- Masoquista: Bate-me! Bate-me!
Sádico: Não !!!
quarta-feira, outubro 13, 2010
ERA DIGITAL
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Nesta realidade virtual chamada Ocidente, proliferam programas televisivos nos quais a atracção pelo patético, o insulto e a desfaçatez polimorfa reflectem-se diariamente no(s) espelho(s) das nossas salas.
São espaços nos quais a integridade se sustem mediante a pronuncia de um vocábulo omnipotente e ubíquo – a palavra em questão parece deambular por todos os canais e em muitas bocas à vez -, um advérbio prodigioso cuja silabação propicia a catarse colectiva: presumivelmente.
Nós os espectadores podemos decidir como desfrutar do nosso tempo ante os televisores e utilizar o controlo remoto como melhor nos convenha; não obstante e no caso concreto de Portugal, o problema é que a chavasquice, a artimanha e o delito são formas próprias da nossa tradição picaresca, mais ou menos romanceada, que se adentram no subconsciente reservando qualidades antiquadas, por exemplo, o esforço intelectual e o respeito.

Existe uma qualquer entidade sobre conteúdos televisivos que não sei, nem penso tentar saber, cujos princípios básicos são sistematicamente espezinhados pelas cadeias, inclusivamente aqueles espaços que pareciam manter-se afastados destas frustrações sociais - questões insubstanciais quanto ao seu valor e não tanto, no tocante ao dano que geram -, programas que não respondiam à provocadora guerra de audiências, agora representam, sob o meu ponto de vista, exemplos evidentes deste momento social em que o comércio o satura todo.

Refiro-me aos telejornais, esses espaços cujos conteúdos se introduzem, sibilinamente, nas nossas casas.
Em tempos pretéritos os noticiários tentavam mostrar a actualidade nacional e internacional com rigor informativo.
Presentemente, pouco resta daquele halo de prestígio que irradiavam, pois sucumbiram à astúcia do marketing das operações comerciais.
Neles aparecem notícias próprias de programas do coração, mostram-se corpos destroçados por bombas e metralha, alimentam-se os temores da população criando alarmes desnecessários, dedicam grande parte do seu tempo e do nosso à promoção de produtos ou serviços e a introduzir nas nossas casas modelos e estrelas do cinema a quem imitar, chegando incluso a fazer eco de grosseiras montagens recolhidas na Internet.

A quase ninguém parece importar.
Há tanto tempo que formam parte da nossa quotidiana existência que apenas nos precatamos dos conteúdos que mostram.
VIVA A ERA DIGITAL E BEM-VINDOS A ELA!!!
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São espaços nos quais a integridade se sustem mediante a pronuncia de um vocábulo omnipotente e ubíquo – a palavra em questão parece deambular por todos os canais e em muitas bocas à vez -, um advérbio prodigioso cuja silabação propicia a catarse colectiva: presumivelmente.
Nós os espectadores podemos decidir como desfrutar do nosso tempo ante os televisores e utilizar o controlo remoto como melhor nos convenha; não obstante e no caso concreto de Portugal, o problema é que a chavasquice, a artimanha e o delito são formas próprias da nossa tradição picaresca, mais ou menos romanceada, que se adentram no subconsciente reservando qualidades antiquadas, por exemplo, o esforço intelectual e o respeito.

Existe uma qualquer entidade sobre conteúdos televisivos que não sei, nem penso tentar saber, cujos princípios básicos são sistematicamente espezinhados pelas cadeias, inclusivamente aqueles espaços que pareciam manter-se afastados destas frustrações sociais - questões insubstanciais quanto ao seu valor e não tanto, no tocante ao dano que geram -, programas que não respondiam à provocadora guerra de audiências, agora representam, sob o meu ponto de vista, exemplos evidentes deste momento social em que o comércio o satura todo.

Refiro-me aos telejornais, esses espaços cujos conteúdos se introduzem, sibilinamente, nas nossas casas.
Em tempos pretéritos os noticiários tentavam mostrar a actualidade nacional e internacional com rigor informativo.
Presentemente, pouco resta daquele halo de prestígio que irradiavam, pois sucumbiram à astúcia do marketing das operações comerciais.
Neles aparecem notícias próprias de programas do coração, mostram-se corpos destroçados por bombas e metralha, alimentam-se os temores da população criando alarmes desnecessários, dedicam grande parte do seu tempo e do nosso à promoção de produtos ou serviços e a introduzir nas nossas casas modelos e estrelas do cinema a quem imitar, chegando incluso a fazer eco de grosseiras montagens recolhidas na Internet.

