terça-feira, junho 26, 2012
domingo, junho 24, 2012
PISCA-PISCA
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Recordas-te quando disse que, nós os trabalhadores independentes somos imunes ás enfermidades, que quando trabalhamos por conta própria nunca adoecemos ou se tens o azar de adoecer, lixas-te e vais igualmente trabalhar e que vocês, assalariados, sois uns queixinhas e ao mínimo espirro já estais a pedir baixa por “dá cá aquela palha” (e os servidores públicos, nem te digo, nem te conto) e que se o vosso salário dependesse do dia a dia e não de um ordenado já veríeis como perdíeis o sono de uma assentada?
Recordas-te, eh?
Pois bem.
Esquece-o.
Estou doente, dói-me tudo.
Da carteira à cabeça e desta aos pés.
Até o teclado me dá baile.
Sinto-me como um koala num iceberg que se afasta da costa.
Tremendo de frio e sem ninguém que me agasalhe.
Será, talvez, um vírus raro desses que só atacam os taxistas machões, suponho.
O que faço?
Apago-me e acendo-me, tipo pisca-pisca?
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sábado, junho 23, 2012
CURANDEIROS (?)
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Quando terminei de contar ao meu médico sobre as pontadas no peito, fez algumas anotações e depois sacou uma embalagem de compressa ou ligadura duma gaveta do seu consultório.
Isto (*) cura todo o tipo de feridas, disse-me enquanto depositava a estranha embalagem na palma da minha mão.
Regressei a minha casa, apressado para comprová-lo e comecei a seguir as indicações de uso que também me tinha dado: enrolei a ligadura à altura do peito, cobrindo bem a zona do peito e coração e depois deixei que a compressa começasse a “trabalhar”.
Chegada a noite, deitei-me para dormir e no dia seguinte já notava umas leves melhoras.
Há muitos meses que não despertava com um sorriso.
A ligadura estava a fazer efeito e não só comecei a sentir que se começavam a curar as feridas recentes, como também as do passado.
Hoje, depois de vários dias de tratamento, a pontada aguda daquele velho amor não correspondido, finalmente desapareceu.
(*)
Uma jovem cientista australiana, Louise Van der Werff, da Universidade de Monash, trabalha numa “ligadura ou compressa inteligente” para o tratamento de lesões crónicas, com base num material que pode mudar de cor segundo o estado das lesões.
Quem tem uma infecção ou inflamação é provável que aumente a temperatura.
Mas se houver uma descida é possível que exista outro tipo de problemas, como por exemplo no abastecimento de sangue ao tecido da ferida, segundo disse.
Espera-se que esta curiosa invenção melhore a qualidade de vida dos doentes, sobretudo mais idosos, diabéticos ou pessoas obesas, com feridas crónicas, como úlceras.
Para produzir este produto, a cientista australiana procura incorporar na fibra do material uma molécula que mude de cor, entre o vermelho, verde ou azul.
Espera produzir num futuro próximo um protótipo em que as modificações cromáticas estejam calibradas em resposta a um determinado nível de temperatura.
A venda deste produto “camaleão” pode reduzir em 500 milhões de dólares australianos (± 366 milhões de euros) o custo do tratamento de feridas crónicas na Austrália porque facilita o diagnóstico do estado das lesões.
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sexta-feira, junho 22, 2012
PECHISBEQUES
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Tinha uma obsessão com os objectos velhos.
Por mais que reflectisse e compreendesse a inutilidade de conservá-los e atesourá-los no sotão, não se conseguia desprender deles.
Durante toda a sua vida guardou trastes, inutilidades, cacos, objectos obsoletos e ultrapassados e todo o tipo de porcarias avariadas, inúteis e que não servem mesmo para nada, até que um certo dia – culpa das incomodativas leis da física – ficou sem espaço.
Subiu ao sótão para guardar um trambolho inservível (sem qualquer préstimo) e viu-se quase obrigado a seleccionar alguns objectos para se desfazer deles.
Enquanto procurava entre os mais andrajosos, encontrou um baú cúbico de madeira, que nem se recordava de tê-lo possuído.
Os lados do baú mediam cerca de um metro por um metro mas ao abrir a tampa, o conteúdo parecia infinitamente mais amplo e estranhamente profundo.
Nesse instante veio-lhe à cabeça o seu tetravô que, de jovem, exercia de mago.
Nunca mais teve problemas de espaço.
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quinta-feira, junho 21, 2012
OS PASSOS DE UM CORTA-RELVAS & Cª.
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Os anjinhos não desaparecem, nem morrem.
Tirada DAQUI
Não menosprezes o poder da elegância.
Assessores de imagem,
fatos italianos, tintas para as câs, correctores de olheiras, luzes, um púlpito
a três palmos do povo, primeiros planos em HD, guarda-costas.
Maquilhagem para o
brilhantismo e palavras.
Se empregas eufemismos a massa aplaudirá, (que domínio
da linguagem!, assombrar-se-ão), ainda que ninguém entenda que raio querias
dizer.
