- No funeral todos comentavam o facto de ele ter sido um grande ginasta mas só agora ter conseguido fazer bem o salto mortal !
O VIDEIRINHO
domingo, maio 29, 2011
EUTANÁSIA ? ? ?
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Aos portugueses, custou-nos sempre muito o trabalho de sermos contemporâneos.
Houve um tempo, quando se queimava o que discutia o enigma geométrico, que propõe a chamada Santíssima Trindade, ou se proibia desviar o curso da História, já que isso poderia supor alterar os planos divinos.
A conquista da racionalidade é muito lenta e não exclui o desamparo dos seres humanos.
Por que o aborto e a morte digna, suscitam tantas controvérsias?
São duas questões, uma inicial e outra final, que devem estar submetidas a critérios e discutir-se serenamente.
Houve um tempo, quando se queimava o que discutia o enigma geométrico, que propõe a chamada Santíssima Trindade, ou se proibia desviar o curso da História, já que isso poderia supor alterar os planos divinos.
A conquista da racionalidade é muito lenta e não exclui o desamparo dos seres humanos.
Por que o aborto e a morte digna, suscitam tantas controvérsias?
São duas questões, uma inicial e outra final, que devem estar submetidas a critérios e discutir-se serenamente.
Não se trata de ser partidário do PS ou do PSD, ou outro qualquer, mas sim em acreditar que a época em que nos tocou viver é nossa e não pertence aos ancestrais feiticeiros que impuseram os seus inamovíveis regulamentos.
Quem pode discutir que temos direito a morrer com dignidade depois de termos atravessado tantas penalidades?
Por que prolongar uma existência dolorosa e sem esperança de recuperação?
Dizem que toda a vida humana é sagrada, para quem? Dizem…, mas ao que chamamos vida?
Recordo os tempos, não tão remotos, onde uma banda entusiasta de altos clérigos, proibiu, debaixo de não sei que duros castigos de além-túmulo, aliviar os sofrimentos das criaturas afectadas por aquele medicamento chamado "Taladomida".
Ao erro da farmacopeia uniu-se a Teologia, mais precisamente os intérpretes dessa misteriosa ciência.
Nasceram crianças cegas e sem mãos, mas era necessário prolongar a sua vida, mais que não fosse para mostrar a nossa piedade.
Agora debate-se se temos direito a morrer sem sofrimento, quando o desejamos e mais a mais seja a nossa última vontade.
Não penso elogiar os políticos, que regra geral me parecem uma subespécie interessada, mas acredito que o Parlamento deveria debater estas questões.
Ânimo vizinho.
A crise mais árdua não é a económica, mas sim a das sobrancelhas para cima.
Que cabeça dura a deles … e a nossa.
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quinta-feira, maio 26, 2011
OS TEUS EOSINÓFILOS
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Sim, a verdade é que tenho muitos sonhos.
Mas não tenho sono.
Durmo pouco quando não durmo muito, sonho desperto e sonho adormecido; sou muito versátil.
Agora mesmo estou bem…, bom…, mais ou menos.
Hoje penso que deveria ser razoável e não me conceder mais de cinco dias.
Ou seis.
Cinco dias para sonhar, mas não mais, no que me mantém desperto pelas noites.
A literatura é uma dama solitária que não ri nem chora e se não acreditas, pergunta-o a Baudelaire.
A esta hora da manhã calha-te análise ao sangue.
Aí estarás, pois, oferecendo a face interior do teu braço a alguém que o estrangulará com uma borracha à altura dos bicípides para que se manifeste a veia, a tua veia, que aparece imediatamente como um clítoris assustado na zona mais frágil da articulação.
Aí está a agulha rompendo a barreira da pele, penetrando com violência calculada no vaso, do qual extrairá uns milímetros ou centímetros cúbicos de plasma cheio de leucócitos, linfócitos, monócitos, neutrófilos, basófilos, eosinófilos…
Tudo o que te pertence entoa a música, também os teus hematócritos e a tua hemoglobina e até os teus glóbulos vermelhos.


Então aí vai o teu sangue cruzando a cidade num tubo de ensaio enquanto sacas o carro do parque e pões uma canção do Tony Carreira, que acompanharás, cantando de semáforo em semáforo.
O teu sangue por um lado, o teu corpo por outro e eu por outro.
Agora imagino-me na pele do técnico do laboratório ao qual chega a amostra que acabam por roubar-te e que em vez de analisá-la, bebo-a.
