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Era um condomínio fechado, distante de tudo.
Um autêntico inferno, (para beber um copo), tendo em conta que o bar mais próximo encontrava-se a não menos de três quilómetros.
Procurava a saída com o dispositivo luminoso aceso (de livre), virando à direita e à esquerda segundo as indicações do GPS.
Já no acesso principal àquele labirinto, um homem postado numa paragem de autocarros, fez-me o sinal habitual de levantar o braço e chamar-me à atenção..
Detive-me à sua altura; acercou-se do táxi e em vez de abrir a porta do seu lado, contornou o táxi e fez-me sinal para baixar o vidro.
- Tem um carregador de iPhone? Perguntou-me.
- Como?
- Se tem um carregador de iPhone.
Fiquei sem bateria.
- Mmm... Sim!
Mas quer que o leve a algum sítio?
- Não, não.
Estou só à espera do autocarro.
Se não se importa de esperar aqui comigo enquanto eu carrego o meu iPhone...
Coloque o taxímetro a funcionar e quando chegar o autocarro pago-lhe o que marcar, está bem?
- Bem, de acordo, disse-lhe.
O homem estendeu-me o iPHone e eu coloquei-o a carregar no carregador do táxi.
Depois accionei o taxímetro.
- Não prefere entrar no táxi até que chegue o autocarro?
Aí fora está frio.
- Está bem, de acordo, disse-me e sentou-se ao meu lado.
O homem era parco em palavras.
Para quebrar o gelo perguntei-lhe quanto tempo demoraria a chegar o autocarro; respondeu-me que cerca de quinze a vinte minutos.
Imediatamente se fez silêncio.
Um silêncio incómodo, estranho.
O homem olhava para o seu iPhone como quem espera numa fila para comprar droga.
Era uma mistura de decoro e urgência, de desejo e síndroma de abstinência.
- Se você acelerar o motor carregará mais depressa? Perguntou-me de repente
- Temo que não, disse-lhe.
Minutos mais tarde adverti-o que o autocarro se aproximava.
Parei o taxímetro, o homem pagou-me os 3,50 € da "não viagem" e saiu do táxi.
Aquele foi sem dúvida o trajecto mais curto da minha vida.
Mas acrescentou-lhe um novo argumento à minha teoria do caos:
Estamos a tornar-nos irreversivelmente loucos.
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