O que importa uma foto se o porta-retratos é bonito?
Diz que nos
resgatam sem dizer que nos resgatam e sorri.
Sorri muito.
Que o brilho dos teus
dentes eclipsam o público.
Como saem tão bem mentiras de uma boca tão perfeita?
Os novos jornalistas contratados por M. Relvas
Do mesmo modo, se o povo sai à rua em sinal de protesto pelo teu
rol de mentiras, não duvides em deslegitimar os seus motivos com o mesmo
argumento que te endeusou: destaca o mal que vestem, chama-lhes artistas-mendigos
de rua, associa a sua indumentária a uma atitude e chama-lhes vadios.
São
piegas.
Desalmados desempregados.
Desagradecidos pela nova situação.
Assim
ganharão o desprezo dos devotos da fachada.
Em qualquer caso, enquanto tu
continuas a ganhar aos teus, através da imagem, de cada vez que alguém entre no
meu táxi com um fato italiano, continuarei a esconder sob o tapete o meu cartão
de crédito e a carteira manter-se-á debaixo do assento.
Nunca se sabe quem se
transporta.
(Costumo predizer: "Bem vestido e bem falante, mas vigarista!!!".
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domingo, junho 17, 2012
“ADVOGADICE”
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Herédia, jovem, talentoso e obstinado advogado, sabia que herdaria uma enorme fortuna quando o seu pai, muito doente, morresse.
Pensando em que também ficaria só, decidiu que precisava de uma mulher conforme a sua auto-estima e para fazer dela a sua grande companheira.
Na base desta sua decisão, nessa noite foi até um famoso e conhecido bar, onde se juntava a nata e fina flor da sociedade local.
Fixou-se numa colega, a mais bela e vistosa mulher que jamais tinha visto.
A sua beleza natural era a admiração de todos os presentes.
Arrimou-se a ela e disse-lhe:
- Posso parecer um advogado comum, mas em pouco tempo, o meu pai vai morrer e herdarei para cima de vinte milhões de euros.
Queres acompanhar-me até minha casa?...
Agradas-me muito e se eu também te agrado e nos apaixonarmos, poderias chegar a ser minha mulher…
Impressionada, a formosa e brilhante advogada naquela noite foi até casa de Herédia…
E voltou na noite seguinte, também.
E… cinco dias depois, esta beldade, transformou-se na sua madrasta.
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sábado, junho 16, 2012
AO DIABO...
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Vejo em certos utentes de meu táxi uma agónica necessidade de sentirem-se sempre acompanhados, de que sempre exista alguém no outro lado do telefone, ou à espera no seu destino, ou enchendo cada hiato da sua agenda para não estar nunca sozinhos e assim evitar o silêncio.
Ou o vazio.
Empanzinam-se de planos e acabam sempre exaustos, rendidos e dormem bem todas as noites (de puro cansaço ou com pastilhas, os mais graves).
E todas as manhãs acordam cedo porque têm sempre muito que fazer, uma vida social frenética e coordenada ao milímetro com o encontro no cabeleireiro, no ginásio, nas aulas de inglês ou de culinária, fazer compras, lavar o carro, o zapping, emborrachar-se, jogar ao “Call of Duty” ou passear o cão; e assim, dia atrás de dia, semana após semana ou um mês atrás de outro até que ao fim, ainda que só seja por pura inércia ou por falta de habituação, conseguem o seu objectivo: não se escutar, descartar um contacto íntimo ou introspectivo com eles mesmos.
Talvez os aterrorize o eco insuportável de sua voz interior, o que poderia dizer se a escutassem.
Talvez não queiram surpresas com medo do abismo, ao fracasso do "EU", ao indomável potencial que todos transportamos interiormente.
Imagina que um belo dia surpreendes-te pensando que tudo é relativo e de súbito começas a questionar-te sobre as tuas próprias rotinas, os teus costumes, porque fazes o que fazes ou se realmente encontras prazer nele.
Imagina que esse novo relativismo te leva a mandar tudo pró car... para casa do diabo, traumas incluídos e começas do zero noutro local, mais distante de tudo mas mais perto de ti.
Imagina que começas a conhecer-te, a aceitar-te e a querer-te tal e qual como és.
Imagina que já não necessitas projectar-te no amor dos demais porque já és capaz de o produzir por ti mesmo.
Que medo não é???
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sexta-feira, junho 15, 2012
COMO EVITAR A TERAPIA DOS PARES… (E NÃO MATAR-SE NA INTENÇÃO)
Postagem resposta ao repto de um grande blog, (de uma grande senhora) do outro lado da margem deste grande "rio" chamado "Oceano Atlântico".
Fica-me mais que
hiper claro, que conviver com alguém, num plano de parelha, com tudo o que esta
palavrita implica, está demais… o saber ceder, compartir, comunicar, etc., são
coisas que não só com o passar do tempo aprendemos e adquirimos; de facto, são
como super poderes, porque é muito difícil saber relacionar sempre
acertadamente e a quem o faz, os meus mais humildes respeitos e reverências.
