terça-feira, novembro 26, 2013
CHAMEM-ME PUTA!!!
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O “CORTE NAS MORDOMIAS E SUBVENÇÕES DOS POLÍTICOS DEIXA DE TER EM CONTA
PATRIMÓNIO MOBILIÁRIO”, FOI MAIS UM GOLPE PALACIANO, POIS AS HORDAS SALAFRÁRIAS DE BISBÓRRIAS, SAFARDANAS, TROCA-TINTAS, BORRA-BOTAS, CHULOS, BILTRES VÃO PROSSEGUIR E CONTINUAR A MAMAR NAS TETAS DOS QUE PRODUZEM E SÃO SISTEMATICAMENTE ESPOLIADOS COM O EPÍTETO DE CONTRIBUINTES.
E
MORAM TODOS NA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA… E EM IMEDIAÇÕES CORRELATIVAS.
MAIS VALIA CHAMAREM-NOS PUTAS,
JÁ QUE PASSAMOS A VIDA A SUSTENTAR OS CHULOS.
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terça-feira, outubro 22, 2013
VACUIDADE
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Toda
a palavra mal dita deveria ser silêncio, tal e qual como o ruído.
Entre dois que
não se falam, há um espesso silêncio de que ambos são donos, ou algum ou nenhum
deles.
O nada é parecido mas não é silêncio.
O silêncio é o substituto da acção
e, a palavra, substituta forçada e confusa em todos aqueles momentos que temos
de ir lá acudir na falta de melhores argumentos.
Ir-se-ão os amantes, os
irmãos, os colegas, os amigos… e permanecerá o silêncio ali abandonado, preenchendo o espaço de
tudo o que poderia ou deveria ser dito e ninguém se apreçou para se pronunciar.
De que enches tu o teu silêncio, de que permitirás que se encha ou se impregne;
de indiferença, de fastio, censura, renúncia ou desconcerto, de esperança, de
ilusão…, de esquecimento…?
O silêncio mais amável é aquele que se anuncia, que
de alguma maneira se solicita àquele ou aqueles que permanecem atentos a ti e
ás tuas palavras.
O prelúdio de um discurso arrebatado, ocupa-te o teu tempo.
Se me voltas as costas levas o silêncio, não o quero aqui comigo.
Quem outorga
e quem cala?
Que parte me darás a mim do teu silêncio que chega a parecer-se
tanto àquele a quem não sabe quem és, nem de que cor é a tua voz porque nunca
te escutou?
Ou é apenas para mim?,
Que detalhe, meu amigo.
Pior é o silêncio no
que se apetrecha o
que não quer escutar diga-se o que se diga e ocorra o que ocorra.
Fala-me ou
escuta-me, saiamos deste silêncio.
Salvo
se te interessam mais as suas palavras do que as minhas.
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segunda-feira, outubro 14, 2013
DUPLO
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Jacinto não disse nada a ninguém que tinha ficado sem
trabalho.
Nem sequer à sua mulher, nem ao seu filho Tomás.
Está bem que não teve
qualquer culpa de que a empresa decidisse prescindir de todo o departamento,
mas não podia evitar sentir-se de certo modo culpado, fracassado e tinha
vergonha em reconhecê-lo.
Por isso, depois do despedimento consumado, Jacinto
continuou a sair de casa á mesma hora, com o seu fato e gravata, ainda que no
lugar de ir para o trabalho, saía a procurá-lo em segredo, enviava currículos, ia
a entrevistas.
Jacinto passou semanas desesperado para conseguir continuar a
ocultar a sua situação enquanto aguardava um contacto de uma qualquer empresa
ou um telefonema.
Mas um dia tocou-lhe
ir a uma reunião de pais de alunos no colégio do seu filho Tomás e, conversando
com eles, escutou uma das mães anunciar o aniversário de seu filho e também que
andava à procura de um palhaço para animar a festa, e se por acaso alguém
conhecia algum.
Sem pensar sequer, Jacinto apaziguou a ânsia, saltou como uma
mola e disse que sim, que conhecia um palhaço e além disso até lhe deu um
número de telefone, o mesmo número de telemóvel que ele usava em segredo para
procurar trabalho.
