O VIDEIRINHO

terça-feira, outubro 12, 2010

BAILARINAS VOADORAS

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CEBU PACIFIC AIRLINE




Há uns diazitos, (fins de Setembro), as hospedeiras de um voo de uma companhia aérea filipina dançaram ao som de Lady Gaga para que os passageiros não adormecessem durante a demonstração habitual das medidas de segurança do avião.

O vídeo das hospedeiras que dançaram, coordenadas, num voo da Cebu Pacific, já foi visto por mais de 6,5 milhões de pessoas depois de ter sido colocado no popular portal da Internet.

A companhia aérea, com sede em Manila, foi também apanhada de surpresa pelo êxito da iniciativa, ela que é conhecida por organizar jogos e concursos de canto nos seus voos de baixo custo, quer nacionais, quer pela Ásia.

A empresa disse que decidiu que as hospedeiras dançassem para assim chamar a atenção dos passageiros quando são explicadas as medidas de segurança.



A gente quase não presta atenção ás demonstrações de segurança em terra” disse a vice-presidente, Candice Iyog, da parte comercial da Cebu Pacific.

A companhia aérea está muitíssimo agradada com o resultado”.

De facto, Iyog, reconheceu que a companhia aérea tinha contratado coreógrafos profissionais para ensinar os diversos passos de dança.

As hospedeiras também já tinham chegado a usar “hot pants”.

Três hospedeiras com camisolas de cor pastel e saias de cor creme, dançaram o êxito de Lady Gaga, “Just Dance”, no estreito corredor de um jacto A-320, para demonstrar aos passageiros os procedimentos de emergência em casos de turbulência ou uma aterragem forçada na água.



Um grupo de hospedeiras da companhia Philippine Airlines descreveu depois o espectáculo como algo degradante e indigno.

O membro da Câmara de Congressos filipino, Teddy Casino, disse que, ainda que a dança captasse a atenção dos passageiros, “era difícil escutar e ouvir as instruções de segurança devido ao alto volume da música”.

A companhia aérea decidiu continuar com o espectáculo.

Talvez assim me quebre a minha resistência ao “ar das alturas”, um tanto ou quanto rarefeito, quando instalarem um varão e "artistas de variedades"; assim até posso perder o fôlego.

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segunda-feira, outubro 11, 2010

- Não sei quem fez a água, mas o vinho, foi de certeza o homem !

VINDIMAS (PARTE II)

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... Continuação



Cheiram os campos ainda verdes que empreenderão muito em breve uma fantástica viagem cromática até ficarem mortos, secos, à mercê de ventos e humidades que os mesclarão com as ervas outonais e ficarão sepultadas pelas intempéries do inverno.

Exala também a uva, a boa uva, madura e cheia, que não pode aguentar nem mais um dia pendurada das cepas.

É difícil resistir à tentação de picar aqui e ali, emborrachar-se de grãos virgens, enquanto as mãos vão adquirido uma pegajosice que contamina tudo.

Dizem os especialistas que um dos melhores remédios para conseguir a suavidade da pele é lavar-se com água limpa depois de uma jornada vindimadora.



Surpreende-me que os traficantes da estética não tenham redescoberto esta antiga e extraordinária cura de macieza facial.

Um campo vindimado fica silencioso, triste, disposto a sumir-se numa transformação rápida e definitiva.

O cair das folhas, antes ou depois de passar um rebanho que devore todo o sinal de vida, é o começo de uma longa letargia que só despertará quando os primeiros brotos dos futuros bacelos voltem a assomar timidamente lá para Abril.

A uva, a boa uva é a que durante duas semanas fica agarrada aos sarmentos.



São cachos pequeníssimos que não tinham amadurecido ao vindimar.

Cinco a seis bagos que vão engordando, arredondam-se, adquirem uma cor rosácea e são cobiçados pelos sibaritas da boa uva.

Convido-vos a viver esta experiência sublime.

Não acredito que os vinhateiros o impeçam.

A doçura destes resíduos parentes da vinha é requintado, notável, vinho de puro mel.

Bebam, empanturrem-se, emborrachem-se de etéreos éteres e por mim, para além de tudo isto, vou tentar acompanhar com um amanteigado queijo e um trigueiro pão.

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domingo, outubro 10, 2010

- Abre aquela garrafa de vinho e dá-lhe a suprema liberdade de te encher o copo !

