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Acordei antes dela e ao abrir um olho, encontrei a sua carteira aberta no chão.
Dentro, assomava a sua caixa de pílulas anticoncepcionais "Yas", daquelas de que me falou e me deixaram fascinado.
Fascinou-me, por exemplo, que cada uma das 28 pílulas incluem o subtítulo do seu correspondente dia de toma (Seg., Ter., Qua. ...).
Mas, acima de tudo, fascinou-me saber que as 7 últimas pílulas de cada ciclo menstrual careciam do princípio activo.
Não eram mais do que placebos que só se usavam como lembrete, para não se perder a rotina diária.
Por conseguinte, aquelas últimas 7 pílulas não serviam para mais nada do que manter a constância da passagem cíclica do tempo.
Abri a caixa.
A embalagem das pílulas ainda se encontrava pela metade, com os seus placebos da última fila ainda intactos.
Pensei e pareceu-me romântico tomar um daqueles placebos por ela.
Algo assim como:
“Comi um dos teus dias, amor” ou, “O dia que te falta tenho-o cá dentro de mim”.
A verdade é que tomei uma das suas pílulas placebo.
A pílula em questão não sabia a nada, como também não sabem os dias que nos restam viver.
Tomei um banho, vesti-me calmamente e em silêncio para não a despertar e saí para trabalhar.
Tirei o meu táxi da garagem e à quarta ou quinta rua, de repente, comecei a sentir uma intensa dor na zona inguinal.
Comecei a ter náuseas e a sentir algo como uns “pontapézitos”.
Já passaram várias horas, quase um dia inteiro e ainda os sinto.
Nota:
Não sei se devo praguejar com a "Yas", ou ir directamente ao médico.
Será sugestão da minha parte, ou talvez essas pílulas provoquem nos homens um efeito inverso?
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