- A DEMOCRACIA NÃO É MAIS DO QUE UM CONFRONTO DE
INTERESSES POLÍTICOS !
O VIDEIRINHO
sexta-feira, maio 31, 2013
TRISTEZA
Parte da Alegoria do Triunfo de Vénus (1540-1545), de
Agnolo Bronzino
Não me dói nada.
Não me dói a cabeça, não me doem as gengivas, não me doem os olhos, nem as costas, nem as cutículas, nem as articulações dos joelhos, nem o estômago, nem tremo, nem tusso.
Não tenho ansiedade, nem frio,
nem sonho, nem fome, nem sede.
Hoje pus-me em dia com a correspondência
pendente, paguei aquela factura, levei o meu táxi a lavar e até passei a ferro
as calcinhas que te roubei.
Vi aquele último capítulo de “The Wire” e li, de uma
penada, o livro de Salman Rushidie, “Joseph Anton – Uma Memória”.
E ontem tive
sexo com uma amiga.
Tudo correu ás mil maravilhas (bebemos quase duas garrafas
de vinho ao jantar, rimos muito e empatámos em orgasmos) e foi-se embora no
momento preciso.
Ao deitar-me tudo à
minha volta estava muito calmo.
Límpido.
Reluzente.
The Morning After, Fernando Botero
Nem um só pêlo dela ou um
cabelo na almofada que pudesse colar-se nos meus sonhos.
Esta tarde
telefonaram-me para um “projecto” gastronómico e respondi, sim.
Telefona-me um
cliente do meu táxi.
Amanhã levá-lo-ei a Lisboa, esperarei um par de horas, almoçarei
por lá, darei um passeio e regressaremos justamente a tempo para o meu póquer
das sextas-feiras na tasca do Xico.
Disse-lhe que 200€… e pareceu-lhe bem.
Provei um novo Whisky que
um passageiro habitual me ofereceu.
Reservei um bilhete para as Maldivas.
Senti
a chuva a percutir na janela.
E Bowie a soar no iPad.
E revi todos os
ingredientes para o “projecto”.
Encontro-me num grande momento criativo.
Mas.
Por que estou tão triste?
.
quinta-feira, maio 30, 2013
ILUSÓRIO AMOR
.
Penso muito nisto: as mais belas canções da história da
música moderna têm como base quatro ou inclusivamente três simples acordes
repetidos em espiral.
Convido-vos a que desnudem tudo dos Beatles, desnudem qualquer tema de Bob Dylan e verão que a sua estrutura é só isso: quatro acordes básicos combinados de uma maneira ou de outra.
“Let it be”: quatro acordes; “Knockin on heaven’s door”: quatro acordes; “Enjoy the silence”: quatro acordes.
Isto não vai com música, amor.
Só é um exemplo que demonstra o muito que complicamos a beleza que esconde o nosso.
Oxalá que se desnude e me permita desfrutar do seu corpo básico, sem o arpejo da sua saia, sem o refrão do seu sutiã.
Sem a base maquilhado do seu rosto, sem os coros das suas dúvidas, sem esses golpes de bombo e pratos, que são os seus batimentos e as minhas palmas.
Convido-vos a que desnudem tudo dos Beatles, desnudem qualquer tema de Bob Dylan e verão que a sua estrutura é só isso: quatro acordes básicos combinados de uma maneira ou de outra.
“Let it be”: quatro acordes; “Knockin on heaven’s door”: quatro acordes; “Enjoy the silence”: quatro acordes.
Isto não vai com música, amor.
Só é um exemplo que demonstra o muito que complicamos a beleza que esconde o nosso.
Oxalá que se desnude e me permita desfrutar do seu corpo básico, sem o arpejo da sua saia, sem o refrão do seu sutiã.
Sem a base maquilhado do seu rosto, sem os coros das suas dúvidas, sem esses golpes de bombo e pratos, que são os seus batimentos e as minhas palmas.
