terça-feira, setembro 07, 2010
TRAGÉDIA NUM PISCAR D’OLHO
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Salvador Dali - Sonho causado pelo voo de uma abelha em torno de uma romã um segundo antes do despertar
Quando chega a hora da verdade todo o mundo se queixa.
O extraordinário é o modo e a tardança em chegar a esta situação lastimosa, em que há que aplicar um recorte tão brutal ao gasto.
Depois de negar a crise, depois de ser considerada uma simples importação de turbulências financeiras ante os países que tinham um “poderoso” sistema financeiro, depois de perorar sobre as soluções sociais-democratas, depois de deixar gangrenar na mesa de negociações de interesses particulares uma reforma laboral, que se pedia há muito, depois de pretensiosamente assegurar que nos podíamos permitir retrasar o principal do recorte do gasto para os anos 2012 e 2013, depois de repetir que os salários dos funcionários públicos – aumento incluído – eram intocáveis, deparamos, num prazo de tempo, de visita de médico, ou o que se demora no WC, entre o pegar no papel higiénico e limpar o olho da consciência dos políticos, com o anúncio pesaroso de um corte de milhões nos próximos anos.
Tenha-se em conta, além do mais, que o acordo recente, em meter a mão no bolso dos portugueses, vem precedido do desprezo a propostas de outros quadrantes.
Sempre se disse que os contrários se equivocavam quando pretendiam o adiantamento no corte dos gastos.
Compreende-se assim, por tudo isto, o desespero geral, não só pelos cortes em si mesmos, mas também, pelo tempo perdido enquanto se apresentava como esperançoso o que era lamentável.
O corte, com realismo, podia ter sido bem mais ordenado.
E, concretamente, a irritação da oposição, tachada de antipatriota, de catastrofista, até que o Governo teve mesmo que fazer o que agora fez, com pressas e um toque de improvisação, por ter sido pressionado pelos seus sócios da EU e o presidente dos EUA.
Fizeram-se tão mal as coisas.
Foram à portuguesa.
O PSD, além de queixar-se sobre as consequências de tão longa paralisia, pede mais.
Alguns cortes foram colocados para a tesoura tesourar; como o adelgaçamento do Governo, o stop ás megalomanias da nossa pelintra pequenez, com obras faraónicas, não se suporão suficientes para um aforro das dimensões de que se necessita, ainda que não sejam desdenháveis, seguramente procurariam um efeito de maior erosão de um chefe de Governo dedicado até hoje a medidas e desculpas cosméticas.
Outros cortes, como os referentes a subvenções, têm maior calado porque, nas dramáticas circunstâncias actuais em que os sacrifícios directos se estendem tanto, há que fazê-los incidir sobre outros gastos menos essenciais.
E, desde logo, ter terminado a época de somar apoios com dinheiro público.
Talvez o governo esperasse um maior apoio às novas exigências ou necessidades.
Em todo o caso é algo que se devia ganhar.
Chamo a atenção, que apesar das pressas e das pressões exteriores, os anúncios feitos pelo Ministro das Finanças, só em parte foram negociados com parte da oposição, o que se devia ter negociado num maior “encosto”.
Mas, além do aforro, o fundamental é iniciar com a máxima urgência um programa de reformas estruturais de que se necessita.
As contas públicas e o emprego dependem do crescimento e a protecção social está vinculada ao aumento do emprego.
O despertar do governo, zaranzeado por sócios e amigos, foi trágico, mas junto ao que não nos podemos permitir está também o que devemos fazer com urgência.
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O extraordinário é o modo e a tardança em chegar a esta situação lastimosa, em que há que aplicar um recorte tão brutal ao gasto.
Depois de negar a crise, depois de ser considerada uma simples importação de turbulências financeiras ante os países que tinham um “poderoso” sistema financeiro, depois de perorar sobre as soluções sociais-democratas, depois de deixar gangrenar na mesa de negociações de interesses particulares uma reforma laboral, que se pedia há muito, depois de pretensiosamente assegurar que nos podíamos permitir retrasar o principal do recorte do gasto para os anos 2012 e 2013, depois de repetir que os salários dos funcionários públicos – aumento incluído – eram intocáveis, deparamos, num prazo de tempo, de visita de médico, ou o que se demora no WC, entre o pegar no papel higiénico e limpar o olho da consciência dos políticos, com o anúncio pesaroso de um corte de milhões nos próximos anos.
Tenha-se em conta, além do mais, que o acordo recente, em meter a mão no bolso dos portugueses, vem precedido do desprezo a propostas de outros quadrantes.
Sempre se disse que os contrários se equivocavam quando pretendiam o adiantamento no corte dos gastos.
