O VIDEIRINHO

sexta-feira, dezembro 14, 2012

UM MALABARISTA MANHOSO e DANINHO

LIÇÕES  DE  HISTÓRIA

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

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Miguel Relvas
Ministro de  Portugal
Mandato XIX Governo Constitucional de Portugal
Antecessor(a) Jorge Lacão
Vida
Nascimento 5 de Setembro de 1961 (51 anos)
Lisboa, Portugal
Partido Partido Social Democrata
Miguel Fernando Cassola de Miranda Relvas (Lisboa, 5 de setembro de 1961) é um político português.

Índice

Família

É o mais velho de três filhos de João Augusto Garção de Miranda Relvas e de sua mulher Branca da Encarnação Martins Cassola (Portalegre, 17 de Fevereiro de 1936), sendo irmão de José António Cassola de Miranda Relvas (Angola, 15 de Fevereiro de 1963) e de João Manuel Cassola de Miranda Relvas (Angola, 20 de Outubro de 1966).

Biografia

Viveu em Angola até 1974. De novo em Portugal, frequentou o Colégio Nun'Álvares, em Tomar[1].

Educação

Universidade Livre

Inscreveu-se pela primeira vez no ensino superior em 1984, no curso de Direito da Universidade Livre, uma instituição privada. Em 1985 concluiu, após frequência escrita e prova oral, a disciplina de Ciência Política e Direito Constitucional, com a classificação de 10 valores. Em Setembro desse ano pediu transferência para o curso de História, ainda na Universidade Livre. Matriculou-se em sete disciplinas, mas não fez nenhuma.

Universidade Lusíada

Em 1995/96 pediu reingresso na Universidade Lusíada para o curso de Relações Internacionais.


NÃO FREQUENTOU NENHUMA CADEIRA. [2]. A UNIVERSIDADE LUSÍADA ANULOU A MATRICULA DE MIGUEL RELVAS EM 1996 POR ESTAR A DEVER 160.272 ESCUDOS (CERCA DE 800 EUROS) DE PROPINAS[3].


Universidade Lusófona

Em Setembro de 2006 requereu a sua admissão à Universidade Lusófona. A Universidade Lusófona analisou o “currículo profissional”, bem como a frequência dos “cursos de Direito e História” anos antes. Em Outubro de 2007 Miguel Relvas concluiu a licenciatura em Ciência Política e Relações Internacionais, curso com um plano de estudos de 36 cadeiras semestrais distribuídas por três anos, com a classificação final de 11 valores. Esta licenciatura foi concluída em apenas um ano. [4][5].
Relvas, obteve 32 equivalências e teve apenas de fazer exames a quatro disciplinas para poder concluir num ano a licenciatura em Ciência Política e Relações Internacionais na Universidade Lusófona de Lisboa.
Os cargos públicos que Miguel Relvas ocupou desde os seus 26 anos valeram-lhe a equivalência a 14 disciplinas. A sua avaliação das “competências adquiridas ao longo da vida” teve em conta os nove cargos que ocupou como membro da delegação portuguesa da NATO, entre 1999 a 2002 e como secretário da direcção do grupo parlamentar do PSD entre 1987 e 2001.
Os cargos políticos desempenhados permitiram obter equivalências a três disciplinas do 2.º ano e ainda a mais uma do 3.º ano. Por fim, a avaliação do “exercício de funções privadas, empresariais e de intervenção social e cultural” permitiram adquirir equivalências a mais 15 disciplinas.
Relvas realizou apenas quatro exames para que pudesse concluir o 1.º ciclo de estudos (licenciatura). O aluno fez as provas nas cadeiras de Quadros Institucionais da Vida Económico-Político-Administrativo, do 3.º ano (12 valores), Introdução ao Pensamento Contemporâneo, do 1º ano (18 valores), Teoria do Estado, da Democracia e da Revolução, do 2.º ano (14 valores) e ainda Geoestratégia, Geopolítica e Relações Internacionais II, do 3.º ano (15 valores)[6]. O reitor da Universidade Lusófona, na altura em que Relvas estava inscrito, Santos Neves, deu-lhe a melhor nota do seu currículo académico - 18 valores na cadeira Introdução ao Pensamento Contemporâneo. Esta disciplina estava, no entanto, a cargo de Fernando Pereira Marques. Também dez alunos da “suposta” turma de Miguel Relvas (1P1) afirmaram que nunca o viram nem nos testes nem nas aulas da cadeira. Confirmam de igual modo que Santos Neves nunca foi professor da turma[7].
Foram-lhe até dadas equivalências a cadeiras que nem existiam em 2006/2007, ano lectivo em que esteve matriculado na Lusófona[8].