Bebo todas as amostras que trazem o teu nome como comeria todas as tuas biopsias, coração.
E daria conta, também, de olhos fechados, do teu fósforo, da tua creatinina, do teu cálcio total e da tua albumina, ainda que para isto tivesse de beber a amostra de urina que tão delicadamente, depois de te baixar as cuequinhas transparentes, depositaste dentro do frasco plástico esterilizado.
Tu a atravessares a cidade numa direcção, a tua urina noutra e eu mesmo, noutra, cada um vitima de um metabolismo, de uma transaminase, de uma fosfatase alcalina, de um tempo de sedimentação, de uns iões, de uma desintegração lipídica, de uns marcadores tumorais.
Penso a esta hora da manhã na tua glicose basal e excito-me como um adolescente.
Quantas palavras inauditas compõem o teu corpo, amor.
E todas chovem neste instante sobre a cidade.
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domingo, maio 15, 2011
EU VOS ABSOLVO!!!
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'Nós' os taxistas somos os párocos do estado civil.
Escutamos os pecados dos nossos viajantes neste confessionário com rodas que é o táxi.
Escutamos enquanto tratamos de levá-los pelo bom caminho (procurando sempre o trajecto mais curto e esquivando engarrafamentos, entenda-se).
E quando acaba o alívio ou o trajecto e sem que importe a gravidade de seus pecados, os lacrimosos utentes são absolvidos pelo módico preço que marque o taxímetro.
Desde que assumi os meus votos 'taxiais', não só aprendi a escutar e analisar um amplo reportório de problemas e tormentos, mas também a classificá-los segundo a intensidade do rosto que os vomite.
E é que a gravidade dos pecados nunca é objectiva, depende sempre da fortaleza e da capacidade que o pecador tenha de os enfrentar.
Se o pecador é forte, os seus problemas serão sempre levianos.
E ao contrário; um mal nunca vem só.
O débil fará um mundo de qualquer minudência.
Por isso costumo recomendar aos usuários do meu táxi ginástica mental: fazer pesos, ou footing, ou jogging, ou aquele ciclismo indoor que chamam de spinning, com a área do cérebro onde habitam as recordações sujas e fortalece, além do mais, os músculos que recobrem a zona lombar do arrependimento (para suportar melhor o peso da consciência).
AH!
E beber muita água.
E beber muita água.
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sábado, maio 14, 2011
ALZHEIMER e TESTOSTERONA
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A testosterona é uma hormona própria do género masculino que também, em menor quantidade, é encontrada nas mulheres e que além de diversas funções que cumpre, como é o caso da regulação do apetite sexual, é a responsável pelo desenvolvimento da musculatura nos homens… mas que agora é vista com outra possível função.
Segundo um estudo médico realizado na Universidade de Saint Louis, nos Estados Unidos, nos homens da “terceira idade” ou idade avançada, que apresentam níveis baixos de testosterona são mais vulneráveis para padecerem da doença de Alzheimer.
Chegaram a esta conclusão, através do estudo de 153 homens asiáticos, que tinham sido internados em centros sociais, com idades a partir dos 55 anos e que não tinham nenhum indício de padecer de demência.
Deles, 47, mostraram sinais de capacidade de pensamentos claros e/ou de perda de memória tanto a longo como a curto prazo.
Um resultado surpreendente foi que 10 homens que faziam parte do grupo de perturbações cognitivas ligeiras, ao fim de algum tempo, tinham desenvolvido a doença de Alzheimer e estes apresentavam níveis baixos de testosterona.
O dr. Morley, um dos peritos encarregados do estudo declarou:
“É muito interessante este estudo porque podemos dar conta de como é que os níveis baixos de testosterona implicam ser um alto risco de contrair a doença de Alzheimer”.
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| Ás vezes, as correntes que nos impedem de sermos livres, são mais mentais do que físicas |
Este é um novo estudo que apoia a hipótese sobre a testosterona em relação ao Alzheimer e que vinha sendo investigada.
E porque não, sobre a que se seguirá trabalhando?
Pois oxalá este dado sobre a testastorona seja útil para combater o Alzheimer, esta enfermidade tão terrível e devastadora, que cada vez a padece mais um maior número da população e que condiciona e desequilibra tantas famílias.
Desde aqui, e aproveitando a ocasião do tema, dou-vos um conselho a vocês, ide ao urologista, que para muitos é um desconhecido, para as vossas revisões que são muito necessárias e importantes.