Compreende-se assim, por tudo isto, o desespero geral, não só pelos cortes em si mesmos, mas também, pelo tempo perdido enquanto se apresentava como esperançoso o que era lamentável.
O corte, com realismo, podia ter sido bem mais ordenado.
E, concretamente, a irritação da oposição, tachada de antipatriota, de catastrofista, até que o Governo teve mesmo que fazer o que agora fez, com pressas e um toque de improvisação, por ter sido pressionado pelos seus sócios da EU e o presidente dos EUA.
Fizeram-se tão mal as coisas.
Foram à portuguesa.
O PSD, além de queixar-se sobre as consequências de tão longa paralisia, pede mais.
Alguns cortes foram colocados para a tesoura tesourar; como o adelgaçamento do Governo, o stop ás megalomanias da nossa pelintra pequenez, com obras faraónicas, não se suporão suficientes para um aforro das dimensões de que se necessita, ainda que não sejam desdenháveis, seguramente procurariam um efeito de maior erosão de um chefe de Governo dedicado até hoje a medidas e desculpas cosméticas.
Outros cortes, como os referentes a subvenções, têm maior calado porque, nas dramáticas circunstâncias actuais em que os sacrifícios directos se estendem tanto, há que fazê-los incidir sobre outros gastos menos essenciais.
E, desde logo, ter terminado a época de somar apoios com dinheiro público.
Talvez o governo esperasse um maior apoio às novas exigências ou necessidades.
Em todo o caso é algo que se devia ganhar.
Chamo a atenção, que apesar das pressas e das pressões exteriores, os anúncios feitos pelo Ministro das Finanças, só em parte foram negociados com parte da oposição, o que se devia ter negociado num maior “encosto”.
Mas, além do aforro, o fundamental é iniciar com a máxima urgência um programa de reformas estruturais de que se necessita.
As contas públicas e o emprego dependem do crescimento e a protecção social está vinculada ao aumento do emprego.
O despertar do governo, zaranzeado por sócios e amigos, foi trágico, mas junto ao que não nos podemos permitir está também o que devemos fazer com urgência.
(escrito em 14.05.2010)
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segunda-feira, setembro 06, 2010
TIRANOS
O Verão será a estação do amor, mas não o dos casamentos.
Todas as estatísticas, tanto as da paz como as do crime, confirmam que se trata de uma época danada e devastadora.
Agosto costuma ser o mês mais negro do ano quanto ao número de mulheres assassinadas ás mãos dos seus parceiros, enquanto que em Setembro recai, tradicionalmente, o mais elevado número de processos de separação conjugal.
Ou se crê com fanatismo nas casualidades ou deve-se admitir que as férias representam para os casais uma dura prova, que ou se resolve pelo civil ou pelo penal.
Pelo civil sucede assim: uma fulana sonhou todo o ano com a semanita do “tudo incluído” e, ao chegar ao destino, dá-se conta de que o homem por quem num dia se apaixonou não é o mesmo que tem a seu lado.
Apeou-se nalguma curva do Inverno e agora na espreguiçadeira só fica o marido desconhecido.
Quando há filhos, o Verão faz escapar a generosa ajuda da rotina, fundamentalmente se pensamos que uma família é, antes de mais nada, um exercício de logística sublime e frágil.
Ao quebrarem-se os costumes quotidianos, afloram as recriminações e os agravos mútuos, toda a “sujidade” que se camuflou ao longo do passado Inverno.
Salvo o desejo.
E nem sequer se tem à mão a escusa do stress para iludir o débito conjugal.
Depois de um Verão de “serviços mínimos” não há outro remédio que parafrasear Pablo Neruda: é tão curto o amor e tão longo o esquecimento.
A resolução pela via penal açambarca as preferências dos energúmenos incapazes de escutar as palavras de despedida que põem fim à sua tirania.
Dizem as estatísticas que cerca de 40 % dos portugueses culpam as mulheres maltratadas por não saírem de casa.
Os dados não são tão desmoralizadores como em princípio parecem.
Primeiro porque se deduz que 60 % – a maioria, três quintos – não as responsabiliza e é até provável que muitos se interroguem por que não se vai do lar o que maltrata.
E, segundo, porque inclusive quem converte as vítimas em culpadas não se refugia no velho «algo terá de ser feito», mas certamente não parecem compreender algo incompreensível: por que uma mulher livre não foge do seu torturador?
A pergunta não é absurda, além de que está mal formulada desde o princípio.
Uma mulher maltratada pelo seu parceiro não é dona dos seus próprios actos.
