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| TIRADA DAQUI |
Duas bolhas ‘pinando’ suavemente.
O homem bolha, enquanto penetra com o seu fálico pistão a mulher bolha, considera que talvez, pela sua parte a esteja a inflar.
Teme que a mulher bolha inche demasiado e expluda entre os seus braços.
Por isso morde os seus bicos (acreditando que são as tampas das suas válvulas de escape) com a urgência de tentar aliviar a pressão nela e a salvar.
As suas mamas sabem a plástico doce.
A mulher bolha, pelo seu lado, desfruta ao sentir um corpo estranho dentro do seu corpo estranho.
Parece inchada de prazer, flutuando, como se o homem bolha a injectasse de hélio por entre as pernas.
A fricção entre ambos os corpos começa a gerar electricidade estática.
O homem bolha acredita que é sintoma de um amor permeável.
A mulher bolha, interpreta-o como um prelúdio para o seu iminente orgasmo.
Em qualquer dos casos, ambos têm eflúvios.
Ele ejacula fragmentos das paredes da sua bolha.
Ela fica com eles interiormente sem dizer nada.
O homem bolha quando desperta na manhã seguinte, a mulher bolha não está.
Deixou algo escrito sobre a almofada:
“Necessito pensar.
Levo o teu táxi”.
O homem bolha sorri.
Por segurança, deixa sempre um espeto oculto no encosto do assento do condutor.
Quando ela se sentar explodirá a sua bolha.
Voltará sem a sua armadura e a sua alma dura, tornar-se-á branda.
O homem bolha pensa como será ela quando regressar sem a sua bolha.
Agora ao homem bolha custa-lhe respirar.
A bolha do homem desinfla-se.
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