Registo biográfico

No registo biográfico entregue no Parlamento quando foi eleito pela primeira vez deputado (na IV Legislatura, iniciada a 4 de Novembro de 1985), Miguel Relvas escreveu na alínea das habilitações literárias: “Estudante universitário, 2.º ano de Direito” – informação semelhante à do registo entregue na legislatura seguinte. Tendo Relvas feito apenas uma cadeira do 1.º ano de Direito [9]. Em julho de 2012 afirmou que foi um lapso ter declarado à Assembleia da República, por duas vezes, que tinha frequentado o 2.º ano do curso de Direito[10].

Carreira política

Foi secretário-geral da Juventude Social Democrata, de 1987 a 1989, deputado à Assembleia da República, entre 1985 e 2009, presidente da Assembleia Municipal de Tomar, entre 1997 e 2012, presidente da Região de Turismo dos Templários, entre 2001 e 2002,[11] presidente da Assembleia-Geral da Associação de Folclore da Região de Turismo dos Templários (2001-2002),[12] secretário de Estado da Administração Local de Durão Barroso, entre 2002 e 2004, e secretário-geral do PSD, de 2004 e 2005, e, novamente, a partir de 2010[13]. É o actual Ministro dos Assuntos Parlamentares no governo de coligação PSD-CDS liderado por Pedro Passos Coelho[14].
Actualmente já está reformado e recebeu, em 2011, 14 mil euros a título de pensão. Relvas optou por suspender a pensão quando foi convidado a integrar o Governo de Passos Coelho[15].
Quando integrou o Governo de Passos Coelho deixou de receber 2800 euros mensais, uma subvenção vitalícia por 12 anos de atividade política[16].

Funções maçónicas

Integra como membro a Maçonaria através da Loja Universalis do GOL.[17]

Polémicas



Segundo ficou provado, e tal como veiculado pela imprensa, falsificou a sua morada legal lesando o Estado, com o intuito de obter incrementos no seu vencimento, e assegurando ao mesmo tempo a candidatura nas listas do partido através dessas localidades quando tinha habitação em Lisboa. Também esteve envolvido no célebre caso das Viagens-Fantasma, polémica surgida a 20 de Outubro de 1989, publicada pelo O Independente[18] [19] [20].

Casamento e descendência

Casou em Santarém com Ana Paula Milhano Pintão (Portalegre, 23 de Setembro de 1965), de quem tem uma filha, Filipa Pintão de Miranda Relvas, nascida em Lisboa a 17 de Fevereiro de 1992. A relação terminou em outubro de 2011, altura em que Relvas saiu de casa[21].

