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Só Felipe
ficou para trás e, sacando de uma navalha artesanal Palaçoulo, de Trás-os-Montes,
esculpiu uma cruz no tronco do choupo mais próximo.
Fixou o olhar na casa de pedra
que se via do outro lado do rio, parecia em ruínas e estava quase coberta pela
hera, mas o ruído valetudinário que produzia, confirmou que o vetusto moinho
continuava activo.
Limpou a navalha passando-a pelas suas calças de veludo de
cor terra seca, fechou-a e dirigiu-se para o grupo.
Ao sair para a zona mais
ampla para cruzar a ponte romana de regresso, deitou uma vista de olhos para a
zona mais próxima onde uma mula grande e esforçada, conduzida por um rapaz
coberto com um chapéu de palha, dava voltas puxando uma espécie de debulhadora.
Um cão corria por perto e ladrava aos pardais que levantavam voo.
A impotência
e um laivo de raiva brilharam nos olhos de Filipe.
Sentou-se numa pedra e
apoiando a cara numa das mãos, à maneira de “O Pensador” de Auguste Rodin, foi
capaz de abstrair-se do mundo ao seu redor e reflexionar sobre a encruzilhada
em que se encontrava naquele momento, sem trabalho e sem futuro.
Não se moveu
até que tomou a decisão mais importante da sua vida: o seu casamento programado
para depois da colheita que a inundação tinha arrasado, teria que esperar.
Iria para longe, muito longe, onde pudesse começar uma nova vida.
França sempre
foi um país de oportunidades para os portugueses, por que não ir e encontrar a
sua?
Seria mais um emigrante…
(Não como o pensador, mas como o parlapatear do parlapatão que dizem ser 1º. ministro).
(Não como o pensador, mas como o parlapatear do parlapatão que dizem ser 1º. ministro).
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