quinta-feira, julho 01, 2010
TOMATES DE RONALDO
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Tirada daqui
Tirada daqui“Os golos são como o ketchup, quando aparecem, chegam todos juntos”.
Parece-me que foi assim que se exprimiu.
A frase, uma maneira prosaica de destapar o frasco das essências, é uma reflexão sul africana de Cristiano Ronaldo.
Contra a selecção espanhola, o molho do chefe português foi pardo e insípido, a modos com o que se passou em todo o Mundial.
Não houve tomates, o frasco continuou tapado e o conteúdo fora de prazo.
O “capitão” foi incapaz de dobrar o Cabo da Boa Esperança ao leme da nave de Queiroz e imitar os feitos gloriosos dos seus antepassados.
O marinheiro de água doce volta ao porto, com as velas dobradas e enrugadas e no porão um único golo, um golo anedótico num auto-passe involuntário com a corcunda, à Coreia do Norte, o pior conjunto do torneio.
CR7, a versão internacional de CR9, é tão inconsequente nas grandes pelejas como nos mares dos clubes.
A ansiedade, o excesso de responsabilidade e a competitividade pessoal garrotam as pernas mágicas de um dos grandes craques do panorama planetário.
Contra Espanha nem sequer lhe cabe a desculpa de actuar em contradição com as suas apetências.
Desta vez Queiroz fez caso das suas insistentes queixas e deslocou-o do eixo de ataque onde tinha proclamado que não gosta de jogar.
A nossa estrela esqueceu-se pura e simplesmente que na sua grande época no Manchester United, Ferguson utilizava-o, nas grandes ocasiões como avançado e não como extremo.
“Cristiano deve estar em função do grupo e se tiver que jogar como guarda-redes, fa-lo-á”, prognosticou o seleccionador depois da igualdade contra o Brasil.
Uma declaração de intenções convertida em papel molhado debaixo da chuva diluviana da Cidade do Cabo.
Sobre o empapado relvado do estádio Green Point recuperou o seu poleiro apetecível.
Teve Hugo Almeida como parceiro no meio e Simão Sabrosa, nas poucas ocasiões em que a equipa gozou da posse da bola, para acabar com a sua solidão nos limites da área rival, outra das suas reivindicações.

Actuou livre sem que os defesas espanhóis lhe dessem oportunidade de virar-se ao receber a bola, nem de partir no um contra um um.
Ramos, Puyol e Piqué, neutralizaram-lhe as arrancadas, as acelerações e mudanças de velocidade, as facetas em que costuma ser letal.
POUCO RENDIMENTO
Encarregou-se de marcar os livres com o seu estilo pistoleiro, como quando colocou em apuros Casillas.
Tentou aproveitar os lançamentos compridos de Eduardo.
Intentou provocar faltas, tiradas do reportório teatral de todos os jogadores de futebol, quase sem excepção, despreocupou-se das incursões dos alas espanhóis e desbaratou a sua liberdade de movimentos.
Demasiado pouco para uma estrela fulgente que tinha anunciado a sua intenção de explodir no Mundial.
Com o seu capitão por estibordo e bombordo pela proa, os “Navegantes” jogaram encolhidos à espera de surpreenderem com um golpe directo, vertical, rápido, num roubo de bola.
Pepe repetiu a função, como contra o Brasil, diante de R. Carvalho e Bruno Alves, secundados por Meireles, em trabalho de desbobinarem o novelo espanhol e fechar o passe interior.
Na fase de contenção, a formação “naval” centrou-se num 4-1-3-2 que até chegou a 5-4-1, na sequência de maiores vagas.
O dispositivo foi concebido na procura da transição rápida quando ganhassem a bola e culminar a jogada com tiros de meia distância, a cargo de Tiago, ou centros de Coentrão e Meireles pelos flancos na direcção da cabeça de H. Almeida.
Queiroz leu as cartas de marear que Mourinho utilizou no “naufrágio” do Barcelona, mas tudo foi por água abaixo, com a entrada de Llorente, um avançado à antiga.
Então, quando a fruta estava madura, foi mais do que evidente que os tomates de Ronaldo estavam a cair de podre.
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Parece-me que foi assim que se exprimiu.
A frase, uma maneira prosaica de destapar o frasco das essências, é uma reflexão sul africana de Cristiano Ronaldo.
Contra a selecção espanhola, o molho do chefe português foi pardo e insípido, a modos com o que se passou em todo o Mundial.
Não houve tomates, o frasco continuou tapado e o conteúdo fora de prazo.
O “capitão” foi incapaz de dobrar o Cabo da Boa Esperança ao leme da nave de Queiroz e imitar os feitos gloriosos dos seus antepassados.
O marinheiro de água doce volta ao porto, com as velas dobradas e enrugadas e no porão um único golo, um golo anedótico num auto-passe involuntário com a corcunda, à Coreia do Norte, o pior conjunto do torneio.
CR7, a versão internacional de CR9, é tão inconsequente nas grandes pelejas como nos mares dos clubes.
A ansiedade, o excesso de responsabilidade e a competitividade pessoal garrotam as pernas mágicas de um dos grandes craques do panorama planetário.
Contra Espanha nem sequer lhe cabe a desculpa de actuar em contradição com as suas apetências.
Desta vez Queiroz fez caso das suas insistentes queixas e deslocou-o do eixo de ataque onde tinha proclamado que não gosta de jogar.
A nossa estrela esqueceu-se pura e simplesmente que na sua grande época no Manchester United, Ferguson utilizava-o, nas grandes ocasiões como avançado e não como extremo.
“Cristiano deve estar em função do grupo e se tiver que jogar como guarda-redes, fa-lo-á”, prognosticou o seleccionador depois da igualdade contra o Brasil.
Uma declaração de intenções convertida em papel molhado debaixo da chuva diluviana da Cidade do Cabo.
Sobre o empapado relvado do estádio Green Point recuperou o seu poleiro apetecível.
Teve Hugo Almeida como parceiro no meio e Simão Sabrosa, nas poucas ocasiões em que a equipa gozou da posse da bola, para acabar com a sua solidão nos limites da área rival, outra das suas reivindicações.