Referências

  1. Três secretários de Estado são de Tomar
  2. Público 3/7/2012
  3. Miguel Relvas ficou a dever 800 euros à Universidade Lusíada.
  4. Público 3/7/2012
  5. Relvas diz que referência a 2.º ano de Direito “foi um lapso”.
  6. Miguel Relvas concluiu licenciatura com quatro exames e 32 equivalências.
  7. Reitor da Lusófona avaliou Relvas a cadeira que não ministrava.
  8. Relvas teve equivalência a cadeiras que não existiam.
  9. Público 3/7/2012
  10. Relvas diz que referência a 2.º ano de Direito “foi um lapso”.
  11. Deputados e Grupos Parlamentares (em Português). Assembleia da República. Página visitada em 16/08/2012.
  12. Folclore valorizou currículo de Relvas (em Português). Smanário - Expresso (10 de julho de 2012). Página visitada em 16/08/2012.
  13. Miguel Relvas vai ser o novo secretário-geral do PSD
  14. http://economico.sapo.pt/noticias/perfil-miguel-relvas-o-estratega_120856.html
  15. Relvas recebeu 14 mil euros de reforma.
  16. Miguel Relvas suspendeu pensão de 2800 euros por mês quando entrou para o Governo.
  17. Relvas e presidente da Lusófona são «irmãos» na maçonaria. tvi24 (12 de Julho de 2012). Página visitada em 13 de julho de 2012.
  18. Falsificação de Moradas. Jornal Voz Imparcial (26 de Novembro de 1997). Página visitada em 13 de julho de 2012.
  19. No meio das Viagens-fantasma. Jornal Tal & Qual (07 de Dezembro de 1995). Página visitada em 13 de julho de 2012.
  20. Curriculum de um deputado habilidoso. Jornal Região de Tomar (26 de Novembro de 1997). Página visitada em 13 de julho de 2012.
  21. Miguel Relvas apaixonado.

sábado, novembro 24, 2012

- Como é que Ratzinger soube (sabe) que Maria (mãe de Jesus Cristo) era virgem e, num mundo de bois, vacas e asnos ou burros, não havia animais no estábulo? 
Sendo assim, Gaspar e Coelho podem voltar tranquilamente para casa !

MAÇONS

 .



Passageiro do meu táxi: 
- Por fim um pouco de sensatez, caro amigo. 

E eu: 
- Perdão? 

– Sim homem, sim. 
O do Evangelho. 
O do nascimento de Jesus.
O que é um embuste! 

– Refere-se ás palavras de Ratzinger? 

Pois claro, a que devia ser? 
É verdadeiro que Maria foi engravidada por uma pomba e que deu à luz Jesus sendo ainda virgem. 
A sua virgindade continua ouro de lei. 
Em algum dia a ciência dar-nos-à razão, não tenha dúvidas. 
Mas o do asno e do boi no presépio? 
Que porra louca chegou a acreditar nisso? 
Um asno e um boi num presépio? 
Valha-me um burro aos pinotes! 
Que imaginação! 

 

– Ah!ah!ah! 

– Não sei de que se ri. 
O assunto é sério. 
Há séculos que nos andam a enganar! 

– Quem? 

– O lobby dos fabricantes de bonecos de Natal, quem mais poderia ser? Todos maçons, para mais INRI. 

– Diz isso a sério? 

– Nunca falei tão a sério na minha vida. 

– Desculpe…  

Você sabe a quantidade de bonecos de bois e burros que se venderam ao longo destes anos todos? 
Quem nos devolve o dinheiro agora, eh! Eh! 
A quem pedimos responsabilidades? 

– A Vítor Gaspar? 

– Pois, talvez! (…). 

Páre aí adiante, à direita. Naquela igreja. 

(Páro o táxi no lado direito da rua, à porta da igreja). 

 
– Ande, tome lá 5€. 
Pode ficar com o troco. 
Para que não digam mal da caridade cristã. 

– Mas senhor… o taxímetro marca 5,10€. 

– Ui! 
Desculpe… 

(Volta a olhar a sua carteira). 

- Só tenho uma nota de 50€. Não me vai dar troco de 50 euros por uns míseros dez cêntimos, não é verdade?

– Está bem, deixe lá. 

– Bem. Rezarei por si. E já agora de passagem, também rezarei por esse bando de filhos da puta. 

– Os maçons? 

– Os maçons.

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quarta-feira, novembro 07, 2012

- O meu fogão de sala todos os dias queima cavacos.
O meu fogão de sala é uma incineradora eficaz.
Eu adoro o meu fogão de sala!

ANÉLITO

Fixai-vos na importância do detalhe. 

Aquele foi um trajecto aparentemente normal. 

Um homem duns cinquenta anos, traje de blazer, gravata afrouxada e um certo cheiro a whisky, entrou no meu táxi numa rua do centro. 