Deixe-me só tocar os seus quatro acordes e eu
“colocarei” a voz, assim tão simples.
Penso nisto enquanto conduzo o táxi ocupado por si.
Precisamente começou a soar pela rádio outro desses temas ‘fazedor’ de vontades: New Year’s Day dos U2.
Este é mais fácil: só tem três acordes.
Na verdade inventei o nosso, não há nada nosso ou pelo menos nunca houve.
A nossa história começou há apenas cinco minutos.
Ela levantou-me a mão, eu parei o meu táxi, entrou rapidamente e indicou-me o destino.
Mas agora, ainda que não se dê conta, o acorde La menor acaricia-lhe o pescoço e infiltra-se discreto pelo seu decote.
E depois o Do menor enquista-se nos seus lábios e actua, talvez, como anestesia, porque não os move.
Penso nisto enquanto conduzo o táxi ocupado por si.
Precisamente começou a soar pela rádio outro desses temas ‘fazedor’ de vontades: New Year’s Day dos U2.
Este é mais fácil: só tem três acordes.
Na verdade inventei o nosso, não há nada nosso ou pelo menos nunca houve.
A nossa história começou há apenas cinco minutos.
Ela levantou-me a mão, eu parei o meu táxi, entrou rapidamente e indicou-me o destino.
Mas agora, ainda que não se dê conta, o acorde La menor acaricia-lhe o pescoço e infiltra-se discreto pelo seu decote.
E depois o Do menor enquista-se nos seus lábios e actua, talvez, como anestesia, porque não os move.
E logo entra em cena o Mi menor e aferra-se ás suas
pálpebras e puxa-as e não pode evitar o seu peso e pouco a pouco vão-se
fechando.
E assim se mantém, imóvel e com os olhos fechados, até que entra o estribilho e nisto inclina a cabeça e recosta-se como em clave de Sol.
Com a cabeça apoiada no vidro até ao final do trajecto.
Chegamos ao seu destino.
Definitivamente segue inebriada pela simplicidade de uma música que nos unirá para sempre.
Volto-me.
Olho-a.
Está linda.
Passam uns momentos mas não reage.
Preocupo-me.
Decido sacudir-lhe a perna.
De súbito tem um estremecimento e abre os olhos:
- Oops! Adormeci!
Paga-me a “corrida” e parte.
Nota: Pensei que era a mulher da minha vida, mas não.
Era só surda.
E assim se mantém, imóvel e com os olhos fechados, até que entra o estribilho e nisto inclina a cabeça e recosta-se como em clave de Sol.
Com a cabeça apoiada no vidro até ao final do trajecto.
Chegamos ao seu destino.
Definitivamente segue inebriada pela simplicidade de uma música que nos unirá para sempre.
Volto-me.
Olho-a.
Está linda.
Passam uns momentos mas não reage.
Preocupo-me.
Decido sacudir-lhe a perna.
De súbito tem um estremecimento e abre os olhos:
- Oops! Adormeci!
Paga-me a “corrida” e parte.
Nota: Pensei que era a mulher da minha vida, mas não.
Era só surda.
.
segunda-feira, maio 27, 2013
PROBLEMATISMO
Não há problemas grandes.
Não há problemas pequenos.
Isto
aprendi-o no meu táxi.
Entra um tipo, indica-me o destino e começa a contar-me
as muitas saudades que tem do seu gato “Xano”.
Escapuliu-se de casa e agora,
supõe, que andará por aí, esganado de fome e frio, ou talvez alguém o tenha
recolhido. Ou quem sabe, ande ás gatas.
De qualquer maneira, este bichano nunca terá para ninguém a
importância que lhe dó o meu passageiro.
Quem o encontrar poderá dar-lhe alguma
importância, mas nunca será a mesma.
Outra passageira disse-me que acabava de
entalar um dedo na porta do táxi.
Que lhe dói, mas a dor não lhe importa.
O
pior é que vinha da manicura e ao entalar o dedo caiu-lhe uma unha postiça.