O próprio Jacinto far-se-ia passar por um palhaço procurando,
isso sim, que ninguém o reconhecesse.
Na manhã seguinte, a mulher telefonou-lhe
e acordaram um preço; Jacinto comprou um disfarce, uma peruca, um nariz de
palhaço, pinturas e balões coloridos.
Nunca tinha exercido de clown, mas a
necessidade levou-o a actuar tão bem, teve tanto êxito naquela primeira festa
de anos que, imediatamente se espalhou a fama e Jacinto acabou a actuar cada
vez em mais festas, sempre oculto atrás do seu disfarce, modificando a voz e
sem que ninguém, nem sequer a sua mulher e o seu filho chegassem a suspeitar.
O que não esperava é que a sua própria mulher acabasse por decidir também contratar
aquele palhaço de que tanto tinha ouvido falar para a festa de anos do seu
filho Tomás.
Como negar um palhaço ao nosso filho, acrescentou.
Assim, na tarde
do dia de anos do seu próprio filho, Jacinto saiu de casa como sempre, com o
seu traje de fato e gravata, mas desta vez apanhou o meu táxi e pediu-me algo
insólito: que desse umas voltas durante dez minutos para depois deixá-lo no
mesmo portal.
Queria um lugar para trocar a roupa e pintar-se de palhaço sem
que ninguém o visse e no seu portal toda a gente o conhecia e mal tinha tempo,
por isso pensou usar um táxi, tal e qual como o Superman usava cabinas telefónicas.
Durante o trajecto, à medida que tirava o disfarce da maleta e se despia,
foi-me contando a sua história.
Depois, pintando a cara de palhaço enquanto eu
lhe segurava um pequeno espelho, confessou-me o medo que tinha do seu próprio
filho acabasse por reconhecê-lo.
Imaginei aquele cenário.
O pai alegrando a
festa de anos do seu próprio filho e entretanto a criança dizer:
- “Tudo é
perfeito.
Mas é pena que o papá tivesse que ir trabalhar e perder isto”.
E
Jacinto, claro, aguentando as lágrimas para não deitar a perder a maquilhagem.
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sexta-feira, outubro 11, 2013
CONVITE AO SUICÍDIO
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Confesso
que entre as minhas muitíssimas carências está a de não perceber patavina e não
fazer a mínima ideia de cirílico (?), assim, tive de me socorrer de um amigo
para que me traduzisse a notícia que me chegou (há uns diasitos) depois de
receber uma impressionante foto.
E muito mais impressionado fiquei ainda quando me inteirei da mensagem.
É uma
campanha do banco russo Tinkoff, dirigida a clientes maus pagadores, na qual se
lhes diz, explicitamente o seguinte:
- “Não vês saída?
O banco está disposto a
oferecer-te uma solução para o problema”.
A mensagem vai acompanhada de uma
imagem em que um boneco desenhado num dedo se suicida com um tiro na cabeça.
Claro como água, não é ?
A notícia foi publicada num diário russo de nome impronunciável,
que recolheu a informação de, Viatcheslav Abramchukov, um jovem
destinatário de uma dessas aterradoras cartas que o Banco Tinkoff envia aos
seus clientes com problemas de pagamentos.
Viatcheslav pagou durante ano e
meio um empréstimo, mas teve que deixar de pagar face aos altíssimos juros que
o estavam a afogar (devia tê-lo pensado antes).
O jovem ficou petrificado e
telefonou de imediato para o número que indicava a mensagem para tratar de
arranjar solução para a sua situação e para conhecer “o motivo porque enviam estas cartas à gente”.
A única resposta que
recebeu é que “enviamo-las a todos os
clientes devedores”.
O diário russo seguiu a pista e perguntou directamente
ao banco os motivos da campanha:
- “É uma
das formas com que trabalhamos para chegar aos clientes que não pagam e
deliberadamente não entram em contacto connosco”, afirmam a partir do do
banco Tinkoff.