Dado o seu aspecto e as horas, onze e pico da noite, pensei que se tinha envolvido com os copos depois do trabalho. 

Sabem, o típico, “bebe alguma coisa”, ao sair do emprego, o típico bar imprevisto com algum companheiro, as típicas confissões de copo na mão: que Ronaldo é vaidoso; creio que o fulano dos recursos humanos é gay porque não se lhe conhece uma mulher na vida dele e olha-me com olhos ternos; que talvez me despeçam, mas então armar-me-ei em Deus e soltarei a língua na roupa suja da empresa, enfim. 

Tudo típico ou característico de dados momentos. 

 

É fácil aquecer, convidar para outro copo e perder a noção do tempo. 

Mas então telefona a tua mulher ou lembras-te dela, do jantar à espera em casa, tomas uma opção, pagas a última rodada e pôs-te na alheta. 

Isto foi o que pensei daquele homem. 

De facto, a meio do trajecto, telefonou-lhe a mulher e com voz suave disse-lhe que tinha saído tarde por causa do arquivo, mas que já estava a caminho. 

Que chegaria nos próximos dez minutos. 

Na verdade chegámos em sete; não havia trânsito. 

Mas justamente nesse último instante dei conta de um pequeno detalhe. 

Ao pagar-me os 7,35€ que marcava o taxímetro, tirou do bolso um punhado de moedas e entre elas encontrou a sua aliança. 

Ao vê-la mudou-se-lhe o semblante para um ar mais triste, mais cinzento. 

 

Estendeu-me as moedas, colocou a aliança no dedo e esse gesto criou nele um efeito inverso ao da magia. 

Então olhou-me como que culpado, deu um suspiro com olor a whisky e saiu do táxi. 

Aquele homem tinha-se envolvido depois do trabalho, sim, mas com outra. 

Parece mentira que um objecto tão pequeno diga ou desminta tanto: aliança que não vês, coração que não sente. 

Parece mentira que o simples gesto de esconde-lo anule de uma penada a noção de compromisso e te permita, aqui está o exemplo, inventar outras vidas. 

Instantes antes de sair do táxi saquei do porta-luvas de um rebuçado de menta, estendi-lho e disse-lhe: 

- O hálito, cuidado. 
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domingo, novembro 04, 2012

- Com o tempo vais perceber que para se ser feliz com outra pessoa, precisas, em primeiro lugar, não precisar dela. Percebe também que aquela pessoa que amas, (ou achas que amas) e que não quer nada contigo, definitivamente, não é o homem ou mulher da tua vida. Aprende a gostar de ti, a cuidar de ti e, principalmente, a gostar de quem também gosta de ti. O segredo é não correr atrás das borboletas... é cuidar do jardim para que elas venham até ti. No final das contas, vais achar, não quem estavas a procurar, mas quem estava à tua procura...

INCÓMODOS ERÓTICOS

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Num abrir e fechar de semáforos, a passageira começou a sentir-se indisposta, como que afligida por uma súbita tontura. 

Empalideceu de repente e não hesitou em recostar-se no canto compreendido entre o encosto e a porta traseira e, tacteando com um dedo, baixou o vidro na procura de um sopro de ar fresco que lhe batesse na cara. 

Em casos como este, nada importa mais que o interior de nós próprios, o reconhecimento urgente; não há vergonha pela pose que se adopta, procura-se a mais cómoda e, o mundo e a gente ao redor, são só um estorvo. 

Tudo sobra, sobram as ruas, sobra o meu táxi, sobro eu. 

Ainda assim tentei inteirar-me da situação. 


Encostei o táxi a um dos lados e virei-me para ela: 
- Encontra-se bem? 

– Não sei. 
Estou muito tonta, mas siga por favor. 
Isto deve passar breve. 

Dito isto tapou os olhos com a mão e voltou a deslizar ainda mais, até quase cair do assento e com isto, arrastou a saia até alcançar o limite exacto da sua roupa interior. 

A sua calcinha era verde militar, de aspecto suave. 

