O VIDEIRINHO

domingo, março 25, 2012

- A misericórdia também corrompe !

EXCESSIVAMENTE

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A paixão demonstra-se respirando. 

É paixão os olhos arregalados como faróis, as unhas que ameaçam, um gemido. 

A gravata vermelho escuro de um servidor público, a camisa enrugada do cientista, o aposentado apalpando os melhores kiwis, o impoluto livro de registos do bibliotecário, o segurança com seu pin de Star Trek, os orgasmos de uma puta. 

O taxista que toma nota de tudo: origem e destino de cada usuário, os seus tiques, a que cheiram, a cor dos seus olhos ou para onde olham. 

Paixão é cantares muito a sério e muito mal nos karaokes, ires sozinho aos karaokes, comprares flores para ela, tentares caminhar em linha recta quando vais bêbado e ninguém olha. 

 

Paixão é maquilhares-te para ires comprar pão, sublinhares como realce, os livros, fazeres footing, cada dia, ás oito e meia, sonhares com uma ilha, fotografares objectos. 

Paixão é marimbares-te para o árbitro, dar murros na mesa, chorares com Unchained Melody dos Platers, ter visto Pulp Fiction mais de cinquenta vezes, passares os teus apontamentos a limpo, procurares droga numa cidade que não conheces. 

Paixão é chupares os bornes de uma pilha de 9 volt, lavares e aspirares o carro aos domingos, dizeres ao padre que te masturbas. 

Paixão é comentares neste blog, insultar a mãe que pariu o blogueiro. 

Paixão é querer continuar a viver. 

Contra tudo e contra todos e seja a que preço for.

A vida é um bem que se não sente!!!
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sexta-feira, março 09, 2012

- Será que no "photoshop" é possível retocar a minha biografia ?

O ENGANO

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Gustavo era um homem que tinha grande capacidade de transformar o seu próprio corpo quando necessitava e, as transformações davam-se, maioritariamente, quando havia uma mulher presente; era inexorável. 

Gustavo, possuidor de um dom certamente estranho, podia inflar o peito, endireitar as costas, meter a pança para dentro (não por via endoscópica) e apresentar marcas de abdominais numa questão de segundos. 

A princípio não conseguia aguentar a mutação durante muito tempo e portanto, passados pouquíssimos minutos (dois ou três), necessitava de soltar-se.



Deixava que o seu corpo voltasse ao seu estado normal e nesse preciso momento renasciam as gorduras, caiam os ombros e esvaziava-se o peito. 

Ainda assim, Gustavo continuou a treinar e a melhorar a sua destreza, aguentando cada vez mais tempo a postura ideal, até que hoje em dia, especialista em metamorfoses, só solta a pança de noite, recostado na sua cama, quando já ninguém pode ver a sua verdadeira figura e a sua companheira acabou de fugir com medo do “monstro”. 

22MAR2011
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quinta-feira, março 08, 2012

- Hoje todas as ruas e avenidas levam-me ao teu baixo-ventre !

PARABÉNS

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O miúdo observou com particular atenção o comportamento dos seus 'companheiritos' de escola. 

Como um Pai Natal, não tão gorducho, muito mais jovem, sem barba e roçando o metro e meio de estatura, analisou como era tratado pelos seus amigos e amigas e, de se ver atacado ou envergonhado por um deles, ditava a sua sentença no acto. 

«Agora não te vou convidar para o meu aniversário», informava sem titubear e ao longo do ano teve necessidade de realizar a ameaça em sete ocasiões diferentes. 


Tal foi assim que uma semana antes do seu aniversário, ajudado pela sua mãe, mandou os envelopes com os convites a todos os seus amigos. 

Mas para os sete Judas que de alguma ou outra maneira o tinham ofendido, ele mesmo se encarregou de preparar sete cartões especiais. 

Recordo-te que não estás convidado para a minha festa de anos”, escreveu como maneira de vingança.

 

Uma adolescente de Chatswood, New South Wales (Austrália), teve que cancelar a sua “pequena festa de anos” depois de umas 200.000 pessoas, ás quais não tinha convidado, confirmarem a sua comparência pelo Facebook. 

