O VIDEIRINHO

quinta-feira, maio 17, 2012

BLÁ BLÁ BLÁ




“Diz ao Zé Manel que me espere e procura também o dos recursos humanos, como se chama?... Victor? Vasco? 

(…) 

Isso: Bruno. 
Que me esperem os dois na sala de reuniões. 
Não, espera lá, é melhor na sala de entrada, no r/chão. 
Prefiro que não estejam cientes dos custos. 
Estou a chegar. 
Chego em cinco minutos. 

(…) 
Ainda não têm o balanço e contas? 
E porque carga d’água espera esse filho da p*ta? 
Se lho pedi há já três dias. 

(…) 
Claro, mas se não o tiver na minha secretária às cinco, avisa-me, a ver que porra digo aos “maiorais”. 

(…) 
Queres que seja eu a pagar as favas por culpa desse incompetente? 

(…) 
Importa-me uma merda que seja sobrinho do chefe. 
Se não presta, pois à p*ta que o pariu. 

(…) 
Bom, escuta, que o faça outro. 

(…) 
O estagiário, sim. 
Assim aprende para a próxima. 

 


 

(…) 
Não, não. 
Não te confundas. 
Eu aqui sou um mais. 
Se te peço as coisas já sabes porque é. 
Sabes que se estou f*dido, tu também estás f*dido. 
Inteiraste-te do… já sabes? 

(…)
É isso. 
Outros quinze para a rua antes do Verão. 
Assim, se não me ajudas com isto, vemo-nos os dois na fila dos desempregados. 

(…) 
Bem. 
Chau! 

O passageiro desligou o telemóvel. 

Suspirou. 

Ajustou a gravata. 

Depois olhou-me através do espelho retrovisor. 

Olhei-o. 

Cruzámos olhares. 

Nesse mesmo instante começou a soar no rádio “Born to be wild”, dos Steppenwolf. 

Gosto desta canção. 

Tirei uma mão do volante e aumentei o volume. 

O homem seguiu com os olhos a trajectória da mão e aí parou, com o olhar fixo no rádio. 

Parecia gostar também. 


Baixei o vidro. 

O vento despenteou-o. 

Detive o táxi à porta do seu trabalho. 

Voltei-me para ele. 

– Quanto lhe devo? perguntou-me penteando-se com a mão. 

– Oito euros e cinquenta. 
Quer recibo? 

– Não. 
Isto a empresa não me paga. 
Saí tarde de uma reunião e agora tenho outra e não chegava a tempo certamente; que horas tem? 

– Nenhumas. 
Não possuo relógio. 

Pagou-me e saiu do táxi com pressa. 

Guardei o dinheiro na carteira e iniciei a marcha. 

Virei na primeira rua à direita. 

Ou terá sido à esquerda? 

Não me recordo. 

Recordo, isso sim, a cor da sua gravata. 

Era vermelho salmão.
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