O VIDEIRINHO
segunda-feira, maio 04, 2015
O SUCESSO
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Ainda que os vidros da limusina estejam polarizados, os flashes que chovem sobre o veículo importunam a vista.
A artista escarafuncha o nariz antes de sair.
Ao abrir a porta os gritos parecem violar os seus tímpanos e os disparos das câmaras acometem contra as suas pupilas.
A incomodidade obriga-a a proteger os olhos com as mãos para começar a caminhar para o teatro.
Quatro guarda-costas rodeiam-na e um quinto adianta-se para abrir caminho sobre a ululante mole humana de fanáticos aglomerados.
Todos querem tocar aquela deusa terrena que os originou para hipnotizar o coração de milhões de pessoas.
Pelas suas costas, emergem de dentro da limusina os seus três companheiros – baterista, contrabaixista e guitarrista – igualmente crivados pelas câmaras fotográficas.
A uns cinquenta metros encontra-se a porta de entrada para o teatro onde têm que apresentar o seu último trabalho.
Para os quatro artistas, é a porta de saída.
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domingo, maio 03, 2015
MILIONÁRIO COMO TU ou EU
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| TIRADA DAQUI |
O excêntrico milionário chega ao seu palácio e abre a porta utilizando um código de voz.
Acende as luzes, também com código de voz e pede á orquestra situada no palco que possui o salão, que toque qualquer coisa de jazz.
Caminha até á cozinha, abriga-se com um casacão bem quente de inverno e entra no seu frigorífico para procurar uma cerveja.
Depois de se esquivar de umas quantas prateleiras, sai e entrega o casacão a uma das suas mulheres que o espera semi-nua sobre o balcão do bar.
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Regressa ao salão, senta-se numa poltrona e pede à orquestra que ceda o espaço ao grupo de teatro para que improvisem alguma obra.
Uns instantes depois coloca os artistas em modo pausa usando outro comando de voz – aguentem um segundo que estou aflito e vou ao quarto de banho – ordena e, caminha até à bacia de retrete como qualquer comum mortal possui.
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sábado, maio 02, 2015
DESMORONAR
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“E se sentes que o mundo se desmorona
não tentes abraçar-te
a outro que está a cair ao mesmo tempo que tu,
como eu fiz contigo”.
E se voltas a “cair” comigo, a gravidade não é tão grave como dizem, amor.
Apenas 9,8 metros por segundo ao
quadrado no teu quarto, na tua cozinha (e doze vezes menos em Plutão).
Queimei
o meu relógio calculadora, voltei a rapar a cabeça e agora os bares cheiram-me
a derrota.
E todas as outras mulheres, são operadoras de caixa do Continente.
E
todos os outros gajos não me chegam nem às rodas do táxi: não saberiam tocar-te
e sensualizar-te como eu o faço, não poderiam olhar-te com o meu mesmo fogo.
Já só gosto da cerveja se a bebo no teu copo, esse que diz "o nosso é de outro
planeta", e de aperitivo os teus beijos e música de fundo num rádio foleiro
sem Dolby Surround nem memórias de mim.
Não me importoque gostes de Tony
Carreira.
Não me importo que chores com “Não Desisto de Ti”.
Não conheço melhor
forma de definir o amor.
E seria capaz de fazer-te bebés porque são o teu
ventre.
Odiar o meu táxi se me afasta de ti.
Escrever só nas tuas costas sem
que ninguém mais me leia.
Não conheço melhor forma de definir o amor.
Por isso,
se algum dia sentires que o mundo se desmorona, cai sem medo.
E abraça-te a
mim.
Cairei contigo na décima segunda parte desses 9,8 metros por segundo
ao quadrado.
O choque, qualquer golpe, será de brincadeira.
Simplesmente isso.
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sexta-feira, maio 01, 2015
PASSARÕES DE FOGO
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Os aviões que não têm piloto são já uma realidade no nosso
mundo de incríveis supersónicos meios de transporte.
Os céus do Afeganistão e
do Paquistão estão povoado deles.
O do Iémene igualmente.
Além disso, para
acrescentar mais ficção à realidade, estas águias de metal, autónomas, lançam
fogo e, é fogo destrutivo.
Na realidade, dizer fogo, é um eufemismo, já que são
bombas que tudo aniquilam.
Leonardo dá Vinci jamais deverá ter pensado nesta
possibilidade: máquinas que matam pessoas.
Seguramente que ele pensou em
inventos que fossem para proveito da humanidade.
Por outro lado, se num começo
o homem caçava animais para sobreviver, depois os homens passaram a lutar entre
si para obter ganhos com os quais, por meio de permuta, obtinham alimentos,
bens e serviços, pensava o filósofo alemão Georg Simmel.
