O VIDEIRINHO

terça-feira, julho 10, 2012

O TEU "EX"

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Empreguei anos de estudo para conhecer o mecanismo exacto da tua pele. 

Noites e noites sem dormir em ensaios, a pé pelos campos, enquanto dormias. 

Também devorei mil livros nas posturas dos táxis, nos engarrafamentos ou nos semáforos. 

Enfatizei fórmulas, memorizei axiomas e celebrei cada descobrimento com a obsessão de um cientista louco (como naquela ocasião em que gritei, Eureka!, em plena VCI. Foi a primeira vez que vi uma japonesa no banco traseiro do meu táxi, com os olhos como pratos). 

Graças aos livros descobri, por exemplo, a composição celular do teu ventre ou porque os teus protões são os mais suaves deste lado do Universo. 

 

Ou a energia gravitacional dos meus dedos planetários nas tuas costas, ou a misteriosa atracção de certas partes do meu corpo aos buracos negros. 

Só depois de te conhecer “todinha” é que comecei a desfrutar da tua pele com o espanto de um andróide. 

Acariciar-te era sulcar a Via Láctea. 

E o teu umbigo o acampamento base. 

E por detrás de cada beijo, outra nova galáxia mais além de Orion. 

Mas agora, vê bem. 

Os cientistas do CERN acabam de descobrir uma nova partícula subatómica, mais pequena ainda que os neutrões da tua pele, tal como eu já desconfiava à muito. 

Chamam-lhe "bosão de Higgs" e, além do seu ínfimo tamanho, também determina a origem da massa que há em tudo, com as tuas nalgas incluídas. 

 

Em suma, serás mais coisas aparte, electrões, neutrões e protões. 

Desde ‘ontem’ a tua pele é muito mais complexa e divisível. 

Encaixa-se. 

Desde ontem a "partícula de Deus" fez-me agnóstico de ti. 

Esta noite, depois de conhecer a notícia, observei o teu corpo e não pude evitar a ansiedade. 

Suores frios. 

Taquicardias. 

O novo abismo que a tua pele esconde, supera-me. 

Não posso evitá-lo, nem quero, como compreenderás, voltar ás almofadas. 

Por isso não posso continuar contigo, amor. 

Deixo-te. 

Espero que o compreendas. 

assina:   O teu “ex”. 
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segunda-feira, julho 09, 2012

CARTA ABERTA AO REITOR DA UNIVERSIDADE LUSÓFONA


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Exmo. Reitor. .

Foi com grande satisfação que soube que a Universidade Lusófona conferiu uma licenciatura em Ciência Política ao Dr. Miguel Relvas em apenas 14 meses, reconhecendo dessa forma a sua elevada estatura intelectual. Sempre sonhei com o alargamento das Novas Oportunidades ao Ensino Superior e fiquei muito feliz por terem dado o devido valor à cadeira de Direito que o senhor ministro fez há 27 anos com nota 10. Depois, naturalmente, o processo foi "encurtado por equivalências reconhecidas" (palavras do Dr. Relvas), após análise do seu magnífico currículo profissional.

É dentro desse mesmo espírito que vinha agora solicitar igual tratamento para a minha pessoa. Embora seja licenciado pela Universidade Nova com uns simpáticos 17 valores, a verdade é que o curso levou-me quatro anos a concluir e o Jornalismo anda pela hora da morte. Nesse sentido, e após análise da oferta disponível no site da universidade, venho por este meio requerer a atribuição do grau de licenciado em: Animação Digital (tenho visto muitos desenhos animados com os meus filhos), Ciência das Religiões (às vezes vou à missa), Ciências Aeronáuticas (já viajei muito de avião), Ciências da Nutrição (como imensa fruta), Direito (fui duas vezes processado), Economia (sustento uma família numerosa), Fotografia (tiro sempre nas férias) e Turismo (visitei 15 países). Já agora, se a Universidade Lusófona vier a ministrar Medicina, não se esqueça de mim. A minha mulher é médica, e tendo em conta que eu durmo com ela há mais de dez anos, estou certo de que em seis meses posso perfeitamente ser doutor.