Jesse queria entrar nos seus 16 anos com amigos e não lhe ocorreu outra ideia que anunciar abertamente através da citada rede social, segundo o tabloide “Sydney Daily Telegraph”

A estudante publicou no seu mural que “não tinha tempo para convidar (pessoalmente) cada um” e por isso pediu-lhes que passassem a palavra a outras pessoas. 

“É uma festa aberta, com a condição de haver um certo controlo”, rezava o convite da jovem. 

No dia imediato ao de colocar o anúncio, a estudante do bairro de Chatswood, deparou-se com a surpresa de que mais de 20.000 pessoas já tinham confirmado a sua presença  e uns dias depois o número tinha-se multiplicado por dez, até ás 200.000 pessoas, porque continuavam a responder ainda que ela tenha anulado o convite. 


Segundo o diário australiano, o convite foi “sequestrado” por membros do grupo, denominado “Anonymous” que o propagou como um vírus para todo o mundo. 

No final a jovem pode celebrar o dia de anos com os seus amigos, numa festa privada, em casa e com agentes da polícia no exterior, para evitar incidentes. 

15MAR2011 
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quarta-feira, março 07, 2012

- Nem todos os olhos fechados dormem, nem todos os olhos abertos vêem !

O NADA

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Autor: ROBERT RYMAN
Foi Robert Ryman, (pintor americano, Tennessee, 1930), que desenvolveu a sua pintura de estilo minimalista no final dos anos 50 e com o tempo deu uma volta a obras monocromáticas que mais tarde se converteram em obras exclusivamente brancas, fazendo com que a textura da tela passasse a ser uma característica destacada do quadro. Sistematizou o processo da pintura até ao extremo para demonstrar que a simples tarefa de cobrir uma tela com pinceladas repetidas poderia ser em si mesmo o tema da obra. A pintura sem título que se exibe aqui, mostra principalmente as múltiplas possibilidades que existem mesmo quando um artista se limita a pintar quadros brancos em habitações brancas.
E eu que pensava ser inteligente, sem demérito dos meus leitores, afinal, além de não ver para além do nada, também nada “pesco” de pintura. 
Há “gandas” pintores do nada!!! (as redundâncias são propositadas).





O guia do museu pára diante do quadro e o grupo coloca-se em semicírculo para poder apreciar uma tela totalmente vazia, carente de cores e formas, uma tela desnuda. 

Enquanto todos se entreolham de soslaio tratando de entender o que parece ser uma falácia, o guia esforça-se por encontrar a arte da pintura: 

- “Nesta obra podemos ver como o artista expressa “o nada” desenvolvido no seu trabalho. 

Na pintura, desconhecida antes de começar, vazia como um corpo sem alma, simplesmente vemos uma tela. 

A inexistência do trabalho exposto está proposta pelo pintor de maneira a reflectir sobre a presença real do mesmo. 

Uma peça excepcional, isenta de pinceladas, representa tanto o começo como o fim, questionando a relação do espectador com respeito ao tempo presente, deixando que a tonalidade da tela seja o ponto zero, ao mesmo tempo que o final e definitivo”, explica entusiasmado.

22MAR2011
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terça-feira, março 06, 2012

- Onde está a fina linha que separa uma segunda oportunidade de um "já é tarde" ?

AS ILUDÊNCIAS APARUDEM


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Sempre tratei de não julgar as pessoas pela sua aparência. 

Graças à minha quase experiência de 1º. Ministro, (sim, qualquer badameco pode sê-lo), aprendi que por vezes é necessário desconfiar de uma pessoa prolixamente vestida (bem vestido e bem falante mas vigarista!) e confiar numa outra com a camisa fora das calças. 

O pessoal, para o bem ou para o mal, não costuma ser o que aparenta (vale mais ser do que parecer, do que parecer e não ser) e portanto há que ter os olhos bem abertos (um olho no burro e outro no cigano). 

Ainda assim, nunca me tinha visto ante um dilema tão completo. 

Um zombie apresentou-se no meu local de trabalho a semana passada. 


O seu curriculum era inatacável. 

