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Naquele dia chegou a casa mais cedo e encontrou a mulher na cama com o chefe…
“Ela não me pede dinheiro para nada; nem pra
comprar roupas, sapatos, joias... e anda toda bonitona, muito bem vestida e
calçada. As crianças estão num colégio dos melhores; o frigorífico está sempre cheio, transbordando
fartura; as contas de telefone, água, luz, Internet, etc., estão sempre em dia;
tenho cartão de crédito, cerveja à vontade e uísque do melhor. O tipo paga tudo:
hipotecas da casa e do carro e ainda por cima vou para a cama com ela todos os
dias...!
E, fechando a porta no maior silêncio, concluiu:
- Pensando bem, o corno aqui é ele!”
Marta
esqueceu-se de uma carta do seu amante no bolso traseiro das calças que
acabaram na máquina de lavar juntamente com a roupa do seu marido.
A lavagem e centrifugação desfizeram a carta, mas ficaram pedaços no tambor e colados à roupa.
Não foi ela, mas sim o seu próprio marido quem depois tirou a roupa da máquina para a estender a secar e encontrou, em pedacitos dessa carta, palavras soltas e esmaecidas pela lavagem, cuja caligrafia assemelhava-se muito à do director de recursos humanos do grupo hoteleiro onde trabalhava.
Num pedacito de papel leu “gostosa”, noutro, “dor profunda”, num outro, “aquela noite”, noutro, “jantar”, num outro, “aquele hotel” e ainda num outro, “outra alternativa que despedir-te”.
O marido de Marta deitou as mãos à cabeça.
Pensou que era uma carta para ele próprio.
Uma carta de despedimento.
Tudo encaixava: fazia um par de noites que tinha ido a um jantar da empresa num dos hotéis do grupo e acabou a discutir com o inútil do filho do chefe.
Mas não esperava que aquilo fosse ter consequências tão drásticas e através de uma carta.
Furioso saiu de casa, apanhou o meu táxi em direcção ao escritório.
Pelo caminho ligou ao Vasconcelos:
“- Vasconcelos?
Ouve, acabo de ler a tua carta, bem, inteira não, saquei-a meia desfeita da máquina de lavar roupa e só consegui ler algumas palavras.
Despedido, dizes?
Mas despedido como?
Olha, vou já para aí e depois contas-mo.
E sem deixar o interlocutor falar, desligou.
Na realidade Vasconcelos não o tinha despedido, simplesmente estava a atirar-se à sua mulher.
Deduzi-o por aquela breve conversa telefónica, mas também porque ao sair do táxi encontrei, colado no assento, outro desses troços de papel.
Dizia: “o sabor dos teus pés”.
Nota:
Suponho que, aproveitando-se da situação e para evitar o verdadeiro conteúdo daquela carta, Vasconcelos dir-lhe-ia que sim, que está despedido.
Agora digam-me o que será pior: inteirar-se de um par de cornos ou ir para o desemprego?
A lavagem e centrifugação desfizeram a carta, mas ficaram pedaços no tambor e colados à roupa.
Não foi ela, mas sim o seu próprio marido quem depois tirou a roupa da máquina para a estender a secar e encontrou, em pedacitos dessa carta, palavras soltas e esmaecidas pela lavagem, cuja caligrafia assemelhava-se muito à do director de recursos humanos do grupo hoteleiro onde trabalhava.
Num pedacito de papel leu “gostosa”, noutro, “dor profunda”, num outro, “aquela noite”, noutro, “jantar”, num outro, “aquele hotel” e ainda num outro, “outra alternativa que despedir-te”.
O marido de Marta deitou as mãos à cabeça.
Pensou que era uma carta para ele próprio.
Uma carta de despedimento.
Tudo encaixava: fazia um par de noites que tinha ido a um jantar da empresa num dos hotéis do grupo e acabou a discutir com o inútil do filho do chefe.
Mas não esperava que aquilo fosse ter consequências tão drásticas e através de uma carta.
Furioso saiu de casa, apanhou o meu táxi em direcção ao escritório.
Pelo caminho ligou ao Vasconcelos:
“- Vasconcelos?
Ouve, acabo de ler a tua carta, bem, inteira não, saquei-a meia desfeita da máquina de lavar roupa e só consegui ler algumas palavras.
Despedido, dizes?
Mas despedido como?
Olha, vou já para aí e depois contas-mo.
E sem deixar o interlocutor falar, desligou.
Na realidade Vasconcelos não o tinha despedido, simplesmente estava a atirar-se à sua mulher.
Deduzi-o por aquela breve conversa telefónica, mas também porque ao sair do táxi encontrei, colado no assento, outro desses troços de papel.
Dizia: “o sabor dos teus pés”.
Nota:
Suponho que, aproveitando-se da situação e para evitar o verdadeiro conteúdo daquela carta, Vasconcelos dir-lhe-ia que sim, que está despedido.
Agora digam-me o que será pior: inteirar-se de um par de cornos ou ir para o desemprego?
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