Precisamente a unha do dedo anelar da mão direita, justamente agora que o seu
noivo está à espera dela num restaurante e ela sabe que ele tem a intenção de
lhe pedir a mão.
E ela sabe, também, que ele comprou um anel de noivado e
quando chegar a sobremesa, pegará no anel e ela colocá-lo-á no único dedo dos
dez sem unha postiça.
Atento pois à preocupação maior da minha passageira: uma
simples prótese.
Vários passageiros depois (o negócio está fluorescente), entra
um outro que me diz que o preocupam os despedimentos, o desemprego e a fome que
grassa no mundo.
Assim colocado, os seus problemas ultrapassam a sua própria
vontade.
Inclusivamente o seu próprio âmbito.
Não poderá fazer nada para evitar
a fome no mundo ou evitar o desemprego.
Eu, tão-pouco.
No entanto a ele afecta-o
mais que a mim e seguramente que a mim me afecta mais que a ti, e a ti que ao
outro.
Silhueta do abismo
E a intensidade do problema ir-se-á desvanecendo segundo o apego que cada um tenha ao seu próprio umbigo.
De facto, a culpa compartilhada dói
menos ou melhor dilui-se no tumulto.
Talvez seja por isso que tendemos a
comprar produtos que não precisamos em locais comerciais atestados de gente.
Para compartilhar a culpa.
E eu, pois, o que dizer-vos?
Que me deixou a minha
noiva e esquecê-la é agora o meu único problema.
E esquecer os seus olhos,
esquecer a sua voz, e alisar duma assentada a silhueta do seu corpo neste
abismo que é a minha cama.
E assim somos absurdos.
Um preocupado com o seu
gato.
Outra com a sua unha postiça, outro pela fome no mundo e eu por ela.
E
ela agora está a dormir, suponho.
.
sábado, maio 25, 2013
SEM SEXO
.
Tento que tudo volte ao início mas não posso evitar um peso na consciência.
Apenas uma hora depois das doze badaladas entram no meu táxi as três primeiras
“miúdas” do ano.
Parecem alegres, com vontade de falarem comigo.
Deixo-me
contagiar: tiradas de humor e elas riem.
Levam-me até a uma moradia na Foz, a
uma festa privada com amigos e, chegadas ao destino, dizem-me para parar o táxi
e convidam-me para um copo.
– Venha.
Brinda connosco e depois continua o
trabalho, se quiser.
Como nunca tenho nada a perder, aceito.
Estaciono o táxi,
tentam pagar a corrida, mas não aceito e entro na moradia atrás delas; uma
moradia imensa com piscina coberta, “DJ set”, luzes psicadélicas, cabeças de
javali e quinze ou vinte pessoas dançando e falando, todas iguais, tipo meninos
de leite do CDS.
Uma das miúdas” chega junto ao micro e anuncia:
- Pessoal
atenção!
Este é José Torres, o taxista que nos trouxe.
Levanto o copo e
sorrio.
Alguns olham-me com reservas, outros acercam-se e saúdam-me.
Outra das
miúdas pega-me no braço e conduz-me à cozinha.
Começo a beber Tequila com ela e
conta-me nem sei bem o quê do seu ex, que também veio à festa, pede-me
conselhos e eu só lhe digo:
- Simula um acidente na piscina; eu ajudo-te.
Ela
ri-se como se pensasse que o disse na brincadeira e duas Tequilas depois,
noto que tenta seduzir-me, ou melhor, usar-me para lhe fazer ciúmes; difícil
entender as mulheres; digo-lhe que me desculpe um momento, mas tenho de ir ao
quarto de banho, então pisgo-me.
Não vou o quarto de banho.
Subo as escadas e
dá-me para farejar um por um, os quartos, do andar..
No último quarto vislumbro
um vulto na cama.
Aproximo-me discretamente.
Há uma cabeça calva com manchas,
como uma seta (cogumelo).
Sobre a mesinha de cabeceira, uma peruca com ventosas
e um aparelho auditivo.