Tinha uma grande experiência como encarregado de compras e se não fosse a roupa manchada com sangue e a sua monstruosa forma de caminhar, o seu perfil assentava como uma luva. 

Decidi deixar de lado a aparência e dei-lhe uma oportunidade. 

Nunca tomei uma decisão tão acertada. 

O tipo, digamos que, não é muito rápido, mas é um guru, não há como ver como negoceia bem.

20MAR2011
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segunda-feira, março 05, 2012

- Ainda que me abraces fortemente haverá sempre entre ti e mim um abismo de peles frias e células mortas !

VIDA SIMPLES

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Caminho com Irene desde o trabalho dela até à sua casa. 

Desta vez deixei o meu táxi num parque perto da sua loja. 
Cruzámos diversas ruas, caminhando descontraidamente. 

Irene dá passadas longas, relaxadas, prolongando cada passada como a câmara lenta, sempre com as mãos nos bolsos do casaco. 

E ainda que caminhe olhando o chão, nunca chega a chocar com ninguém: são os outros quem a esquivam, alguns no último momento. 

Acaba por ser estranho ver como caminha pelo mundo como se nada existisse e entretanto confia em que o mundo jamais chocará com ela. 

Tento falar, manter uma conversação, mas Irene mostra-se hermética, esquiva cada pergunta com um:”Não sei. 

 

Nunca mo haviam apresentado”, ou devolvendo-me o golpe: “E tu?. 

À medida que avançamos avenida abaixo, noto que as suas respostas são cada vez mais curtas, como se os passos tenham engolido as suas palavras até torná-las raquíticas. 

De facto, enquanto avançávamos, pronunciou o que foi a sua última frase do dia e depois o silêncio: 

- Deixei a minha terra e vim para o Porto porque sim. 

Penso no porquê dessa frase. 

Ninguém sai da sua terra natal “porque sim”, muito menos para levar uma vida insípida, de casa para o trabalho, do trabalho para casa, sem amigos nem vontade de fazê-los, nem projectos, nem sonhos. 

 

Sei que deve ter sucedido algo, um detonador que levou Irene a zarpar da terra natal (para instalar-se numa cidade com o Porto, onde é mais fácil passar despercebida). 

E talvez nesse motivo se encontre a chave deste seu hermetismo. 

O que poderá ter acontecido a Irene? 

Como conseguirei sabê-lo?
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domingo, março 04, 2012

- Os náufragos em terra firme nadam bar adentro !

IRENE

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IRENE não é alta, não tem um corpanzil, nem estilo para se vestir, nem um rosto excessivamente belo. 

Tão-pouco domina a arte da conversação, não atrapalha e o que sei da sua vida é que é qualquer coisa pouco interessante. 

Trabalha como empregada de uma sapataria na Rua de Cedofeita e dorme num andar compartido com dois estudantes. 

Não se interessa muito pela música, nem pelo cinema, nem com a cozinha, nem com os livros. 

Tão-pouco notei nela projectos ou sonhos para além de tentar manter o seu posto de trabalho e passar pela vida em bicos de pés. 

Há cerca de dois anos saiu da sua terra natal, deixou a sua família e os seus amigos, para se instalar sozinha no Porto (ainda desconheço o motivo, se é que há algum). 

A partir de então, leva uma vida do mais discreto possível, da sapataria para casa e pouco mais, apenas algum café com a companheira de trabalho, tudo muito superficial, nenhuma amiga digna de menção. 


Quase todas as tardes, quando sai do trabalho, vai caminhando para casa não mais do que para fazer tempo e para preencher as horas. 

Se desta vez apanhou o meu táxi foi porque tinha comprado um televisor e a embalagem era difícil de transportar à mão. 

Meti-a na mala do carro e partimos: primeiro, supostamente como é lógico, em silêncio. 

Depois deu-me para fazer um comentário e surgiu uma conversa com dificuldades, entrecortada apenas com um punhado de frases, o típico diálogo de elevador. 

Mas aí dei conta de algo: Irene não tinha nada que oferecer-me, nada pelo que eu pudesse perder a cabeça. 

E isso foi, precisamente, o que me atraiu nela. 

