O VIDEIRINHO

sábado, julho 20, 2013

- O orgasmo é um paroxismo; o desespero, outro. 
O primeiro dura um instante; o segundo, uma vida !

SONHOS

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Na primeira gaveta da mesinha de cabeceira, tenho uma caixa de 24 preservativos vazia na qual guardo um bloco de notas onde anoto os meus sonhos mais urgentes. 

Guardo o bloco de notas naquela caixa para preservar os sonhos, mas também para que Beatriz, a jovem que vem limpar e arrumar a casa pense que sou um tipo normal a atirar para o promíscuo. 

De facto, costumo trocar a caixa volta e meia (ainda que na realidade use os preservativos para fazer blocos de gelo com o formato dum mamilo túrgido).

 “Dèjá-vu”, da artista cubana Cirenaica Moreira

Também guardo outro bloco de notas no depósito do autoclismo (onde anota as ideias mais merdosas), outro no armário dos medicamentos e primeiros socorros (onde anoto as ideias mais loucas), outro numa caixa de Chivas Regal 12 anos (onde anoto as ideias mais preferidas), outro numa fresta atrás do aparelho de ar condicionado (onde anoto as ideias mais frescas), outro na caixa do correio (onde escrevo histórias de amor não correspondido) e outro no porta-luvas do táxi (onde anoto, como é óbvio, anedotas do dia-a-dia, descrição de passageiros, etc). 

O caso é que ontem à noite sonhei que uma mão de mulher me estrangulava. 

Assim, imediatamente depois de despertar, saquei do bloco de notas da caixa de preservativos e anotei os detalhes: 
Sonho 1233: estrangula-me uma mão de mulher com aliança no dedo anelar e unhas longas de gel, pintadas, cor vermelha de sangue”.

 

E assim ficou tudo. 

Depois saí para dar uma volta, como sempre. 

A meio da tarde, telefonou-me Beatriz, a jovem que vem limpar e arrumar a casa. 

Necessitava de um adiantamento de salário para uma urgência. 

Como não estava longe, dei uma saltada a casa para dar-lhe o dinheiro e já agora, transportá-la a sua casa. 

A verdade é que ao vê-la, detectei-lhe um detalhe que me deixou gelado: Tinha as unhas de gel e pintadas na mesma cor das da mão do meu sonho. 

Além disso, no seu dedo anelar luzia um anel que não me recordo de ter-lhe visto antes (de facto, juraria que me disse ser solteira). 

Ela, no entanto, comportou-se com a mesma confiança de sempre e eu, tratei de dissimular o meu desconforto o melhor que pude. 

Mas tem as chaves de minha casa. 

E não sei porquê, mas sinto medo. 
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quinta-feira, julho 18, 2013

- Ando tão sozinho que me masturbei a ouvir a "mulher do google tradutor" a dizer frases excitantes. 
Isto tem-me ocorrido nos últimos 2 meses !

TERAPIAS ALTERNATIVAS



Asseguram que ver mulheres nuas estimula a inteligência do homem. 

Há estudos científicos que fazem com que a vida seja verdadeiramente maravilhosa. 

E não me refiro à investigação para a cura de algumas enfermidades cujos paladinos já têm o seu suficiente reconhecimento cada ano nos Prémios Nobel

Falo de trabalhos em laboratório que nos arrancam um sorriso, que tem muito mérito num mundo em depressão. 

Há uns anos atrás tivemos notícias de que “olhar durante dez minutos as mamas de uma mulher pode prolongar a vida dos homens em cinco anos”, (segundo um estudo alemão do Dr. Karen Weatherby, publicado no New England Journal of Medicine, depois de uma pesquisa de mais de seis anos em hospitais de Frankfurt. 
Eu tinha a certeza que não sou tarado e que existia uma explicação… preocupo-me é com a minha saúde). 

O que justifica como que uma luta pela sobrevivência, a fixação que alguns (quase todos) têm por essa parte da anatomia feminina


Agora chega o que podemos chamar a evolução desse estudo. 
Se olhar mamas prolonga a vida, olhar mulheres completamente nuas, estimula a inteligência. 
Simmmmmmmm!!! 
O estudo foi realizado por pesquisadores da Universidade de Tempere, (Finlândia), publicado na revista Excélsior, sob a direcção do Dr. Jari K. Hietanen, que deve ser um guru do assunto. 
Pelos vistos, a nudez é detectada com rapidez durante o processo visual, estimulando a onda cerebral occipito-temporal N170, de modo que o cérebro tende a aumentar a sua capacidade de processamento.


A investigação foi levado a cabo com indivíduos de ambos os sexos, aos quais mostraram imagens de homens e mulheres nus. 

O resultado concluiu que o cérebro masculino reage com maior determinação a este estímulo visual, o que segundo Hietanen, contribui para assegurar o acasalamento e reprodução (não acham que é óbvio?). 