Segundo eles, a intenção da entidade financeira é justamente a
contrária à que se pode interpretar à primeira vista.
- “Queremos dizer-lhes que ter uma dívida não é um problema grave e que
não faz falta suicidar-se, mas que se pode renegociar a importância em divida
se nos contactarem”.
Tomai lá psicologia inversa !
Estou quase a preferir que
me persiga o cobrador de fraque ou que me enviem um tipo disfarçado de monge ou
de Becas da Rua Sésamo.
A explicação do banco, não há dúvida, não convenceu
Viatcheslav, que apresentou uma queixa em tribunal por incitamento ao suicídio.
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domingo, setembro 29, 2013
AMOR E DESAMOR (Parte II
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... CONTINUAÇÃO
Se do amor o fruto não é o amor, será
digno ainda, chamar-lhe amor.
Creio que não, mas não façam caso.
Quem consultaremos sobre isto?
Um que tenha amado muito?
A outro que o tenham amado muito?
A dois que se tivessem amado reciprocamente com o mesmo amor?,
Será isto possível?
Ou cada um com a seu, será possível também?
Que bagunçada.
Amo-te a ti?
O que tu és, o que tu supões, o que tu queres (ainda que não coincida do todo com o que quero eu ou com o que queria antes de te querer) ou o que amo é o amor que me tens, ou o que geras em mim, ou o que em mim se gera por tua causa (às vezes sem teu conhecimento)?
Ou como me faz sentir amar-te e ter-te perto ou dentro da minha mente, das minhas entranhas, do meu ambiente, do meu mundo, das minhas ilusões e projectos, dos meus domínios, de mim simplesmente (e refiro-me a mim simplesmente).
Chegamos a misturar-nos tu e eu ou só a estar bem perto?
Quem envolveu a quem, quem convenceu o outro, quem imitará o outro, dobrar-se-á ao outro?
Ou já não se sabe quem é quem, porque nenhum é como era: é ele e o outro, o outro e ele, outro ser, novo, diferente, bem maior, a fusão dos dois em porções que se os partisses continuariam a ser isso, dois em estado de “estarem a amar-se”.
Não revejo em ti agora que estamos longe, mau negócio.
Não sabes explicar quem sou, não te surpreendes fazendo-o, não encontras como, ou não lhe vês a utilidade.
É porque já não estou aí, o teu amor morreu, o teu amor por mim ou o que isso fosse, o amor morreu e eu com ele.
Descanse em paz.
Creio que não, mas não façam caso.
Quem consultaremos sobre isto?
Um que tenha amado muito?
A outro que o tenham amado muito?
A dois que se tivessem amado reciprocamente com o mesmo amor?,
Será isto possível?
Ou cada um com a seu, será possível também?
Que bagunçada.
Amo-te a ti?
O que tu és, o que tu supões, o que tu queres (ainda que não coincida do todo com o que quero eu ou com o que queria antes de te querer) ou o que amo é o amor que me tens, ou o que geras em mim, ou o que em mim se gera por tua causa (às vezes sem teu conhecimento)?
Ou como me faz sentir amar-te e ter-te perto ou dentro da minha mente, das minhas entranhas, do meu ambiente, do meu mundo, das minhas ilusões e projectos, dos meus domínios, de mim simplesmente (e refiro-me a mim simplesmente).
Chegamos a misturar-nos tu e eu ou só a estar bem perto?
Quem envolveu a quem, quem convenceu o outro, quem imitará o outro, dobrar-se-á ao outro?
Ou já não se sabe quem é quem, porque nenhum é como era: é ele e o outro, o outro e ele, outro ser, novo, diferente, bem maior, a fusão dos dois em porções que se os partisses continuariam a ser isso, dois em estado de “estarem a amar-se”.
Não revejo em ti agora que estamos longe, mau negócio.
Não sabes explicar quem sou, não te surpreendes fazendo-o, não encontras como, ou não lhe vês a utilidade.
É porque já não estou aí, o teu amor morreu, o teu amor por mim ou o que isso fosse, o amor morreu e eu com ele.
Descanse em paz.
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