Parece a avó.
Parece adormecida.
Tiro os sapatos e
deito-me a seu lado sobre a colcha.
Fecho os olhos.
Por fim, sinto-me como em
casa.
Esta noite não houve sexo.
sexta-feira, maio 24, 2013
RESSENTIMENTO
.
Foi
um encontro fácil, rápido, um encontro “ás escuras”, ás cegas.
Tinha escolhido
o mais atrevido das suas roupas de “guerra”, a mini saia mais curta, a t-shirt
mais justa e decotada e as sandálias mais altas, sorriu ao olhar a sua roupa
interior... tudo o mais, para os momentos menos, pensou.
Sombra e rímel nos
olhos, lápis fino marcando os lábios e brilho nos mesmos, ressentimento no
coração.
Ela sempre foi das que pensaram, “combater o fogo com fogo” e,
esta noite, ia colocar em prática este lema.
O encontro foi divertido, houve
rápida cumplicidade, muitos sorrisos, jogos de palavras, gestos provocativos,
por isso, quando ele tilintou as chaves do carro na sua mão, não hesitou.
A
noite aliou-se com eles, aromas de verão, suave brisa, estrelas, mar.
Estendidos
sobre a toalha, as mãos brincavam com a areia da praia ainda morna, os lábios
ávidos recriavam-se sobre o seu pescoço.
Começava a deixar de pensar, queria
somente sentir.
Notou as mãos masculinas por debaixo da sua t-shirt e ainda
teve uma lembrança para o ausente, para ele, que a tinha levado a cumes
insuspeitados de desejo e prazer.
Quando os dedos desceram, deslizando pelo seu
ventre, separando-lhe as pernas, recordou o seu sorriso, apertou fortemente os
olhos.
Uma pequena lágrima rolou-lhe pela face e um último pensamento cruzou a
sua mente: o amor é para ti, para ti.
.
quinta-feira, maio 23, 2013
RAPTO DIGITAL
.
Reconheci a minha passageira imediatamente logo após ela
entrar no meu táxi.
Eu segui-a no Twitter; curiosamente ela também me seguia.
Não era uma “twitteira” conhecida, apenas uns duzentos seguidores, mas há algum
tempo chegou-me algo seu, realmente engenhoso e decidi agregá-la.
A sua foto de
perfil coincidia, sem qualquer dúvida, era ela, mas não disse nada.
Só ouvi o
seu destino, accionei o taxímetro e iniciei a marcha em silêncio.
No primeiro
semáforo olhei-a através do espelho retrovisor e verifiquei que ela
teclava algo.
Supus que estava a escrever um tweet; assim, dissimuladamente,
entrei no seu perfil a partir do meu telemóvel.
Com efeito, tinha publicado o
seguinte:
“Num táxi a caminho do cardenho.
Oxalá que o taxista aumente o som da
música, me rapte, e me leve para longe".
Sem pensar duas vezes, aumentei o
volume da música quase para o máximo, accionei a segurança das portas, acelerei
rapidamente, procurei a autoestrada e segui no sentido inverso ao do seu
destino.
Ela teve um estremecimento:
- O que está a fazer? Perguntou-me
– A
raptá-la, disse.
– Mas o que se passa?
Leu o que escrevi no Twitter? Voltou a
perguntar-me.
– O que é o Twiiter? Perguntei.
E contra todo os prognósticos, a passageira começou a gritar e a golpear
o vidro e a porta como uma louca.
Nota:
Agora mais a sério, quem é que entende as
mulheres?
.
quarta-feira, maio 22, 2013
PINTURA VIDA
.
A viagem Caracas-Paris de Jean Pierre, um francês de 44 anos,
fazia escala no Porto (por uma escolha mais económica).
Tinha três horas de espera e apetecia-lhe conhecer um pouco da cidade; assim decidiu apanhar um táxi no aeroporto e pedir ao taxista fazer de guia.
Jean Pierre tinha os olhos mais vivos como eu jamais tinha visto.
