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E mesmo sem querer, tudo acaba girando em redor do sexo.
Mortificas-te
no ginásio para que as “garinas” se fixem em ti.
Gastas balúrdios em roupa
para que as “garinas” se fixem em ti.
Vais para os copos para que as
“garinas” se fixem em ti.
Trabalhas para pagares o ginásio, as roupas, os copos e assim, de certo modo, também trabalhas para que as “garinas” se fixem em ti.
E os copos, o beber, é
a tua forma de afogar essa timidez congénita.
Cada sábado sais com o teu grupo
de amigos e ao terceiro JB no boteco de sempre, acercas-te de uma qualquer “garina”
que se coloque a jeito e tentas entabular uma conversa jovial e sorris, porque
sabes que essas covinhas as põem loucas.
Só ás vezes é que a “garina” se deixa
levar e acaba sucumbindo e tu acercas-te e beija-la.
E ás vezes, quando o
“amasso” sabe a pouco e vive só, num andar compartido, convida-te para que
subas.
E pode dar-se o caso de aplicares o teu arsenal de fantasias, dás-lhe duas
ou três quecas mercenárias sem a olhares nos olhos e, quando ela adormece,
partes.
Sais a porta e procuras um táxi.
E agora, a
partir do assento traseiro, sorris e, volta e meia, franzes o sobrolho.
Recordas com todos os detalhes o bonito que foi o processo com esta fulana cujo
nome não te recordas.
Outro novo triunfo na vida sexual de Charlie Harper,
pensas.
Mas rapidamente chega o vazio: e agora fazer o quê?
Partir para outra?
E o que me trará a seguinte?
Mais do mesmo?
Copos, galanteio e sexo.
Copos,
galanteio e sexo.
A loira de há um par de semanas, a de cabelo curtinho do mês
passado, a morena de há apenas dez minutos.
Colecção de experiências sexuais.
Metê-la
num sem fim de buracos sem alma, metê-la no nada uma e outra vez, zero + zero + zero.
Trabalhas para pagares o ginásio, para pagares a roupa, para pagares os copos, só com a única intenção de somar zeros e depois chegas a casa dos teus pais e metes-te na cama de todo uma vida, a mesma que te viu crescer e pensas: amanhã mais do mesmo.
Só sexo consentido e sem sentido.
Só isso.
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