A quase ninguém parece importar.
Há tanto tempo que formam parte da nossa quotidiana existência que apenas nos precatamos dos conteúdos que mostram.
VIVA A ERA DIGITAL E BEM-VINDOS A ELA!!!
09JUN2010
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terça-feira, outubro 12, 2010
BAILARINAS VOADORAS
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CEBU PACIFIC AIRLINE
Há uns diazitos, (fins de Setembro), as hospedeiras de um voo de uma companhia aérea filipina dançaram ao som de Lady Gaga para que os passageiros não adormecessem durante a demonstração habitual das medidas de segurança do avião.
O vídeo das hospedeiras que dançaram, coordenadas, num voo da Cebu Pacific, já foi visto por mais de 6,5 milhões de pessoas depois de ter sido colocado no popular portal da Internet.
A companhia aérea, com sede em Manila, foi também apanhada de surpresa pelo êxito da iniciativa, ela que é conhecida por organizar jogos e concursos de canto nos seus voos de baixo custo, quer nacionais, quer pela Ásia.
A empresa disse que decidiu que as hospedeiras dançassem para assim chamar a atenção dos passageiros quando são explicadas as medidas de segurança.

“A gente quase não presta atenção ás demonstrações de segurança em terra” disse a vice-presidente, Candice Iyog, da parte comercial da Cebu Pacific.
“A companhia aérea está muitíssimo agradada com o resultado”.
De facto, Iyog, reconheceu que a companhia aérea tinha contratado coreógrafos profissionais para ensinar os diversos passos de dança.
As hospedeiras também já tinham chegado a usar “hot pants”.
Três hospedeiras com camisolas de cor pastel e saias de cor creme, dançaram o êxito de Lady Gaga, “Just Dance”, no estreito corredor de um jacto A-320, para demonstrar aos passageiros os procedimentos de emergência em casos de turbulência ou uma aterragem forçada na água.

Um grupo de hospedeiras da companhia Philippine Airlines descreveu depois o espectáculo como algo degradante e indigno.
O membro da Câmara de Congressos filipino, Teddy Casino, disse que, ainda que a dança captasse a atenção dos passageiros, “era difícil escutar e ouvir as instruções de segurança devido ao alto volume da música”.
A companhia aérea decidiu continuar com o espectáculo.
Talvez assim me quebre a minha resistência ao “ar das alturas”, um tanto ou quanto rarefeito, quando instalarem um varão e "artistas de variedades"; assim até posso perder o fôlego.
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O vídeo das hospedeiras que dançaram, coordenadas, num voo da Cebu Pacific, já foi visto por mais de 6,5 milhões de pessoas depois de ter sido colocado no popular portal da Internet.
A companhia aérea, com sede em Manila, foi também apanhada de surpresa pelo êxito da iniciativa, ela que é conhecida por organizar jogos e concursos de canto nos seus voos de baixo custo, quer nacionais, quer pela Ásia.
A empresa disse que decidiu que as hospedeiras dançassem para assim chamar a atenção dos passageiros quando são explicadas as medidas de segurança.

“A gente quase não presta atenção ás demonstrações de segurança em terra” disse a vice-presidente, Candice Iyog, da parte comercial da Cebu Pacific.
“A companhia aérea está muitíssimo agradada com o resultado”.
De facto, Iyog, reconheceu que a companhia aérea tinha contratado coreógrafos profissionais para ensinar os diversos passos de dança.
As hospedeiras também já tinham chegado a usar “hot pants”.
Três hospedeiras com camisolas de cor pastel e saias de cor creme, dançaram o êxito de Lady Gaga, “Just Dance”, no estreito corredor de um jacto A-320, para demonstrar aos passageiros os procedimentos de emergência em casos de turbulência ou uma aterragem forçada na água.