Sentou-se a meu lado e num perfeito inglês solicitou-me que improvisasse os destinos.
Durante os primeiros quilómetros do trajecto que eu delineara, contou-me o que o tinha trazido até aqui, uma história que me deixou surpreso.
Jean Pierre foi mecânico de aviões militares em França até que, à idade de 42 anos, diagnosticaram-lhe um cancro terminal.
O médico deu-lhe seis meses vida.
Ao conhecer a notícia, vendeu todas as propriedades e outros bens e, sem dizer nada à sua ex-mulher, nem aos seus filhos, dispôs-se a viajar por todo o mundo para aproveitar até ao último suspiro e fazer tudo aquilo que tinha pendente há uns anos.
Tinha três horas de espera e apetecia-lhe conhecer um pouco da cidade; assim decidiu apanhar um táxi no aeroporto e pedir ao taxista fazer de guia.
Jean Pierre tinha os olhos mais vivos como eu jamais tinha visto.
Sentou-se a meu lado e num perfeito inglês solicitou-me que improvisasse os destinos.
Durante os primeiros quilómetros do trajecto que eu delineara, contou-me o que o tinha trazido até aqui, uma história que me deixou surpreso.
Jean Pierre foi mecânico de aviões militares em França até que, à idade de 42 anos, diagnosticaram-lhe um cancro terminal.
O médico deu-lhe seis meses vida.
Ao conhecer a notícia, vendeu todas as propriedades e outros bens e, sem dizer nada à sua ex-mulher, nem aos seus filhos, dispôs-se a viajar por todo o mundo para aproveitar até ao último suspiro e fazer tudo aquilo que tinha pendente há uns anos.
Nova Iorque foi o
seu primeiro destino.
Instalou-se no Brooklyn e ali deu-lhe para colocar em prática um amor frustrado: a pintura.
Começou a pintar retratos de pessoas.
Em pouco tempo e contra todos os prognósticos, os seus retratos começaram a ter sucesso e a notícia espalhou-se.
Pediam-lhe cada vez mais retratos e ofereciam-lhe cada vez mais dinheiro por eles.
Segundo me disse, agora já pintava bem, tinha sucesso, porque nos seus traços notava-se a luminosidade de quem perdeu o medo à vida.
Em Brooklyn enamorou-se de uma negociante de arte.
Ela não sabia que lhe restavam cerca de dois meses de vida, assim optou por fugir da dor e viajou para Sul.
Instalou-se num dos bairros mais perigosos de Caracas (Venezuela).
Sem dúvida que se sentiu livre.
“Nada melhor do que estar perto da morte para viver sem medo a nada”, disse-me.
Instalou-se no Brooklyn e ali deu-lhe para colocar em prática um amor frustrado: a pintura.
Começou a pintar retratos de pessoas.
Em pouco tempo e contra todos os prognósticos, os seus retratos começaram a ter sucesso e a notícia espalhou-se.
Pediam-lhe cada vez mais retratos e ofereciam-lhe cada vez mais dinheiro por eles.
Segundo me disse, agora já pintava bem, tinha sucesso, porque nos seus traços notava-se a luminosidade de quem perdeu o medo à vida.
Em Brooklyn enamorou-se de uma negociante de arte.
Ela não sabia que lhe restavam cerca de dois meses de vida, assim optou por fugir da dor e viajou para Sul.
Instalou-se num dos bairros mais perigosos de Caracas (Venezuela).
Sem dúvida que se sentiu livre.
“Nada melhor do que estar perto da morte para viver sem medo a nada”, disse-me.
Mas o milagre chegou depois.
Voltou a ir a um outro médico e este deu-lhe uma boa notícia: o cancro tinha regredido.
Já não ia morrer.
Já se passaram dois anos daquele pesadelo e Jean Pierre continua vivo, viajando e vivendo dos seus retratos.
Esta mesma tarde regressa a Paris para resolver uns assuntos pendentes com a sua família e depois voltará a Brooklyn.