Respeitosamente,
João Miguel Tavares

Fonte: 
 

terça-feira, junho 26, 2012

- Aqueles tubos metálicos que se vêem em casas de alterne e similares, são os designados “varões da droga ?

domingo, junho 24, 2012

- Exportar é o que importa !

PISCA-PISCA

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Recordas-te quando disse que, nós os trabalhadores independentes somos imunes ás enfermidades, que quando trabalhamos por conta própria nunca adoecemos ou se tens o azar de adoecer, lixas-te e vais igualmente trabalhar e que vocês, assalariados, sois uns queixinhas e ao mínimo espirro já estais a pedir baixa por “dá cá aquela palha” (e os servidores públicos, nem te digo, nem te conto) e que se o vosso salário dependesse do dia a dia e não de um ordenado já veríeis como perdíeis o sono de uma assentada? 


Recordas-te, eh? 

Pois bem. 

Esquece-o. 

Estou doente, dói-me tudo. 

Da carteira à cabeça e desta aos pés. 

Até o teclado me dá baile. 

Sinto-me como um koala num iceberg que se afasta da costa. 

Tremendo de frio e sem ninguém que me agasalhe. 

Será, talvez, um vírus raro desses que só atacam os taxistas machões, suponho. 

O que faço? 

Apago-me e acendo-me, tipo pisca-pisca?
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sábado, junho 23, 2012

- Peito de mulher é como o Sol.
Podes olhar de relance, mas com óculos escuros podes desfrutar mais tempo !

CURANDEIROS (?)



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Quando terminei de contar ao meu médico sobre as pontadas no peito, fez algumas anotações e depois sacou uma embalagem de compressa ou ligadura duma gaveta do seu consultório. 

Isto (*) cura todo o tipo de feridas, disse-me enquanto depositava a estranha embalagem na palma da minha mão. 

Regressei a minha casa, apressado para comprová-lo e comecei a seguir as indicações de uso que também me tinha dado: enrolei a ligadura à altura do peito, cobrindo bem a zona do peito e coração e depois deixei que a compressa começasse a “trabalhar”. 


Chegada a noite, deitei-me para dormir e no dia seguinte já notava umas leves melhoras. 

Há muitos meses que não despertava com um sorriso. 

A ligadura estava a fazer efeito e não só comecei a sentir que se começavam a curar as feridas recentes, como também as do passado. 

Hoje, depois de vários dias de tratamento, a pontada aguda daquele velho amor não correspondido, finalmente desapareceu.

 
(*)
Uma jovem cientista australiana, Louise Van der Werff, da Universidade de Monash, trabalha numa “ligadura ou compressa inteligente” para o tratamento de lesões crónicas, com base num material que pode mudar de cor segundo o estado das lesões. 

Quem tem uma infecção ou inflamação é provável que aumente a temperatura. 

Mas se houver uma descida é possível que exista outro tipo de problemas, como por exemplo no abastecimento de sangue ao tecido da ferida, segundo disse. 

Espera-se que esta curiosa invenção melhore a qualidade de vida dos doentes, sobretudo mais idosos, diabéticos ou pessoas obesas, com feridas crónicas, como úlceras. 


Para produzir este produto, a cientista australiana procura incorporar na fibra do material uma molécula que mude de cor, entre o vermelho, verde ou azul. 

Espera produzir num futuro próximo um protótipo em que as modificações cromáticas estejam calibradas em resposta a um determinado nível de temperatura. 

A venda deste produto “camaleão” pode reduzir em 500 milhões de dólares australianos (± 366 milhões de euros) o custo do tratamento de feridas crónicas na Austrália porque facilita o diagnóstico do estado das lesões.
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sexta-feira, junho 22, 2012


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19JUN2012
- Sem dúvida, a maior invenção da humanidade foi a cerveja. 
Tudo bem, a roda também foi importante, mas garanto que ela não desce tão bem acompanhada de uma pizza !

PECHISBEQUES


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Tinha uma obsessão com os objectos velhos. 