Actuou livre sem que os defesas espanhóis lhe dessem oportunidade de virar-se ao receber a bola, nem de partir no um contra um um.
Ramos, Puyol e Piqué, neutralizaram-lhe as arrancadas, as acelerações e mudanças de velocidade, as facetas em que costuma ser letal.
POUCO RENDIMENTO
Encarregou-se de marcar os livres com o seu estilo pistoleiro, como quando colocou em apuros Casillas.
Tentou aproveitar os lançamentos compridos de Eduardo.
Intentou provocar faltas, tiradas do reportório teatral de todos os jogadores de futebol, quase sem excepção, despreocupou-se das incursões dos alas espanhóis e desbaratou a sua liberdade de movimentos.
Demasiado pouco para uma estrela fulgente que tinha anunciado a sua intenção de explodir no Mundial.
Com o seu capitão por estibordo e bombordo pela proa, os “Navegantes” jogaram encolhidos à espera de surpreenderem com um golpe directo, vertical, rápido, num roubo de bola.
Pepe repetiu a função, como contra o Brasil, diante de R. Carvalho e Bruno Alves, secundados por Meireles, em trabalho de desbobinarem o novelo espanhol e fechar o passe interior.
Na fase de contenção, a formação “naval” centrou-se num 4-1-3-2 que até chegou a 5-4-1, na sequência de maiores vagas.
O dispositivo foi concebido na procura da transição rápida quando ganhassem a bola e culminar a jogada com tiros de meia distância, a cargo de Tiago, ou centros de Coentrão e Meireles pelos flancos na direcção da cabeça de H. Almeida.
Queiroz leu as cartas de marear que Mourinho utilizou no “naufrágio” do Barcelona, mas tudo foi por água abaixo, com a entrada de Llorente, um avançado à antiga.
Então, quando a fruta estava madura, foi mais do que evidente que os tomates de Ronaldo estavam a cair de podre.
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terça-feira, junho 22, 2010
VUVUZELAS
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Explicam os eruditos em costumes sul-africanos que de repente irromperam à nossa beira que, o som das vuvuzelas, essas trompetas pindéricas mais arrepiantes que a insuportável Lady Gaga, tratam de expressar o barrido, (ou barrito), dos elefantes daquelas paragens.
Uma vuvuzela fustigando e azucrinando pode homenagear o ventoso sopro do nobre paquiderme, mas milhares de trompetas de plástico ao mesmo tempo, presumem o rugir de uma multidão alvoroçada que até provoca enxaqueca.
Todos os grandes acontecimentos escondem algo, normalmente essa miséria que se deposita debaixo do tapete da alegria colectiva.
A transição na África do Sul não terminou ainda: finalizará no dia que desapareçam os imensos bairros de barracas que jazem com a sua sujidade ao lado das cidades dos abastados.
Os pobres continuam a viver no ambiente de miséria e marginalização, procuram o sustento diário com a delinquência e o seu futuro manifesta-se tão negro como o seu continente.
Os ricos permanecem encerrados nas suas fortalezas, enclausurados atrás de grades, de alarmes e dos chamados “botões do pânico”, um comando à distância que se enlaça com os vigilantes privados.
A polícia não é suficiente.
O tempo de reacção dos seguranças, trezentos mil em toda a África do Sul, é de cinco minutos.
Não há cor e por isso os ricos passeiam-se com o chaveiro do pânico.
Há vinte mil assassinatos por ano.
Morre mais gente no país da pistola e do circo Mundial que no Iraque, só que ali, em teoria, não há guerra.
Entretanto, (aliás), todos estes problemas que se enquistaram como um veneno que vai corroendo por dentro e para o qual não existe antídoto parece que se diluem sob o mantra vociferante das vuvuzelas vomitando a sua sinfonia de selva artificial.
Futebol é futebol, disse-o o poeta.
Ai não foi o poeta?
Então desculpem!
Fui eu!!!
Uma vuvuzela fustigando e azucrinando pode homenagear o ventoso sopro do nobre paquiderme, mas milhares de trompetas de plástico ao mesmo tempo, presumem o rugir de uma multidão alvoroçada que até provoca enxaqueca.
Todos os grandes acontecimentos escondem algo, normalmente essa miséria que se deposita debaixo do tapete da alegria colectiva.
A transição na África do Sul não terminou ainda: finalizará no dia que desapareçam os imensos bairros de barracas que jazem com a sua sujidade ao lado das cidades dos abastados.
Os pobres continuam a viver no ambiente de miséria e marginalização, procuram o sustento diário com a delinquência e o seu futuro manifesta-se tão negro como o seu continente.
Os ricos permanecem encerrados nas suas fortalezas, enclausurados atrás de grades, de alarmes e dos chamados “botões do pânico”, um comando à distância que se enlaça com os vigilantes privados.
A polícia não é suficiente.
O tempo de reacção dos seguranças, trezentos mil em toda a África do Sul, é de cinco minutos.
Não há cor e por isso os ricos passeiam-se com o chaveiro do pânico.
Há vinte mil assassinatos por ano.
Morre mais gente no país da pistola e do circo Mundial que no Iraque, só que ali, em teoria, não há guerra.
Entretanto, (aliás), todos estes problemas que se enquistaram como um veneno que vai corroendo por dentro e para o qual não existe antídoto parece que se diluem sob o mantra vociferante das vuvuzelas vomitando a sua sinfonia de selva artificial.
Futebol é futebol, disse-o o poeta.
Ai não foi o poeta?
Então desculpem!
Fui eu!!!
segunda-feira, junho 21, 2010
PREPARA O EQUIPAMENTO
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O FUTEBOL ESTÁ AO RUBRO

