O VIDEIRINHO

quinta-feira, agosto 02, 2012

INTÉ!!!

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Imagina que por fim consegues atingir o cume da montanha das recordações, a tua primeira ‘oito mil’, (são catorze as montanhas com mais de oito mil metros) e que imediatamente a teres cravado a tua bandeira, a montanha começa a mover-se e desmorona-se a teus pés, cais depois dela, até te matar sobre os escombros do campo base. 

Imagina que abates com um tiro na nuca essa sombra que há vários meses te “lixa a porca da vida” e que depois ‘plantas’ um pé sobre a tua presa em sinal de vitória, penteias-te para a foto e, justamente quando explode o flash, dás-te conta que essa sombra não era só uma sombra, senão a mulher da tua vida escondida por trás dos teus preconceitos, agora cadáver. 

Imagina que um dentista se dispõe a broquear-te o molar em mau estado; confias e relaxas porque não dói, mas pouco a pouco começas a notar como se dissipa a anestesia. 

Imagina essa dor de repente. 

 

É isso mesmo, exactamente o mesmo que se passa agora contigo. 

Quando por fim te tinha controlada na minha cabeça (os teus beijos decompondo-se num tupperware, a tua voz afogada em pós de tacto), de repente chega-me um vídeo via o estafermo do Facebook e, não sei porquê, clico. 

E apareces feliz, solta, desenvolta, apontando o dedo ao luto ou talvez a mim, à minha montanha convertida em lixo (e eu lá no alto, com a minha bandeira na mão fingindo que respiro liberdade). 

Mais bela do que nunca, mais feliz do que comigo, com a saia mais curta, bailando e saltando sobre uma cama enorme que não é a tua cama e tão-pouco a minha. 

E os ciúmes da tua nova vida levam-me a pensar que não era esquecimento, mas sim anestesia. 

E tu o dentista. 

Agora o presente afoga-me e queima-me. 

Tu eras a frigideira fervente, eu o peixe vivo. 

 

Não sei se devo, mas quero (ou não sei se quero, mas devo) dar um passo, seja em que direcção for, mas não aqui, não com o meu táxi, prefiro estacioná-lo e fugir dos teus cantos de sereia e nadar mar adentro, ou viajar para onde não entendam o meu idioma. 

Necessito escapar do teu instante, do meu eu sem ti, jogar a ser pedra que sonha com musgo e mandar tudo à merda, blog (INSÉTE) incluído. 

Tinha pensado escrever algo por este Agosto, mas agora sei que não quero, ainda que devesse (ou sei que não devo, ainda que pudesse). 

Agora sei que necessito dispensar-me (ou talvez “despensar-me”). 

Desprender-me. 

Viajar para Sul para perder o Norte. 

Vemo-nos em Setembro. 

Ou não. 
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2 comentários:

Tétisq disse...

Bom...até Setembro. Espero que por essa altura refeito do doloroso tratamento. *

Táxi Pluvioso disse...

O Facebook é terrível até o Cavaco não sai de lá.