O VIDEIRINHO

quinta-feira, julho 18, 2013

TERAPIAS ALTERNATIVAS



Asseguram que ver mulheres nuas estimula a inteligência do homem. 

Há estudos científicos que fazem com que a vida seja verdadeiramente maravilhosa. 

E não me refiro à investigação para a cura de algumas enfermidades cujos paladinos já têm o seu suficiente reconhecimento cada ano nos Prémios Nobel

Falo de trabalhos em laboratório que nos arrancam um sorriso, que tem muito mérito num mundo em depressão. 

Há uns anos atrás tivemos notícias de que “olhar durante dez minutos as mamas de uma mulher pode prolongar a vida dos homens em cinco anos”, (segundo um estudo alemão do Dr. Karen Weatherby, publicado no New England Journal of Medicine, depois de uma pesquisa de mais de seis anos em hospitais de Frankfurt. 
Eu tinha a certeza que não sou tarado e que existia uma explicação… preocupo-me é com a minha saúde). 

O que justifica como que uma luta pela sobrevivência, a fixação que alguns (quase todos) têm por essa parte da anatomia feminina


Agora chega o que podemos chamar a evolução desse estudo. 
Se olhar mamas prolonga a vida, olhar mulheres completamente nuas, estimula a inteligência. 
Simmmmmmmm!!! 
O estudo foi realizado por pesquisadores da Universidade de Tempere, (Finlândia), publicado na revista Excélsior, sob a direcção do Dr. Jari K. Hietanen, que deve ser um guru do assunto. 
Pelos vistos, a nudez é detectada com rapidez durante o processo visual, estimulando a onda cerebral occipito-temporal N170, de modo que o cérebro tende a aumentar a sua capacidade de processamento.


A investigação foi levado a cabo com indivíduos de ambos os sexos, aos quais mostraram imagens de homens e mulheres nus. 

O resultado concluiu que o cérebro masculino reage com maior determinação a este estímulo visual, o que segundo Hietanen, contribui para assegurar o acasalamento e reprodução (não acham que é óbvio?). 

Esta última conclusão não parece demasiado brilhante. 

Desde já asseguro que não sou um expert na matéria (com muita pena minha) e que acabo de fazer um estudo via whatsApp entre vários dos meus amigos, que ver mulheres nuas facilita o acasalamento. 

E sem necessidade de gastar balúrdios de dinheiro.
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sexta-feira, julho 12, 2013



- Por vezes Cupido aponta ás entrepernas !


FORNICAR

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Seguramente que o sexo é o mais sobrevalorizado da história da humanidade. 

Nem há, como disse Freud, uma explicação sexual da história nem é razoável que a maior diversão ou sistema de lazer a que um homem possa aspirar seja o fornicar (ou seja, a fod*r, a “quecar”). 
("Quecar - acto de fazer amor de forma mais selvagem do que a anterior”).

Fornicar é mais uma necessidade fisiológica, vamos divertir-nos fazendo-a, mas sem exagerar. 

É apanágio de países pobres e de gente sem recursos passar no dia fornicando. 

Claro. 

Como não podem ir ao restaurante, pois... “fornicam”. 

É o que se passa em África, que ao cair o sol, como nada há, nem TV para ver imbecilidades, pois vinga o fod*r, digo, “quecar”, digo, fornicar. 


 Homem a quem lhe saiu o Euro milhões

E todos os dias o mesmo. 

E todos os dias da mesma maneira. 

Porque para cima ou para baixo, o sexo é sempre a mesma coisa e acaba a fazer-se da mesma maneira. 

Podemos ser melhores. 

Podemos sair para jantar e depois ir tomar uns copázios num bar qualquer e, depois ler um pouco antes de nos deitarmos em lugar de nos refastelarmos como animais. 

Podemos fazê-lo um pouco melhor, que a nossa vida gire em torno de conceitos mais interessantes e de aspirações mais altas. 

Podemos dar bastante mais de nós e não estar todo o dia dependente da braguilha, cometendo loucuras por culpa dessa braguilha com essa total vulgaridade com que costumam fazer as pessoas obcecadas pelo sexo. 