Por mais que reflectisse e compreendesse a inutilidade  de conservá-los e atesourá-los no sotão, não se conseguia desprender deles. 

Durante toda a sua vida guardou trastes, inutilidades, cacos,  objectos obsoletos e ultrapassados e todo o tipo de porcarias avariadas, inúteis e que não servem mesmo para nada, até que um certo dia – culpa das incomodativas leis da física – ficou sem espaço. 

Subiu ao sótão para guardar um trambolho inservível (sem qualquer préstimo) e viu-se quase obrigado a seleccionar alguns objectos para se desfazer deles. 

 

Enquanto procurava entre os mais andrajosos, encontrou um baú cúbico de madeira, que nem se recordava de tê-lo possuído. 

Os lados do baú mediam cerca de um metro por um metro mas ao abrir a tampa, o conteúdo parecia infinitamente mais amplo e estranhamente profundo. 

Nesse instante veio-lhe à cabeça o seu tetravô que, de jovem, exercia de mago. 

Nunca mais teve problemas de espaço.
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quinta-feira, junho 21, 2012

- Uma "pessoa só" é aquela que para ninguém é a número um !

OS PASSOS DE UM CORTA-RELVAS & Cª.

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Os anjinhos não desaparecem, nem morrem. 
Tirada DAQUI

Não menosprezes o poder da elegância. 

Assessores de imagem, fatos italianos, tintas para as câs, correctores de olheiras, luzes, um púlpito a três palmos do povo, primeiros planos em HD, guarda-costas. 

Maquilhagem para o brilhantismo e palavras. 

Se empregas eufemismos a massa aplaudirá, (que domínio da linguagem!, assombrar-se-ão), ainda que ninguém entenda que raio querias dizer. 

O que importa uma foto se o porta-retratos é bonito? 

Diz que nos resgatam sem dizer que nos resgatam e sorri. 

Sorri muito. 

Que o brilho dos teus dentes eclipsam o público. 

Como saem tão bem mentiras de uma boca tão perfeita?

Os novos jornalistas contratados por M. Relvas

Do mesmo modo, se o povo sai à rua em sinal de protesto pelo teu rol de mentiras, não duvides em deslegitimar os seus motivos com o mesmo argumento que te endeusou: destaca o mal que vestem, chama-lhes artistas-mendigos de rua, associa a sua indumentária a uma atitude e chama-lhes vadios. 

São piegas. 

Desalmados desempregados. 

Desagradecidos pela nova situação. 

Assim ganharão o desprezo dos devotos da fachada. 

Em qualquer caso, enquanto tu continuas a ganhar aos teus, através da imagem, de cada vez que alguém entre no meu táxi com um fato italiano, continuarei a esconder sob o tapete o meu cartão de crédito e a carteira manter-se-á debaixo do assento. 

Nunca se sabe quem se transporta. 

(Costumo predizer: "Bem vestido e bem falante, mas vigarista!!!".
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domingo, junho 17, 2012

- Um amigo é um cemitério de segredos !

“ADVOGADICE”

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Herédia, jovem, talentoso e obstinado advogado, sabia que herdaria uma enorme fortuna quando o seu pai, muito doente, morresse. 

Pensando em que também ficaria só, decidiu que precisava de uma mulher conforme a sua auto-estima e para fazer dela a sua grande companheira. 

Na base desta sua decisão, nessa noite foi até um famoso e conhecido bar, onde se juntava a nata e fina flor da sociedade local. 

Fixou-se numa colega, a mais bela e vistosa mulher que jamais tinha visto. 

A sua beleza natural era a admiração de todos os presentes. 



Arrimou-se a ela e disse-lhe: 

- Posso parecer um advogado comum, mas em pouco tempo, o meu pai vai morrer e herdarei para cima de vinte milhões de euros. 
Queres acompanhar-me até minha casa?... 
Agradas-me muito e se eu também te agrado e nos apaixonarmos, poderias chegar a ser minha mulher… 

Impressionada, a formosa e brilhante advogada naquela noite foi até casa de Herédia… 

E voltou na noite seguinte, também. 