Esta última conclusão não parece demasiado brilhante. 

Desde já asseguro que não sou um expert na matéria (com muita pena minha) e que acabo de fazer um estudo via whatsApp entre vários dos meus amigos, que ver mulheres nuas facilita o acasalamento. 

E sem necessidade de gastar balúrdios de dinheiro.
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sexta-feira, julho 12, 2013



- Por vezes Cupido aponta ás entrepernas !


FORNICAR

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Seguramente que o sexo é o mais sobrevalorizado da história da humanidade. 

Nem há, como disse Freud, uma explicação sexual da história nem é razoável que a maior diversão ou sistema de lazer a que um homem possa aspirar seja o fornicar (ou seja, a fod*r, a “quecar”). 
("Quecar - acto de fazer amor de forma mais selvagem do que a anterior”).

Fornicar é mais uma necessidade fisiológica, vamos divertir-nos fazendo-a, mas sem exagerar. 

É apanágio de países pobres e de gente sem recursos passar no dia fornicando. 

Claro. 

Como não podem ir ao restaurante, pois... “fornicam”. 

É o que se passa em África, que ao cair o sol, como nada há, nem TV para ver imbecilidades, pois vinga o fod*r, digo, “quecar”, digo, fornicar. 


 Homem a quem lhe saiu o Euro milhões

E todos os dias o mesmo. 

E todos os dias da mesma maneira. 

Porque para cima ou para baixo, o sexo é sempre a mesma coisa e acaba a fazer-se da mesma maneira. 

Podemos ser melhores. 

Podemos sair para jantar e depois ir tomar uns copázios num bar qualquer e, depois ler um pouco antes de nos deitarmos em lugar de nos refastelarmos como animais. 

Podemos fazê-lo um pouco melhor, que a nossa vida gire em torno de conceitos mais interessantes e de aspirações mais altas. 

Podemos dar bastante mais de nós e não estar todo o dia dependente da braguilha, cometendo loucuras por culpa dessa braguilha com essa total vulgaridade com que costumam fazer as pessoas obcecadas pelo sexo. 

 
Se há que fazer sexo, que se faça. 

Mas sem alto-falantes nem metáforas, sem dar-lhe mais importância nem pensar que é a cúspide de nada. 

Há formas bem mais interessantes, limpas e educadas de dar amor. 

Fod*r, “Quecar” ou fornicar, é de pobres, em todos os sentidos pobres. 

Pobres porque não possuem recursos para praticar outro ócio e aí estão, condenados a fod*r, digo “quecar”, digo, fornicar como pobres; e pobres por não possuírem mais imaginação nem bom gosto que esse brincar introdutório sem nenhum tipo de sentido.
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quarta-feira, julho 10, 2013

OUTROS MUNDOS

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À minha volta, o mundo expande-se e a mim faltam-me as calças. 

É frustrante a barba, os cabelos brancos, a vista cansada, o tacto rectal de um urólogo. 

E ter-te saudades num bar qualquer, rodeado de velhos que não projectam sombra. 

E usar de porta-copos um relógio. 

E desenhar ondas com sementes de abóbora. 

E em seguida, chorar numa casa de banho sem porta. 

E secar-me com a toalha que eu mesmo passei a ferro. 

 

E depois voltar ao balcão com cara de domingo, e pedir outra cerveja para mim e um gin tónico para essa mulher, a da cara de segunda-feira, a mesma que não parou de me olhar desde que entrei, ou entrou ela, não me recordo bem. 

Que a mulher se acerque e se sente a meu lado. 

Que me agradeça a bebida e de seguida acrescente: 

- Advirto-te que não sou puta. 

- Advirto-te que eu também. 

Com isto digo-te que podes estar tranquila. 


 

No final da noite ninguém fez amor com ninguém. 

Só acabámos trepando no assento traseiro do meu táxi, cada qual imerso no seu próprio orgasmo. 

Ela, para se excitar, arranhava a sua própria cara. 

Eu necessitei acariciar os estofos. 

Tenho-te saudades, já o sabes. 

Poderias ter sido tu, mas não queres. 

Eu não tenho a culpa de outros mundos.
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segunda-feira, julho 08, 2013

- Marinheiro desempregado procura sereias no fundo do bar !

IDEAIS

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Estimados terráqueos, lunáticos e marcianos. 

Minha estimada Beatriz. 

Dizem que ninguém procura o seu par, mas sim que o encontra. 

Seja qual for o caso e se está errada esta afirmação, a ver se me ajudas na busca porque isto está cada vez mais complicado. 

Isto sim, sem qualquer tipo de pressas, já que qualquer um está bem. 

Dou-te algumas pistas: 
nem feia nem bonita, nem gorda nem magra, nem loira nem morena. 