 
Se há que fazer sexo, que se faça. 

Mas sem alto-falantes nem metáforas, sem dar-lhe mais importância nem pensar que é a cúspide de nada. 

Há formas bem mais interessantes, limpas e educadas de dar amor. 

Fod*r, “Quecar” ou fornicar, é de pobres, em todos os sentidos pobres. 

Pobres porque não possuem recursos para praticar outro ócio e aí estão, condenados a fod*r, digo “quecar”, digo, fornicar como pobres; e pobres por não possuírem mais imaginação nem bom gosto que esse brincar introdutório sem nenhum tipo de sentido.
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quarta-feira, julho 10, 2013

OUTROS MUNDOS

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À minha volta, o mundo expande-se e a mim faltam-me as calças. 

É frustrante a barba, os cabelos brancos, a vista cansada, o tacto rectal de um urólogo. 

E ter-te saudades num bar qualquer, rodeado de velhos que não projectam sombra. 

E usar de porta-copos um relógio. 

E desenhar ondas com sementes de abóbora. 

E em seguida, chorar numa casa de banho sem porta. 

E secar-me com a toalha que eu mesmo passei a ferro. 

 

E depois voltar ao balcão com cara de domingo, e pedir outra cerveja para mim e um gin tónico para essa mulher, a da cara de segunda-feira, a mesma que não parou de me olhar desde que entrei, ou entrou ela, não me recordo bem. 

Que a mulher se acerque e se sente a meu lado. 

Que me agradeça a bebida e de seguida acrescente: 

- Advirto-te que não sou puta. 

- Advirto-te que eu também. 

Com isto digo-te que podes estar tranquila. 


 

No final da noite ninguém fez amor com ninguém. 

Só acabámos trepando no assento traseiro do meu táxi, cada qual imerso no seu próprio orgasmo. 

Ela, para se excitar, arranhava a sua própria cara. 

Eu necessitei acariciar os estofos. 

Tenho-te saudades, já o sabes. 

Poderias ter sido tu, mas não queres. 

Eu não tenho a culpa de outros mundos.
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segunda-feira, julho 08, 2013

- Marinheiro desempregado procura sereias no fundo do bar !

IDEAIS

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Estimados terráqueos, lunáticos e marcianos. 

Minha estimada Beatriz. 

Dizem que ninguém procura o seu par, mas sim que o encontra. 

Seja qual for o caso e se está errada esta afirmação, a ver se me ajudas na busca porque isto está cada vez mais complicado. 

Isto sim, sem qualquer tipo de pressas, já que qualquer um está bem. 

Dou-te algumas pistas: 
nem feia nem bonita, nem gorda nem magra, nem loira nem morena. 

Que não fume (pelos meus traumas!). 

Que beba com moderação, não mais do que sete cervejas ao dia. 

Nem muito esperta, nem muito burra, mas que seja livre, crítica e sensual (este último é imprescindível, devido a que a vida já de si é excessivamente séria para ter que aguentar uma chata o resto da vida). 


Se estudou antropologia em vez de engenharia, teremos mais coisas em comum, mas aceito qualquer coisa desde que saiba que, Picasso foi um pintor e o bandolim, um instrumento musical e não um habitante duma qualquer região remota chinesa. 

Se não come carne, nem carcaças, nem gosta do canibalismo ou da antropofagia, pois melhor, mas se é assim, a coisa põe-se chunga. 

Ao menos, digo eu, teremos algum assunto para discutir: ou eu a convenço do bem que faz á saúde uma dieta á base de cenouras, ou ela me convence do requinte de um melão com presunto.


Enfim, a mulher ideal teria que ser mulher, não uma dessas que se disfarçam na pele de mulher e depois comportam-se como um macho árabe. 

Não é que tenha nada contra os machos, mas a cada qual o que lhe toque por natureza. 

E outra coisa é imprescindível: que goste de olhar o infinito. 

Estou cansado das mulheres que passam o dia a olhar para o umbigo, pensando que são as mais estupendas do mundo e acreditando que por serem bonitas, são as mais afortunadas no mundo d@s fei@s. 