Duas garrafas de “duas quintas”, uma no Douro e outra no Alentejo
Doze latas de cerveja, (não fazem cacos nem tanto barulho quando caem ao chão)
Um salpicão e um chouriço (linguiça lá pró Sul) em rodelas
Um naco de presunto fatiado fino, ou de fino fatiado ou ainda fino presunto fatiado.
Um pratinho de rabo de porco à “josé torres”

Um pão de cereais não muito grande (tenha cuidado porque mesmo estes fazem engordar)
Uma Garrafa de Whisky
Dois pacotes de aperitivos, (castanha do Maranhão e castanha de caju picantes e salgados
Um litro de águas das pedras, para ajudar, no fim do jogo as percas líquidas e ajudar a digestão
Meia dúzia de guardanapos para limpar mãos e ventas.

Palitos para “picar” o “ponto” nos diversos “relógios” (leia-se pratos) e para o final do jogo
Uma caixa de cigarrilhas e, ou, dois charutos
Fósforos ou fórforos, que nesta altura do jogo a lingua já não obedece à linguagem
E uma poltrona para te sentares quando estiveres podre de bêbad@.
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sábado, junho 19, 2010
ANALFABETOS POLÍTICOS
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Não está escrito que para ser um bom político terá que possuir um curriculum académico brilhante – veja-se a confusão com habilitações de alguns políticos, chegando-se ao cúmulo de tentar passar pelo que se não é – mas parece evidente que o nível médio da classe dirigente de um país, será tanto mais alto quanto maior preparação reúna.
Em França, uma nação de sólida tradição educativa, as escolas técnicas da administração têm provido o Estado de um corpo de direcção que garante a boa gestão e a continuidade de um serviço público competente.
O panorama em Portugal é bem mais desolador porque o excessivo peso da partidocracia povoou a política de militantes sem maior mérito que o da permanência e a obediência carneiresca, incapazes na sua maior parte de competir com êxito num mercado de trabalho igualitário.

Se colocarmos o preto no branco sobre o nível académico de autarcas, verifica-se a indigência de estudos da grande maioria, e talvez fosse pertinente fazer uma análise de quantos terão cursado uma qualquer licenciatura.
Tenho a certeza que os dados seriam pavorosos e não podemos esquecer que o poder local é a principal estrutura política da administração portuguesa, (são eles, os caciques, quejandos e outros que dominam o país).
Tentei fazer um “quadro”, não negro, mas perto da realidade das habilitações de muitos, mas a grande maioria negou-se a colaborar.
Talvez a grande maioria se sinta satisfeita, não obstante terem uma formação insuficiente e deficiente.

A relevância deste panorama é grave porque nos dá uma perspectiva do grau de competência da nossa política e pode explicar, pelo menos em parte, a corrupção, imoralidade, suborno, desonestidade … de muitos edis e o alto nível de corrupção do poder local.
Uma classe política, funcionalmente analfabeta, onde só se sabe contar dinheiro e impera o caciquismo, torna-se letal para um país.
E temos que ter em conta, além do mais, que o âmbito municipal é a “instituição” formadora da política parlamentar, para além dos que caem de pára-quedas sem saber ler, nem escrever.
Neste contexto, a eterna polémica sobre o salário dos políticos, não deve centrar-se nos deputados ou membros do Governo ou dos altos funcionários do Estado, regra geral remunerados com parcimónia; é nas autarquias e municípios onde vegeta uma tropa mal preparada, com poucos ou nenhuns estudos, que gananciosamente tendem a ganhar, no exercício da política, mais dinheiro do que a sua preparação lhe permitiria obter em qualquer outro trabalho ao seu alcance.
A baixa qualidade da política portuguesa não é casual.
Levamos anos desprezando o mérito e o esforço, e a política converteu-se num espaço do que fogem ou ao qual se recusam acercar muitas pessoas capazes que não suportam o poder da mediocridade.
Os pulhas fora das autarquias!
O espectáculo da corrupção enoja e torna a própria actividade política ainda mais desacreditada.
Os que detestam a política – como diria Brecht, os analfabetos políticos – regozijam-se.
Os podres poderes fortalecem os argumentos pela indiferença e o não envolvimento na política.
É o moralismo abstracto e ingénuo que oculta a ignorância e dissimula a leviandade egoísta dos que não conseguem pensar para além do próprio bolso.
O analfabeto político não sabe que a sua indiferença contribui para a manutenção e reprodução desta corja de ladrões que, desde sempre, espreitam os cofres públicos, prontos para dar o golpe à primeira oportunidade que surja.
Os analfabetos políticos não vêem que lavar as mãos alimenta a corrupção.
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Em França, uma nação de sólida tradição educativa, as escolas técnicas da administração têm provido o Estado de um corpo de direcção que garante a boa gestão e a continuidade de um serviço público competente.
O panorama em Portugal é bem mais desolador porque o excessivo peso da partidocracia povoou a política de militantes sem maior mérito que o da permanência e a obediência carneiresca, incapazes na sua maior parte de competir com êxito num mercado de trabalho igualitário.
Se colocarmos o preto no branco sobre o nível académico de autarcas, verifica-se a indigência de estudos da grande maioria, e talvez fosse pertinente fazer uma análise de quantos terão cursado uma qualquer licenciatura.
Tenho a certeza que os dados seriam pavorosos e não podemos esquecer que o poder local é a principal estrutura política da administração portuguesa, (são eles, os caciques, quejandos e outros que dominam o país).
Tentei fazer um “quadro”, não negro, mas perto da realidade das habilitações de muitos, mas a grande maioria negou-se a colaborar.
Talvez a grande maioria se sinta satisfeita, não obstante terem uma formação insuficiente e deficiente.