Não há que adiar ou esperar para ter problemas da próstata…
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quarta-feira, maio 11, 2011
GOTAS da IMORTALIDADE
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Durante os primeiros dez minutos do trajecto, nenhum dos dois disse nada, só um mútuo “bom dia”, nada mais; entrou no táxi e a rigidez do destino, dito como sem vontade, apático como o seu aspecto.
Poderia ter entre oitenta e duzentos anos, rugas no rosto como para afundar os dedos até à cutícula (o laço elástico no cabelo nem sequer lhe conseguia esse efeito lifting, ou talvez sim; imaginem-na sem ele), os lóbulos das orelhas esticados quase até roçar os seus ombros (quanto pesarão aqueles seus brincos? 100 kg?) e um ‘corpinho’ similar ao de um galgo subalimentado, só ossos envoltos num vestido comprido branco (como aqueles ossos grandes que te arranjam no talho).
Com aquele aspecto tão frágil interroguei-me como era possível manter-se de pé e sem ajuda, ou inclusivamente como conseguia sobreviver com semelhante idade e semelhante porte, nesta cidade canibal.
Mas, como dizia, depois de dez minutos de sepulcral silencio, sucedeu algo que me desconcertou e maravilhou ao mesmo tempo: baixei o vidro da minha porta, chegou-me esse olor a Primavera e espirrei.
Não foi o meu espirro o extraordinário (sou alérgico aos pólenes), mas sim a reacção daquela mulher perante aquele explosivo e incómodo momento.
Vou tentar transcrever tal qual como sucedeu:
- Atchimmmm!!!
– Santinho, disse ela.
– Obrigada.
– O senhor é alérgico?
– Sim.
– Alegro-me muito pelo senhor.
Franzi as sobrancelhas, surpreendido.
– Em jovem, eu também era alérgica aos pólenes.
Punham-me mal, 'malíssima'.
Inchava-me a cara e os olhos, parecia que iam explodir a qualquer momento.
Também espirrava como o senhor.
Também espirrava como o senhor.
Numa dessas manifestações de alergia, tinha 19 anos (falo do ano de 1935), a minha mãe levou-me ao médico.
Um médico famoso.
Recordo-me que depois de ter feito uma série de perguntas à minha mãe, o médico acercou-se de mim, abriu-me a pálpebras e deixou cair, com muito cuidado, uma gota de um colírio, sobre o meu olho.
O efeito-lente dessa gota ampliou a minha visão do médico com superlativo detalhe e, talvez, graças a vê-lo TÃO grande e TÃO belo, enamorei-me perdidamnte por ele.
Apenas sete meses depois deste episódio, o médico e eu casámo-nos.
Ele também se apaixonou por mim.
Eu era muito jovem e bonita.
Casámos tão rapidamente porque ele foi mobilizado para a guerra e queria dar-me um filho para eu conseguir superar a separação.
Um médico famoso.
Recordo-me que depois de ter feito uma série de perguntas à minha mãe, o médico acercou-se de mim, abriu-me a pálpebras e deixou cair, com muito cuidado, uma gota de um colírio, sobre o meu olho.
O efeito-lente dessa gota ampliou a minha visão do médico com superlativo detalhe e, talvez, graças a vê-lo TÃO grande e TÃO belo, enamorei-me perdidamnte por ele.
Apenas sete meses depois deste episódio, o médico e eu casámo-nos.
Ele também se apaixonou por mim.
Eu era muito jovem e bonita.
Casámos tão rapidamente porque ele foi mobilizado para a guerra e queria dar-me um filho para eu conseguir superar a separação.
E foi o que se passou.
E foi-se!
Um mês antes de nascer a nossa filha chegaram-me notícias da sua morte.
Foi morto acidentalmente por tropas amigas.
Desde então nunca mais estive com outro homem.
Sempre vivi por e para a nossa filha Lourdes, a minha ‘Lu’, que por certo também era alérgica aos pólenes.
Lourditas morreu há dois anos, aos 73 anos.
Eu continuo viva, como vê.
Com os meus 95 ditos cujos.
Sempre pensei que aquelas gotas de colírio que meu marido me deitou nos olhos aquela vez, quando me apaixonei dele e ele de mim, me fizeram imortal.
E foi-se!
Um mês antes de nascer a nossa filha chegaram-me notícias da sua morte.