Esta mulher sofre em si uma grave deterioração psicológica em que caiu lentamente e vive aterrorizada: o seu estado está próximo do síndrome de Estocolmo, de que padecem os sequestrados.
Os preconceitos são muito parecidos com a ignorância, mas talvez as estatísticas estejam sob a mesma categoria incluindo o machismo e a ignorância e nos façam parecer piores do que realmente somos.
O mundo é tão calmo ...
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Todas as estatísticas, tanto as da paz como as do crime, confirmam que se trata de uma época danada e devastadora.
Agosto costuma ser o mês mais negro do ano quanto ao número de mulheres assassinadas ás mãos dos seus parceiros, enquanto que em Setembro recai, tradicionalmente, o mais elevado número de processos de separação conjugal.
Ou se crê com fanatismo nas casualidades ou deve-se admitir que as férias representam para os casais uma dura prova, que ou se resolve pelo civil ou pelo penal.
Pelo civil sucede assim: uma fulana sonhou todo o ano com a semanita do “tudo incluído” e, ao chegar ao destino, dá-se conta de que o homem por quem num dia se apaixonou não é o mesmo que tem a seu lado.
Apeou-se nalguma curva do Inverno e agora na espreguiçadeira só fica o marido desconhecido.
Quando há filhos, o Verão faz escapar a generosa ajuda da rotina, fundamentalmente se pensamos que uma família é, antes de mais nada, um exercício de logística sublime e frágil.
Ao quebrarem-se os costumes quotidianos, afloram as recriminações e os agravos mútuos, toda a “sujidade” que se camuflou ao longo do passado Inverno.
Salvo o desejo.
E nem sequer se tem à mão a escusa do stress para iludir o débito conjugal.
Depois de um Verão de “serviços mínimos” não há outro remédio que parafrasear Pablo Neruda: é tão curto o amor e tão longo o esquecimento.
A resolução pela via penal açambarca as preferências dos energúmenos incapazes de escutar as palavras de despedida que põem fim à sua tirania.
Dizem as estatísticas que cerca de 40 % dos portugueses culpam as mulheres maltratadas por não saírem de casa.
Os dados não são tão desmoralizadores como em princípio parecem.
Primeiro porque se deduz que 60 % – a maioria, três quintos – não as responsabiliza e é até provável que muitos se interroguem por que não se vai do lar o que maltrata.
E, segundo, porque inclusive quem converte as vítimas em culpadas não se refugia no velho «algo terá de ser feito», mas certamente não parecem compreender algo incompreensível: por que uma mulher livre não foge do seu torturador?
A pergunta não é absurda, além de que está mal formulada desde o princípio.
Uma mulher maltratada pelo seu parceiro não é dona dos seus próprios actos.
Esta mulher sofre em si uma grave deterioração psicológica em que caiu lentamente e vive aterrorizada: o seu estado está próximo do síndrome de Estocolmo, de que padecem os sequestrados.
Os preconceitos são muito parecidos com a ignorância, mas talvez as estatísticas estejam sob a mesma categoria incluindo o machismo e a ignorância e nos façam parecer piores do que realmente somos.
O mundo é tão calmo ...
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domingo, setembro 05, 2010
UM MITO (meu) AOS 70 ANOS
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RAQUEL WELSH
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RAQUEL WELSH
Pouca gente é capaz de cumprir 70 anos (09SET2010) e ser alvo de tantos olhares e piropos à sua passagem.
Com Raquel Welch é diferente; não parece celebrar mais de 50.
Parece que o tempo não passa para este grande mítico erótico de Hollywood dos anos 60 e 70.
Foi vista como a sucessora de Marylin Monroe, pela sua escultural anatomia e a sua generosidade na hora de mostrá-la.
Lembro-me do seu insinuante biquini pré-histórico no papel de “Loana”, no filme “Quando o Mundo Nasceu” (One Million Years BC).
O poster com esta imagem decorou, nos anos 60, os sonhos de muitos quartos, de milhares de adolescentes que suspiravam pela que era denominada a mulher mais desejada de todos os tempos.
“Ser um símbolo sexy é como ser um preso”, dizia.
Não tardou em chamar a atenção desde muito jovem, quando ganhou alguns títulos de Miss.

Depois de receber o Globo de Ouro em 1974 (pelo seu papel em “Os três Mosqueteiros”) a sua carreira no cinema parou.
Praticamente deixou de receber ofertas de trabalho.
Os seus casamentos, quatro no total e os seus posteriores divórcios sempre deram mais que falar que o seu trabalho; decidiu dar uma volta de 180º: começou a protagonizar shows televisivos de música e de baile, em directo, o que a levou com os seus musicais a Las Vegas.
Meteu-se no mundo empresarial com o negócio de perucas e postiços.