Se olham para o infinito são capazes de superar os seus problemas egóicos e de passagem explorar outras realidades, o que é afortunado porque a vida apresenta-se cheia de aventuras e distracções amáveis. 

No fim, creio que peço o impossível e por isso, à laia de conclusão mais realista, é que continue como estou até que um deus ou um demónio queira operar algum milagre…
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domingo, julho 07, 2013

Mulher despeitada no meu táxi: - O meu marido é cego, por isso escrevo-lhe a lista de compras numa folha de lixa !

ÍMPETOS...

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EMMA SHAPPLIN – NOTHING WRONG


Num desses momentos porosos de tua empedernida vida procuras, ou deixas-te encontrar por alguém de quem só conheces matizes, a sua foto de perfil no Twitter, mensagens privadas e acreditas ou necessitas acreditar que há algo mais para lá dela, que necessitas interpretar como teu, como uma parte nova ou adormecida, ou mesmo indescritível de ti, talvez crucial, que modificará a tua vida. 

Milhares de mensagens privadas após a primeira mensagem pública decides e ela também decide, parar, encontrarem-se, colocarem-se cara a cara, olfacto a olfacto, gosto a gosto: por fim chega o pânico do primeiro impacto visual, esses recentes primeiros dois beijos e o sentar-se no teu táxi, mesmo a teu lado. 

Sorris, arrancas o táxi e então ela começa a falar, tu também falas e sublinham as palavras como dois perfeitos conhecidos. 


A engrenagem rola melhor que no melhor dos ensaios, maravilhosa sinergia que notas e necessitas voltar a notar nela, ainda que não consigas interpretar até que ponto, (isso nunca se sabe, pelo menos no primeiro encontro que acreditas importante, com ela não é urgente a urgência). 

Decides o mesmo destino dela: torrentes de cerveja, conversa e milhares de desculpas para brindar. 

Conta-te e tu também contas, passados líricos, derrubas os teus próprios muros, cego pelo peso atroz do instante. 

Não é o álcool que te empurra: são os seus olhos. 

De tanto negar a passagem do tempo, fechais a esplanada (*). 

E queres mais. 

E, em seguida, caminhando ao seu lado, também queres interpretar que ela também quer o mesmo, ou mais, que tu. 
 

É complexo decifrar a linguagem muda de quem agora desejas que seja uma parte generosa de ti, ou tu uma costela mais do seu esqueleto, como dois “Adãos” ante a atónita Eva. 

Aqui não actuas como o mórbido náufrago que nada tem a perder, porque nada te importa. 

Aqui e agora arriscas e isso nubla e limita os teus desejos. 

É o medo de não ser correspondido. 

Ao despedires-te dela dás-lhe um leve abraço que nem tempo dá para senti-lo. 

Depois um casto beijo na bochecha e ela vai… 

Imaginas-te um ponto suspensivo por cada passo que dá a caminho de sua casa. 

Queres muito mais do que tudo isto, mas não saberás como dizê-lo.


(*) Talvez não seja propriamente uma boa escolha a traseira de um táxi para começar o contacto, demasiado pequena, demasiado hermética, sem possibilidade de perspectivas para desfrutar dos primeiros olhares. 

Mas sem dúvida que poderá não ser um mau sítio para depois dos copos, suficientemente pequeno e recatado para um primeiro beijo.
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sábado, julho 06, 2013

- Sou um autor com mais de um milhão de livros não vendidos !


AS PALAVRAS MATAM???

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Consciente do fim do engano e dos males do tabaco, decidi de forma definitiva deixar de fazê-lo, conseguindo que a minha mente se molde aos meus desejos em (quase) todos os momentos da minha rotina: já não me custa não fumar no meu táxi, nem depois das refeições, nem nos bares, nem quando entretanto leio um bom livro, nem depois de uma boa (ou até, má) queca. 

Foi só questão de entender que o tabaco não melhora quotidianamente a minha vida, as minhas relações sociais antes pelo contrário: míngua a minha saúde, a minha economia e a confiança em mim mesmo. 

Tudo o que disse funciona para tudo, excepto quando escrevo algumas patacoadas por aí. 