A pintar e a reencontrar-se com aquele grande amor.
NOTA:
O tour e a conversa durou um pouco mais do que uma hora.
Depois estacionei o táxi e levei-o a visitar a Quinta de Serralves.
Ao despedir-me na zona das partidas do aeroporto de Pedras Rubras deu-me o seu telefone e eu o meu ("quero voltar com mais calma e pintar-lhe um retrato", disse-me).
Demos um abraço e precisamente antes de ir, soltou uma dessas frase que gelam a alma:
“O cancro salvou-me a vida”.
Voltou a ir a um outro médico e este deu-lhe uma boa notícia: o cancro tinha regredido.
Já não ia morrer.
Já se passaram dois anos daquele pesadelo e Jean Pierre continua vivo, viajando e vivendo dos seus retratos.
Esta mesma tarde regressa a Paris para resolver uns assuntos pendentes com a sua família e depois voltará a Brooklyn.
A pintar e a reencontrar-se com aquele grande amor.
Tirada DAQUI
O tour e a conversa durou um pouco mais do que uma hora.
Depois estacionei o táxi e levei-o a visitar a Quinta de Serralves.
Ao despedir-me na zona das partidas do aeroporto de Pedras Rubras deu-me o seu telefone e eu o meu ("quero voltar com mais calma e pintar-lhe um retrato", disse-me).
Demos um abraço e precisamente antes de ir, soltou uma dessas frase que gelam a alma:
“O cancro salvou-me a vida”.
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segunda-feira, maio 20, 2013
MORTE-EM-PÉ
.
Uma
égua e um cavalo.
A égua está com o cio.
O cavalo aproxima-se da égua e
coloca-se atrás dela.
A égua não se move.
O cavalo cheira-a brevemente e tem
uma erecção repentina.
A égua continua na mesma posição.
O cavalo agita-se e
num só impulso monta a égua.
Penetra-a com facilidade.
A égua continua quieta e
não demonstra nenhuma agitação.
O cavalo acelera o seu vaivém e em menos de um
minuto detém-se por completo.
Quase se deixa cair sobre o lombo da égua e não
parecem incomodados um com o outro.
O membro do cavalo relaxa-se e retrai-se.
Por fim o cavalo coloca as quatro patas no solo.
A égua nem sequer se volta
para vê-lo e ao fim de uns momentos dá uns passos para diante, como se nada se
tivesse passado.
O cavalo tarda um pouco em recompor-se.
Respira profundamente e
dá meia volta.
Tudo permanece na mesma.
Creio que não são os dedos polegares,
nem a linguagem, nem a capacidade de nos reconhecermos num espelho, nem a
habilidade de somar e subtrair, nem a de
viver em sociedade, o que nos faz diferentes dos animais.
Não é isso, senão o
facto de que desejamos sexualmente alguns indivíduos da nossa mesma espécie e a
outros não.
Somos diferentes porque escolhemos o nosso par e não saltamos para
cima d@ primeir@ que aparece pela frente, mas sim com aquele ou aquela que nos
inspira algo, ainda que seja banal.
Temos fantasias elaboradas onde o sexo não
é a única coisa que importa, mas sim a maneira e o que isso significa.
E a
nossa resposta sexual é directamente proporcional à admiração que nos suscita o
outro e também ao amor.
Ou pelo menos assim deveria se.
Porque se há gentes que
têm relações sexuais como o dos cavalos, ou dos cães ou qualquer outro
mamífero, insecto ou ave, em que a alma não está envolvida e chegam a
converter-se num ser cego, dominado pela parte genital… seria um golpe muito
duro para os partidários da evolução.
Se vai fazer-se, que se faça com paixão e
se for possível que seja o melhor.
Envolver o
cérebro nestes assuntos nunca é demais.
.
domingo, maio 19, 2013
MULHERES…
Nada disto é real, penso, enquanto beijo uma jovem no banco
traseiro do meu táxi.