Editou, também, um vídeo de exercícios físicos ao estilo da Jane Fonda.
Todo este azáfama sem descurar, nem por um segundo, o seu físico.
Nos seus invejáveis e esplêndidos 70 anos.
Raquel Welch jura a pés juntos que o seu corpo é fruto da genética, (abençoada genética!!!).

Disso e da sua disciplina no ginásio – onde vai seis dias por semana - e desde o seu extremo cuidado com a alimentação, baixa em hidratos de carbono e muito rica em frutas e verduras.
“Estou sempre de dieta”, queixou-se numa ocasião.
Da cirurgia estética, diz que nem quer ouvir falar, “Não manterei a minha figura dessa maneira”.
A verdade é que com ou sem o bisturi pelo meio, acredito que Raquel Welsh (veja aqui mais fotos) tenha feito um pacto com o diabo para luzir desta maneira, (que ainda ofusca), esplendidamente.
No dia em que completa os seus 70 anos, a sua foto poderia suplantar e renovar os posters de há vários anos.
Que a beleza se mantenha por muitos anos e eu possa apreciá-la!
Com Raquel Welch é diferente; não parece celebrar mais de 50.
Parece que o tempo não passa para este grande mítico erótico de Hollywood dos anos 60 e 70.
Foi vista como a sucessora de Marylin Monroe, pela sua escultural anatomia e a sua generosidade na hora de mostrá-la.
Lembro-me do seu insinuante biquini pré-histórico no papel de “Loana”, no filme “Quando o Mundo Nasceu” (One Million Years BC).
O poster com esta imagem decorou, nos anos 60, os sonhos de muitos quartos, de milhares de adolescentes que suspiravam pela que era denominada a mulher mais desejada de todos os tempos.
“Ser um símbolo sexy é como ser um preso”, dizia.
Não tardou em chamar a atenção desde muito jovem, quando ganhou alguns títulos de Miss.

Depois de receber o Globo de Ouro em 1974 (pelo seu papel em “Os três Mosqueteiros”) a sua carreira no cinema parou.
Praticamente deixou de receber ofertas de trabalho.
Os seus casamentos, quatro no total e os seus posteriores divórcios sempre deram mais que falar que o seu trabalho; decidiu dar uma volta de 180º: começou a protagonizar shows televisivos de música e de baile, em directo, o que a levou com os seus musicais a Las Vegas.
Meteu-se no mundo empresarial com o negócio de perucas e postiços.
Editou, também, um vídeo de exercícios físicos ao estilo da Jane Fonda.
Todo este azáfama sem descurar, nem por um segundo, o seu físico.
Nos seus invejáveis e esplêndidos 70 anos.
Raquel Welch jura a pés juntos que o seu corpo é fruto da genética, (abençoada genética!!!).

Disso e da sua disciplina no ginásio – onde vai seis dias por semana - e desde o seu extremo cuidado com a alimentação, baixa em hidratos de carbono e muito rica em frutas e verduras.
“Estou sempre de dieta”, queixou-se numa ocasião.
Da cirurgia estética, diz que nem quer ouvir falar, “Não manterei a minha figura dessa maneira”.
A verdade é que com ou sem o bisturi pelo meio, acredito que Raquel Welsh (veja aqui mais fotos) tenha feito um pacto com o diabo para luzir desta maneira, (que ainda ofusca), esplendidamente.
No dia em que completa os seus 70 anos, a sua foto poderia suplantar e renovar os posters de há vários anos.
Que a beleza se mantenha por muitos anos e eu possa apreciá-la!
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sábado, setembro 04, 2010
OLHARES
Contemplei-a pela primeira vez há uns longínquos anos, aproveitando uma “fugida” a Paris onde Maria Schneider e Marlon Brando comiam laranjas mecânicas com manteiga amarela a passo do tango.
A eles só lhes mirei os traseiros (para não dizer cus); à Gioconda, a cara.
E, acagaçado ante a sua condição de obra de arte, não soube ver que ela, lá do fundo do seu enigma, também me olhava a mim e só a mim.
Creio que lhe agradei.
Temo-nos visto de vez em quando, poucas vezes; eu, em cada encontro menos jovem, enquanto que a ela a vão restaurando.
Pela imprensa escrita inteirei-me que uns cientistas tinham formulado a percentagem de sentimentos contrários que se acolhem entre o seu sorriso e o seu olhar e que algum devasso tinha tentado romper.
Agora encontro-a protegida por vidros anti-bala, três vigilantes, barreiras e cordões de segurança para manter distâncias.
