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... continuação.
Na escola chegaram um dia a mandar-me ao psicólogo, apanharam-me no quarto de banho a falar comigo mesma…
Mas para minha surpresa, essas raridades levaram-me direitinha ao reino da loquacidade; onde melhor se poderia perder, que nessa consulta, uma mulher amante das boas e eternas conversas?
Porque ainda que pareça que é falar por falar, não é bem assim, enquanto duram os cruzamentos de frases e as chuvas de pensamentos, um grupo de mulheres compartilha o seu tempo sem outra preocupação que falar e falar.
Além disso sempre se aprendem coisas novas e quando a conversação perde o ritmo e não sabes como prosseguir, o melhor é voltar onde se iniciou e começar a desbobinar o fio.
Ainda que às vezes fique sem fala, com a graciosidade que tenho e o que gosto de dar à língua.
Pois sim, de repente, invade-me o silêncio, até creio que se me pusesse a dizer algo me espalharia.
– Olha para ti, ficaste calada, de certeza que acabas de dar conta de que ‘ele’ entrou.
Desde logo filha, é o único homem que te consegue deixar sem palavras por um instante.
– Não estou calada, o que se passa… é que quando o vejo dá-se-me um nó e nesse instante, tudo o que tinha previsto dizer-lhe, como que se evapora da mioleira e claro, as ideias amontoam-se e não sei o que se passaria se abrisse a boca.
O pior de tudo é que me dou conta de que, quando se passa isto, até mudo o tom de voz e oiço-me dizer um: “Olááááá”, que parece saído de um romance dos anos vinte, com voz esganiçada ridícula e o último “á” soa a: dá-me um lenço que me cai a baba.
Mas é que isto é o bom que tem ser mulher, que todas estas saloiadas vão diluídas nas nossas hormonas e é a desculpa perfeita para justificar que não temos culpa de nada, são enganos simples que nos gastam a nossa genética.
E como ficamos prontas muito antes, aproveitamos pois, porque nos encanta desfrutar de eternas pequenas conversas saborosas.
Assim, agradeçamos ao calendário o detalhe de presentear um dia para honrar todas as mulheres: ás mães que dão a vida, ás irmãs que a compartilham e ás filhas que continuam com o sorriso de suas avós.
Mas que conste, que nós, fiéis aos refrãos, se por acaso, já tínhamos escolhido o resto do ano para dedicámo-lo porque pode suceder que o dia indicado não seja ao nosso gosto.
Mulher prevenida, vale por duas.
(A minha vizinha).
14MAR2011
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