Naquela conversa veio a lume onde trabalha e foi precisamente ali que me plantei na tarde seguinte, com a desculpa de andar à procura de uns sapatos tamanho 45. 


Ela atendeu-me com todo a profissionalismo e eu, como moeda de troca, ofereci-me para a transportar outra vez no meu táxi, mas desta vez com o taxímetro desligado. 

Irene a principio mostrou-se reticente, talvez não tivesse entendido que interesse eu podia ter nela, mas mesmo assim esperei que fechasse a loja, insisti de novo e acabou por aceitar. 

Naquele segundo trajecto contou-me o que já descrevi dela, sempre muito serena, reservada, como que com medo a fornecer-me informação a mais. 

Inclusivamente dizia-me volta e meia que a sua vida carecia de interesse: não sabia nem queria vender-se. 

Talvez Irene tenha aparecido no momento preciso. 

Não tem nada para me oferecer e essa simples sensação apresa-me. 

De certo modo, necessito de Irene para não pensar em nada. 

Aprender com a sua falta de substância. 

Deixar-me ser seduzido pelo vazio.
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sábado, março 03, 2012

- Oiço um barulho estranho na mala do meu táxi. 
Abro-a e… é a minha avó completamente borracha !

LUNÁTICO

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Outro habitante na Lua! 
Onde vives tu quando te evades, na parte oculta ou na parte luminosa? 
Eu habito na parte luminosa, com grandiosas vistas para a Terra. 
A outra parte não está tão mal assim, é bastante mais fria e tem vistas para Marte. 
A maior parte do tempo passo-o na Terra, ainda tenho que atender muita gente e muitos assuntos, mas aproveito qualquer descuido para voar até à minha base lunar, não posso evitá-lo. 
Se durante um desses voos, tentam entrar em contacto comigo, tenho ampla experiência em ligar-me com a conversação 'em espera', para isso sou e sempre fui um lunático toda a vida


… sempre com a mesma história. 
Não aguento mais. 
Estás a escutar-me?



Estás a ouvir-me? 
Sim ou não? 

E a voz aguda da minha mulher devolve-me à terra. 

Estás surdo? 
Em que é que estavas a pensar, não me queres dizer? 

Insiste, agudizando ainda mais o tom de voz. 
O grito assemelha-se ao latido de um “caniche toy” e faz-me doer os tímpanos. 

– Em nada (asseguro-lhe). 

– E escutaste o que te contei? 

– Sim.

– Sim? 
Então diz-me o que te contei. 

– Que não aguentas mais.



– A quem? 

– … 

– Não vês, fazes-me sempre o mesmo. 
Não ligas puto ao que te conto. 
Não sei se estás surdo ou se andas a treinar para idiota. 

– Perdão, digo baixando o olhar. 

– Perdão uma merda. 
Eu estava a contar-te os meus problemas no trabalho e tu estavas na Lua. 

– Como soubeste? 

– Como soube o quê? 

– Como soubeste que eu estava na Lua?
18MAR2011
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sexta-feira, março 02, 2012

- Todas as lágrimas vertidas pela morte de Kim Jong-il são de urânio enriquecido.
Cuidado !

BOTA DE ELÁSTICO???

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Para alguém que viveu no passado e especulou sobre as promessas tecnológicas do futuro, é-lhe difícil aceitar o presente. 

O meu avô, com as rugas que lhe tapam a cara, franze as sobrancelhas cada vez que sai à rua e não encontra ninguém com um traje prateado, utilizando uma mochila a jacto ou conduzindo um automóvel voador. 

- É o ano de 2012?
Onde diabo está o futuro? 

Costuma queixar-se com uma mistura de exasperação e desilusão. 


Depois dá meia volta, mete-se de novo em casa e levanta a voz para que todos o escutemos: 

- Onde diabo se meteu o robot mordomo! remata. 

Sem duvida que o meu avô não desconhece as virtudes da telefonia móvel e da internet, mas tais inventos são-lhe indiferentes perante a casa de fim de semana na lua. 

O pobre velho vive decepcionado; calculo que o passado distante lhe prometeu demasiado.

 25JUL2011
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