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“Outro habitante na Lua!
Onde vives tu quando te evades, na parte oculta ou na parte luminosa?
Eu habito na parte luminosa, com grandiosas vistas para a Terra.
A outra parte não está tão mal assim, é bastante mais fria e tem vistas para Marte.
A maior parte do tempo passo-o na Terra, ainda tenho que atender muita gente e muitos assuntos, mas aproveito qualquer descuido para voar até à minha base lunar, não posso evitá-lo.
Se durante um desses voos, tentam entrar em contacto comigo, tenho ampla experiência em ligar-me com a conversação 'em espera', para isso sou e sempre fui um lunático toda a vida”
Se durante um desses voos, tentam entrar em contacto comigo, tenho ampla experiência em ligar-me com a conversação 'em espera', para isso sou e sempre fui um lunático toda a vida”
– … sempre com a mesma história.
Não aguento mais.
Estás a escutar-me?
– Estás a ouvir-me?
Sim ou não?
E a voz aguda da minha mulher devolve-me à terra.
– Estás surdo?
Em que é que estavas a pensar, não me queres dizer?
Insiste, agudizando ainda mais o tom de voz.
O grito assemelha-se ao latido de um “caniche toy” e faz-me doer os tímpanos.
– Em nada (asseguro-lhe).
– E escutaste o que te contei?
– Sim.
– Sim?
Então diz-me o que te contei.
– Que não aguentas mais.
– A quem?
– …
– Não vês, fazes-me sempre o mesmo.
Não ligas puto ao que te conto.
Não sei se estás surdo ou se andas a treinar para idiota.
– Perdão, digo baixando o olhar.
– Perdão uma merda.
Eu estava a contar-te os meus problemas no trabalho e tu estavas na Lua.
– Como soubeste?
– Como soube o quê?
– Como soubeste que eu estava na Lua?
18MAR2011
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