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Sou ateu e estou desempregado.
Ontem e só ontem, por
curiosidade, aproximei-me da igreja da minha zona.
Em momentos de crise, dizem,
a gente busca refúgio, espera que deus faça por ele o que ele não faz enquanto
olha para o televisor sentado no sofá… porque deus proverá… e que se fo..., digo,
que se lixe!
A lotação estava completa, havia mais gente que na linha azul do
metro em hora de ponta.
Não tinha pensado entrar, mas novamente a curiosidade
venceu-me.
Será que sou gato e nasci em Lisboa, de pais lisboetas?
Misturei-me
entre o pessoal, de pé, no final do “aposento” e escutei toda a liturgia até ao
fim.
O cura falava-nos de que a culpa era nossa porque tínhamos pecado, mas que
deus pressiona mas não afoga… e para que tivesse piedade de nós devíamos rogar
ao senhor e que ele nos ouvia.
Não sei, a mim parece-me que o senhor deve estar
muito farto e surdo.
Isto sim, num determinado momento da missa pediram-nos
colaboração para com a igreja e passaram um cesto.
Umas duas pessoa por fileira
de assentos ia-o passando.
Quando chegou a mim, não pude desfazer-me de um
cêntimo.
Estou no desemprego, tenho a hipoteca e um longo percurso...
Este último
não tem nada a ver com o cesto, ou talvez até tenha.
Como sabeis estou
desempregado.
Pude observar que o cesto que me calhou estava cheio de moedas,
sujas, escuras, pequenas.
As notas escasseavam.
Deu-me a impressão que Jesus
não ficaria muito contente no final desta missa, por isso, como mais ninguém
pensou assim, todos contentes viemos em paz.
Quando saí, não senti a minha alma
mais limpa nem menos rancor à corja que nos governa.
Não, não me senti
reconfortado.
Creio que o cura se equivocava, qualquer um o poderia contrariar
mesmo contra a autoridade com que falava.
Sou da opinião de Guillermo Fesser,
"Cuando Dios aprieta, ahoga pero bien".
Intuo que comprar um cesto de vime e
passá-lo pela comunidade dos meus vizinhos, não me solucionará o futuro, ainda
que tal me permitisse comprar pão.
Mau mesmo é que não tenho cheta para comprar
pão, quanto mais um cesto de vime.
Vou voltar a enviar, resignado um par de
currículos a um par de empresas para ver que porra se passa…
Desculpem lá, mas não
sei rezar.
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