VINDIMAS (PARTE I)

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O general De Gaule dizia que a França tinha sido feita por mais de 40 reis e muitos séculos pelo meio ambiente; uma vez ironizou dizendo que era impossível governar um país que tinha mais de 200 variedades de queijos.

Lembrei-me desta referência gaulista ao contemplar a variedade de vinhos de qualidade que se produzem num país onde ainda não há muitos anos só era capaz de produzir álcoois para carroceiros.

Talvez houvesse uma excepção nalgum espumante.

Mas tudo o resto era um simples vinho de mesa e nos últimos anos completou-se o "ramalhete" com rolha de plástico.



Muitos vinhos de qualidade vão ser elaborados na vindima que está agora a ser feita.

Um dos parâmetros para medir o progresso destes últimos anos é a quantidade de vinhos de qualidade que se engarrafam em adegas grandes ou pequenas.

Outra coisa é como se conquistam novos mercados.

Este prólogo é para falar da maturidade outonal que se encontra nos odores eternos dos frutos, da terra, das árvores, de tudo o que das mais diversas maneiras se preparou para ser recolhido ou para perder-se no inexorável ciclo vegetal que nasceu com a Primavera.



Flutua em todos os espaços vinícolas um inconfundível olor a mosto.

Desprende-se dos caminhos vicinais, dos caminhos locais salpicados de lodosas cubas efémeras, das prensas que devoram os cangaços enquanto separam a aguardente dos “sumos vegetais” sem fermentar.

É um perfume festivo, ambiental, que se inicia nas próprias vinhas que exigem ser despojadas das uvas antes que a putrefacção se assenhoreie dos cachos.

Exalam os galhos.

É um olor ácido, iracundo, tonteante.

... CONTINUA

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sábado, outubro 09, 2010

- Uma história tem sempre dois lados.
A verdade é, geralmente algures, num lugar entre os dois !

O COMBOIO

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Não "The Train", “O Comboio”, (1964), com Burt Lencaster, Paul Scofield e Jeanne Moreau (com uma magnífica fotografia - preto e branco - e uma bela trilha sonora).

Outubro de 1969.

O “Foguete” detém-se na estação de Coimbra B.

Então o homem – cerca de 65 anos, cabelo grisalho, farto bigode levanta-se, pega num maço de tabaco que transporta no casaco e sai para a gare, para “tirar duas passas”.

Passaram uns cinco minutos quando o comboio encerrou as portas e começa a mover-se lentamente.

A mulher olha atónita o seu marido, que fica em terra completamente alheio à partida do trem, sem alterar qualquer gesto, aspirando profundamente o fumo do cigarro.

Ela exclama em voz baixa:
António! António!

Enquanto a gare acaba de passar ante a janela...



Depois, rodeada por alguns companheiros de viagem, explica aturdida que António levou os bilhetes, o dinheiro e a documentação do casal.

A mulher conta, num português desajeitado, entorpecente, que iam ao Algarve e tinham intenção de pernoitar em Lisboa.

Não há telemóveis.

Que deve fazer agora: sair em Fátima e regressar a Coimbra B, ou seguir viagem até Lisboa?

Pergunta aos circundantes mas também o pergunta a si própria, porque não consegue afastar a suspeita de que António a abandonou, disse-lhe adeus pelo procedimento de apear-se – metafórica e literalmente – de um comboio em viagem.




O tempo perdeu-o.

Uma eternidade depois chega ao Entroncamento.

Um jovem ajuda-a a colocar as malas na gare e despede-se dela, que permanece com o olhar perdido, fitando fixamente um ponto situado no final da gare, quiçá o semáforo que se porá verde para que o comboio empreenda a seu curto caminho até Lisboa.

(É uma história antiga, mas recordei-me dela há uns dias, quando fazia a mesma viagem. Não ma contaram. Eu viajava junto ao casal, separado deles tão só pelo corredor. Acho que é o final mais triste de uma relação que conheci).

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sexta-feira, outubro 08, 2010

- O tempo é algo que até é nímio.
Nós é que não olhamos o relógio !

MORREU DENNIS HOPPER

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DENNIS HOPPER






Dennis Hopper e Victoria Duffy


Morreu Dennis Hopper.

Estava há meses nas últimas e não aguentou mais.

O motor disse basta!

E parou aos 74 anos por culpa de um cancro na próstata.

Era um porreiraço da velha escola.

Dos que pensavam que era nos extremos que estava a virtude.

Dos que aceitavam que os seus actos tinham inevitáveis consequências nos seus filmes, na sua vida privada e na sua saúde.