E… cinco dias depois, esta beldade, transformou-se na sua madrasta.
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sábado, junho 16, 2012

- Se o tamanho não importasse, as mulheres, já nos tinham trocado pelos cavalos há muito tempo !

AO DIABO...

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Vejo em certos utentes de meu táxi uma agónica necessidade de sentirem-se sempre acompanhados, de que sempre exista alguém no outro lado do telefone, ou à espera no seu destino, ou enchendo cada hiato da sua agenda para não estar nunca sozinhos e assim evitar o silêncio. 

Ou o vazio. 

Empanzinam-se de planos e acabam sempre exaustos, rendidos e dormem bem todas as noites (de puro cansaço ou com pastilhas, os mais graves). 

E todas as manhãs acordam cedo porque têm sempre muito que fazer, uma vida social frenética e coordenada ao milímetro com o encontro no cabeleireiro, no ginásio, nas aulas de inglês ou de culinária, fazer compras, lavar o carro, o zapping, emborrachar-se, jogar ao “Call of Duty” ou passear o cão; e assim, dia atrás de dia, semana após semana ou um mês atrás de outro até que ao fim, ainda que só seja por pura inércia ou por falta de habituação, conseguem o seu objectivo: não se escutar, descartar um contacto íntimo ou introspectivo com eles mesmos. 

 

Talvez os aterrorize o eco insuportável de sua voz interior, o que poderia dizer se a escutassem. 

Talvez não queiram surpresas com medo do abismo, ao fracasso do "EU", ao indomável potencial que todos transportamos interiormente. 

Imagina que um belo dia surpreendes-te pensando que tudo é relativo e de súbito começas a questionar-te sobre as tuas próprias rotinas, os teus costumes, porque fazes o que fazes ou se realmente encontras prazer nele. 

Imagina que esse novo relativismo te leva a mandar tudo pró car... para casa do diabo, traumas incluídos e começas do zero noutro local, mais distante de tudo mas mais perto de ti. 

Imagina que começas a conhecer-te, a aceitar-te e a querer-te tal e qual como és. 

Imagina que já não necessitas projectar-te no amor dos demais porque já és capaz de o produzir por ti mesmo. 

Que medo não é???
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sexta-feira, junho 15, 2012

- O homem que nunca amou apaixonadamente ignora a metade mais formosa da sua vida !  (Stendhal)

COMO EVITAR A TERAPIA DOS PARES… (E NÃO MATAR-SE NA INTENÇÃO)


Postagem resposta ao repto de um grande blog, (de uma grande senhora) do outro lado da margem deste grande "rio" chamado "Oceano Atlântico".


Fica-me mais que hiper claro, que conviver com alguém, num plano de parelha, com tudo o que esta palavrita implica, está demais… o saber ceder, compartir, comunicar, etc., são coisas que não só com o passar do tempo aprendemos e adquirimos; de facto, são como super poderes, porque é muito difícil saber relacionar sempre acertadamente e a quem o faz, os meus mais humildes respeitos e reverências. 

É um feito - cientificamente comprovado - que, se nos enamoramos perdidamente, apostamos todas as "fichas" na relação e passam dias, semanas e ás vezes meses, antes de ter o mínimo atrito, problema ou discussão com o adoçante dos nossos morangos… e é aqui que começa a verdadeira arte das relações em parelha, onde já sem rodeios, (com ou sem acaso ou sorte), descobres que o teu pedacito de céu não é perfeito, como pensavas… eh!eh!eh!… e é neste momento que temos de fazer uso das nossas armas e segredos, para saber como matizar ou diversificar, esconder, curar ou dissimular estas pequenas imperfeições… como? 

 

Bem, pois é muito fácil… (já que não existe o anjo 'maçã do rosto' para as relações), o meu conselho é o seguinte (com uma base 100 % empírica, eh!eh!eh!): a chave de tudo, resume-se a uma só palavra, EXPLORAR… explorar em todos os aspectos e em todos os lugares, levá-lo mesmo à fronteira com o desconhecido, para descobrir até onde podes chegar … nunca fazer sempre o mesmo, o que "todo o mundo faz", mas converter a relação numa espécie de risco, (Risk), onde cada país é uma nova experiência e onde cada um tenha uma missão secreta para assim manter uma dose de mistério. 