Um grupo de hospedeiras da companhia Philippine Airlines descreveu depois o espectáculo como algo degradante e indigno.
O membro da Câmara de Congressos filipino, Teddy Casino, disse que, ainda que a dança captasse a atenção dos passageiros, “era difícil escutar e ouvir as instruções de segurança devido ao alto volume da música”.
A companhia aérea decidiu continuar com o espectáculo.
Talvez assim me quebre a minha resistência ao “ar das alturas”, um tanto ou quanto rarefeito, quando instalarem um varão e "artistas de variedades"; assim até posso perder o fôlego.
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segunda-feira, outubro 11, 2010
VINDIMAS (PARTE II)
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... Continuação

Cheiram os campos ainda verdes que empreenderão muito em breve uma fantástica viagem cromática até ficarem mortos, secos, à mercê de ventos e humidades que os mesclarão com as ervas outonais e ficarão sepultadas pelas intempéries do inverno.
Exala também a uva, a boa uva, madura e cheia, que não pode aguentar nem mais um dia pendurada das cepas.
É difícil resistir à tentação de picar aqui e ali, emborrachar-se de grãos virgens, enquanto as mãos vão adquirido uma pegajosice que contamina tudo.
Dizem os especialistas que um dos melhores remédios para conseguir a suavidade da pele é lavar-se com água limpa depois de uma jornada vindimadora.

Surpreende-me que os traficantes da estética não tenham redescoberto esta antiga e extraordinária cura de macieza facial.
Um campo vindimado fica silencioso, triste, disposto a sumir-se numa transformação rápida e definitiva.
O cair das folhas, antes ou depois de passar um rebanho que devore todo o sinal de vida, é o começo de uma longa letargia que só despertará quando os primeiros brotos dos futuros bacelos voltem a assomar timidamente lá para Abril.
A uva, a boa uva é a que durante duas semanas fica agarrada aos sarmentos.

São cachos pequeníssimos que não tinham amadurecido ao vindimar.
Cinco a seis bagos que vão engordando, arredondam-se, adquirem uma cor rosácea e são cobiçados pelos sibaritas da boa uva.
Convido-vos a viver esta experiência sublime.
Não acredito que os vinhateiros o impeçam.
A doçura destes resíduos parentes da vinha é requintado, notável, vinho de puro mel.
Bebam, empanturrem-se, emborrachem-se de etéreos éteres e por mim, para além de tudo isto, vou tentar acompanhar com um amanteigado queijo e um trigueiro pão.
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Cheiram os campos ainda verdes que empreenderão muito em breve uma fantástica viagem cromática até ficarem mortos, secos, à mercê de ventos e humidades que os mesclarão com as ervas outonais e ficarão sepultadas pelas intempéries do inverno.
Exala também a uva, a boa uva, madura e cheia, que não pode aguentar nem mais um dia pendurada das cepas.
É difícil resistir à tentação de picar aqui e ali, emborrachar-se de grãos virgens, enquanto as mãos vão adquirido uma pegajosice que contamina tudo.
Dizem os especialistas que um dos melhores remédios para conseguir a suavidade da pele é lavar-se com água limpa depois de uma jornada vindimadora.

Surpreende-me que os traficantes da estética não tenham redescoberto esta antiga e extraordinária cura de macieza facial.
Um campo vindimado fica silencioso, triste, disposto a sumir-se numa transformação rápida e definitiva.
O cair das folhas, antes ou depois de passar um rebanho que devore todo o sinal de vida, é o começo de uma longa letargia que só despertará quando os primeiros brotos dos futuros bacelos voltem a assomar timidamente lá para Abril.
A uva, a boa uva é a que durante duas semanas fica agarrada aos sarmentos.

São cachos pequeníssimos que não tinham amadurecido ao vindimar.
Cinco a seis bagos que vão engordando, arredondam-se, adquirem uma cor rosácea e são cobiçados pelos sibaritas da boa uva.
Convido-vos a viver esta experiência sublime.
Não acredito que os vinhateiros o impeçam.
A doçura destes resíduos parentes da vinha é requintado, notável, vinho de puro mel.
Bebam, empanturrem-se, emborrachem-se de etéreos éteres e por mim, para além de tudo isto, vou tentar acompanhar com um amanteigado queijo e um trigueiro pão.
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domingo, outubro 10, 2010
VINDIMAS (PARTE I)
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O general De Gaule dizia que a França tinha sido feita por mais de 40 reis e muitos séculos pelo meio ambiente; uma vez ironizou dizendo que era impossível governar um país que tinha mais de 200 variedades de queijos.
Lembrei-me desta referência gaulista ao contemplar a variedade de vinhos de qualidade que se produzem num país onde ainda não há muitos anos só era capaz de produzir álcoois para carroceiros.
Talvez houvesse uma excepção nalgum espumante.
Mas tudo o resto era um simples vinho de mesa e nos últimos anos completou-se o "ramalhete" com rolha de plástico.

