao Centenário da República de Fátima Mariano, "Do “perfil de pombo” à “cabelos à Joãozinho” e da mesma, “Lugares com história”;
“Há cem anos no JN” por Pedro Olavo Simões.
Já na coluna, “Opinião” do Economista, Rui Moreira, “Não há nada para ninguém…”, é mesmo verdade, não há nenhum.
Pois é, está mesmo em vias de extinção o ponto e vírgula.
Nenhum dos artigos mencionados possuía um só e é quase uma certeza, EM TODO O JN e TODAS AS NOTÍCIAS, desse dia, não havia um único, em qualquer página (pelo que pude observar).Na literatura, ainda que o grau do seu uso dependa do estilo de cada autor, (Saramago, não o esquecia), também escasseia.
Mas aqui, parece-me que a desaparição da figura do corrector de estilo ou o revisor de provas nas editoras, repercute uma míngua de qualidade dos textos.
A APLICAÇÃO É DIFÍCIL e quando o ponto e vírgula escasseia, a vírgula reproduz-se como os coelhos.
Portugal não defende a sua língua; em França existe um “Comité de defesa do ponto e vírgula”, por cá, fazem-se (des)acordos linguísticos ou ortográficos que ninguém quer, só os doutos eruditos que os vomitaram.
Não vou pronunciar-me onde e como deve ser aplicado o ponto e vírgula; só me interessa a sua preservação.

Os ditos eruditos, assinalam a dificuldade com o seu uso, como uma das causas que quase o exterminaram: o sinal pode ser substituído por um ponto, uma vírgula e inclusivamente, por dois pontos.
Não há regras fixas sobre o seu uso e, ao não existirem, o pessoal tem medo de meter a pata na poça quando escreve textos informais.
Aliás, a reticência (esta é propositada) ao emprego deste sinal de pontuação não é nada novo.
O ponto e vírgula apareceu pela primeira vez na oficina do impressor italiano, Aldo Manúcio, nos finais de século XV e o seu uso foi-se estendendo ao longo do século XVI, altura em que aparece em textos na Península Ibérica (quando ainda existia o galaico-português a fugir para o castelhano dos tempos dos Filipes).
Já em 1582, não me recordo quem, assinalou a particularidade e minudência para a escrita, do ponto e vírgula.
Que não sejas um virgulante, mas continues, como um ponto, a escrever ponto e vírgula.
.
3 comentários:
Confesso que já senti muita dificuldade no uso do ponto e vírgula, mas á medida que se foi intensificando a minha escrita utilizo-o muitas vezes.
;)
Fa menor
Nem penso se uso convenientemente o ponto e vírgula.
Aprendi a usá-lo e talvez não esteja sempre correcto.
Procurei ... procurei e encontrei, para mim, a mais completa descrição do seu uso.
Foi aqui
Isso voltará para a linguagem corrente. Cavaco é o presidente de todos os portugueses, ponto e vírgula; Sócrates e PP Coelho vão salvar a economia, ponto e vírgula, e por aí fora.
Enviar um comentário