Chama-se Laura, Joana ou Patrícia (talvez vinte e cinco anos, 1,65 de altura, magra, lábios grossos, pele cor de leite e sardas).
Segundo me disse, veio ao Porto para conhecer o seu pai.
Agora Laura, Joana ou Patrícia mete-me a sua língua enquanto noto como desliza uma mão em direcção ás minhas entrepernas.
Eu faço o mesmo colando a minha por baixo da camisola e acaricio o seu ventre (noto um piercing, uma bola fria).
Subo os dedos até que deparo com o aro do sutiã e tento passá-los por debaixo, mas não consigo.
Demasiado apertado.
Assim subo até à copa e tento com o polegar abrir caminho para o bordo do
encaixe até que encontro um mamilo intumescido, pequeno, delicado.
Nisto ela dá um gemido, ergue-se, lança os braços para atrás e num clique livra-se do sutiã, momento que aproveito para abarcar com ambas mãos toda a extensão dos seus peitos.
Ela desabotoa-me as calças e agora introduz a sua mão... agarra-me o sexo.
Decidida baixa a cabeça e começa numa felação.
Quando chego ao "cume" e prestes a explodir digo-lhe:
- Espera!
Ainda não.
Afasto o seu corpo, estico o braço, meto a mão por entre as suas “leggins” afrouxando-as até que consigo alcançar o seu sexo.
Noto-o húmido.
Começo a acariciar-lhe o clítoris e nisto ela replica gritando-me ao ouvido:
- Papá, Papá…
Não me deixes nunca.
Diz-me que és o meu pai.
– Sou o teu pai, digo-lhe admirado.
– Diz-mi outra vez.
– Sou teu pai.
– Mas…
- Sou teu pai.
Laura, Joana ou Patrícia alcançou um orgasmo prolongado.
Noto convulsões no seu ventre.
Num instante afasta-me a mão, ajeita os “leggings” e, sem dizer palavra, abre a porta do táxi e sai disparada.
Sigo-a com o olhar enquanto penso em voz alta:
Estão todas loucas, todas…
Chama-se Laura, Joana ou Patrícia (talvez vinte e cinco anos, 1,65 de altura, magra, lábios grossos, pele cor de leite e sardas).
Segundo me disse, veio ao Porto para conhecer o seu pai.
Agora Laura, Joana ou Patrícia mete-me a sua língua enquanto noto como desliza uma mão em direcção ás minhas entrepernas.
Eu faço o mesmo colando a minha por baixo da camisola e acaricio o seu ventre (noto um piercing, uma bola fria).
Subo os dedos até que deparo com o aro do sutiã e tento passá-los por debaixo, mas não consigo.
Demasiado apertado.
Desenho de Pablo Picasso
Nisto ela dá um gemido, ergue-se, lança os braços para atrás e num clique livra-se do sutiã, momento que aproveito para abarcar com ambas mãos toda a extensão dos seus peitos.
Ela desabotoa-me as calças e agora introduz a sua mão... agarra-me o sexo.
Decidida baixa a cabeça e começa numa felação.
Quando chego ao "cume" e prestes a explodir digo-lhe:
- Espera!
Ainda não.
Afasto o seu corpo, estico o braço, meto a mão por entre as suas “leggins” afrouxando-as até que consigo alcançar o seu sexo.
Noto-o húmido.
Começo a acariciar-lhe o clítoris e nisto ela replica gritando-me ao ouvido:
- Papá, Papá…
Não me deixes nunca.
Diz-me que és o meu pai.
– Sou o teu pai, digo-lhe admirado.
– Diz-mi outra vez.
– Sou teu pai.
– Mas…
- Sou teu pai.
Laura, Joana ou Patrícia alcançou um orgasmo prolongado.
Noto convulsões no seu ventre.
Num instante afasta-me a mão, ajeita os “leggings” e, sem dizer palavra, abre a porta do táxi e sai disparada.
Sigo-a com o olhar enquanto penso em voz alta:
Estão todas loucas, todas…
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