A relevância deste panorama é grave porque nos dá uma perspectiva do grau de competência da nossa política e pode explicar, pelo menos em parte, a corrupção, imoralidade, suborno, desonestidade … de muitos edis e o alto nível de corrupção do poder local.
Uma classe política, funcionalmente analfabeta, onde só se sabe contar dinheiro e impera o caciquismo, torna-se letal para um país.
E temos que ter em conta, além do mais, que o âmbito municipal é a “instituição” formadora da política parlamentar, para além dos que caem de pára-quedas sem saber ler, nem escrever.
Neste contexto, a eterna polémica sobre o salário dos políticos, não deve centrar-se nos deputados ou membros do Governo ou dos altos funcionários do Estado, regra geral remunerados com parcimónia; é nas autarquias e municípios onde vegeta uma tropa mal preparada, com poucos ou nenhuns estudos, que gananciosamente tendem a ganhar, no exercício da política, mais dinheiro do que a sua preparação lhe permitiria obter em qualquer outro trabalho ao seu alcance.
A baixa qualidade da política portuguesa não é casual.
Levamos anos desprezando o mérito e o esforço, e a política converteu-se num espaço do que fogem ou ao qual se recusam acercar muitas pessoas capazes que não suportam o poder da mediocridade.
Os pulhas fora das autarquias!
O espectáculo da corrupção enoja e torna a própria actividade política ainda mais desacreditada.
Os que detestam a política – como diria Brecht, os analfabetos políticos – regozijam-se.
Os podres poderes fortalecem os argumentos pela indiferença e o não envolvimento na política.
É o moralismo abstracto e ingénuo que oculta a ignorância e dissimula a leviandade egoísta dos que não conseguem pensar para além do próprio bolso.
O analfabeto político não sabe que a sua indiferença contribui para a manutenção e reprodução desta corja de ladrões que, desde sempre, espreitam os cofres públicos, prontos para dar o golpe à primeira oportunidade que surja.
Os analfabetos políticos não vêem que lavar as mãos alimenta a corrupção.
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quarta-feira, junho 16, 2010
REMINISCÊNCIAS
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Restavam-lhe poucos dias e já tinha vivido muitos anos, talvez excessivos.
Tinha tanto que contar e tão pouco tempo para recordar.
Uma manhã, quando apenas tinha amanhecido, decidido, sentou-se no seu rincão favorito e, com mão trémula, começou a escrever fragmentos da sua vida.
As recordações afloravam mais vivas do que nunca e as palavras fluíam como fileiras de letras articuladas que contavam momentos passados mas jamais esquecidos.

Os minutos e as horas passavam mas, incansável, continuava plasmando as suas memórias naquelas folhas, únicos testemunhos do incansável perpassar de uma vida que não tinha sido perfeita, mas sim emocionante.
Entre lágrimas e sorrisos revivia momentos intensos, alguns tristes e outros felizes.
A noite acercava-se e ele prosseguia escrevendo, temeroso de não poder completar a sua obra.
Restava-lhe tão pouco e tinha vivido tanto.

Tinha tanto para expressar e tão pouco tempo para fazê-lo.
Na manhã seguinte, quando apenas tinha amanhecido, sentado no seu rincão favorito, terminou adormecido para sempre, tentando com a sua mão trémula, terminar de escrever os últimos retalhos da sua vida.
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Tinha tanto que contar e tão pouco tempo para recordar.
Uma manhã, quando apenas tinha amanhecido, decidido, sentou-se no seu rincão favorito e, com mão trémula, começou a escrever fragmentos da sua vida.
As recordações afloravam mais vivas do que nunca e as palavras fluíam como fileiras de letras articuladas que contavam momentos passados mas jamais esquecidos.

Os minutos e as horas passavam mas, incansável, continuava plasmando as suas memórias naquelas folhas, únicos testemunhos do incansável perpassar de uma vida que não tinha sido perfeita, mas sim emocionante.
Entre lágrimas e sorrisos revivia momentos intensos, alguns tristes e outros felizes.
A noite acercava-se e ele prosseguia escrevendo, temeroso de não poder completar a sua obra.
Restava-lhe tão pouco e tinha vivido tanto.

