O VIDEIRINHO

sábado, maio 05, 2012

RAPINEIROS DE PUNHOS RENDADOS






Eu, José Torres, juro por todos os diabos que jamais, nos meus longos anos de pirataria, conheci melhor tripulação do que esta com que navego agora no “Brilhante”. 

Um punhado de valentes ás ordens do capitão , sulcando os mares sem respeitar bandeira, lei ou coroa e assaltando sem temor todo o barco que se cruze no nosso caminho. 

Ninguém, como o nosso capitão, para infundir valor à marinhagem, ninguém como ele quando é necessário contornar baixios ou contornar temporais. 

Não lhe treme o pulso ao ordenar uma abordagem, como tão-pouco ao elevar o seu cálice, celebrando uma boa pilhagem. 

Mas ai dos amotinados, pois a sua disciplina é rigorosa e não esqueceremos a expressão de Sony, "o grego", quando foi desembarcado num isolado ilhéu sem mais nada do que umas bolachas, uma cana de pesca e uma arma carregada. 


E é que, como repete sempre Jack, "o torto", o código de honra dos cavaleiros da fortuna é lei nos sete mares. 

E Sony, "o grego", falou demais, murmurou durante umas guardas acerca de um tesouro escondido e um mapa tatuado na barriga do capitão. 

Pagou caro a sua codícia e foi um castigo bem merecido. 

Somos espíritos livres, sim e orgulhosos. 

Todos sabemos que os nossos “coiros” não valem um “tusto” se cairmos nas mãos de algum barco inimigo. 

E ainda assim não tememos, pois descendemos da ralé de Flint e de Drake, da raça de Morgan e Barba-Negra, dessa indomável estirpe lendária, que alimenta os sonhos dos jovens e acende o ânimo das belas senhoritas em terra firme. 


E de nós, do “Brilhante”, também se contarão amanhã façanhas e aventuras? 

Pois ainda que a nossa pele seja negra, não é de vela a nossa nave e em lugar de sabres a arcabuzes, disparamos armas automáticas, sustém os nossos dias o mesmo impulso de antanho, no mesmo fogo que jurámos na ilha do diabo, e o mesmo temor instila a nossa proa quando aparece num qualquer confim dos mares de Somália. 
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