Foi morto acidentalmente por tropas amigas.
Desde então nunca mais estive com outro homem.
Sempre vivi por e para a nossa filha Lourdes, a minha ‘Lu’, que por certo também era alérgica aos pólenes.
Lourditas morreu há dois anos, aos 73 anos.
Eu continuo viva, como vê.
Com os meus 95 ditos cujos.
Sempre pensei que aquelas gotas de colírio que meu marido me deitou nos olhos aquela vez, quando me apaixonei dele e ele de mim, me fizeram imortal.
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segunda-feira, maio 09, 2011
DAQUI FALA O MORTO
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| István Sándorfi - "A intriga de Néa" |
Não sei onde li, ou talvez tivesse ouvido no rádio do meu táxi, o caso de uma mulher que esteve morta no seu andar durante três anos (salvo erro em Espanha) sem que ninguém se apercebesse, já que o banco continuava a pagar os recibos de água, luz, condomínio e demais pequenas despesas, quiçá a letra da máquina de lavar e do televisor.
Ou seja, por outras palavras, ao cadáver funcionavam as constantes vitais.
Só quando o seu saldo bancário alcançou números vermelhos é que alguém se recordou dela e foi a sua casa encontrando-a morta.
(Isto recorda-me, a mulher na Rinchoa que esteve nove anos morta em casa, ou o cadáver da mulher croata que passou quarenta e dois anos frente ao seu televisor aceso, ou até a mulher inglesa que esteve morta durante quase três anos com o televisor aceso e o aquecimento ligado).
Encontrou o seu cadáver um empregado do banco.
Conhecem um final mais triste?
Conhecem um sistema mais tábido?
Não sei porque recordo isto, ou talvez saiba.
Eu também vivo só e também tenho gastos domiciliados á minha conta bancária.
Interrogo-me quem repararia primeiro na minha morte, se acontecesse um caso assim.
Seria triste que o primeiro a dar conta da minha ausência fosse o tipo de chinó e óculos com lentes grossas que gere as minhas contas bancárias.
Ou a jovem que faz a limpeza na minha casa.
Ou o presidente da Junta de freguesia.
Ou o carteiro; imaginam o que é o carteiro encontrar a minha porta entreaberta, entrar, para me entregar uma carta de amor, com aviso de recepção e dá de chofre com o meu cadáver?.
Dito isto, decidi sacar toda minha massa do banco, comprar uma moradia unifamiliar e procurar noiva.
Se tu também procuras noivo pelos mesmos motivos, e interessa-te compartir a tua vida com alguém que conduz um táxi e nas horas vagas é um pseudo escriba, manda o teu “curriculum amorae” para, joansitorres@gmail.com.
Prometo amor eterno.
Obrigado!
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domingo, maio 08, 2011
sábado, maio 07, 2011
DOIS AMORES
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UM SEGREDO INCONFESSÁVEL
“Olá!
Sinto muito, mas este fim de semana tenho vários compromissos.
Não posso parar.
Ainda que pudesse, creio que não o faria.
Estou por gosto contigo, mas para te ser sincera, não me fazes sentir, de todo, muito bem.
Não quero dizer que a culpa seja tua.
Só que saio duma relação complicada.
Não me apetece descodificar-te.
Tão-pouco jogar ao puxa e empurra, simplesmente para bebermos um copo e dar uma queca, uma vez por mês.
Só tenho ganas de me divertir, sem fingimentos ou simulações.
Não sei o que vai na tua cabeça e já nos conhecemos há alguns meses.
Para mim, levas uma vida misteriosa.
Tens todo o direito.
Quem sabe se noutro momento vital seremos compatíveis.
Mas parece-me que agora não.
Digo-to sem acritude.
Não me interpretes mal.
Um beijo”.
Na vida todos temos um segredo inconfessável, um arrependimento irreversível, um sonho inalcansável e um amor inolvidável
(autor desconhecido)
Encontrei este mail aberto ao entrar no computador da uma amiga e do seu namoro, na casa que compartem.
Era assinado por uma tal Regina.
Ia fazer a compra de um bilhete de avião para Manchester e o que encontrei foi um segredo que me queimou a mioleira.
As têmporas bateram-me como se estivessem a encerrar centenas de borboletas de chumbo.
Enquanto isso, a felicidade prosseguia incorrupta no aposento ao lado, na sala de jantar.
