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Tomamos ao pequeno-almoço publicidade.
Almoçamos publicidade.
Jantamos publicidade.
Ceamos publicidade.
Também patrocina os nossos sonhos.
Correctores de olheiras, ginástica passiva, Gutalax, Prozac.
Venderam-nos estilos de vida que não podemos permitir manter.
Sabem que o sabemos, por isso depois venderam-nos extremamente bem a esperança, com um azul de fundo tão agradável e uma postura em cena tão perfeita, que sucumbimos e confiamos-lhe o nosso voto para outros quatro anos.
Outra vez.
E outra vez.
O pack inclui amnésia selectiva.
A sodomia que antes destroçava o estado de bem-estar é assumida como necessária: compra vaselina e encomenda-te ao “senhor”.
Assumimos (e os espanhóis ainda mais) sem rezingar que um assessor do banco de investimentos Lehman Brothers para a península ibérica, controle agora o Ministério espanhol da Economia.
Assumimos que um desbocado continue a zurrar no meio do Atlântico contra os cont'nentais que lhe fornecem a ração diária de palha.
Assumimos que elegemos mais um prestidigitador para chefiar o nosso futuro.
Assumimos um homiliasta nas Finanças.
E assumiremos cortes e recortes, subidas de impostos, despedimentos, reduções de direitos arduamente conquistados e tudo o mais que faça falta enquanto os mesmos que provocaram esta crise continuam a ganhar mais e mais dinheiro.
E a tudo isto, no fim, chamar-lhe-emos democracia.
Gostaria de isolar-me no meu táxi, mas não posso.
Os clientes são cada vez menos e os poucos que restam não fazem mais que recordar-me o mal que estão as coisas e o pior que ficarão.
Por isso a única saída para comigo és tu, o amor e as quatro invioláveis esquinas da tua cama.
As nossas noites e os nossos beijos livres de impostos (por enquanto).
Os orgasmos, as carícias.
Tomarmos banho juntos.
Ler um PDF projectado nas tuas costas ou, porque não?, no teu peito.
Brincar no corredor, só os dois, à cabra-cega.
Ou aos médicos (de brincar).
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2 comentários:
E que o Paulo Macedo não oiça ninguém a brincar aos médicos.
Táxi Pluvioso
Dentro de pouco tempo não serão necessários médicos. primeiro vão os velhos que só dão prejuízo, depois os deficientes e os não-doentes que se cuidem...
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