O VIDEIRINHO

quarta-feira, fevereiro 22, 2012

A VOZ À MINHA VIZINHA (Parte II)

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... continuação.


Na escola chegaram um dia a mandar-me ao psicólogo, apanharam-me no quarto de banho a falar comigo mesma… 

Mas para minha surpresa, essas raridades levaram-me direitinha ao reino da loquacidade; onde melhor se poderia perder, que nessa consulta, uma mulher amante das boas e eternas conversas? 

Porque ainda que pareça que é falar por falar, não é bem assim, enquanto duram os cruzamentos de frases e as chuvas de pensamentos, um grupo de mulheres compartilha o seu tempo sem outra preocupação que falar e falar. 

Além disso sempre se aprendem coisas novas e quando a conversação perde o ritmo e não sabes como prosseguir, o melhor é voltar onde se iniciou e começar a desbobinar o fio. 

Ainda que às vezes fique sem fala, com a graciosidade que tenho e o que gosto de dar à língua. 

Pois sim, de repente, invade-me o silêncio, até creio que se me pusesse a dizer algo me espalharia. 



– Olha para ti, ficaste calada, de certeza que acabas de dar conta de que ‘ele’ entrou. 

Desde logo filha, é o único homem que te consegue deixar sem palavras por um instante. 

– Não estou calada, o que se passa… é que quando o vejo dá-se-me um nó e nesse instante, tudo o que tinha previsto dizer-lhe, como que se evapora da mioleira e claro, as ideias amontoam-se e não sei o que se passaria se abrisse a boca. 

O pior de tudo é que me dou conta de que, quando se passa isto, até mudo o tom de voz e oiço-me dizer um: “Olááááá”, que parece saído de um romance dos anos vinte, com voz esganiçada ridícula e o último “á” soa a: dá-me um lenço que me cai a baba.



Mas é que isto é o bom que tem ser mulher, que todas estas saloiadas vão diluídas nas nossas hormonas e é a desculpa perfeita para justificar que não temos culpa de nada, são enganos simples que nos gastam a nossa genética. 

E como ficamos prontas muito antes,  aproveitamos pois, porque nos encanta desfrutar de eternas pequenas conversas saborosas. 

Assim, agradeçamos ao calendário o detalhe de presentear um dia para honrar todas as mulheres: ás mães que dão a vida, ás irmãs que a compartilham e ás filhas que continuam com o sorriso de suas avós. 

Mas que conste, que nós, fiéis aos refrãos, se por acaso, já tínhamos escolhido o resto do ano para dedicámo-lo porque pode suceder que o dia indicado não seja ao nosso gosto. 

Mulher prevenida, vale por duas. 

(A minha vizinha).

 14MAR2011
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