Nada mudou: para além de uns metros mais longe, gentes vindas de todo o planeta continuam a fotografá-la, gravando-a em vídeo, girando em semicírculo sem perder o seu olhar …
Quando acabam … partem para a Torre de Pisa, ou para a Guernica, as pirâmides: gostam tanto de arte que a levam para casa.
Depois de muito matutar sobre isto, acabo de descobrir o verdadeiro enigma da Mona Lisa, o porquê de um dia ou outro da nossa vida, todos acabamos peregrinando entre incómodas multidões até à sua sala.
A chave do enigma reside naquela frase que alguém disse: “O olho que vês não é olho, porque tu o vês, é olho porque te vê”.
É isso sim; vamos para que nos veja, não a vamos ver a ela: da mesma maneira que alguns velhotes feios viajam até Cuba para que as mulatas jovens se fixem neles; muitos acercamo-nos do Louvre para que a mulher mais cara, inacessível e desejada do mundo saiba da nossa existência e, desde a sua extrema elegância, nos perdoe por nos apresentarmos ante ela em chinelos, calções curtos e t-shirt transpirada, olhando-a com olhos de turista plebeu, com a mesma cara embasbacada com que observamos a Vénus de Botticelli, ou do Nilo, a Maja Vestida ou Nua de Goya ou a qualquer outra "senhora", p*ta, do bairro vermelho de Amesterdão.
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A eles só lhes mirei os traseiros (para não dizer cus); à Gioconda, a cara.
E, acagaçado ante a sua condição de obra de arte, não soube ver que ela, lá do fundo do seu enigma, também me olhava a mim e só a mim.
Creio que lhe agradei.
Temo-nos visto de vez em quando, poucas vezes; eu, em cada encontro menos jovem, enquanto que a ela a vão restaurando.
Pela imprensa escrita inteirei-me que uns cientistas tinham formulado a percentagem de sentimentos contrários que se acolhem entre o seu sorriso e o seu olhar e que algum devasso tinha tentado romper.
Agora encontro-a protegida por vidros anti-bala, três vigilantes, barreiras e cordões de segurança para manter distâncias.
Nada mudou: para além de uns metros mais longe, gentes vindas de todo o planeta continuam a fotografá-la, gravando-a em vídeo, girando em semicírculo sem perder o seu olhar …
Quando acabam … partem para a Torre de Pisa, ou para a Guernica, as pirâmides: gostam tanto de arte que a levam para casa.
Depois de muito matutar sobre isto, acabo de descobrir o verdadeiro enigma da Mona Lisa, o porquê de um dia ou outro da nossa vida, todos acabamos peregrinando entre incómodas multidões até à sua sala.
A chave do enigma reside naquela frase que alguém disse: “O olho que vês não é olho, porque tu o vês, é olho porque te vê”.
É isso sim; vamos para que nos veja, não a vamos ver a ela: da mesma maneira que alguns velhotes feios viajam até Cuba para que as mulatas jovens se fixem neles; muitos acercamo-nos do Louvre para que a mulher mais cara, inacessível e desejada do mundo saiba da nossa existência e, desde a sua extrema elegância, nos perdoe por nos apresentarmos ante ela em chinelos, calções curtos e t-shirt transpirada, olhando-a com olhos de turista plebeu, com a mesma cara embasbacada com que observamos a Vénus de Botticelli, ou do Nilo, a Maja Vestida ou Nua de Goya ou a qualquer outra "senhora", p*ta, do bairro vermelho de Amesterdão.
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sexta-feira, setembro 03, 2010
MENTIRA quase UNIVERSAL
Perdem-se as guerras por capitulação, tratados de paz, armistícios ou simplesmente por rendição incondicional.
O Ocidente perdeu a guerra do Iraque e está na iminência de sair também derrotado do Afeganistão.
O presidente Obama manteve a sua palavra de retirar todas as tropas de combate antes de 31 de Agosto de 2010.
Mas a guerra foi perdida a julgar pelos atentados quase diários contra soldados estrangeiros e principalmente contra iraquianos que de alguma maneira cooperam com as tropas invasoras.
Nunca poderia acabar bem uma guerra que se construiu sobre a torpe mentira de grandes dimensões.
Caiu o sanguinário ditador Sadam Husseim que foi julgado e executado.
Foi-se aquele regime ignominioso.
Mas depois de sete anos de guerra não há governo sólido em Bagdad, o futuro repartir-se-á entre facções que lutam entre si para conseguir o poder, chiitas, sunitas e curdos querem a sua porção territorial, económica e militar.
Mataram mais de cinco mil soldados da aliança, principalmente norte americanos.
A cifra de vítimas iraquianas calcula-se em mais de cem mil civis.