Aí olvido-me desta minha nova faceta (nova só agora, que na vida real tem mais de vinte anos) livre de fumos e de acender um cigarrito atrás de outro sem ser consciente do que aspiro, pese o bem que ele me inspirou a escrever o que eu aspiro. 

Quando escrevo torno-me esquizofrénico. 

O tempo não passa e já pode tremer o solo num grau 9,9 (escala de Richter) que pensarei que fui eu, com a força sísmica de minhas palavras. 

Nesse intervalo desbordo-me e não passo cartão a nada. 

Agora, não sei quantas horas depois da minha primeira letra, quando regressar ao frio solo dos vivos, observo o cinzeiro a abarrotar e interrogo-me quem terá fumado isso (incluso olho ao meu redor, assustado, como se alguém que não vi o fumou por mim). 


Então, agora, por causa desse meu nobre afã por deixar de fumar, em lugar de um, sou dois: o orgulhoso não fumador e o escriba que fuma como uma chaminé (nunca entendi esta expressão: fumar como uma chaminé). 

Sei que se deixasse de escrever também deixaria de fumar, mas antes morto que seco em palavras. 

Tomara eu encontrar uma alternativa para continuar a escrever sem fumar. 

Aceito soluções; há alguma ideia?
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quinta-feira, julho 04, 2013

- Nem no dia da minha autópsia saberão o que levo cá dentro !

AUTOPSIAR

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A grandiloquência faz crer a mais de um que, para apelidar as coisas, não basta com uma palavra. 

Quando num acidente de automóvel morre algum dos seus ocupantes, pode ser que, dada a gravidade do embate, o morto fique encarcerado entre uma amálgama de ferros. 

Os bombeiros deverão aplicar-se a fundo para extrair a vítima. 

Uma vez o delegado de saúde dê a indicação ao levantamento do corpo sem vida do viajante, será levado para a morgue e ali os médicos legistas praticarão a autópsia do cadáver. 

Aristóteles na Grécia e Cícero em Roma elevaram a retórica à categoria de ciência. 

Nascida no tempo dos sofistas, essa teoria viveu os seus momentos de esplendor e glória nos tempos antigos. 

Hoje, a “arte de bem dizer, de dar à linguagem escrita ou falada eficácia bastante para deleitar, persuadir ou comover” também adquiriu outros significados depreciativos, a partir de, fazer um “uso impróprio e intempestivo” da retórica, segundo define o dicionário académico.
 

O exercício do jornalismo, seja oral ou escrito, acarreta boas doses de retórica: doses positivas, que convertem o jornalismo em arte e doses negativas, quando se faz um mau uso das palavras. 

A grandiloquência faz acreditar a mais do que um, que para apelidar as coisas, uma palavra não é suficiente: melhor duas… três ou quatro e adicionar adjectivos e sintagmas preposicionais aos substantivos, para dar brilho ou “armar-se aos cucos” acreditando ser melhor orador que o do nariz de grão-de-bico. 

Erro crasso, claro, quando não se tem um bom conhecimento da língua. 

Porque a retórica torna-se oca e aparecem as redundâncias como setas (cogumelos) em Outono húmido. 

A redundância que é sinónimo do pleonasmo, é o excesso de palavras para dizer a mesma coisa.


Em determinadas ocasiões, a redundância pode ser expressiva ou enfática: “Disse-mo com as suas próprias palavras”, onde as suas próprias palavras se estão a referir à mesma pessoa. 

Estas redundâncias são a parte boa da retórica, a que – como o miúdo que grita que o rei vai nu – consegue que ao pretenso bom orador se lhe descubra a careca. 

No primeiro parágrafo, há uma mudança do significado de falecido: antes era o que morria de velho ou desfalecido por uma doença, agora até o é o morto em acidentes, que não desfaleceu nem no momento de morrer. 

E logo aparecem as redundâncias imperdoáveis: quando os bombeiros “sacam” um corpo, costuma estar sem vida, porque se está vivo, já não falaríamos de um corpo. 

E ao que lhe fazem a autópsia, sorte que é um cadáver, porque se não o fosse, quiçá sairia correndo ao ver o bisturi. 
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