 

Imaginares o teu par como um infinito número de terras por conquistar e, assumir o rol ou lista de Alexandre Magno ou de Napoleão… (e é de tormentos, porque logo te encontras com cada cultura que "oh my goddddd" colocas a tua bandeira e só queres saquear o lugar eh!eh!eh!)… enfim... 

Eu pelo menos vivo o dia a dia numa caravela sem rumo, buscando o desconhecido e volta e meia desfrutando do que já me é familiar… e é, largamente, só que te une mais… e no meio vaaaaaai que te divertes…  

A graça está em abrir-se o mais que se possa para dar passagem ao novo… e não encerrar-se no acostumado e na rotina…
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sexta-feira, junho 01, 2012

- Acho que a casa do car*lho está em obras; todo o pessoal que mandei para lá, já está de volta !

VOU ÁS P*TAS

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Um homem entra no meu táxi e pede-me para o levar ás p*tas, ele e eu. 

Uma p*ta para cada um. 

Diz-me que paga tudo: o táxi, o que petiscarmos, os copos que vamos emborcar e os “corpos alugados”. 

Digo-lhe que não, que já venho “derreado” de casa (é mentira, mas dá-me tempo para pensar). 

O tipo faz-se de surdo e insiste:” 

Venha daí. 

Leve-me à boite, cabaret ou clube nocturno que mais aprecie. 

Deixo-o escolher a menina que mais gostar. 

Interrogo-me porquê tanto empenho em ir ás p*tas com um completo desconhecido. 

Talvez consista em compartilhar a culpa, em procurar um cúmplice. 

Notei que tem uma aliança de casado, que veio para o meu táxi no hotel e que acaba de guardar a gravata no bolso do casaco. 

Suponho que estará no Porto de passagem, em viagem de negócios. 

 

É dos que pensam que nestas viagens expresso e com a desculpa do trabalho, as infidelidades não contam como numa partida de futebol no campo adversário e à porta fechada: ninguém se inteira e cada golo vale a dobrar. 

Incluir o taxista no jogo não é mais que o seu modo de justificar os seus pecados. 

Por conseguinte, não está a tentar convencer o taxista, mas sim o cura disfarçado de taxista. 

Quer que o confessor, que é quem se ocupa de limpar a sua alma, vá ás p*tas com ele. 

Por isso lhe disse amém a meias. 

Levei-o a um dos melhores e mais selectos clubes da cidade, entreguei as chaves do meu táxi ao porteiro (sem desligar o taxímetro) e entrámos, o meu passageiro e eu. 

 

A “patroa” mandou-nos entrar para uma sala, sentámo-nos em cadeirões ultra confortáveis, pedimos champanhe e nesse instante começaram a desfilar por diante de nós, jovens impressionantes ligeiramente vestidas. 

Evidentemente, o tipo pediu-me para escolher primeiro. 

Escolhi uma jovem horrorosamente parecida a uma ex-noiva minha. 

Imediatamente ele também escolheu a sua, radicalmente distinta da sua mulher (a não ser que a sua mulher também seja negra). 

O meu passageiro deu a mão à jovem e desapareceram por uma porta. 

Eu fiquei com a outra. 

Chamava-se Sandra, tal e qual a minha ex-noiva. 

 

Passámos para um quarto com jacuzzi, abriu a água, desnudou-se lentamente (um corpo de morrer, como o de Sandra), entrou no jacuzzi e com voz sensual convidou-me a compartir o banho. 

Mas ao acercar-me dela vi algo que me partiu em dois. 

A um canto da banheira, não me perguntem porquê, havia um pato de plástico, Made in Hong Kong, exactamente igual ao que dorme a meu lado, cada noite, desde que vivo só. 

Fui vê-lo e senti de súbito um pânico indescritível. 

Já não pude continuar. 

Saí a correr. 
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