Depois moveu o pescoço para a janela e esse preciso gesto descuidado, deixou à vista os contornos de um sutiã castanho, algo desafogado para a posição, deixando por sua vez ver uma pequena abertura sombreada, debaixo da qual se intuía o relevo do seu seio direito. 

 

Apesar do contexto, aquela visão tornou-se altamente erótica. 

Senti-me mal com isto, ou pelo menos deu-me que pensar. 

Sexo, erotismo, também é contexto. 

Esta mesma mulher, nesta mesma pose, mas olhando-me nos olhos tinha sacado, sem dúvida, os meus mais baixos instintos. 

Na verdade excitei-me ainda que, isso sim, atenuado pela empatia. 

Senti desejo e culpa ao mesmo tempo. 

Senti o que sentem os católicos. 

Uma mistura raríssima. 
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sábado, novembro 03, 2012

- A Bíblia foi interpretada para justificar as más práticas tais como por exemplo, a escravidão, a carnificina de prisioneiros de guerra, os sádicos assassinatos de mulheres acusadas de serem bruxas, a punição capital por centenas de ofensas, a poligamia e a crueldade para com os animais. Foi usada para encorajar a crença, na mais grosseira superstição e para desencorajar o livre ensino das verdades científicas. Não nos devemos nunca esquecer que, o bem e o mal, fluem da bíblia. 
Ela, portanto, não está acima da crítica !

DEMÊNCIAS MODERNAS...

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Era um condomínio fechado, distante de tudo. 

Um autêntico inferno, (para beber um copo), tendo em conta que o bar mais próximo encontrava-se a não menos de três quilómetros. 

Procurava a saída com o dispositivo luminoso aceso (de livre), virando à direita e à esquerda segundo as indicações do GPS. 

Já no acesso principal àquele labirinto, um homem postado numa paragem de autocarros, fez-me o sinal habitual de levantar o braço e chamar-me à atenção.. 

Detive-me à sua altura; acercou-se do táxi e em vez de abrir a porta do seu lado, contornou o táxi e fez-me sinal para baixar o vidro. 

- Tem um carregador de iPhone? Perguntou-me. 

- Como? 

- Se tem um carregador de iPhone. 
Fiquei sem bateria. 

- Mmm... Sim! 
Mas quer que o leve a algum sítio? 

- Não, não. 
Estou só à espera do autocarro. 
Se não se importa de esperar aqui comigo enquanto eu carrego o meu iPhone... 
Coloque o taxímetro a funcionar e quando chegar o autocarro pago-lhe o que marcar, está bem?


- Bem, de acordo, disse-lhe. 

O homem estendeu-me o iPHone e eu coloquei-o a carregar no carregador do táxi. 

Depois accionei o taxímetro. 

- Não prefere entrar no táxi até que chegue o autocarro? 
Aí fora está frio. 

- Está bem, de acordo, disse-me e sentou-se ao meu lado. 

O homem era parco em palavras. 

Para quebrar o gelo perguntei-lhe quanto tempo demoraria a chegar o autocarro; respondeu-me que cerca de quinze a vinte minutos. 

Imediatamente se fez silêncio. 

Um silêncio incómodo, estranho. 

 

O homem olhava para o seu iPhone como quem espera numa fila para comprar droga. 

Era uma mistura de decoro e urgência, de desejo e síndroma de abstinência. 

- Se você acelerar o motor carregará mais depressa? Perguntou-me de repente 

- Temo que não, disse-lhe. 

Minutos mais tarde adverti-o que o autocarro se aproximava. 

Parei o taxímetro, o homem pagou-me os 3,50 € da "não viagem" e saiu do táxi. 

Aquele foi sem dúvida o trajecto mais curto da minha vida. 

Mas acrescentou-lhe um novo argumento à minha teoria do caos: 

Estamos a tornar-nos irreversivelmente loucos.
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sexta-feira, novembro 02, 2012

- Funcionária do talho é demitida porque deixou a maminha de fora !

TUDO TEM UM PREÇO

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É fácil encontrar qualquer coisa. 