Tinha tanto para expressar e tão pouco tempo para fazê-lo.
Na manhã seguinte, quando apenas tinha amanhecido, sentado no seu rincão favorito, terminou adormecido para sempre, tentando com a sua mão trémula, terminar de escrever os últimos retalhos da sua vida.
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quinta-feira, junho 10, 2010
MAU TEMPO EM ITÁLIA
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29 de Junho não foi um bom dia para Silvio Berlusconi.
Por um lado, o seu amigo Marcello Dell’Utri, com o qual fundou a “Forza Italia” – partido com que El Cavalieri entrou no mundo da política – foi condenado a sete anos de prisão por associação mafiosa.
Como é lógico, não com Don Silvio, o impoluto.
É verdade que os juízes lhe reduziram a pena inicial em dois anos, mas ao fim e ao cabo, não deixa de ser uma condenação.
E por outro lado, Massimo Tartaglia, o homem que lhe pôs a venta a sangrar, em Dezembro, não pode ser processado, não por aquilo que “vocelências” estão a pensar, ter tentado "limpar" a face que invade Itália, mas devido aos seus problemas psicológicos.
A isto juntam-se os editoriais da maior parte da imprensa italiana, contra a denominada “lei mordaça” pela qual se limita o uso das escutas telefónicas, se envia para a prisão os jornalistas que as publiquem e aplicam-se multas altíssimas aos editores.
Tal como por cá, as escutas não passam de vozes de anjinhos travestidos que se uniram para baralhar os investigadores que perderam horas, dias, meses, anos e … afinal nada viram nem ouviram.
Olhe-se ou oiça-se o caso Apito Dourado, que não apitou e ficou encravado.
Estas críticas não são uma novidade, mas é agora que os jornalistas e todos os meios de comunicação social italiana se estão a unir para protestar por esta infame lei, com uma greve no dia 1 de Julho.
E falo em todos os meios, porque efectivamente são mesmo todos, mesmos os que são propriedade da família Berlusconi .
“Querido presidente Berlusconi – lê-se na carta do director de Il Giornale – leio nas agências de notícias que o senhor é favorável a uma greve dos italianos contra os jornais porque desinformam e riem-se dos leitores.
Seria uma boa ideia se não representasse um risco: que os italianos a apliquem depois contra os políticos.
Os quais no nosso país, são os únicos melhores que os jornalistas a enganarem os cidadãos, leitores e elitores”.
A manifestação da próxima quinta-feira, promete dar muito que falar, porque os jornalistas não estão dispostos a que se belisque o direito à informação, pelo que recordam ao próprio Berlusconi que como editor que é, avalie as consequências da nova lei.
A lei das escutas foi aprovada por uma das Câmaras e agora está em estudo na outra, onde o governo está a pressionar para que se aprove antes do Verão.
Ainda que nem todos os membros do partido de Berlusconi estejam de acordo e o convidam a deixar a polémica para depois das férias, porque os jornalistas estão dispostos a lutar até ás últimas consequências se a lei for aprovada, indo até ao Tribunal de Direitos Humanos de Estraburgo.
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Por um lado, o seu amigo Marcello Dell’Utri, com o qual fundou a “Forza Italia” – partido com que El Cavalieri entrou no mundo da política – foi condenado a sete anos de prisão por associação mafiosa.
Como é lógico, não com Don Silvio, o impoluto.
É verdade que os juízes lhe reduziram a pena inicial em dois anos, mas ao fim e ao cabo, não deixa de ser uma condenação.
E por outro lado, Massimo Tartaglia, o homem que lhe pôs a venta a sangrar, em Dezembro, não pode ser processado, não por aquilo que “vocelências” estão a pensar, ter tentado "limpar" a face que invade Itália, mas devido aos seus problemas psicológicos.
A isto juntam-se os editoriais da maior parte da imprensa italiana, contra a denominada “lei mordaça” pela qual se limita o uso das escutas telefónicas, se envia para a prisão os jornalistas que as publiquem e aplicam-se multas altíssimas aos editores.
Tal como por cá, as escutas não passam de vozes de anjinhos travestidos que se uniram para baralhar os investigadores que perderam horas, dias, meses, anos e … afinal nada viram nem ouviram.
Olhe-se ou oiça-se o caso Apito Dourado, que não apitou e ficou encravado.
Estas críticas não são uma novidade, mas é agora que os jornalistas e todos os meios de comunicação social italiana se estão a unir para protestar por esta infame lei, com uma greve no dia 1 de Julho.
E falo em todos os meios, porque efectivamente são mesmo todos, mesmos os que são propriedade da família Berlusconi .
“Querido presidente Berlusconi – lê-se na carta do director de Il Giornale – leio nas agências de notícias que o senhor é favorável a uma greve dos italianos contra os jornais porque desinformam e riem-se dos leitores.
Seria uma boa ideia se não representasse um risco: que os italianos a apliquem depois contra os políticos.
Os quais no nosso país, são os únicos melhores que os jornalistas a enganarem os cidadãos, leitores e elitores”.
A manifestação da próxima quinta-feira, promete dar muito que falar, porque os jornalistas não estão dispostos a que se belisque o direito à informação, pelo que recordam ao próprio Berlusconi que como editor que é, avalie as consequências da nova lei.
A lei das escutas foi aprovada por uma das Câmaras e agora está em estudo na outra, onde o governo está a pressionar para que se aprove antes do Verão.
Ainda que nem todos os membros do partido de Berlusconi estejam de acordo e o convidam a deixar a polémica para depois das férias, porque os jornalistas estão dispostos a lutar até ás últimas consequências se a lei for aprovada, indo até ao Tribunal de Direitos Humanos de Estraburgo.
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MITOS DE AMOR
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No que diz respeito ao amor criaram-se outras crenças que se mantêm na actualidade com maior ou menor ênfase.
Desde há mais de meio século a sociedade parece estar a ensinar que o casal ou par, é necessariamente uma espécie de prelúdio do matrimónio, este é um passaporte à famiíia e aquela a garantia da hospedagem eterna (até que a norte nos separe), uma espécie de sofisticado centro de reclusão ao qual deveríamos ansiar entrar como se fosse a suprema emancipação.
O mecanismo proposto opera assim: um escolhe o seu parceiro, fica noivo, marca uma afestança para a boda, participa a tal cerimónia e ingressa com o seu cônjuge numa espécie de prisão, com uma certa ironia , designado, “ninho de amor”.
Aí chegados, um lança o primeiro olhar sincero ao companheiro de quarto.

Se lhe agrada o que vê, fica por aí.
Se não for assim, começa a planear a sua fuga da prisão para sair e procurar outro parceiro, pedindo para ter melhor sorte e reclamando ajuda para aprender a escolher de uma maneira superior.
A solução do problema da insatisfação na vida de casais azarados, proposta modernamente pela sociedade, é separar-se, começar outra vez com outra pessoa melhor para ele.
Para a maior parte das pessoas que se separam, o motivo é a incapacidade de cada um para escolher a pessoa adequada.
Existe uma orientação das relações amorosas mais estimulante.
O par não é um estado inalterável de duas pessoas que não evoluem.

