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Os anos foram-se, mas não será algo a que não estejamos acostumados.
Por muito que se repita a sensação e as advertências cheguem a tempo, no final os fogos de artifício encontram-te a olhar para outro lado.
Ficas como um louco, como se tivesses saído de um filme que termina a metade do argumento, como se o árbitro apitasse para o final do jogo aos trinta minutos.
Gostemos ou não, os anos, os bons e os maus, terminam sempre surpreendentemente.
Tanto é assim que parece que enchemos as cidades de luzes e grinaldas, como sinal de alerta para que ninguém tenha um susto de morte ao soarem as badaladas.
Assim coloca-se música nas ruas, engalanam-se as montras, enviamos postais e mais cartas (“Feliz Natal e Próspero Ano Novo”, rezam os ditos cujos, como realmente dizendo: “Aí vem outro, outra vez”) e trocamos felicitações em vídeo e telemóvel, cartas e mensagens em catadupa.
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| Fogos de artifício marcaram a festa de réveillon em Edimburgo |
Não importa.
Na realidade só estamos a tentar alertar-nos uns aos outros.
O ano acaba – estamos a dizê-lo -, acaba de fazer o que estavas a fazer.
Por isso sucedem-se os ornamentos e há anúncios de presentes e gorros vermelhos coroados com pompons brancos, compilações especiais comemorativas, os mais geniais de 2011, os mais ricos, os mais rápidos, as frases, o top ten, aqueles acessórios que não deixaste de comprar para a tua casa ou para o teu carro.
Somos assim.
Mas se não for por isto, pelas canções desta época natalícia e outdoors, pelas rabanadas e os jantares de Natal, mais que muitos, encontrar-se-iam a celebrar no Ano Novo com o corpo em Janeiro e a cabeça em Novembro numa postura certamente incómoda.
Pode parecer falta de originalidade, no entanto, este ritual de avisos luminosos e acústicos é um excelente método para evitar que os anos passem rápidos e discretos ao nosso lado.
Começas a receber indirectas em Novembro.
Num dia estás com o teu outonal estado de ânimo a ver a televisão e surpreendes-te contando o quarto anúncio de perfumes num mesmo intervalo.
Deixa-lo passar.
Convences-te de que é casualidade e o mundo continua o seu trilho encosta abaixo para o fim de ano.
E então chega esse momento que não podes negá-lo.
Estás no meio de uma avenida cheia de luzes e cheira a castanhas, há um homem com barba postiça e os escaparates reluzem.
Alguém acerca-se de ti e pergunta-te:
“ E tu o que fazes (fizeste) neste Réveillon ?”.
É isso.
Bem vindo pelo menos a mais um ano.
Sinal de que estás (estavas) vivo.
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