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Talvez circule um táxi livre pela minha cabeça procurando recordações como quem procura clientes pelas ruas da memória.
E encontre algumas vezes lembranças tontas que viajam perto, ou trajectos longos e incómodos, ou destinos que queria esquecidos.
É difícil de entender por que me lembro com demasiada nitidez daquela primeira formiga que comi (quando eu comia por curiosidade), mas esqueço facilmente o que fiz ontem ou inclusive de que carago estou a escrever agora.
Há recordações SPAM que são inapagáveis, mas também documentos valiosos impossíveis de recuperar.
Não recordo Castelo Branco (onde vivi onze anos), mas sim Manchester (haja paciência!).
Não me recordo do meu segundo beijo nem a quem o dei e essa recordação gostava de a recuperar, mas não posso.
E encontre algumas vezes lembranças tontas que viajam perto, ou trajectos longos e incómodos, ou destinos que queria esquecidos.
É difícil de entender por que me lembro com demasiada nitidez daquela primeira formiga que comi (quando eu comia por curiosidade), mas esqueço facilmente o que fiz ontem ou inclusive de que carago estou a escrever agora.
Há recordações SPAM que são inapagáveis, mas também documentos valiosos impossíveis de recuperar.
Não recordo Castelo Branco (onde vivi onze anos), mas sim Manchester (haja paciência!).
Não me recordo do meu segundo beijo nem a quem o dei e essa recordação gostava de a recuperar, mas não posso.
(Sleeping woman, Pablo Picasso)
Recordo, no entanto e ser-me-á impossível de esquecer, o cromo que me faltou para completar o álbum do Mundial de 66.
A quem importa esta merda?
E também recordo a primeira vez que escutei “La vie se chante, la vie se pleure, de Joe Dassin”, ou os três primeiros copos da minha primeira borracheira (por acaso foi pela velhinha garrafa de 'VAT69'), (da quarta já tenho lacunas), ou quando 'lia' os restos da farinha Predilecta e inventava futuros, ou o nome e apelido de todos os meus amigos imaginários.
De um fôlego.
A quem importa esta merda?
E também recordo a primeira vez que escutei “La vie se chante, la vie se pleure, de Joe Dassin”, ou os três primeiros copos da minha primeira borracheira (por acaso foi pela velhinha garrafa de 'VAT69'), (da quarta já tenho lacunas), ou quando 'lia' os restos da farinha Predilecta e inventava futuros, ou o nome e apelido de todos os meus amigos imaginários.
De um fôlego.
Custa-me entender porque recordo o teu número de telefone mas sempre esqueço o meu, ou porque recordo as tuas lágrimas mas não os teus orgasmos, ou o tamanho e a copa do teu sutiã, mas não o dia dos teus anos, nem as tuas alergias, nem a tua cor favorita.
Nem a minha cor favorita.
Eu não tenho uma cor favorita.
Que diabo!
Por isso penso que as recordações não aparecem em função da importância, nem sequer em função do tempo transcorrido.
Não são restos, nem impressões mais ou menos profundas.
São táxis.
Nem a minha cor favorita.
Eu não tenho uma cor favorita.
Que diabo!
Por isso penso que as recordações não aparecem em função da importância, nem sequer em função do tempo transcorrido.
Não são restos, nem impressões mais ou menos profundas.
São táxis.
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