“Diz ao Zé Manel que me espere e procura também o dos recursos humanos, como se
chama?... Victor? Vasco?
(…)
Isso: Bruno.
Que me esperem os dois na sala de
reuniões.
Não, espera lá, é melhor na sala de entrada, no r/chão.
Prefiro que
não estejam cientes dos custos.
Estou a chegar.
Chego em cinco minutos.
(…)
Ainda não têm o balanço e contas?
E porque carga d’água espera esse filho da
p*ta?
Se lho pedi há já três dias.
(…)
Claro, mas se não o tiver na minha secretária
às cinco, avisa-me, a ver que porra digo aos “maiorais”.
(…)
Queres que seja eu a pagar as favas por culpa desse incompetente?
Queres que seja eu a pagar as favas por culpa desse incompetente?
(…)
Importa-me uma merda que
seja sobrinho do chefe.
Se não presta, pois à p*ta que o pariu.
(…)
Bom,
escuta, que o faça outro.
(…)
O estagiário, sim.
Assim aprende para a próxima.
(…)
Não, não.
Não te confundas.
Eu aqui sou um mais.
Se te peço as
coisas já sabes porque é.
Sabes que se estou f*dido, tu também estás f*dido.
Inteiraste-te do… já sabes?
(…)
É isso.
Outros quinze para a rua antes do
Verão.
Assim, se não me ajudas com isto, vemo-nos os dois na fila dos desempregados.
(…)
Bem.
Chau!
O passageiro desligou o telemóvel.
Suspirou.
Ajustou a gravata.
Depois olhou-me através do espelho retrovisor.
Olhei-o.
Cruzámos olhares.
Nesse mesmo instante começou a soar no rádio “Born to be wild”, dos Steppenwolf.
Nesse mesmo instante começou a soar no rádio “Born to be wild”, dos Steppenwolf.
Gosto desta canção.
Tirei uma mão do volante e aumentei o volume.
O homem seguiu
com os olhos a trajectória da mão e aí parou, com o olhar fixo no rádio.
Parecia gostar também.
Baixei o vidro.
O vento despenteou-o.
Detive o táxi à porta do seu trabalho.
Voltei-me
para ele.
– Quanto lhe devo? perguntou-me penteando-se com a mão.
– Oito euros
e cinquenta.
Quer recibo?
– Não.
Isto a empresa não me paga.
Saí tarde de uma
reunião e agora tenho outra e não chegava a tempo certamente; que horas tem?
–
Nenhumas.
Não possuo relógio.
Pagou-me e saiu do táxi com pressa.
Guardei o
dinheiro na carteira e iniciei a marcha.
Virei na primeira rua à direita.
Ou
terá sido à esquerda?
Não me recordo.
Recordo, isso sim, a cor da sua gravata.
Era vermelho salmão.
.


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