É bem mais uma viagem por um caminho elevado psicológica e espiritualmente que começa com a paixão do enamorar, vagueia pelo acidentado trecho escarpado de descobrir-se e culmina na criação de uma união íntima, divertida e transcendente, capaz de renovar-se na relação mútua, uma ou outra vez, durante toda a vida.
A construção de um vínculo deste tipo não se apoia na habilidade para poder conquistar o(a) companheiro(a) perfeito(a) nem à sorte de cruzar-se algum dia com a pessoa ideal, mas sim, dar-se conta definitivamente de que o casal não é uma prisão, nem um lugar onde enganchar-se ou ficar aprisionado, mas sim um caminho de incremento de ambos.

Redefinir o casal significa falar sobre amor e isso implica saber do que se está a falar quando nos referimos a este sentimento, num vínculo tão especial, como é o que se estabelece entre um homem e uma mulher que planeiam caminhar juntos pelo caminho.
Quando falamos de amor, não estamos a falar de paixão.
São duas coisas maravilhosas, mas diferentes.
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Desde há mais de meio século a sociedade parece estar a ensinar que o casal ou par, é necessariamente uma espécie de prelúdio do matrimónio, este é um passaporte à famiíia e aquela a garantia da hospedagem eterna (até que a norte nos separe), uma espécie de sofisticado centro de reclusão ao qual deveríamos ansiar entrar como se fosse a suprema emancipação.
O mecanismo proposto opera assim: um escolhe o seu parceiro, fica noivo, marca uma afestança para a boda, participa a tal cerimónia e ingressa com o seu cônjuge numa espécie de prisão, com uma certa ironia , designado, “ninho de amor”.
Aí chegados, um lança o primeiro olhar sincero ao companheiro de quarto.

Se lhe agrada o que vê, fica por aí.
Se não for assim, começa a planear a sua fuga da prisão para sair e procurar outro parceiro, pedindo para ter melhor sorte e reclamando ajuda para aprender a escolher de uma maneira superior.
A solução do problema da insatisfação na vida de casais azarados, proposta modernamente pela sociedade, é separar-se, começar outra vez com outra pessoa melhor para ele.
Para a maior parte das pessoas que se separam, o motivo é a incapacidade de cada um para escolher a pessoa adequada.
Existe uma orientação das relações amorosas mais estimulante.
O par não é um estado inalterável de duas pessoas que não evoluem.

É bem mais uma viagem por um caminho elevado psicológica e espiritualmente que começa com a paixão do enamorar, vagueia pelo acidentado trecho escarpado de descobrir-se e culmina na criação de uma união íntima, divertida e transcendente, capaz de renovar-se na relação mútua, uma ou outra vez, durante toda a vida.
A construção de um vínculo deste tipo não se apoia na habilidade para poder conquistar o(a) companheiro(a) perfeito(a) nem à sorte de cruzar-se algum dia com a pessoa ideal, mas sim, dar-se conta definitivamente de que o casal não é uma prisão, nem um lugar onde enganchar-se ou ficar aprisionado, mas sim um caminho de incremento de ambos.

Redefinir o casal significa falar sobre amor e isso implica saber do que se está a falar quando nos referimos a este sentimento, num vínculo tão especial, como é o que se estabelece entre um homem e uma mulher que planeiam caminhar juntos pelo caminho.
Quando falamos de amor, não estamos a falar de paixão.
São duas coisas maravilhosas, mas diferentes.
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quinta-feira, junho 03, 2010
TRANSAR EMAGRECE
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Como qualquer outra actividade física e para com o físico, fazer amor aporta um gasto energético e portanto, como é lógico, evidente, racional e intuitivo, queimam-se calorias.
Para comprovar esta hipótese devemos ter em conta algumas variáveis que são muito importantes, tais como:
- A duração, não de duro, mas de tempo.
– A postura, não de pôr o ovo, mas a posição mais íngreme.
– Os movimentos, (durante um tremor de terra os movimentos sucedem-se exponencialmente de acordo com graus de Ritcher).

Factores como as oscilações pélvicas, a aceleração dos batimentos cardíacos e de outras zonas em contacto, a vasodilatação de tudo o que é zona genital erógena, a aceleração da respiração, as contracções, os espasmos musculares, o movimento uniformemente (ou não) acelerado de vaivém e o orgasmo, supõem um alto gasto de energia que nos finalmente nos deixam prostrados.
Fazendo um cálculo aproximado (se for á distância, será exactamente igual), poderemos inferir que em 20 minutos de actividade sexual, queimam-se cerca de 200 calorias, sem contar com as do revirar dos olhos nos momentos mais apropriados, ou que surgem inopinadamente.
Portanto, podemos concluir que “transar” é um exercício benéfico para emagrecer, salvo se não houver o cuidado de parar a tempo, ou “agasalharem-se” com roupagem segura.

Elementos como as carícias, os beijos, os “apalpões” … geram no nosso organismo uma abundante libertação de endorfinas (substâncias químicas naturais) e de serotoninas (neurotransmissores), que aumentam o estado anímico, o optimismo, a sensação de prazer, bem-estar e felicidade.
Isto, além disso, ajuda-nos a evitar males, como a depressão e a ansiedade.
Por tudo isto se pode afirmar que o sexo “bem” seguro com a parceira é benéfico e prazenteiro e ajuda a emagrecer.
Vai já para a cama emagrecer que o Verão aproxima-se.
E que tenhas sorte e cuidado, para emagreceres mesmo e ... não "engordares"!!!
.
Para comprovar esta hipótese devemos ter em conta algumas variáveis que são muito importantes, tais como:
- A duração, não de duro, mas de tempo.
– A postura, não de pôr o ovo, mas a posição mais íngreme.
– Os movimentos, (durante um tremor de terra os movimentos sucedem-se exponencialmente de acordo com graus de Ritcher).