Dos que o conheciam, dizem que o seu grande segredo da vida: apostar forte.

Entrou no cinema pela porta grande com uma imagem, curiosamente, quase angelical, o que lhe valeu ser eleito para interpretar o filho de Elizabeth Taylor e Rock Hudson, em “Giant” (O Gigante), (1956).

Um ano antes tinha formado parte do elenco com James Dean em “Rebel without a cause” (Fúria de viver), (1955).

Apesar de todos os olhares colocados em James Dean, a sua presença não passou despercebida.



Daria Halprin e Katherine-LaNasa, (ex mulheres de Dennis Hopper)

Depois de algumas películas medíocres, entre as quais se inclui uma de Tarzan, converte-se numa celebridade rodando e interpretando “Easy Rider”(1969).

Uma película de baixo orçamento que contava com a presença de três actores quase desconhecidos e com um futuro mais que incerto.

Dennis Hopper, Peter Fonda e Jack Nicholson, percorrendo a América mais profunda em cima de um par de Harleys, com as drogas e o álcool como único combustível.

O êxito do filme foi imediato e serviu de megafone e reflexo para a desencantada juventude americana da época.

Como seria de esperar, Dennis rejeitou todas as portas que lhe tinham sido abertas.

O seu segundo trabalho como realizador, “The Last Movie”(1971), que até ganhou o Prémio da Crítica no Festival de Veneza, foi um rotundo fracasso devido aos seus problemas com drogas e álcool.



Brooke Hayward e Michelle Phillips, (ex mulheres de Dennis Hopper)

Naquele tempo bebia dois litros de rum por dia; emborcava 28 cervejas e três gramas de cocaína, só para me manter em pé””, disse o actor, referindo-se aqueles anos.

O desastre converteu-o num pária dentro da indústria de que apenas a sua colaboração com Coppola em “Apocalipse Now”, (1979) e “Rumble Fish” (Juventude Inquieta) (1983), lhe devolveu algum protagonismo.

A sua vida privada sempre foi plena de escândalos e rumores.

Cinco matrimónios desmanchados e batalhas nos tribunais com as suas ex- até ao final dos seus dias.

Teve vários filhos e um divórcio recorde com Michelle Phillips, ex- vocalista dos “Mamas & The Papas”, com quem contraiu matrimónio em 1970 e que só duraria oito dias.

Dennis Hopper, um tipo que soube viver e que nunca se eximiu a nada.

Descanse em paz.

É o que merece depois de tanta e tão intensa actividade.

02JUN2010

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quinta-feira, outubro 07, 2010

- Casa-te e farás bem; não te cases e farás melhor; mas não te esqueças que o melhor é inimigo do bom !

BORGAS BÓRGIANAS

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Gambas frias
– Corações de alcachofra
– Salame de Génova, cortado em fatias muito finas
– Ameijoas frias, cozinhadas
– Aipo
– Tomates maduros
– Ovas de atum, ou alternativa de bacalhau
Ovos cozidos
– Azeitonas verdes e pretas
– Cogumelos em vinagreta
– Beringela cozida, fria
– Rábanos
– Cogumelos recheados
– Queijo Provolone
– Pimentos verdes salteados
– Couve-flor fervida e temperada com anis
– Anchovas
– Fatias de bacon
– Chouriço cortado em rodelas finas.

Poderão conferir que nada de ostras ou ouriços que nos podem picar a língua e comprometer a "janta".



Serve-se tudo numa travessa ou prato grande e apelativo sobre um fundo de folhas de alface (bem lavada), devidamente disposto com bom gosto e arte e acompanhado de pão e do galheteiro para os temperos pessoais.

Uma apelativa e bela cama com dossel, é a “morte d@ artista”.

Para não falar do costume dos romanos de alta estirpe, que se vê em muitos filmes, de ter os “criados” ao lado, prontos a servir-te o que lhes pedires e desejas...

Ah! E talvez o mais importante:

Uma (ou mais) garrafosas de champanhe, ou mais recatado, um dos nossos espumantes, mas ... cautela que sendo um vaso dilatador, não dislate em demasia.

E então ... bom apetite e gastem muito bem as calorias ...

06JUL2010

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quarta-feira, outubro 06, 2010

- Da maneira que a vida caminha, em breve, o terceiro sexo estará em segundo !

SARAMAGO NÃO MORREU

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José Saramago morreu como viveu: polémico, contundente, sem unanimidades.