Que não fume (pelos meus traumas!). 

Que beba com moderação, não mais do que sete cervejas ao dia. 

Nem muito esperta, nem muito burra, mas que seja livre, crítica e sensual (este último é imprescindível, devido a que a vida já de si é excessivamente séria para ter que aguentar uma chata o resto da vida). 


Se estudou antropologia em vez de engenharia, teremos mais coisas em comum, mas aceito qualquer coisa desde que saiba que, Picasso foi um pintor e o bandolim, um instrumento musical e não um habitante duma qualquer região remota chinesa. 

Se não come carne, nem carcaças, nem gosta do canibalismo ou da antropofagia, pois melhor, mas se é assim, a coisa põe-se chunga. 

Ao menos, digo eu, teremos algum assunto para discutir: ou eu a convenço do bem que faz á saúde uma dieta á base de cenouras, ou ela me convence do requinte de um melão com presunto.


Enfim, a mulher ideal teria que ser mulher, não uma dessas que se disfarçam na pele de mulher e depois comportam-se como um macho árabe. 

Não é que tenha nada contra os machos, mas a cada qual o que lhe toque por natureza. 

E outra coisa é imprescindível: que goste de olhar o infinito. 

Estou cansado das mulheres que passam o dia a olhar para o umbigo, pensando que são as mais estupendas do mundo e acreditando que por serem bonitas, são as mais afortunadas no mundo d@s fei@s. 


Se olham para o infinito são capazes de superar os seus problemas egóicos e de passagem explorar outras realidades, o que é afortunado porque a vida apresenta-se cheia de aventuras e distracções amáveis. 

No fim, creio que peço o impossível e por isso, à laia de conclusão mais realista, é que continue como estou até que um deus ou um demónio queira operar algum milagre…
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domingo, julho 07, 2013

Mulher despeitada no meu táxi: - O meu marido é cego, por isso escrevo-lhe a lista de compras numa folha de lixa !

ÍMPETOS...

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EMMA SHAPPLIN – NOTHING WRONG


Num desses momentos porosos de tua empedernida vida procuras, ou deixas-te encontrar por alguém de quem só conheces matizes, a sua foto de perfil no Twitter, mensagens privadas e acreditas ou necessitas acreditar que há algo mais para lá dela, que necessitas interpretar como teu, como uma parte nova ou adormecida, ou mesmo indescritível de ti, talvez crucial, que modificará a tua vida. 

Milhares de mensagens privadas após a primeira mensagem pública decides e ela também decide, parar, encontrarem-se, colocarem-se cara a cara, olfacto a olfacto, gosto a gosto: por fim chega o pânico do primeiro impacto visual, esses recentes primeiros dois beijos e o sentar-se no teu táxi, mesmo a teu lado. 

Sorris, arrancas o táxi e então ela começa a falar, tu também falas e sublinham as palavras como dois perfeitos conhecidos. 


A engrenagem rola melhor que no melhor dos ensaios, maravilhosa sinergia que notas e necessitas voltar a notar nela, ainda que não consigas interpretar até que ponto, (isso nunca se sabe, pelo menos no primeiro encontro que acreditas importante, com ela não é urgente a urgência). 

Decides o mesmo destino dela: torrentes de cerveja, conversa e milhares de desculpas para brindar. 

Conta-te e tu também contas, passados líricos, derrubas os teus próprios muros, cego pelo peso atroz do instante. 

Não é o álcool que te empurra: são os seus olhos. 

De tanto negar a passagem do tempo, fechais a esplanada (*). 

E queres mais. 

E, em seguida, caminhando ao seu lado, também queres interpretar que ela também quer o mesmo, ou mais, que tu. 
 

É complexo decifrar a linguagem muda de quem agora desejas que seja uma parte generosa de ti, ou tu uma costela mais do seu esqueleto, como dois “Adãos” ante a atónita Eva. 

Aqui não actuas como o mórbido náufrago que nada tem a perder, porque nada te importa. 

Aqui e agora arriscas e isso nubla e limita os teus desejos. 

É o medo de não ser correspondido. 

Ao despedires-te dela dás-lhe um leve abraço que nem tempo dá para senti-lo. 

Depois um casto beijo na bochecha e ela vai… 

Imaginas-te um ponto suspensivo por cada passo que dá a caminho de sua casa. 

Queres muito mais do que tudo isto, mas não saberás como dizê-lo.


(*) Talvez não seja propriamente uma boa escolha a traseira de um táxi para começar o contacto, demasiado pequena, demasiado hermética, sem possibilidade de perspectivas para desfrutar dos primeiros olhares. 

Mas sem dúvida que poderá não ser um mau sítio para depois dos copos, suficientemente pequeno e recatado para um primeiro beijo.
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