Factores como as oscilações pélvicas, a aceleração dos batimentos cardíacos e de outras zonas em contacto, a vasodilatação de tudo o que é zona genital erógena, a aceleração da respiração, as contracções, os espasmos musculares, o movimento uniformemente (ou não) acelerado de vaivém e o orgasmo, supõem um alto gasto de energia que nos finalmente nos deixam prostrados.
Fazendo um cálculo aproximado (se for á distância, será exactamente igual), poderemos inferir que em 20 minutos de actividade sexual, queimam-se cerca de 200 calorias, sem contar com as do revirar dos olhos nos momentos mais apropriados, ou que surgem inopinadamente.
Portanto, podemos concluir que “transar” é um exercício benéfico para emagrecer, salvo se não houver o cuidado de parar a tempo, ou “agasalharem-se” com roupagem segura.

Elementos como as carícias, os beijos, os “apalpões” … geram no nosso organismo uma abundante libertação de endorfinas (substâncias químicas naturais) e de serotoninas (neurotransmissores), que aumentam o estado anímico, o optimismo, a sensação de prazer, bem-estar e felicidade.
Isto, além disso, ajuda-nos a evitar males, como a depressão e a ansiedade.
Por tudo isto se pode afirmar que o sexo “bem” seguro com a parceira é benéfico e prazenteiro e ajuda a emagrecer.
Vai já para a cama emagrecer que o Verão aproxima-se.
E que tenhas sorte e cuidado, para emagreceres mesmo e ... não "engordares"!!!
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sábado, maio 29, 2010
"HOMEM" ESSE DESCONHECIDO
Quantas tentativas frustradas de seres conviveram no planeta até chegar a espécie humana actual?
A pergunta não parecerá banal, a análise genética de um osso fóssil do dedo mindinho de uma mão de um miúdo que viveu há aproximadamente 40.000 anos, encontrado na Gruta Denisova, dos Montes Altai, no sul da Sibéria, colocou a descoberto a presença desconhecida de hominídeos, contemporâneos,mas diferentes, quer do “Homo Sapiens”, quer do “Homo Neanderthal” que abandonaram África há um milhão de anos atrás e emigraram em diversas ondas para a Euroásia.
A descoberta desta nova estirpe extinta e até agora não identificada, permite uma primeira reflexão bastante perturbadora ou inquietante, segundo o ponto de vista por que se veja, já que o desenvolvimento evolutivo humano apresenta-se-nos cada vez mais complexo; realmente a nossa espécie começa a parecer-se como o resultado inesperado da convivência e cruzamento de diversas tribos errantes de indivíduos distintos ou diferenciados, nenhum deles humanos de todo, mas tão-pouco simples irracionais.
Em épocas não distantes entre si, estamos cientes da presença, entre outros, do “Homo Ancestral", em Atapuerca, do pequeno "Homo Floresiensis”, na Indonésia, do “Homo Erectus em Java, além do misterioso Neanderthal.
São demasiadas cordas para um só violino.
A ciência demonstra que regra geral, as características comuns estão escondidas sob as diferenças e que o que é diferente, muitas vezes surge como anedótico e é normalmente o que ajuda a inteligibilidade.
Classificar, é sem dúvida, começar a compreender, quando os cientistas classificam é porque já dispõem de uma teoria plausível.
A certo “pessoal” produz-se-lhes um desassossego ler estas coisas, é certo que a gente estúpida jamais lerá nada com o que não esteja de acordo, de modo que, para quê tentar escrever-lhes?
Ao fim e ao cabo, como dizia "H. G. Wells" o grito de acasalamento do Pterodactylusle e os hábitos de caça do Labyrinthodontia” perderam-se nas brumas do passado".
.
A pergunta não parecerá banal, a análise genética de um osso fóssil do dedo mindinho de uma mão de um miúdo que viveu há aproximadamente 40.000 anos, encontrado na Gruta Denisova, dos Montes Altai, no sul da Sibéria, colocou a descoberto a presença desconhecida de hominídeos, contemporâneos,mas diferentes, quer do “Homo Sapiens”, quer do “Homo Neanderthal” que abandonaram África há um milhão de anos atrás e emigraram em diversas ondas para a Euroásia.
A descoberta desta nova estirpe extinta e até agora não identificada, permite uma primeira reflexão bastante perturbadora ou inquietante, segundo o ponto de vista por que se veja, já que o desenvolvimento evolutivo humano apresenta-se-nos cada vez mais complexo; realmente a nossa espécie começa a parecer-se como o resultado inesperado da convivência e cruzamento de diversas tribos errantes de indivíduos distintos ou diferenciados, nenhum deles humanos de todo, mas tão-pouco simples irracionais.
Labyrinthodontia
Em épocas não distantes entre si, estamos cientes da presença, entre outros, do “Homo Ancestral", em Atapuerca, do pequeno "Homo Floresiensis”, na Indonésia, do “Homo Erectus em Java, além do misterioso Neanderthal.
São demasiadas cordas para um só violino.
A ciência demonstra que regra geral, as características comuns estão escondidas sob as diferenças e que o que é diferente, muitas vezes surge como anedótico e é normalmente o que ajuda a inteligibilidade.
Classificar, é sem dúvida, começar a compreender, quando os cientistas classificam é porque já dispõem de uma teoria plausível.
A certo “pessoal” produz-se-lhes um desassossego ler estas coisas, é certo que a gente estúpida jamais lerá nada com o que não esteja de acordo, de modo que, para quê tentar escrever-lhes?
Ao fim e ao cabo, como dizia "H. G. Wells" o grito de acasalamento do Pterodactylusle e os hábitos de caça do Labyrinthodontia” perderam-se nas brumas do passado".
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terça-feira, maio 25, 2010
PENSIONADOS
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O "Merdas"* começou a trabalhar, como assalariado, na padaria de uma pequena povoação no dia que cumpriu os dezasseis anos.
Desde então passou a sua existência labutando com farinha e água, levedura e sementes, açúcar e sal, sentindo o calor do forno e o olor a pasteis na loja.
Levantava-se quando a noite ainda fazia tremer, desde os lampiões, as sombras da praça grande e escutava o ténue zumbido dos filamentos incandescentes cujo monótono e repetitivo som acrescentava a sonolência que se pendurava das suas pálpebras.
Ao chegar à persiana metálica que protegia a porta da padaria, introduzia a chave, girava-a e empurrava o gradeado fazendo força até acima, despertando com o barulho que produzia o aço ao deslizar pelas ranhuras guias, (calhas)