Muitos vinhos de qualidade vão ser elaborados na vindima que está agora a ser feita.
Um dos parâmetros para medir o progresso destes últimos anos é a quantidade de vinhos de qualidade que se engarrafam em adegas grandes ou pequenas.
Outra coisa é como se conquistam novos mercados.
Este prólogo é para falar da maturidade outonal que se encontra nos odores eternos dos frutos, da terra, das árvores, de tudo o que das mais diversas maneiras se preparou para ser recolhido ou para perder-se no inexorável ciclo vegetal que nasceu com a Primavera.

Flutua em todos os espaços vinícolas um inconfundível olor a mosto.
Desprende-se dos caminhos vicinais, dos caminhos locais salpicados de lodosas cubas efémeras, das prensas que devoram os cangaços enquanto separam a aguardente dos “sumos vegetais” sem fermentar.
É um perfume festivo, ambiental, que se inicia nas próprias vinhas que exigem ser despojadas das uvas antes que a putrefacção se assenhoreie dos cachos.
Exalam os galhos.
É um olor ácido, iracundo, tonteante.
Lembrei-me desta referência gaulista ao contemplar a variedade de vinhos de qualidade que se produzem num país onde ainda não há muitos anos só era capaz de produzir álcoois para carroceiros.
Talvez houvesse uma excepção nalgum espumante.
Mas tudo o resto era um simples vinho de mesa e nos últimos anos completou-se o "ramalhete" com rolha de plástico.

Muitos vinhos de qualidade vão ser elaborados na vindima que está agora a ser feita.
Um dos parâmetros para medir o progresso destes últimos anos é a quantidade de vinhos de qualidade que se engarrafam em adegas grandes ou pequenas.
Outra coisa é como se conquistam novos mercados.
Este prólogo é para falar da maturidade outonal que se encontra nos odores eternos dos frutos, da terra, das árvores, de tudo o que das mais diversas maneiras se preparou para ser recolhido ou para perder-se no inexorável ciclo vegetal que nasceu com a Primavera.

Flutua em todos os espaços vinícolas um inconfundível olor a mosto.
Desprende-se dos caminhos vicinais, dos caminhos locais salpicados de lodosas cubas efémeras, das prensas que devoram os cangaços enquanto separam a aguardente dos “sumos vegetais” sem fermentar.
É um perfume festivo, ambiental, que se inicia nas próprias vinhas que exigem ser despojadas das uvas antes que a putrefacção se assenhoreie dos cachos.
Exalam os galhos.
É um olor ácido, iracundo, tonteante.
... CONTINUA
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sábado, outubro 09, 2010
O COMBOIO
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Não "The Train", “O Comboio”, (1964), com Burt Lencaster, Paul Scofield e Jeanne Moreau (com uma magnífica fotografia - preto e branco - e uma bela trilha sonora).
Outubro de 1969.
O “Foguete” detém-se na estação de Coimbra B.
Então o homem – cerca de 65 anos, cabelo grisalho, farto bigode levanta-se, pega num maço de tabaco que transporta no casaco e sai para a gare, para “tirar duas passas”.
Passaram uns cinco minutos quando o comboio encerrou as portas e começa a mover-se lentamente.
A mulher olha atónita o seu marido, que fica em terra completamente alheio à partida do trem, sem alterar qualquer gesto, aspirando profundamente o fumo do cigarro.
Ela exclama em voz baixa:
António! António!
Enquanto a gare acaba de passar ante a janela...

Depois, rodeada por alguns companheiros de viagem, explica aturdida que António levou os bilhetes, o dinheiro e a documentação do casal.
A mulher conta, num português desajeitado, entorpecente, que iam ao Algarve e tinham intenção de pernoitar em Lisboa.
Não há telemóveis.
Que deve fazer agora: sair em Fátima e regressar a Coimbra B, ou seguir viagem até Lisboa?
Pergunta aos circundantes mas também o pergunta a si própria, porque não consegue afastar a suspeita de que António a abandonou, disse-lhe adeus pelo procedimento de apear-se – metafórica e literalmente – de um comboio em viagem.