Depois de uma vasta
“evolução” chegamos a este ponto da história em que o homem se substitui para
matar outros da sua mesma espécie, talvez pensando que ficará livre a sua
consciência de qualquer sentimento de culpa, transferindo para os robots a causa do mal.
Portanto, o homem, desta
forma, sente-se isento de culpa.
Inclusivamente termina o frente a frente do
confronto directo.
Denunciar esta cobardia é, pelo menos, deixar claro de que,
se os que fazem esta barbárie se esquivam à responsabilidade, os que não
cometemos esta cobardia temos consciência de que a nossa espécie está num rumo claramente
infestado de miséria, ódio, vazio de amor, o amor que poderia transformar o
mundo.
Mas o amor é perigoso para alguns, porque lhes imprime à consciência
sabedoria, que nunca transitaria por este caminho de aniquilamento do outro à
distância.
08SET2012
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quinta-feira, abril 30, 2015
NOS CONFORMES
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Tudo, a dor e os risos, juntam-se às vezes num ponto e eclode e gera uma canção.
Dancemos juntos.
Tudo: a ânsia, as cócegas, as vontades, a letargia e os teus orgasmos.
A ira e a calma, o medo, decepção, as borboletas.
Puxar dos galões e maquilhares-te.
Rimmel waterproof, não me lixes!
Pensar que o mundo somos dois e muitos acessórios.
Fazer do gozo uma grande festa.
Tapar os ouvidos com as tuas coxas.
Não me escutar.
Sem filtros anti-spam.
Somos o nosso próprio vírus.
O meu táxi transporta-me a mim, tu és um corpo.
Ando triste.
Dói-me o fígado.
Álcool de queimar as penas.
Outros conformes.
Desafinar.
E que se f*da a NASA.
Os pesadelos são pesos pequenos no feminino.
Descartemos o suicídio.
A arma na boca provoca-me náuseas.
Tenho acrofobia.
Sou imune aos comprimidos.
A vida magoa só agora.
Relógio de sol.
Ainda consciente como sou de quem sou, sempre quererei arriscar a ser outro.
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quarta-feira, abril 29, 2015
VIDA E MENTIRA
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Ainda nos falta um passo em frente, um ponto extra de coragem ou dar um murro na mesa para dizer o que realmente pensamos.
À vizinha do quinto, ao notário, à sogra, ao juiz, ao polícia.
Imagina as oportunidades perdidas, as contrariedades acumuladas, os resquícios de ódio e de amor que aí ficam.
Imagina o que seria de ti se dissesses tudo.
Agora estarias divorciado, moribundo, ou talvez no cárcere, mas serias o homem mais livre da terra.
Abandonamos a infância quando aprendemos a mentir, a ser comedidos, politicamente correctos, socialmente adaptados.
Aprendemos a comer “merda” em público fingindo apetite até que o corpo se habitue e o dissocie e sacie em fome o que há.
Aprendemos a pensar e aplicar filtros antes de falar.
A elaborar uma listagem de palavras tabu para cada pessoa: não digas ao teu chefe que a suas piadas não têm graça nenhuma, nem à mulher do teu irmão que te masturbas pensando nela, nem ao director da tua sucursal bancária que meta as filhas da p*uta das comissões pelo dito cujo acima.
Já nem as drogas nos fazem felizes.
Traçam-nas com talco porque nos têm medo.
Imagina só um político sob os efeitos de umas drogas sem adulterar, soltando a sua autêntica essência em prime time ante os olhos atónitos de meio mundo.
Que se declare abertamente homossexual, ou reconheça que entrou na política para demonstrar à sua mamã o muito que vale o palerma da família.
Ontem entrou no meu táxi a mulher mais bela deste mundo.
Se em lugar de mostrar-me cortês e correcto tivesse soltado tudo quanto me passou pela cabeça, talvez tivesse ganho uma murraça, mas essa murraça ter-me-ia causado a dor mais feliz da minha vida.
E agora estaria a colocar no blog, não este palavreado, uma foto com a marca da sua linda e, quiçá macia mão, na minha cara, ou o meu olho arroxeado ou o sangue no meu nariz como sinal de vitória.
A verdade ás vezes dói, não é?
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terça-feira, abril 28, 2015
FORA DE TEMPO
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Há dias que convém recordar o conselho de Ramón Gómez de la Serna, para não colarmos as fúcias nas vidraças da janela: podem transmitir-nos toda a desolação do mundo.
São dias inexoravelmente iguais uns aos outros que se podem confundir com os que vêm formando parte da procissão do tempo, mas se apresentam mais por esta época do ano, quando as árvores distribuem prospectos amarelos pelas ruas e caminhos e nos parece que faz mais frio do que nunca.
A sensação de ser um estranho acentua-se nessas ocasiões e mais que um hóspede, alguns consideram-nos como uns sub-arrendatários com direito a cozinha.