A guerra perdeu-se e o que tenta Obama é abandonar o Iraque com dignidade.
A situação no Afeganistão não é melhor.
Os talibãs ganharam zonas de influência e poder.
Os países que fazem parte da aliança contra os talibãs é superior a trinta.
Mas a presença de tropas no Afeganistão converteu-se num pesadelo para chegar até ao final, sabendo que terão de deixar este estado complexo da Ásia Central em que se desplumaram os impérios britânico, soviético e agora norte americano.
Sócrates não quis militares (para combate) no Iraque.
Para não ser abandonado pelos aliados, precipitou-se a enviar tropas para o Afeganistão que actuavam debaixo do mando da ONU.
Durão, todavia, não se dignou a dizer-nos que nos mentiu miseravelmente.
Posto que uma vitória no Afeganistão é pouco provável, quiçá impossível o mais inteligente seria retirar o grosso das tropas e procurar outras fórmulas para reduzir o perigo terrorista que chega daquele país que não se renderá.
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O Ocidente perdeu a guerra do Iraque e está na iminência de sair também derrotado do Afeganistão.
O presidente Obama manteve a sua palavra de retirar todas as tropas de combate antes de 31 de Agosto de 2010.
Mas a guerra foi perdida a julgar pelos atentados quase diários contra soldados estrangeiros e principalmente contra iraquianos que de alguma maneira cooperam com as tropas invasoras.
Nunca poderia acabar bem uma guerra que se construiu sobre a torpe mentira de grandes dimensões.
Caiu o sanguinário ditador Sadam Husseim que foi julgado e executado.
Foi-se aquele regime ignominioso.
Mas depois de sete anos de guerra não há governo sólido em Bagdad, o futuro repartir-se-á entre facções que lutam entre si para conseguir o poder, chiitas, sunitas e curdos querem a sua porção territorial, económica e militar.
Mataram mais de cinco mil soldados da aliança, principalmente norte americanos.
A cifra de vítimas iraquianas calcula-se em mais de cem mil civis.
A guerra perdeu-se e o que tenta Obama é abandonar o Iraque com dignidade.
A situação no Afeganistão não é melhor.
Os talibãs ganharam zonas de influência e poder.
Os países que fazem parte da aliança contra os talibãs é superior a trinta.
Mas a presença de tropas no Afeganistão converteu-se num pesadelo para chegar até ao final, sabendo que terão de deixar este estado complexo da Ásia Central em que se desplumaram os impérios britânico, soviético e agora norte americano.
Sócrates não quis militares (para combate) no Iraque.
Para não ser abandonado pelos aliados, precipitou-se a enviar tropas para o Afeganistão que actuavam debaixo do mando da ONU.
Durão, todavia, não se dignou a dizer-nos que nos mentiu miseravelmente.
Posto que uma vitória no Afeganistão é pouco provável, quiçá impossível o mais inteligente seria retirar o grosso das tropas e procurar outras fórmulas para reduzir o perigo terrorista que chega daquele país que não se renderá.
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quinta-feira, setembro 02, 2010
JÁ IMAGINARAM …
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Carla Bruni e Isabelle Adjani mostraram a sua solidariedade com a mulher que foi condenada a ser assassinada por delapidação por ter mantido uma relação fora do matrimónio.
Desde a imprensa governamental e governamentalizada daquele país que a condenada foi equiparada ás duas, com a amável expressão de “puta francesa” para a mulher do Presidente da República francesa.
Já imaginaram o que ocorreria se um meio qualquer de informação dissesse algo semelhante da mulher dos tiranos, Ayatollah Khamenei ou Ahmadinejad ?
Outro que tal, o ditador líbio Khadafi, esteve há uns tempos de visita a Roma, lugar particularmente indicado para convidar-nos à conversão ao islão e aclarar que Jesus de Nazaré não foi crucificado.
De outra forma só nos afundaremos na merda de um dialogo absurdo e estéril que só beneficiará o radicalismo.
Já agora, santas devem ser para os “ayatollahs” de Teerão, todas as ministras do nosso amado governo, tão feministas são, que ainda não abriram a boca, pelo menos para se darem conta de que o drama de Ashtiani existe.
E as santas de outros governos?
Não as haverá?
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Desde que o professor Huntington publicou na revista Foreign Affairs um artigo sobre como as relações entre as grandes culturas determinam a política internacional depois da guerra fria, nós os ocidentais vamos fazendo esforços para expressarmos com correcção e não molestar os nossos vizinhos muçulmanos.
Salta à vista que os resultados até ao presente não têm sido nada positivos.