O tempo perdeu-o.
Uma eternidade depois chega ao Entroncamento.
Um jovem ajuda-a a colocar as malas na gare e despede-se dela, que permanece com o olhar perdido, fitando fixamente um ponto situado no final da gare, quiçá o semáforo que se porá verde para que o comboio empreenda a seu curto caminho até Lisboa.
(É uma história antiga, mas recordei-me dela há uns dias, quando fazia a mesma viagem. Não ma contaram. Eu viajava junto ao casal, separado deles tão só pelo corredor. Acho que é o final mais triste de uma relação que conheci).
Outubro de 1969.
O “Foguete” detém-se na estação de Coimbra B.
Então o homem – cerca de 65 anos, cabelo grisalho, farto bigode levanta-se, pega num maço de tabaco que transporta no casaco e sai para a gare, para “tirar duas passas”.
Passaram uns cinco minutos quando o comboio encerrou as portas e começa a mover-se lentamente.
A mulher olha atónita o seu marido, que fica em terra completamente alheio à partida do trem, sem alterar qualquer gesto, aspirando profundamente o fumo do cigarro.
Ela exclama em voz baixa:
António! António!
Enquanto a gare acaba de passar ante a janela...

Depois, rodeada por alguns companheiros de viagem, explica aturdida que António levou os bilhetes, o dinheiro e a documentação do casal.
A mulher conta, num português desajeitado, entorpecente, que iam ao Algarve e tinham intenção de pernoitar em Lisboa.
Não há telemóveis.
Que deve fazer agora: sair em Fátima e regressar a Coimbra B, ou seguir viagem até Lisboa?
Pergunta aos circundantes mas também o pergunta a si própria, porque não consegue afastar a suspeita de que António a abandonou, disse-lhe adeus pelo procedimento de apear-se – metafórica e literalmente – de um comboio em viagem.

O tempo perdeu-o.
Uma eternidade depois chega ao Entroncamento.
Um jovem ajuda-a a colocar as malas na gare e despede-se dela, que permanece com o olhar perdido, fitando fixamente um ponto situado no final da gare, quiçá o semáforo que se porá verde para que o comboio empreenda a seu curto caminho até Lisboa.
(É uma história antiga, mas recordei-me dela há uns dias, quando fazia a mesma viagem. Não ma contaram. Eu viajava junto ao casal, separado deles tão só pelo corredor. Acho que é o final mais triste de uma relação que conheci).
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sexta-feira, outubro 08, 2010
MORREU DENNIS HOPPER
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DENNIS HOPPER
Dennis Hopper e Victoria Duffy
Morreu Dennis Hopper.
Estava há meses nas últimas e não aguentou mais.
O motor disse basta!
E parou aos 74 anos por culpa de um cancro na próstata.
Era um porreiraço da velha escola.
Dos que pensavam que era nos extremos que estava a virtude.
Dos que aceitavam que os seus actos tinham inevitáveis consequências nos seus filmes, na sua vida privada e na sua saúde.
Dos que o conheciam, dizem que o seu grande segredo da vida: apostar forte.
Entrou no cinema pela porta grande com uma imagem, curiosamente, quase angelical, o que lhe valeu ser eleito para interpretar o filho de Elizabeth Taylor e Rock Hudson, em “Giant” (O Gigante), (1956).
Um ano antes tinha formado parte do elenco com James Dean em “Rebel without a cause” (Fúria de viver), (1955).
Apesar de todos os olhares colocados em James Dean, a sua presença não passou despercebida.

Daria Halprin e Katherine-LaNasa, (ex mulheres de Dennis Hopper)
Depois de algumas películas medíocres, entre as quais se inclui uma de Tarzan, converte-se numa celebridade rodando e interpretando “Easy Rider”(1969).
Uma película de baixo orçamento que contava com a presença de três actores quase desconhecidos e com um futuro mais que incerto.
Dennis Hopper, Peter Fonda e Jack Nicholson, percorrendo a América mais profunda em cima de um par de Harleys, com as drogas e o álcool como único combustível.
O êxito do filme foi imediato e serviu de megafone e reflexo para a desencantada juventude americana da época.
Como seria de esperar, Dennis rejeitou todas as portas que lhe tinham sido abertas.
O seu segundo trabalho como realizador, “The Last Movie”(1971), que até ganhou o Prémio da Crítica no Festival de Veneza, foi um rotundo fracasso devido aos seus problemas com drogas e álcool.