No seu Portugal natal – abrangendo Espanha, a qual também considerava o seu país – despertou amores e ódios extremos, incluso no dia do seu funeral.

Nesse dia, Cavaco Silva estava de férias…

E é uma porra a morte não escolher dias … mas … férias são férias e a morte de um Nobel é só mais uma morte.




Quando um douto erudito morre assim, sem fervores unânimes, só se deve a uma razão: a sua criação está viva; como autor, ainda está mais longevo.

Apesar dos seus 87 anos, apesar da sua morte física.

Para muitos leitores jovens, Saramago é só o autor de “Ensaio sobre a cegueira”, ou do “Evangelho Segundo Jesus Cristo”, que foram os seus “best seller”.



Recomendo vivamente que completem o vosso conhecimento com obras mais anteriores, pelas quais, há muitos anos, começou a ser conhecido, como o “Memorial do Convento” ou “O ano da morte de Ricardo Reis”.

Nesta última, encontrareis Saramago unido a outro grande escritor, o poeta Fernando Pessoa.

Uma mescla que fará amar ainda mais os livros.

02JUL2010

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terça-feira, outubro 05, 2010

- Voar de avião não é perigoso, perigoso é cair !

VOAR BEM ALTO

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Viajar de avião converteu-se num inferno.

Não, não é a minha aerofobia.

Já me mentalizei que talvez esteja errado quando afirmo que não fomos feitos para voar e que no ar não “andam” condutores domingueiros.

Gosto principalmente dos "low cost" e essas formidáveis horas passadas em aeroportos longe de qualquer local e a horas intempestivas, muito baratos.

Isso sim, baratíssimos, se passarmos a noite no aeroporto e depois tivermos que apanhar três ou quatro autocarros ronceiros que nos consigam levar à autêntica cidade de destino.

Mas … e quando não são "low cost"?



E quando o problema é esse suor frio, esse revoltilho do estômago, esse revolteio, esse temor … quando o avião começa a tomar a pista?

Que fazer?

Terapia?

Demasiado cara e delonga … a coisa está negra e um pouco mal.

Mas e o que dizer do resto das companhias.

Também não são perfeitas, têm os seus atrasos, os cancelamentos, greves, sem mencionar a força da natureza.

Veja-se a nuvem de cinzas, por exemplo.

Costumo interrogar-me:
Mas quem me põe a pata em cima?

Para os que não nos podemos permitir em cada viagem um bilhete em primeira, aí vai um atalho para dulcificar o “mau infortúnio”:
Priority Pass é uma maneira de assegurar um certo sossego ante as adversidades e até amainar a “tempestade interior”.



Se aderires, fazendo-te sócio, Priority Pass garante-te o acesso a todas as salas VIP do mundo, ainda que o bilhete não o inclua.

Para mim é uma autêntica genialidade!

Os montantes a pagar (taxas ou tarifas) são diversas e há-as a partir de:

Afiliação Standart:
Tarifa anual de 99€ e cada vez que se aceda a uma sala VIP paga-se 24€.

Afiliação Standart Plus:
Tarifa anual de 99€ com direito a dez entradas gratuitas nas salas VIP (com a opção de levar convidados 24€).

Afiliação Prestige:
Tarifa anual 399€ com entradas ilimitadas ás salas VIP (cada convidado paga 24€).

Não é uma brilhante ideia?

Pode ser uma boa oferta para um familiar ou amigo!

É uma dica …

25JUN2010

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segunda-feira, outubro 04, 2010

- Os sonhos nunca desaparecem desde que as pessoas não os abandonem !

? ? ? ? ?

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Quem me pode falar de justiça?

Do bom e do mau?

Quem me pode dizer o que está bem ou o que está mal?

Quem o poderá dizer a “vocemecêzes”?

Quem pode ser exemplo de um ser honrado, de um ser sincero, consequente dos seus actos?

Quem não virou as costas a um "arrependo-me", crescendo com o seu orgulho?




Quem pode dizer-me que é mais injusto, decepcionar-se a si mesmo ou atraiçoar os demais?

E o que sabem os demais da vida?

O que sabe o resto, de ti?

Por acaso falas das tuas noites tristes?

O que me dizes de lutar?

Para quê?

Para quem?

Porquê?

Por quem?

E o que sabes tu?

As casualidades?

Rio-me das casualidades, porque tudo, absolutamente tudo o que fazemos, tem um porquê, um fim, um objectivo, uma intenção.