Há quem pense que a solução passa por nos deixarmos humilhar um pouco mais … pedir desculpas, dar dinheiro, aceitar os seus desmandos políticos e ceder tudo que nos exijam.
Outros há que não vêem bem assim as coisas.
Por estes dias, nós os europeus, encontramo-nos um tanto ou quanto surpreendidos ante as declarações que não obedecem à mínima urbanidade exigível por uns quaisquer cascas grossas da teocracia iraniana.
Salta à vista que os resultados até ao presente não têm sido nada positivos.
Há quem pense que a solução passa por nos deixarmos humilhar um pouco mais … pedir desculpas, dar dinheiro, aceitar os seus desmandos políticos e ceder tudo que nos exijam.
Outros há que não vêem bem assim as coisas.
Por estes dias, nós os europeus, encontramo-nos um tanto ou quanto surpreendidos ante as declarações que não obedecem à mínima urbanidade exigível por uns quaisquer cascas grossas da teocracia iraniana.
Carla Bruni e Isabelle Adjani mostraram a sua solidariedade com a mulher que foi condenada a ser assassinada por delapidação por ter mantido uma relação fora do matrimónio.
Desde a imprensa governamental e governamentalizada daquele país que a condenada foi equiparada ás duas, com a amável expressão de “puta francesa” para a mulher do Presidente da República francesa.
Já imaginaram o que ocorreria se um meio qualquer de informação dissesse algo semelhante da mulher dos tiranos, Ayatollah Khamenei ou Ahmadinejad ?
Outro que tal, o ditador líbio Khadafi, esteve há uns tempos de visita a Roma, lugar particularmente indicado para convidar-nos à conversão ao islão e aclarar que Jesus de Nazaré não foi crucificado.
Umas interessantes declarações que realizou ante 200 formosas jovens modelos a quem pagou, a peso de ouro, para assistirem aos seus dislates verbais.
Já imaginaram o que ocorreria se um chefe de estado ou governo, europeu, se deslocasse a um país islâmico para convidar a população a converter-se ao cristianismo e que para isso contratasse o serviço de 200 jovens?
Se nos queremos entender, primeiramente temos que exigir respeito e reciprocidade de quem parece que só sabe meter as mãos na sopa, para não dizer as patas.
Já imaginaram o que ocorreria se um chefe de estado ou governo, europeu, se deslocasse a um país islâmico para convidar a população a converter-se ao cristianismo e que para isso contratasse o serviço de 200 jovens?
Se nos queremos entender, primeiramente temos que exigir respeito e reciprocidade de quem parece que só sabe meter as mãos na sopa, para não dizer as patas.
De outra forma só nos afundaremos na merda de um dialogo absurdo e estéril que só beneficiará o radicalismo.
Já agora, santas devem ser para os “ayatollahs” de Teerão, todas as ministras do nosso amado governo, tão feministas são, que ainda não abriram a boca, pelo menos para se darem conta de que o drama de Ashtiani existe.
E as santas de outros governos?
Não as haverá?
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quarta-feira, setembro 01, 2010
PICADURAS DE MEDUSAS (águas vivas)
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Ora então vamos lá tratar da saúde ás medusas ou alforrecas, essas piranhas dos mares (celenterado cifosoário), que “mordem” a torto e a direito.
Primeiro que tudo, não mordem pois não possuem dentes, não picam, porque não possuem picos ...
Quanto muito defendem-se e o contacto com a nossa pele provoca uma irritação porque os cílios desses “vampiros” possuem uma substância urticante que utilizam para se defender dos inimigos.
Nesta época do verão sempre aparecem conselhos sobre o que fazer ante os diferentes casos que nos podem ocorrer nas praias, realizando uma intervenção tanto ou quanto a rapidez nos permita.
Então o que fazer frente a uma “picadura”?
Ainda que pareça algo complicado, é muito “facilíssimo” e portanto, não muito complicado.
A primeira coisa a fazer é não tomar banho quando sabemos que há medusas ou alforrecas a “navegar” no local.
Segundo, é evitar que nos toquem e portanto injectem a substância urticante, ou trocando por miúdos mais directos, que não nos deixemos picar.
Muitas vezes, para não dizer quase sempre não se vêem dentro de água onde se deixam arrastar pelas correntes muito perto da superfície.
Para o tratamento é necessário actuar rapidamente para que a substância urticante da “picadura” não se converta em algo grave, mas sim que seja mais um momento hilariante.
Então tomem nota nos passos que devem dar:
1 – Não friccionar ou esfregar a zona afectada, nem ccom areia, nem com a toalha.
2 – NÃO LIMPAR A ZONA AFECTADA COM ÁGUA DOCE, usar sempre água salgada. NUNCA ÁGUA DOCE.
