O VIDEIRINHO

segunda-feira, maio 06, 2013

C'UM CATANO !

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Por fim chegou o tão ansiado momento de delírio. 

Mas conto-vos. 

Noutro dia fui a uma entrevista de muitas a que tenho acedido, não me recordando bem do que se tratava; palavra puxa palavra, desbobinam-se recordações e ás tantas pediram-me que contasse uma das minhas anedotas, preferentemente, passada no táxi. 

Imediatamente me veio à cabeça uma em concreto e contei-a com todo o luxo de detalhes. 

O caso é que depois recordei que, nesse dia, aquele episódio tinha-o inventado de princípio ao fim para este blog. 

Não era real, mas descrevi-a, para aquele “entendido” convencido de que sim, que o era, recordando inclusive a descrição física e os gestos exactos do passageiro em questão. 

Longe de preocupar-me, aquilo pareceu-me um milagre. 

 

Quando chegas a um ponto de confundir ficção e realidade e começas a ter lembranças nítidas de ficções criadas por ti, é tentador construir um passado “a la carte”, subtraindo traumas e adicionando realizações ao teu capricho. 

Imagina que reescreves a tua própria infância e adolescência e em lugar daquele miúdo que te chateava nos recreios (ainda não havia o bullying), inventas que eras tu que o chateavas e a jovem feiosa que desvirginaste, converte-la em princesa, ou o teu fracasso escolar em cum laude

Imagina que assim corriges os teus pecados: reescrevendo com um tom realista um passado paralelo. 

Imaginai as massas que teria aforrado em psiquiatras (e em álcool) se o tivesse sabido antes. 
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1 comentário:

Táxi Pluvioso disse...

O passageiro só pode ser o Marcelo Rebelo de Sousa.