Eu, José Torres, juro por todos os diabos que jamais, nos
meus longos anos de pirataria, conheci melhor tripulação do que esta com que
navego agora no “Brilhante”.
Um punhado de valentes ás ordens do capitão ,
sulcando os mares sem respeitar bandeira, lei ou coroa e assaltando sem temor
todo o barco que se cruze no nosso caminho.
Ninguém, como o nosso capitão, para
infundir valor à marinhagem, ninguém como ele quando é necessário contornar
baixios ou contornar temporais.
Não lhe treme o pulso ao ordenar uma abordagem,
como tão-pouco ao elevar o seu cálice, celebrando uma boa pilhagem.
Mas ai dos
amotinados, pois a sua disciplina é rigorosa e não esqueceremos a expressão de
Sony, "o grego", quando foi desembarcado num isolado ilhéu sem mais nada do que
umas bolachas, uma cana de pesca e uma arma carregada.
E é que, como repete sempre Jack, "o torto", o código de
honra dos cavaleiros da fortuna é lei nos sete mares.
E Sony, "o grego", falou
demais, murmurou durante umas guardas acerca de um tesouro escondido e um mapa
tatuado na barriga do capitão.
Pagou caro a sua codícia e foi um castigo bem
merecido.
Somos espíritos livres, sim e orgulhosos.
Todos sabemos que os nossos
“coiros” não valem um “tusto” se cairmos nas mãos de algum barco inimigo.
E
ainda assim não tememos, pois descendemos da ralé de Flint e de Drake, da raça
de Morgan e Barba-Negra, dessa indomável estirpe lendária, que alimenta os
sonhos dos jovens e acende o ânimo das belas senhoritas em terra firme.
E de nós, do “Brilhante”, também se contarão amanhã
façanhas e aventuras?
Pois ainda que a nossa pele seja negra, não é de vela a
nossa nave e em lugar de sabres a arcabuzes, disparamos armas automáticas,
sustém os nossos dias o mesmo impulso de antanho, no mesmo fogo que jurámos na
ilha do diabo, e o mesmo temor instila a nossa proa quando aparece num qualquer
confim dos mares de Somália.
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