O VIDEIRINHO

terça-feira, outubro 02, 2012

DO CONTRA


.


Algo tinha que fazer. 

No início e enquanto durou, não o nego, funcionou na perfeição. 

Venâncio era tão mal educado e desobediente que ao ordenar-lhe algo, nunca obedecia e de pura malvadez, fazia tudo exactamente ao contrário. 

Ao dizer-lhe para fazer alguma coisa, para ele, significava, quase literalmente, o oposto. 

A minha amiga Susana foi a primeira a usar a “psicologia inversa”. 

Nunca limpes o teu quarto” gritou a minha mulher com voz de irritada e, no dia seguinte, o que dizia respeito ao nosso filho, amanheceu melhor do que se o tivesse limpado ela. 

«Não comas verduras», «não faças a tarefa», «não escoves os dentes» e «joga futebol no refeitório», foram só algumas das muitas ordens e conselhos que deram resultado. 

Conseguimos que Venâncio (um sacana encapotado), ao querer portar-se mal, terminara por portar-se bem; mas, finalmente, tive que intervir. 



Quando a minha amiga Susana lhe mandou meter os dedos na tomada eléctrica, pareceu-me um exagero. 

Os cientistas identificaram áreas do cérebro adolescente que experimentam um maior desenvolvimento ao tentar resistir ás pressões dos seus companheiros para se portarem mal. 

Os descobrimentos dos investigadores da Universidade de Oregon, (EUA), proporcionaram-lhes informação básica sobre a organização cerebral nesta idade do desenvolvimento do cérebro. 

O adolescente é susceptível à pressão dos companheiros, mas também melhora e muito, as suas capacidades de resistência. 

No estudo, publicado na revista “Neuron”, participaram 24 garotas e 14 garotos de diversas etnias e níveis sócio-económicos, que passaram por scanners de imagens de ressonância magnética funcional aos 10 e aos 13 anos.
.

Sem comentários: