domingo, março 30, 2014
REFLEXÕES
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ADVERTÊNCIA:
O conteúdo deste post é uma “estupidice” saída de uma mente enferma; inibam-se
pessoas sensíveis ou moralmente corteses.
A seguir exporei um desses exemplos
hipotéticos, perfeitos para perguntar aos teus amigos e fazê-los reflexionar
sobre despautérios que certamente, nunca chegarão a acontecer.
É uma estupidez, mas
pelo menos será mais original de que o típico: “Quais a três coisas que te levariam
para uma ilha deserta?”
O caso é o seguinte:
A tua parceira, num único deslize
que, segundo assegura, “não voltará a repetir-se”, fica contagiada com o vírus
do SIDA.
Num rebate de consciência, de culpa e abatimento moral, decide
confessar-to para aliviar o seu ónus e suplica o teu perdão.
Conta-te que a infidelidade
ocorreu numa noite de copos, com uma prostituta que convidou um amigo… o
típico, já sabes.
A questão é a seguinte:
Perdoar-lhe-ias?
NÃO, porque…
1 – És um
filho da p*uta.
2 – Tem SIDA.
3 – És um filho da p*ta.
Ou SIM porque…
1- És um
filho da p*ta, mas sincero.
2 - Tem SIDA.
Façam as vossas escolhas e argumentem
ou, melhor ainda, experimentem-no na vida real, para ver o que sucede!
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sábado, março 29, 2014
COPOS, GALANTEIO E SEXO
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E mesmo sem querer, tudo acaba girando em redor do sexo.
Mortificas-te
no ginásio para que as “garinas” se fixem em ti.
Gastas balúrdios em roupa
para que as “garinas” se fixem em ti.
Vais para os copos para que as
“garinas” se fixem em ti.
Trabalhas para pagares o ginásio, as roupas, os copos e assim, de certo modo, também trabalhas para que as “garinas” se fixem em ti.
E os copos, o beber, é
a tua forma de afogar essa timidez congénita.
Cada sábado sais com o teu grupo
de amigos e ao terceiro JB no boteco de sempre, acercas-te de uma qualquer “garina”
que se coloque a jeito e tentas entabular uma conversa jovial e sorris, porque
sabes que essas covinhas as põem loucas.
Só ás vezes é que a “garina” se deixa
levar e acaba sucumbindo e tu acercas-te e beija-la.
E ás vezes, quando o
“amasso” sabe a pouco e vive só, num andar compartido, convida-te para que
subas.
E pode dar-se o caso de aplicares o teu arsenal de fantasias, dás-lhe duas
ou três quecas mercenárias sem a olhares nos olhos e, quando ela adormece,
partes.
Sais a porta e procuras um táxi.
Pode ser o meu.
Pode ser o meu.
E agora, a
partir do assento traseiro, sorris e, volta e meia, franzes o sobrolho.
Recordas com todos os detalhes o bonito que foi o processo com esta fulana cujo
nome não te recordas.
Outro novo triunfo na vida sexual de Charlie Harper,
pensas.
Mas rapidamente chega o vazio: e agora fazer o quê?
Partir para outra?
E o que me trará a seguinte?
Mais do mesmo?
Copos, galanteio e sexo.
Copos,
galanteio e sexo.
A loira de há um par de semanas, a de cabelo curtinho do mês
passado, a morena de há apenas dez minutos.
Colecção de experiências sexuais.
Metê-la
num sem fim de buracos sem alma, metê-la no nada uma e outra vez, zero + zero + zero.
Trabalhas para pagares o ginásio, para pagares a roupa, para pagares os copos, só com a única intenção de somar zeros e depois chegas a casa dos teus pais e metes-te na cama de todo uma vida, a mesma que te viu crescer e pensas: amanhã mais do mesmo.
Só sexo consentido e sem sentido.
Só isso.
12MAI2013
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sexta-feira, março 28, 2014
DEVANEIOS
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Num
instante a sua visão tornou-se tão aguda como a de um abutre.
Escarafunchando no
lixo encontrou um par de sandálias e um chaveiro quase novo.
Deixou o chaveiro,
calçou as sandálias de salto alto, caminhou três quarteirões e deteve-se frente
a uma conhecida boutique.
Já por outras vezes tinha sentido uma estranha
comichão para estar sozinha.
Um vira-latas passou a escassos centímetros das
suas sandálias caras e brilhantes.
Decidiu-se a entrar, ainda que fosse unicamente
para ver os vestidos, casacos e chapéus de sonho.
A porta estava fechada, girou
a maçaneta, mas não pode entrar no estabelecimento; sentiu que quem a observava
através do vidro da montra, se ria dela.
Então recordou-se do chaveiro.
Voltou
atrás, mas quando regressou á boutique não havia nada, só um cão que lhe mijou
em cima.
Ela não logrou queixar-se, pois os manequins são inamovíveis.
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quarta-feira, março 26, 2014
RUPÍCOLA
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O último do clã não teve tempo para chorar a sua família.
Virando as costas ao amanhecer, voltou à gruta, afiou o sílex e com o sangue do seu peito começou a pintar nas paredes o que acabava de ver, o que tinha sentido sobre esta terra alaranjada de brilhos de vida e sombra.
O último do clã entregou o seu sangue derramado na escuridão da gruta, quando o sol já lambia, lá afora, toda a extensão do seu mundo: as planícies onde o seu pai lhe ensinou a caçar, onde a sua mãe lhe presenteou imaginação, onde brigou por um troço de carne, onde soube, sem o saber, que as nossas impressões (pegadas) são beijos que só a terra entende.
A gruta pariu, ao ver-lhe as bochechas secas, lágrimas de estalactites; e no seu frio e na sua penumbra, ele não pôde terminar de encher as paredes do que ia ser o primeiro retrato da solidão da história da arte.
Essa honra teve-a o húmido solo, que conseguiu converter o nosso homem em colapso num quadro infinito, escondido nas entranhas de um anteontem que não conseguiremos compreender em nenhum futuro (qualquer que ele seja).
Um quadro da nossa solidão, virando as costas ao amanhecer.
Virando as costas ao amanhecer, voltou à gruta, afiou o sílex e com o sangue do seu peito começou a pintar nas paredes o que acabava de ver, o que tinha sentido sobre esta terra alaranjada de brilhos de vida e sombra.
O último do clã entregou o seu sangue derramado na escuridão da gruta, quando o sol já lambia, lá afora, toda a extensão do seu mundo: as planícies onde o seu pai lhe ensinou a caçar, onde a sua mãe lhe presenteou imaginação, onde brigou por um troço de carne, onde soube, sem o saber, que as nossas impressões (pegadas) são beijos que só a terra entende.
A gruta pariu, ao ver-lhe as bochechas secas, lágrimas de estalactites; e no seu frio e na sua penumbra, ele não pôde terminar de encher as paredes do que ia ser o primeiro retrato da solidão da história da arte.
Essa honra teve-a o húmido solo, que conseguiu converter o nosso homem em colapso num quadro infinito, escondido nas entranhas de um anteontem que não conseguiremos compreender em nenhum futuro (qualquer que ele seja).
Um quadro da nossa solidão, virando as costas ao amanhecer.
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terça-feira, março 25, 2014
NUVENS INSANAS
Se volto a olhar o céu, cairá sobre todos nós.
Demasiadas nuvens, demasiado belas, demasiado perto dos nossos sótãos, dos néones do Natal.
Quase lambem os nossos cabelos.
Ameaça o céu desabar-se, parece.
Melhor não o olhar, que eu não sou Pessoa.
Logicamente.
Houve nuvens iguais no meu sonho de ontem à noite.
Só recordo, de ontem à noite, essas nuvens e o que me deram.
Cinzentas, irregulares, com toda a chuva que cabe nas suas entranhas, ou seria cor-de-rosa?.
Um sonho de nuvens que parecia uma pose ante a vida, uma declaração de intenções.
Um sonho tão meu como o despertar abrupto e acre que o acompanhou.
Porque naquelas nuvens, naquele espectáculo sem relógio sobre a minha cabeça (espectáculo ao mesmo tempo desorientado e equilibrado) me senti mais Eu, ou pelo menos, mais tranquilo e conforme com o meu Eu, mais humano, mais regurgitado e ironicamente gargalhado, menos dubitativo que neste mundo desconchavado que, ao abrir os olhos esta manhã, só me trouxe maus pensamentos, um silêncio de voz, um labirinto no meu mapa, um veneno nas minhas entranhas, uma canção em francês e um céu real que ameaça ruir e acabar com o que somos: o irreal céu de nuvens dos nossos olhos fechados.
Demasiadas nuvens, demasiado belas, demasiado perto dos nossos sótãos, dos néones do Natal.
Quase lambem os nossos cabelos.
Ameaça o céu desabar-se, parece.
Melhor não o olhar, que eu não sou Pessoa.
Logicamente.
Houve nuvens iguais no meu sonho de ontem à noite.
Só recordo, de ontem à noite, essas nuvens e o que me deram.
Cinzentas, irregulares, com toda a chuva que cabe nas suas entranhas, ou seria cor-de-rosa?.
Um sonho de nuvens que parecia uma pose ante a vida, uma declaração de intenções.
Um sonho tão meu como o despertar abrupto e acre que o acompanhou.
Porque naquelas nuvens, naquele espectáculo sem relógio sobre a minha cabeça (espectáculo ao mesmo tempo desorientado e equilibrado) me senti mais Eu, ou pelo menos, mais tranquilo e conforme com o meu Eu, mais humano, mais regurgitado e ironicamente gargalhado, menos dubitativo que neste mundo desconchavado que, ao abrir os olhos esta manhã, só me trouxe maus pensamentos, um silêncio de voz, um labirinto no meu mapa, um veneno nas minhas entranhas, uma canção em francês e um céu real que ameaça ruir e acabar com o que somos: o irreal céu de nuvens dos nossos olhos fechados.
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sábado, março 22, 2014
TOQUE DE ILUSÃO
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De quando em vez aborreço-me de ler junto à piscina, que não possuo e de tocar piano, que não sei, no salão principal, que não existe, assim sendo, desço até à catacumba que é a cave, que não há, e acomodo-me no meu sofá Chester vermelho, que é uma miragem, e delicio-me com um whisky Macallan 1946, que nunca chegarei a provar, deleitando-me com o que me proporciona um móvel: o segredo da minha vida, o que maiores alegrias me deu, este sim, um "ser vivo".
Como me tranquilizam, como me dão razão ao que sou…
Todos vivem agora, mais e melhor comigo, que quando passavam os seus anos apegados a um rosto estranho, a uma existência que não escolheram.
Onde melhor que aqui!
O cinema tem-me feito muito mal.
E é que, a qualquer pessoa com coração, pode ser frio, desagradável e condenável vê-los dançar naqueles néons de um azul celeste, com tanta elegância e dignidade, procurando nos meus olhos o que eu encontro neles: a possibilidade duma história; a que nunca tive com a mulher que nunca quis olhar-me.
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quarta-feira, março 19, 2014
REFLEXÃO
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O que sabemos do amor?
Não sabemos nada e
o que vamos aprendendo seguramente que chega o momento ou a pessoa que to
desmonta com insultante facilidade.
Com o que te custou, a ti aprender aquilo
dia a dia, “gaja”a “gaja”, experiência atrás de experiência intoxicando-te com
os pós do caminho, no caminho ou no hotelzeco do lado do caminho.
Bem, eu
queria fazer uma reflexão profunda e não vou ser capaz.
É preferível falar de
desamor.
Se a experiência é a mãe da ciência, disso saberemos todos muito, que a
maioria vai deixar de nos amar, ou desprezar-nos, ou ignorar-nos (isto pode
ser pior) que cativar o nosso ser e a sua armadura.
Desamar alguém, será como
mínimo deixar de amá-lo e tão-pouco há-ser ser uma má notícia se há amores que
matam, que os há, ainda que a pouco e pouco.
Desamor como desafecto,
desinteresse, interrupção.
Quando amavas
– que, segundo dizem os entendidos, é um estado parecido a uma doença, uma
febre ou um estado de desconexão mental transitória; bem dito está desconectado
como o acto de se meter ou de se surpreender dentro do outro, na sua vida, no seu contexto, nas suas coisas, nos
seus sentimentos e ilusões – pensavas: “onde
estará, com quem, que estará a fazer, estará bem, a pensar em mim,
escrevendo-me…?, e recordas a última vez que @ viste e a anterior e a próxima e
a viagenzita e as mini-férias…” que terno redundará se és correspondid@,
como quando dizes (ao telemóvel): “quero-te” e respondem-te “eu mais”, “eu bem mais”, “desliga
tu”, “não tu…”.
Por sorte (não acho que seja nenhuma sorte) que desenamorar-se
será sinônimo de desalienar-se, de voltar ás tuas trincheiras.
Não confundir
com o ódio, que dizem estar a um passo do amor e pode ser a mais feia das suas
caras, a paixão mas empenhada em fazer dano em lugar do bem, porque caminhas pensando
constantemente no outro mas para lhe lixares a família.
Deixemos isto para
outras núpcias.
‘Desenamoro-me’ como um verbo reflexivo porque eu mesmo o provoco?
Quiçá pudesse forçar-se como qualquer gesto ou atitude, mas o ‘desenamoramento’ mais duradouro (que é que para o que tende o desamor, ao invés do seu oposto) e de mais garantia, é o que ocorre só, mas se, sem que ninguém o ajude ou o remedie.
Já não te recordas do outro, já não te vem à cabeça, já te é igual o que esteja a fazer ou com quem; isto se não o vês, se te desenamoras enquanto convives com ele acabará mais e mais embaraçoso, porque por alguma razão, ou por muitas ou por nenhuma, já incomodar-te-á a sua presença, o seu cheiro, a sua conversa fiada, os seus peidos (se nalgum momento rompeste essa barreira da intimidade, do som e dos olores) atingindo a fase na que já não te “aquenta nem te arrefenta” – isto é grave -, nem bom nem mau – que o é tanto ou mais –“.
‘Desenamoro-me’ como um verbo reflexivo porque eu mesmo o provoco?
Quiçá pudesse forçar-se como qualquer gesto ou atitude, mas o ‘desenamoramento’ mais duradouro (que é que para o que tende o desamor, ao invés do seu oposto) e de mais garantia, é o que ocorre só, mas se, sem que ninguém o ajude ou o remedie.
Já não te recordas do outro, já não te vem à cabeça, já te é igual o que esteja a fazer ou com quem; isto se não o vês, se te desenamoras enquanto convives com ele acabará mais e mais embaraçoso, porque por alguma razão, ou por muitas ou por nenhuma, já incomodar-te-á a sua presença, o seu cheiro, a sua conversa fiada, os seus peidos (se nalgum momento rompeste essa barreira da intimidade, do som e dos olores) atingindo a fase na que já não te “aquenta nem te arrefenta” – isto é grave -, nem bom nem mau – que o é tanto ou mais –“.
E se em tudo isto não há quem o controle
ou o remedie, que somos, vítimas da casualidade, do destino, da inércia, o
capricho e a sem-razão?
Faremos o possível então para não nos apaixonarmos nunca?
Talvez o amor se desvaneça para que nos vamos apaixonando de outros se não
fôssemos capazes de amar mais do que um pouco e a um só de cada vez.
Que, para
que tudo resulte equilibrado há quem nem se apaixonou nem nunca se apaixonar-se-á
mas cruza-se com frequência com aqueles que vivem permanente apaixonados
inclusive de alguém que não sejam eles mesmos.
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