Ele de repente pareceu-me um porco e um traidor e as suas gargalhadas, através da parede, soaram-me estupidificantes.
A mesma parede que separava a felicidade verosímil da verdade.
Amaldiçoei a tecnologia, os mails e os sms.
Quase sempre os carrega o diabo a meias com Cupido.
Quis rebobinar o tempo, esticar alguma amarra para evacuar de mim aquele segredo alheio (duas palavras condenadas ao divórcio).
Pensei de repente que tinha de ir falar com ele e contar-lhe que agora éramos três na sua história.
Forçá-lo a ser sincero.
Mas depois valorei mais, falar com a minha amiga.
Mas ia destroçar-lhe a vida e a agenda.
Ao fim e ao cabo, era muito real a mentira em que ela vivia.
Era a sua verdade.
Quem era eu para maculá-la com a minha?
Assim, era melhor fazer como se nada tivesse ocorrido.
Tão-pouco nos escandalizemos: é a história mais velha do mundo.
Decidi-me ser cobarde para que eles continuassem tranquilamente a sua ficção, viagens e projectos.
Tentei recuperar a respiração ofegante para sair do compartimento com a mesma cara com que tinha entrado.
Fechei os olhos, inspirei e suspirei pela minha decisão da traição que ia abordar.
Mas... sucedeu algo imprevisto: senti um clic, olhei e… reparei que o destinatário do correio não era o dele.
O e-mail, assinado pela Regina, estava dirigido à minha amiga!
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quinta-feira, maio 05, 2011
NA CAMA COM...
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O microscópio electrónico deslumbra-nos com um mundo agradável à vista e com o qual convivemos diariamente.
Podem estar no nosso jardim, na nossa almofada, na nossa cabeça..., mas estes micro-animais ampliados no seu tamanho e com coloração posterior, causam-nos um verdadeiro pavor.
Quase nunca damos conta que existem, mas encontram-se muito próximos de nós, mesmo em nós e fazem parte da nossa vida.
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Ácaro do pó pondo um ovo entre as escamas da pele |
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Piolho pondo o ovo na cabeça de um humano |
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Dois ácaros da sarna de diferentes tamanhos |
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Ácaro da almofada |
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Mosca, mosca fêmea pondo ovos, mosca da fruta, mosca tsétsé, moscardo e fêmea do mosquito da febre amarela |
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Tardígrados, criaturas que vivem na água, um gorgulho do arroz, escaravelho de cornos grandes e cabeça de verme |
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Formiga agarrada a uma folha. |
segunda-feira, maio 02, 2011
BOTÃO MÁGICO (Parte II)
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... Continuação
Há mulheres que preferem pulsar ou que se lhes pulse o botão, uma estimulação directa sobre mim.
Pelo contrário, outras, dada a zona demasiado sensível gostam mais de sentir a excitação, estimulando as zonas em redor.
Pelo contrário, outras, dada a zona demasiado sensível gostam mais de sentir a excitação, estimulando as zonas em redor.
– Esse botãozito é só a ponta do iceberg?
– Na extremidade tenho a glande, (com quatro vezes mais terminações que a glande do pénis), formada por pele eréctil e uma espécie de capuz que é a parte visível, mas prolongo-me em dois braços que se estendem subcutaneamente para o interior do corpo.
Estou ligado à vagina e ao útero e durante o orgasmo provoco um aparatoso terramoto em todo o aparelho reprodutor feminino.
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| Pintura de Matlop |
– É assim tão diferente o orgasmo feminino do masculino?
– Não há orgasmos iguais, nem na mesma mulher em diversos momentos, nem noutras mulheres e o mesmo se passa nos homens.
Duma maneira simples e em geral, podemos comparar o orgasmo do clítoris com os disparos de uma metralhadora e o orgasmo do pénis com o disparo de uma pistola.
– Por que razão se diz que és um “amigo desconhecido”, tanto para homens como para mulheres?
– A minha única razão de ser é dar prazer, muito prazer; não há outra.
Nas famílias, nas sociedades e nas culturas, nas que me anularam de qualquer forma, existe uma proibição do prazer sexual da mulher e, tal como defende a psico-genealogia, por detrás das limitações para o gozo, está o nó sadomasoquista associado ao ego libidinal.
Depois de tudo o que já foi dito, resta a pergunta:
Como é possível que continue existindo a ablação do clítoris nos nossos dias?
Como se pode defender essa tradição em pleno século XXI?