Desta forma transcorriam as semanas … meses … vendo como apareciam as rugas no seu corpo, o grisalho dos cabelos e a artrite, sonhando com o descanso futuro, lustro atrás de lustro, tratando de manter o frágil equilíbrio desse transtorno chamado vida.
Do seu salário descontavam-lhe um dinheirito que o Governo gestionaria para assegurar o seu bem-estar presente e vindouro, uma quantia que o ajudaria a viver quando fosse ancião, quando os seus quebradiços ossos não lhe permitissem suportar, por mais tempo o peso da pá do forno.
Um dia antes da sua jubilação, os seus amigos e clientes da terreola organizaram uma festa em sua honra.

Os conterrâneos não paravam de lhe dizer o afortunado que seria durante a aposentação, pois iria receber um pagamento sem necessidade de trabalhar.
Que pechincha!
Enquanto escutava estas palavras, o "Merdas" encolhia os ombros. –
Claro que vou recebê-lo! – pensava -, tiraram-me parte do meu salário, geriram-no por mim e agora pagar-me-ão a minha retribuição mensal, porque ganhei-a com o meu esforço, porque a aforrei.
Quando se aposentou, o "Merdas" sorriu à vida, respirou a manhã tranquila e sonhou a noite silenciosa em que deitar-se-ia tarde e dormiria até o meio dia; no entanto, num dia de Maio escutou que o Governo anunciava o congelamento da sua pensão, a sua, a dele, a que tinha cedido mensalmente sem resmungar durante tantos anos de afanoso labor.

– Chamam-lhe congelação ou congelamento – disse para consigo -, claro, porque teso deixar-me-ão, seguramente.
Então recordou as palavras de um empresário cervejeiro quando, há muitos anos, despediu alguns dos seus trabalhadores dizendo que tinha de “adelgaçar a organização”, coisas da linguagem, adelgaçar e congelar, palavras para definir desemprego e precariedade.
O intrépido "Merdas", muito chateado, activou as suas artríticas pernas e acercou-se à casa do “senhor” advogado com a inabalável intenção de demandar o Governo, por denegação ou apropriação indevida ou lá como se queira que se chame e essa coisa que os ministros pretendiam fazer com seu dinheiro.

*
"Merdas" - Cidadão médio, português, que o poder transformou em esmolante curinga.
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O "Merdas"* começou a trabalhar, como assalariado, na padaria de uma pequena povoação no dia que cumpriu os dezasseis anos.Desde então passou a sua existência labutando com farinha e água, levedura e sementes, açúcar e sal, sentindo o calor do forno e o olor a pasteis na loja.
Levantava-se quando a noite ainda fazia tremer, desde os lampiões, as sombras da praça grande e escutava o ténue zumbido dos filamentos incandescentes cujo monótono e repetitivo som acrescentava a sonolência que se pendurava das suas pálpebras.
Ao chegar à persiana metálica que protegia a porta da padaria, introduzia a chave, girava-a e empurrava o gradeado fazendo força até acima, despertando com o barulho que produzia o aço ao deslizar pelas ranhuras guias, (calhas)

Desta forma transcorriam as semanas … meses … vendo como apareciam as rugas no seu corpo, o grisalho dos cabelos e a artrite, sonhando com o descanso futuro, lustro atrás de lustro, tratando de manter o frágil equilíbrio desse transtorno chamado vida.
Do seu salário descontavam-lhe um dinheirito que o Governo gestionaria para assegurar o seu bem-estar presente e vindouro, uma quantia que o ajudaria a viver quando fosse ancião, quando os seus quebradiços ossos não lhe permitissem suportar, por mais tempo o peso da pá do forno.
Um dia antes da sua jubilação, os seus amigos e clientes da terreola organizaram uma festa em sua honra.

Os conterrâneos não paravam de lhe dizer o afortunado que seria durante a aposentação, pois iria receber um pagamento sem necessidade de trabalhar.
Que pechincha!
Enquanto escutava estas palavras, o "Merdas" encolhia os ombros. –
Claro que vou recebê-lo! – pensava -, tiraram-me parte do meu salário, geriram-no por mim e agora pagar-me-ão a minha retribuição mensal, porque ganhei-a com o meu esforço, porque a aforrei.
Quando se aposentou, o "Merdas" sorriu à vida, respirou a manhã tranquila e sonhou a noite silenciosa em que deitar-se-ia tarde e dormiria até o meio dia; no entanto, num dia de Maio escutou que o Governo anunciava o congelamento da sua pensão, a sua, a dele, a que tinha cedido mensalmente sem resmungar durante tantos anos de afanoso labor.

– Chamam-lhe congelação ou congelamento – disse para consigo -, claro, porque teso deixar-me-ão, seguramente.
Então recordou as palavras de um empresário cervejeiro quando, há muitos anos, despediu alguns dos seus trabalhadores dizendo que tinha de “adelgaçar a organização”, coisas da linguagem, adelgaçar e congelar, palavras para definir desemprego e precariedade.
O intrépido "Merdas", muito chateado, activou as suas artríticas pernas e acercou-se à casa do “senhor” advogado com a inabalável intenção de demandar o Governo, por denegação ou apropriação indevida ou lá como se queira que se chame e essa coisa que os ministros pretendiam fazer com seu dinheiro.

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"Merdas" - Cidadão médio, português, que o poder transformou em esmolante curinga.
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