.
Dizia chamar-se
Raquel.
Entrou no meu táxi na Rotunda da Boavista e de seguida começámos a
falar de temas cada vez mais sugestivos: o trânsito, o desemprego, a corrupção,
o seu namorado e por último o amor.
Raquel gostava do seu namorado, mas desde
que viviam juntos confessou-me, que se aborrecia como um macaco enjaulado.
O
seu namorado não gostava de sair, era demasiado caseiro.
Ela, no entanto, era
mais de procurar sensações, de estar com pessoas e viver para além do zapping e
do sofá.
– Mais ainda desde que encerraram o Megaupload, acrescentou.
Pouco
antes de chegarmos ao seu destino disse-me que, na realidade, não tinha em vista, de imediato, nenhum
plano, que faria tempo por aí, para não chegar tão cedo a casa.
Eu sugeri
que me acompanhasse no meu táxi, que passasse para o banco da frente e
continuássemos com a conversa enquanto dávamos umas voltas pelas ruas do Porto.
Raquel gostou do meu plano.
Pagou-me o seu trajecto, saiu e voltou a entrar, sentando-se no banco
dianteiro, a meu lado.
Falei-lhe do INSÉTE, assim como nos projectos
literários (da novela que está em
estudo, rsss, rsss, rsss).
– Agora estou a topar!
Tu és o
taxista que está sempre bem disposto, não é verdade?
Imediatamente propus-me
escrever algo sobre ela no meu blog, assim como dos meus projectos literários.
Cinco whiskies depois, talvez vítimas do álcool, beijámo-nos.
Depois acabámos
em minha casa.
Em princípio pensei que Raquel era a típica mulher que
necessitava de uma vida à margem da sua rotina, sentir-se desejada através de
outros homens.
Na verdade, durante o sexo, mostrou-se do mais desinibido que já
vi: teve mais orgasmos do que eu.
Mas hoje ao despertar, já não estava.
Tão-pouco encontrei a minha guitarra Yamaha (com a sua bolsa), nem o meu
computador portátil, nem a minha carteira com cerca de seiscentos euros que guardava
na mesinha de cabeceira, nem o meu telemóvel com dois cartões.
Nota:
Escrevo
isto a partir de uma cabine telefónica.
Já cancelei os cartões de crédito.
Avisei a TMN e a Vodafone.
Também denunciei a tal Raquel (se esse é, verdadeiramente, o seu
verdadeiro nome - mais uma das minhas palinfrasias).
Só quero dizer que se a merda do Megaupload continuasse activo, talvez
Raquel tivesse ficado na merda da sua casa, com o filho da puta do seu
namorado.
.



4 comentários:
ahahah...ups*
A Raquel da foto não terá problemas na vida.
tétisq
Nem sei se dá vontade de rir...
Táxi Pluvioso
E não teve... "limpou-me" completamente!
Enviar um comentário