3 – Aplicar algo frio na zona afectada durante ± 15 minutos, utilizando um saco de plástico que contenha gelo. (Pede-o em algum estabelecimento próximo da praia que por certo não to negarão).
4 – Nunca apliques gelo directamente (usa um tecido, por exemplo o lenço) porque o gelo também “queima”.
Se a dor persistir, coloca outro quarto de hora de gelo.
5 – Extrai qualquer resto de tentáculos ou cílios que permaneça aderido à pele, tendo cuidado com os dedos.
Em caso de dúvida recorre aos serviços médicos ou de enfermagem de apoio á praia.
6 – Depois de tudo isto podes aplicar Iodopovidona, vulgarmente conhecida por Betadine@, na zona para que não infecte.
NUNCA ÁLCOOL!!!
7 – No caso de qualquer complicação mais grave, dirige-te a um centro de saúde ou uma urgência mais perto.
Espero que estes conselhos rápidos te sejam úteis ou sirvam no caso de teres o azar de cruzares com uma “aventesma” destas.
Há sempre uma possibilidade, para os mais hipocondríacos; comprar "Cloreto de etilo” que é vendido nas farmácias sob a forma de spray pressurizado.
Digo é, mas não sei não se ainda é vendido á tripa forra … é que há quem o utilize como alucinogénio.
Mas rematando:
NUNCA USES ÁGUA DOCE. COLOCA GELO envolto numa protecção e depois Betadine@, (NUNCA ÁLCOOL), se a tivermos à mão de semear; caso contrário espera até chegar a casa.
Nem mesmo o homem do melhor emprego do mundo escapou a um encontro com uma medusa.
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Primeiro que tudo, não mordem pois não possuem dentes, não picam, porque não possuem picos ...
Quanto muito defendem-se e o contacto com a nossa pele provoca uma irritação porque os cílios desses “vampiros” possuem uma substância urticante que utilizam para se defender dos inimigos.
Nesta época do verão sempre aparecem conselhos sobre o que fazer ante os diferentes casos que nos podem ocorrer nas praias, realizando uma intervenção tanto ou quanto a rapidez nos permita.
Então o que fazer frente a uma “picadura”?
Ainda que pareça algo complicado, é muito “facilíssimo” e portanto, não muito complicado.
A primeira coisa a fazer é não tomar banho quando sabemos que há medusas ou alforrecas a “navegar” no local.
Segundo, é evitar que nos toquem e portanto injectem a substância urticante, ou trocando por miúdos mais directos, que não nos deixemos picar.
Muitas vezes, para não dizer quase sempre não se vêem dentro de água onde se deixam arrastar pelas correntes muito perto da superfície.
Para o tratamento é necessário actuar rapidamente para que a substância urticante da “picadura” não se converta em algo grave, mas sim que seja mais um momento hilariante.
Então tomem nota nos passos que devem dar:
1 – Não friccionar ou esfregar a zona afectada, nem ccom areia, nem com a toalha.
2 – NÃO LIMPAR A ZONA AFECTADA COM ÁGUA DOCE, usar sempre água salgada. NUNCA ÁGUA DOCE.
3 – Aplicar algo frio na zona afectada durante ± 15 minutos, utilizando um saco de plástico que contenha gelo. (Pede-o em algum estabelecimento próximo da praia que por certo não to negarão).
Se a dor persistir, coloca outro quarto de hora de gelo.
5 – Extrai qualquer resto de tentáculos ou cílios que permaneça aderido à pele, tendo cuidado com os dedos.
Em caso de dúvida recorre aos serviços médicos ou de enfermagem de apoio á praia.
6 – Depois de tudo isto podes aplicar Iodopovidona, vulgarmente conhecida por Betadine@, na zona para que não infecte.
NUNCA ÁLCOOL!!!
7 – No caso de qualquer complicação mais grave, dirige-te a um centro de saúde ou uma urgência mais perto.
Espero que estes conselhos rápidos te sejam úteis ou sirvam no caso de teres o azar de cruzares com uma “aventesma” destas.
Há sempre uma possibilidade, para os mais hipocondríacos; comprar "Cloreto de etilo” que é vendido nas farmácias sob a forma de spray pressurizado.
Digo é, mas não sei não se ainda é vendido á tripa forra … é que há quem o utilize como alucinogénio.
Mas rematando:
NUNCA USES ÁGUA DOCE. COLOCA GELO envolto numa protecção e depois Betadine@, (NUNCA ÁLCOOL), se a tivermos à mão de semear; caso contrário espera até chegar a casa.
Nem mesmo o homem do melhor emprego do mundo escapou a um encontro com uma medusa.
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