Armas, um assassino profissional, cocaína, crianças, documentos, restos ósseos, psiquiatras, medalhas. 

Selecciona a mulher adequada de entre uma lista de cem. 

Cabelo encaracolado, olhos escuros, sardas, pouco peito (a sair ao pai), pele bronzeada, ancas saracuteantes, voz meiga. 

Desliga o taximetro e trava o teu táxi. 

Mostra-te e aparecerá. 

Expõe as tuas necessidades: francês, grego profundo, submissão. 

Negoceia um preço. 

Com o que pagares, não só comprarás o seu tempo; também anularás a sua vontade. 

Inventa uma cena que apazigúe os teus traumas. 

 
 
- Chamar-te-ás Eduarda e tratarás de resistir-me. 
Primeiro brigaremos carinhosamente, pelo menos, durante dez minutos e depois deixar-te-ás “levar” e fingirás que gostas. 
Terás um orgasmo quando eu ejacular e dormirás abraçada a mim, acariciando-me o cabelo.
De manhã tomaremos o pequeno almoço em silêncio enquanto eu leio o jornal. 
Depois do pequeno almoço poderás partir. 
Contrato fechado? 

- Sim. 

- Então agora diz-me que me amas.

- Amo-te. 

- Diz-me: és o homem da minha vida. 



- És o homem da minha vida. 

Neste caso 500 € equivalem a duas descargas valentes de esperma, três nódoas negras que esconderás com a maquilhagem e uma notável descida do teu nível de ansiedade. 

O vosso acordo comercial eximir-te-á de toda e qualquer culpa. 

Ela é que fez o preço. 

Consulta o código de barras.

Ela aceitou as tuas condições. 

Nota: 
Querias capitalismo? 
Vendo-te dez canecas.
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quinta-feira, novembro 01, 2012

- Nada é tão belo como as ruínas de uma coisa bela !

DEMASIADO TENTADOR

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Três demãos de pintura depois, as paredes da minha casa continuam a cheirar a ti e não quero, nem posso suportar mais. 

Prefiro mudar-me a morrer emparedado na hediondez da tua recordação. 

Outros móveis, outra cama, outra janela com outras vistas. 

Outras vizinhas sem sal. 

A decisão está tomada mas, para onde? 

Gosto das ruas buliçosas, com gente, mas já o tenho cada dia no meu táxi e em cada momento na minha cabeça (até oiço vozes). 

Tão-pouco quero um bairro deprimido, mais do que aquilo que estou, nem viver junto de um parque com crianças que gritam como esquizofrénicos e cães que ladram ainda que não mordam.


TIRADA  DAQUI
Nem por cima de um bar (demasiado tentador), nem por cima de um bordel (demasiado tentador), nem por cima de um restaurante (demasiado tentador), nem por cima de uma incineradora (pelos fumos). 

Como saber se os vizinhos são ruidosos ou psicopatas? 

Também não quero gastar mais do que valha; aluguer ou compra? 

Ainda que, isto sim, com garagem. 

Que o meu táxi durma sempre como um rei. 

Escolher o número de quartos equivale a pensar no presente ou no futuro imperfeito (com uma suposta mulher, tantos filhos como queira ela, etc.). 

Melhor será com dois quartos e uma sala.

Um quarto, um escritório sem distracções onde possa escrever longas jornadas e o salão para as visitas, ver filmes, orgias de copos e sexo e leituras sossegadas. 

Uma cozinha funcional. 

Um quarto de banho, que tem de possuir banheira para o meu pato.


E sempre elevador. 

Em que piso? 

Rés-do-chão ou entrepiso ou galeria, nunca. 

Primeiro, segundo terceiro, décimo quinto? 

Décimo quinto, não. 

É demasiado tentador. 

Assim com tudo isto, continuo completamente perdido. 

Acredito que se me escapa qualquer coisa, faltam-me dados, perguntas. 

É uma decisão importante. 

Iluminai-me, por favor. 

Que critérios é que seguiram ou segues tu para escolher a tua actual ou futura morada? 

16ABR2011

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