O VIDEIRINHO

segunda-feira, maio 14, 2012

RAQUEL

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Dizia chamar-se Raquel. 

Entrou no meu táxi na Rotunda da Boavista e de seguida começámos a falar de temas cada vez mais sugestivos: o trânsito, o desemprego, a corrupção, o seu namorado e por último o amor. 

Raquel gostava do seu namorado, mas desde que viviam juntos confessou-me, que se aborrecia como um macaco enjaulado. 

O seu namorado não gostava de sair, era demasiado caseiro. 

Ela, no entanto, era mais de procurar sensações, de estar com pessoas e viver para além do zapping e do sofá. 

– Mais ainda desde que encerraram o Megaupload, acrescentou. 

Pouco antes de chegarmos ao seu destino disse-me que, na realidade, não tinha em vista, de imediato, nenhum plano, que faria tempo por aí, para não chegar tão cedo a casa. 

Eu sugeri que me acompanhasse no meu táxi, que passasse para o banco da frente e continuássemos com a conversa enquanto dávamos umas voltas pelas ruas do Porto. 

 

Raquel gostou do meu plano. 

Pagou-me o seu trajecto, saiu e voltou a entrar, sentando-se no banco dianteiro, a meu lado. 

Falei-lhe do INSÉTE, assim como nos projectos literários (da novela que está em estudo, rsss, rsss, rsss). 

– Agora estou a topar! 
Tu és o taxista que está sempre bem disposto, não é verdade? 

Imediatamente propus-me escrever algo sobre ela no meu blog, assim como dos meus projectos literários. 

Cinco whiskies depois, talvez vítimas do álcool, beijámo-nos. 

Depois acabámos em minha casa. 

Em princípio pensei que Raquel era a típica mulher que necessitava de uma vida à margem da sua rotina, sentir-se desejada através de outros homens. 

 

Na verdade, durante o sexo, mostrou-se do mais desinibido que já vi: teve mais orgasmos do que eu. 

Mas hoje ao despertar, já não estava. 

Tão-pouco encontrei a minha guitarra Yamaha (com a sua bolsa), nem o meu computador portátil, nem a minha carteira com cerca de seiscentos euros que guardava na mesinha de cabeceira, nem o meu telemóvel com dois cartões. 

Nota: 
Escrevo isto a partir de uma cabine telefónica. 

Já cancelei os cartões de crédito. 

Avisei a TMN e a Vodafone. 

Também denunciei a tal Raquel (se esse é, verdadeiramente, o seu verdadeiro nome - mais uma das minhas palinfrasias). 

Só quero dizer que se a merda do Megaupload continuasse activo, talvez Raquel tivesse ficado na merda da sua casa, com o filho da puta do seu namorado. 
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4 comentários:

Tétisq disse...

ahahah...ups*

Táxi Pluvioso disse...

A Raquel da foto não terá problemas na vida.

xistosa, josé torres disse...

tétisq

Nem sei se dá vontade de rir...

xistosa, josé torres disse...

Táxi Pluvioso

E não teve... "limpou-me" completamente!