Como será este estranho lugar quando não tenhamos memória dele?
Os que acreditamos no progresso moral, muito menos evidente que o material, devemos alegrar-nos: o Tribunal Penal Internacional, único tribunal permanente com autoridade para processar pelos delitos de genocídio e crimes contra a humanidade, declarou, por fim, ilícito o recrutamento de miúdos soldados.
Até agora estimava-se normal que criaturas menores de 15 anos se matassem e morressem em muitos lugares, sem ir mais longe na República Democrática do Congo.
A construção de uma alma colectiva vai para além do além ou, dito de outra maneira, o futuro da humanidade está muito distante porque não fomos capazes de abandonar Atapuerca.
No que a mim diz respeito, que sou o homem primitivo que tenho mais à mão, recordo que não pude votar até que tivesse trinta anos.
Eram assim as “coisas”.
Também me apanhou já vivo e crescidito a Declaração Universal dos Direitos Humanos.
O meu tempo esteve cheio de contratempos e o que se passou comigo também ocorreu a muita boa gente que apareceu por aqui por aquelas datas.
Se nos descuidamos não vemos a proibição teórica de que os meninos exerçam de patriotas, de guerreiros, de assassinos e de mártires...
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segunda-feira, abril 27, 2015
REPRIMIDO
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Estou a enamorar-me de uma mulher que não é a minha, mas não me hei-de apaixonar porque tenho que dar atenção à minha própria esposa à qual devo permanecer fiel, como jurei, faz um montão de anos.
Não posso deixar de pensar na outra e ás vezes creio que estou a ponto de “dar o salto” e cometer adultério, mas vou-me deixar de maluquices e continuar a cumprir com o meu dever.
Continuarei feliz por estar casado, até que termine de viver, como venho fazendo, como costumo fazer e como assim mesmo tenho pensado continuar a fazer.
Costuma passar-se isto de me apaixonar a destempo – o que quer dizer que me ocorre com mais frequência do que deveria suceder – mas sempre que me começo a apaixonar por outra, a minha, que não se acaba por habituar a isso, desata a chorar e atira-me à cara os meus devaneios sem deixar de se lamentar, pelo que volto a reconsiderar e a reconduzir o meu matrimónio, uma e outra vez.
Assim continuo a levar o matrimónio, pior ou melhor, desde que me casei faz muitos anos, porque assim o decidi, como tantas vezes tenho deixado dito.
Ando a repeti-lo todo o dia a mim mesmo:
“Tenho que fazer o que tiver que fazer.
Não posso apaixonar-me e pronto”.
E agora tenho que terminar este relato porque não pára de tocar o telefone desde que o comecei.
Deve ser ela.
É ela.
Ai!
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domingo, abril 26, 2015
SOLUÇÕES PARA PROBLEMAS COMUNS
PARA
DESPORTISTAS COM GRANDES LÁBIOS:
TODOS SABEMOS
QUE É IMPRESCINDÍVEL CUIDAR DOS LÁBIOS COM UM BOM PROTECTOR LABIAL.
HOJE EM
DIA TUDO SE INVENTA.
O ÚLTIMO PARA PROTEGER OS LÁBIOS.
CLICA AQUI:
ALGUNS
GOLFISTAS SÃO TÃO FANÁTICOS QUE NÃO PODEM PARAR DE PENSAR EM METÊ-LA NO BURACO
(logicamente que me refiro à bola), MAS NUNCA IMAGINEI QUE O SEXO NUM CAMPO DE
GOLFE FOSSE ASSIM:
CLICA AQUI:
CÓDIGO DA ESTRADA
SE AO RENOVARES A CARTA DE CONDUÇÃO (POR TERES DEIXADO CADUCÁ-LA) TE FIZEREM UMA PERGUNTA COMPLICADA… SERÁ QUE ACERTARIAS?
ENTÃO VAMOS LÁ VER COMO ANDAM OS TEUS CONHECIMENTOS DO CÓDIGO.
VAIS A CONDUZIR NUMA VIA ESTREITA E VÊS UM SINAL QUE DIZ:
“PROIBIDO ULTRAPASSAR NOS PRÓXIMOS 2 KM”… E AO MESMO TEMPO, À TUA FRENTE SEGUE UM CICLISTA.
O QUE FAZES?
“PROIBIDO ULTRAPASSAR NOS PRÓXIMOS 2 KM”… E AO MESMO TEMPO, À TUA FRENTE SEGUE UM CICLISTA.
O QUE FAZES?
1 – CONDUZES DURANTE OS 2 KM ATRÁS DO CICLISTA?
2 – ULTRAPASSA-LO TOMANDO AS DEVIDAS PRECAUÇÕES?
QUAL A RESPOSTA CORRECTA?
CLICA AQUI:
TARADICES
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