.
Ergui-me da cama e tive do meu corpo a percepção que proporciona um edifício vazio.
Escutando atentamente, podia ouvir o gemido remoto de alguma articulação, como uma porta que se encerra ao longe.
O ar atravessava-me o peito com a estranheza de não tropeçar com nenhum móvel e sibilava um pouco ao sair pelas fossas nasais.
A gripe tinha-me abandonado o canastro.
Levantei-me, fui ao quarto de banho e asseei com esmero o que tinha restado de mim.
Uma vez reconstruído, propus-me recuperar a rotina anterior à enfermidade, mas as coisas não fluíram.
O café não sabia a café nem o jornal a tinta.
A rua, tendo a aparência de sempre, perdeu os laços que a uniam a mim.
O pior da gripe não é o que nos dá quando vem, mas sim o que nos tira quando se vai.
É certo que dentro desse edifício vazio, se tiveres paciência, voltas a germinar com o passar do tempo.
Mas demoras a vires à tona.
Pode ser que muitos se revejam nestas linhas, seja por que têm problemas de auto-estima, de relacionamento, de drogas…
Como o contágio de uma enfermidade, o contágio da confiança pode gerar mais confiança.
Uma imagem vale mais que mil palavras.
Só vês corpo, mas são bem mais que corpos...
Por detrás dos teus olhares, gestos, posturas, descobres que há algumas pessoas.
Atreves-te a conhecê-las?
Na vida diária faze-lo diariamente.
Mas provavelmente e incluso diria que inconscientemente, te fixarás somente nos que acreditas que são ou queres que sejam como tu.
Um provérbio índio dizia que “Antes de julgar uma pessoa, há que caminhar três luas com os seus mocassins".
É muito provável que nos teus velhos pares de sapatos ou sapatilhas, possas encontrar condensado, grande parte do caminho da vida que percorreste: experiências, tropeções, feridas… os teus pés foram-lhe dando forma: com o tempo adaptaram-se perfeitamente a ti, quase formam parte do teu corpo.
Foram testemunhas de muitos acontecimentos, aproximaram-te ou afastaram-te de pessoas e lugares, sabem das tuas pressas e cansaços…
Falam muito de ti e criam-te confiança.
A confiança, uma palavra que enche de segurança ao dizê-la mas ao mesmo tempo uma palavra muito insegura.
Na realidade o que é a confiança?
Quando é que se pode ter plena confiança em alguém ou em algo?
A confiança está muito relacionada com a segurança e por sua vez, ao lado da esperança.
Mas não se pode utilizar para classificar alguém, ou pelo contrário, para conhecer e dar-nos conta que os medos de cada um ponderamo-los a diversos níveis, tanto interior como exteriormente e positivo e negativamente.
.



5 comentários:
Gostei muito desta prosa.
Boas melhoras!
Bjos
Fa menor
Antes da morte há sempre um limpar dos horizontes a que é hábito chamar, "as melhoras da morte".
Tenho sorte em não acreditar nestas melhoras e melhorar por mim (rsrsrs).
Salvei-me!!! (para já1)
Uma boa semana.
Ola, por favor envie seu email e teleone por favor.Preciso falar contigo.
Angela Piqui Revista Abclassificados
angelapiquibelgica@hotmail.com
0476 257 750 e urgente por favor!
Ate mais
ola Inséte
Sou Angela Piqui da revista Abclassificados , preciso falar com voce, com urgencia.Quero convidado para ter uma coluna na minha revista. Me passa seu emaiL e telefone. O meu e angelapiquibelgica@hotmail.com
0476 257 750
Há vários anos que não me atacam as gripes, confio não nas pessoas, mas na aspirina.
Enviar um comentário