Brooke Hayward e Michelle Phillips, (ex mulheres de Dennis Hopper)
“Naquele tempo bebia dois litros de rum por dia; emborcava 28 cervejas e três gramas de cocaína, só para me manter em pé””, disse o actor, referindo-se aqueles anos.
O desastre converteu-o num pária dentro da indústria de que apenas a sua colaboração com Coppola em “Apocalipse Now”, (1979) e “Rumble Fish” (Juventude Inquieta) (1983), lhe devolveu algum protagonismo.
A sua vida privada sempre foi plena de escândalos e rumores.
Cinco matrimónios desmanchados e batalhas nos tribunais com as suas ex- até ao final dos seus dias.
Teve vários filhos e um divórcio recorde com Michelle Phillips, ex- vocalista dos “Mamas & The Papas”, com quem contraiu matrimónio em 1970 e que só duraria oito dias.
Dennis Hopper, um tipo que soube viver e que nunca se eximiu a nada.
Descanse em paz.
É o que merece depois de tanta e tão intensa actividade.
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Estava há meses nas últimas e não aguentou mais.
O motor disse basta!
E parou aos 74 anos por culpa de um cancro na próstata.
Era um porreiraço da velha escola.
Dos que pensavam que era nos extremos que estava a virtude.
Dos que aceitavam que os seus actos tinham inevitáveis consequências nos seus filmes, na sua vida privada e na sua saúde.
Dos que o conheciam, dizem que o seu grande segredo da vida: apostar forte.
Entrou no cinema pela porta grande com uma imagem, curiosamente, quase angelical, o que lhe valeu ser eleito para interpretar o filho de Elizabeth Taylor e Rock Hudson, em “Giant” (O Gigante), (1956).
Um ano antes tinha formado parte do elenco com James Dean em “Rebel without a cause” (Fúria de viver), (1955).
Apesar de todos os olhares colocados em James Dean, a sua presença não passou despercebida.
Daria Halprin e Katherine-LaNasa, (ex mulheres de Dennis Hopper)
Depois de algumas películas medíocres, entre as quais se inclui uma de Tarzan, converte-se numa celebridade rodando e interpretando “Easy Rider”(1969).
Uma película de baixo orçamento que contava com a presença de três actores quase desconhecidos e com um futuro mais que incerto.
Dennis Hopper, Peter Fonda e Jack Nicholson, percorrendo a América mais profunda em cima de um par de Harleys, com as drogas e o álcool como único combustível.
O êxito do filme foi imediato e serviu de megafone e reflexo para a desencantada juventude americana da época.
Como seria de esperar, Dennis rejeitou todas as portas que lhe tinham sido abertas.
O seu segundo trabalho como realizador, “The Last Movie”(1971), que até ganhou o Prémio da Crítica no Festival de Veneza, foi um rotundo fracasso devido aos seus problemas com drogas e álcool.

Brooke Hayward e Michelle Phillips, (ex mulheres de Dennis Hopper)
“Naquele tempo bebia dois litros de rum por dia; emborcava 28 cervejas e três gramas de cocaína, só para me manter em pé””, disse o actor, referindo-se aqueles anos.
O desastre converteu-o num pária dentro da indústria de que apenas a sua colaboração com Coppola em “Apocalipse Now”, (1979) e “Rumble Fish” (Juventude Inquieta) (1983), lhe devolveu algum protagonismo.
A sua vida privada sempre foi plena de escândalos e rumores.
Cinco matrimónios desmanchados e batalhas nos tribunais com as suas ex- até ao final dos seus dias.
Teve vários filhos e um divórcio recorde com Michelle Phillips, ex- vocalista dos “Mamas & The Papas”, com quem contraiu matrimónio em 1970 e que só duraria oito dias.
Dennis Hopper, um tipo que soube viver e que nunca se eximiu a nada.
Descanse em paz.
É o que merece depois de tanta e tão intensa actividade.
02JUN2010
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