– Como diz o escritor, actor, pintor, poeta, criador teatral e terapeuta mexicano Cristóbal Jodorowsky:
“Há que ter cuidado com as tradições, há tradições que são criminosas. Por exemplo, o holocausto silencioso que excisa o clítoris ás mulheres.
Sem esquecer que uma pequena tradição pode chegar a ser tão ou mais perniciosa que uma grande …”
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domingo, maio 01, 2011
BOTÃO MÁGICO (Parte I)
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Um pequeno ou talvez grande sonho era ser jornalista.
Num grande diário.
Mas…
Valha-me ao menos que ainda tenho a grande entrevista que se impunha, impôs e impõe e que, como não podia deixar de ser, vos vou transmitir.
Entrevistei o sensível, delicado, oculto, hipersensível e misterioso, clítoris, esse pequeno… pequeno…
- Então donde provém esse nome?
– Kleitoris em grego, significa pequena colina e acredita-se que é daqui donde provém o meu nome.
Também há quem diga, a unanimidade nunca é unânime, que é de origem indiana, já que Aristóteles menciona que no rio Indo foi encontrada uma pedra preciosa de cor escura chamada “Clítoris”.
Outra das possíveis origens será do sânscrito, chamado Bhagkosha” e que se traduz literalmente por “o tesouro da vulva”.
O CLITÓRIS
Há quem afirme ser do latim “clavis” (chave).
Parece-me muito poético e evocador.
Para que me possas ver, necessitas abrir a união dos pequenos lábios (interiores).
Sei que sou o órgão sensorial mais poderoso da espécie humana.
– Quando é que começou a aparecer o clítoris nos livros de medicina?
– O Escritor argentino, Frederico Andahazi, na sua novela “ O anatomista”, conta que o clítoris foi descoberto no princípio do século XVI, por um tal Mateo Realdo Colombo, professor de anatomia e cirurgião da Universidade de Padua, (Itália), ao qual deu o nome de “Prazer de Vénus”.
O exame e observação à fisiologia da sexualidade era património de um corpo médico masculino no contexto de uma sociedade influenciada pela religião, também dirigida por homens.
– Possui a mulher a mítica “inveja do pénis”, tal como defendeu Freud?
– Independentemente da teoria psico-analítica, o problema surge quando as mocinhas são definidas pelo que não têm e não pelo que têm; é menina porque não tem pila.
Este é um mau começo para conseguir um desenvolvimento sexual pleno.
– Independentemente da teoria psico-analítica, o problema surge quando as mocinhas são definidas pelo que não têm e não pelo que têm; é menina porque não tem pila.
Este é um mau começo para conseguir um desenvolvimento sexual pleno.
– Como é que um botão tão pequeno pode dar tanto prazer?
- Sou o único órgão consagrado ao prazer, o que tem a pele mais sensível e no meu diminuto extremo há mais terminações nervosas que em nenhum outro órgão do corpo.
Tenho mais de 8000 terminações nervosas acumuladas em pouquíssimo espaço e sou mais sensível do que a língua ou do que a ponta dos dedos.
Continua...
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| DTIRADA AQUI |
Sexta-feira à noite
Os homens acariciam o clitóris das esposas
Com dedos molhados de saliva.
O mesmo gesto com que todos os dias
Contam dinheiro, papéis, documentos
E folheiam nas revistas
A vida dos seus ídolos.
Sexta-feira à noite
Os homens penetram suas esposas
Com tédio e pênis.
O mesmo tédio com que todos os dias
Enfiam o carro na garagem
O dedo no nariz
E metem a mão no bolso
Para coçar o saco.
Sexta-feira à noite
Os homens ressonam de borco
Enquanto as mulheres no escuro
Encaram seu destino
E sonham com o príncipe encantado.
Os homens acariciam o clitóris das esposas
Com dedos molhados de saliva.
O mesmo gesto com que todos os dias
Contam dinheiro, papéis, documentos
E folheiam nas revistas
A vida dos seus ídolos.
Sexta-feira à noite
Os homens penetram suas esposas
Com tédio e pênis.
O mesmo tédio com que todos os dias
Enfiam o carro na garagem
O dedo no nariz
E metem a mão no bolso
Para coçar o saco.
Sexta-feira à noite
Os homens ressonam de borco
Enquanto as mulheres no escuro
Encaram seu destino
E sonham com o príncipe encantado.
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