E o silêncio é mais puta do que todo o bordel, porque além de puta, cala.

Paga-se duas vezes e isso nota-se no final do mês, então fazes contas de tudo e é quando alguém se interroga … simplesmente se interroga.

…É Outono!!!

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domingo, outubro 03, 2010

- O mau dos sonhos é que por vezes cumprem-se !

CEGA OBEDIÊNCIA

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Desde que em Nuremberga os acusados nazis alegaram, em sua defesa, ter cumprido ordens e sobretudo desde que os "militarões" argentinos invocaram a sua “obediência devida” e, nos Balcãs, por "dever hierárquico”, o subterfúgio atingiu tal popularidade como o hilariante “Não fui eu” de Bart Simpson.

E o assunto não passaria da categoria de má facécia se não fosse porque em 1963, na Universidade de Yale, o professor Stanley Milgram, demonstrou que em cada um de nós há um torturador em potência.

Foi discreto, mas brilhante.

Fazer crer a um tipo, voluntário, recrutado ao acaso na rua que, a partir de um comando, pode enviar descargas eléctricas de 15 a 450 vóltios com destino a uma cadeira eléctrica, situada do outro lado de uma janela e ocupada por uma suposta vítima.

Através de um microfone, o voluntário pronuncia para a vítima uma série de palavras para memorizar.

No final da série, o voluntário pede à vítima que as repita pela ordem exacta.


Por cada falha, o voluntário envia à vítima uma descarga eléctrica de voltagem crescente, bem inteirado de que a partir de certo limite a descarga pode ser fatal.

À medida que as descargas vão aumentando, o voluntário começa a vacilar, sobretudo porque vê como a sua vítima dá sinais de um sofrimento cada vez mais intenso e ouve os seus gritos de dor.

Implacável, Stanley ordena-lhe que não vacile, que envie a descarga pois era esse o acordo inicial.

Para o tipo, a vítima realmente sofria.

Mas a vítima só era cúmplice de Stanley Migram e o sofrimento era fingido.

Espantoso foi o resultado: 62% dos tipos voluntários chegaram a aplicar voltagens letais.

Nenhum se negou a fazer sofrer a vítima.

Todos aceitaram sem dar um pio a ordem de Stanley Migram.

Ou protestaram apenas.

Torturadores.

Mas cega obediência.



Passaram quase 50 anos e a pergunta que se faz – ou que se deveria fazer – é que ordens e de quem se recebem hoje e, se obedecidas, porque se obedecem no dia a dia?

Não faltam exemplos.

Ordens dos pais, dos professores (não é piada, não), da polícia de trânsito, de ilustres desconhecidos … mas também ordens publicitárias, principalmente pela televisão, ordens morais a partir do púlpito, ordens sociais de parte dos partidos políticos …

A sociedade uniformiza-se inexoravelmente: a moda, a falta de moda, o penteado, ou o despenteado, ao ver determinadas porcarias no cinema, o enrouquecer em concertos de hip-hop, o aplaudir sem compreender, o exercício da violência, decisões em todos os níveis da vida - e o mundo torna-se cada vez mais violento e … aborrecido -.

Mas agarramo-nos a ele com unhas e dentes!

. 5JUL2010

sábado, outubro 02, 2010

- Jamais aceites algo inferior aos teus sonhos.
Num qualquer sitio e momento, algum dia e de alguma maneira, o encontrarás !

A BESTA

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Há que alimentar a besta.

A sua última indigestão, em forma de empréstimos-lixo desembocada em crise económica mundial sem precedentes, provocou-lhe uma ligeira baixa de açúcar que agora se apresta a dissolver com o mesmo menu que gerou a turbação.

Os mercados financeiros, a economia irreal povoada de especuladores e agências de “rating” (que falharam escandalosamente), culpadas de nos terem levado à beira da bancarrota mundial pela engenharia financeira e o artifício dos balanços, pedem sangue dos que todavia resistem a solucionar os problemas que o bicho gera, sem fazer pagar aos mais débeis.

Os uivos na noite dos grandes fundos de investimento, controlados por quem faz a vida impossível a milhões, alertaram os seus guardiões diurnos.

Fieis aos seus amos, fizeram os telefonemas necessários, pressionaram sobre as pessoas adequadas e a nova vítima estava sobre o altar do sacrifício.



O modelo português para sair da crise, a cruzada que Sócrates (e Teixeira dos Santos) estava a armar para demonstrar que há formas diferentes de afrontar um mesmo problema, faliu e é história.