É um feito - cientificamente comprovado - que, se nos enamoramos
perdidamente, apostamos todas as "fichas" na relação e passam dias,
semanas e ás vezes meses, antes de ter o mínimo atrito, problema ou discussão
com o adoçante dos nossos morangos… e é aqui que começa a verdadeira arte das
relações em parelha, onde já sem rodeios, (com ou sem acaso ou sorte),
descobres que o teu pedacito de céu não é perfeito, como pensavas… eh!eh!eh!…
e é neste momento que temos de fazer uso das nossas armas e segredos, para
saber como matizar ou diversificar, esconder, curar ou dissimular estas
pequenas imperfeições… como?
Bem, pois é muito fácil… (já que não existe o anjo 'maçã do rosto' para as
relações), o meu conselho é o seguinte (com uma base 100 % empírica, eh!eh!eh!): a chave de tudo, resume-se a uma só palavra, EXPLORAR… explorar em todos os
aspectos e em todos os lugares, levá-lo mesmo à fronteira com o desconhecido,
para descobrir até onde podes chegar … nunca fazer sempre o mesmo, o que
"todo o mundo faz", mas converter a relação numa espécie de risco,
(Risk), onde cada país é uma nova experiência e onde cada um tenha uma missão
secreta para assim manter uma dose de mistério.
Imaginares o teu par como um infinito número de terras por conquistar e, assumir
o rol ou lista de Alexandre Magno ou de Napoleão… (e é de tormentos, porque
logo te encontras com cada cultura que "oh my goddddd" colocas a tua
bandeira e só queres saquear o lugar eh!eh!eh!)… enfim...
Eu pelo menos vivo
o dia a dia numa caravela sem rumo, buscando o desconhecido e volta e meia
desfrutando do que já me é familiar… e é, largamente, só que te une mais… e
no meio vaaaaaai que te divertes…
A graça está em abrir-se o mais que se possa para dar passagem ao novo… e não
encerrar-se no acostumado e na rotina…
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quarta-feira, junho 06, 2012
sexta-feira, junho 01, 2012
VOU ÁS P*TAS
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Um homem entra no meu táxi e pede-me para o levar ás p*tas,
ele e eu.
Uma p*ta para cada um.
Diz-me que paga tudo: o táxi, o que
petiscarmos, os copos que vamos emborcar e os “corpos alugados”.
Digo-lhe que
não, que já venho “derreado” de casa (é mentira, mas dá-me tempo para pensar).
O tipo faz-se de surdo e insiste:”
Venha daí.
Leve-me à boite, cabaret ou clube
nocturno que mais aprecie.
Deixo-o escolher a menina que mais gostar.
Interrogo-me porquê tanto empenho em ir ás p*tas com um completo desconhecido.
Talvez
consista em compartilhar a culpa, em procurar um cúmplice.
Notei que tem uma
aliança de casado, que veio para o meu táxi no hotel e que acaba de guardar a
gravata no bolso do casaco.
Suponho que estará no Porto de passagem, em viagem
de negócios.
É dos que pensam que nestas viagens expresso e com a desculpa do
trabalho, as infidelidades não contam como numa partida de futebol no campo adversário
e à porta fechada: ninguém se inteira e cada golo vale a dobrar.
Incluir o
taxista no jogo não é mais que o seu modo de justificar os seus pecados.
Por
conseguinte, não está a tentar convencer o taxista, mas sim o cura disfarçado
de taxista.
Quer que o confessor, que é quem se ocupa de limpar a sua alma, vá ás
p*tas com ele.
Por isso lhe disse amém a meias.
Levei-o a um dos melhores e
mais selectos clubes da cidade, entreguei as chaves do meu táxi ao porteiro
(sem desligar o taxímetro) e entrámos, o meu passageiro e eu.
A “patroa”
mandou-nos entrar para uma sala, sentámo-nos em cadeirões ultra confortáveis,
pedimos champanhe e nesse instante começaram a desfilar por diante de nós,
jovens impressionantes ligeiramente vestidas.
Evidentemente, o tipo pediu-me
para escolher primeiro.
Escolhi uma jovem horrorosamente parecida a uma
ex-noiva minha.
Imediatamente ele também escolheu a sua, radicalmente distinta
da sua mulher (a não ser que a sua mulher também seja negra).
O meu passageiro
deu a mão à jovem e desapareceram por uma porta.
Eu fiquei com a outra.
Chamava-se Sandra, tal e qual a minha ex-noiva.
Passámos para um quarto com
jacuzzi, abriu a água, desnudou-se lentamente (um corpo de morrer, como o de
Sandra), entrou no jacuzzi e com voz sensual convidou-me a compartir o banho.
Mas ao acercar-me dela vi algo que me partiu em dois.
A um canto da banheira,
não me perguntem porquê, havia um pato de plástico, Made in Hong Kong,
exactamente igual ao que dorme a meu lado, cada noite, desde que vivo só.
Fui
vê-lo e senti de súbito um pânico indescritível.
Já não pude continuar.
Saí a
correr.
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