Ao chefão do Executivo faltaram-lhe estacas para atravessar os gelados corações dos que só entendem de frios números.

A protecção social era uma presa demasiado suculenta para os moradores das arenas bolsistas, que além disso, poderiam ameaçar o império do medo se se demonstrava capaz de sobreviver a estes tenebrosos tempos em que estamos afundados.

Chegada a hora da verdade, a esquerda encontra-se ante um dilema quase mais terrífico que as hordas que enfrenta.

Vencido o Governo socialista português ante a ofensiva dos que não consideram os Estados parte neste jogo do dinheiro e mais dinheiro, os sindicatos apresentam-se como a última barreira de contenção ante o bacanal liberal.

São os únicos que podem estragar a festa dos que sempre estão sedentos.



Aos que nunca têm bastante.

As suas decisões dos próximos tempos (dias) não só marcarão a actualidade política do nosso país nos meses que se seguem.

Também serão um barómetro para pulsar se os ideais do “Estado de Bem-estar” (???) continuam vigentes.

Não vão definir uma estratégia para amedrontar este Governo.

Têm que ser conscientes de que a sua luta vai para além de nossas fronteiras e que o inimigo é invisível.

Sócrates (e Teixeira dos Santos) manteve um pulso feroz contra um mundo governado a partir dos andares nobres dos arranha-céus repartidos por todo o globo.

Contra personagens que ditam as suas leis ante monitores de computador que são o novo tabuleiro de jogo mundial.

Mudaram os exércitos por enormes quantidades de dinheiro.

Menos aparatosos, o dobro de efeito.

Os países mais desenvolvidos, incluindo os que dizem contar com governos de esquerda, olham para outro lado enquanto a turba ou matilha se banqueteia com os mais débeis.

Esta semana calhou-nos a nós.



A besta queria o seu dia.

O que durante todo este tempo de crise foi um sistema de mais ou menos protecção social que não se resignava, que não queria entregar-se, agora converte-se em boca dos porta-vozes do capital em erro garrafal e falta de visão.

Sócrates o “Pio Crente” (e Teixeira dos Santos) sempre esteve, teimosamente, convicto de que podia demonstrar ao mundo que outra política económica era possível.

Que também podia globalizar o sistema da Segurança Social, subsídios de desemprego, rendimento de inserção e não só o movimento livre de capitais destinados a especular com o futuro dos países.

Era demasiado bonito para ser verdade … ou demasiado perigoso para os grandes interesses dos grandes e poderosos.

Um dia talvez será.

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sexta-feira, outubro 01, 2010

- É impossível acordar aquele que simula estar adormecido !

AMANHÃ OU NUNCA

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Antes de começar com este raio de trabalho de "obrigação”, que tem de estar pronto todos os dias antes das 24 horas e que devo “entregar” ao “Blogger”, para o “ler” e publicar por mim, vou fazer uma pausa (é sempre possível fazer uma pausa no trabalho, se não estamos a fazer “néstes” ou "nicles"), ou antes de começar qualquer trabalho, para discorrer sobre uma palavra que escutei há pouco: “procrastinação”.

Não comecem a inventar.

Não se trata de nenhum novo epíteto para com, contra ou para o governo.



É uma doença de que padece um grande amigo meu,(*), o síndroma da “tarefa não feita ou executada” e “o propósito não cumprido”, a modos que uma variação plausível de “o que não puderes fazer hoje, faz amanhã que também é dia”.

Ouvi-a de viva voz e interrogado sobre o seu “alcance”, disse-me que se tratava de uma enfermidade que os cientistas, hoje em dia, estudam afincadamente.

Segundo a Wilkipédia, (a fonte de sabedoria para os que sempre nos propusemos a um estudo rigoroso sobre qualquer matéria), escrita no português arcaico de antanho (este antanho com alguns meses), procrastinação é a “ação” ou hábito de postergar actividades ou situações que se deveriam ter em conta, substituindo-as por outras situações mais irrelevantes e agradáveis”.



Ou talvez para uma melhor compreensão: a todo o trabalho “sólido” que for adiado, deve ser compensado com a imediata execução do trabalho “líquido” equivalente ou não, para manter o equilíbrio da Terra.

Face a esta definição, ninguém pode acusar o governo de ser um procrastinador.

É que as suas últimas actividades, nem são irrelevantes, nem agradáveis.

(*)
Este meu amigo, é o que se situa do outro lado do espelho quando o olho de soslaio.

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