O VIDEIRINHO

quarta-feira, outubro 22, 2014


- É a última vez que explico qual a capacidade da mala do meu carro em número de cadáveres !

DELÍRIOS

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Ontem o cavalo branco apareceu-me pela primeira vez, enquanto dormia, tenho a impressão que surgiu da minha cabeça, voltou para a parede, passou por cima de mim e saltou da cama, dissipando-se imediatamente”. 
Quero saber a cor do cavalo que me pisou esta madrugada (branco como o de Kafka? Cinzento como o asfalto?). 
O seu peso, o seu tamanho, o porquê da sua raiva. 
E se as feridas me vão doer todo o dia ou se depois de tomar algo me vão passar. 
Quero saber quantos cavalos saem de nós cada dia. 
E se o meu ganhará o Grand National ou acabará num qualquer restaurante exótico. 
Quero que saia de mim uma borboleta ou um jardim inglês ou um donut recém feito, nada de cavalos desbocados, porque como disse alguém em “O Homem em queda” de Don Delillo: “Já temos as nossas próprias ruínas. Mas parece-me que não quero vê-las”.
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terça-feira, outubro 21, 2014


- Encantas-me quando falas sem pêlos na língua !

PONTO FINAL

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Estão tão nublados os meus olhos que apenas vejo o que escrevo. 
Tão adoidada a minha cabeça que apenas brota dela uma frase com sujeito, verbo, predicado e sentido.  

Nada novo, dir-me-ás, se me falas.  

Nada novo, dir-te-ei, se me escutas. 

E o que é novo? 
Sabe-lo tão bem como eu, mas não revelo o segredo ás novas gerações; que o descubram nos “nenhures” e nas pizarias. 
E nós com o nosso, vociferando a olhar a lua ou a insultar o mar. 
A murcharmos com as mãos entrelaçadas, sabendo que quem, de verdade, se perderá e apodrecerá serei eu e que tu serás uma Primavera atrás de outra. 
A mudança climática chegou com o teu aparecimento, mas Al Gore não sabia que tu existias  (não sei se continua  inflando-se a ser profeta). 
 

Não sabe que os meus olhos estão tão nublados que apenas vêm o que escrevo. 
Melhor assim, que continuem nublados os meus olhos. 
Se vissem o que escrevo, pararia de escrever. 
Se o vissem optaria por morder os dedos até ficar sem eles, como aquele hamster que tive. 
E tratariam o meu caso nas manhãs duma qualquer televisão. 
E chamá-lo-iam fome, ansiedade, síndrome de nome impronunciável. 
Eu chamar-lhe-ia vergonha sangrenta, mas em latim que enche mais o olho. 
Mas tranquilo, não terás que me recolher entre suores. 
Não terás que limpar o sangue dos dedos que te acariciavam as sestas.



Não terás que beijar-me ao chegares, porque jamais te foste (e porque não vejo um cara$#%, já te disse mais do que uma vez). 
Porque a minha cabeça mal dá para parir uma frase coerente, mas algumas coisas tem-nas bem nítidas e consigo escrevê-las ás escuras: o preço de uma embalagem de amendoins com mel, as letras de um disco de Jorge Palma ou da Mariza, a lembrança da tua mão dizendo olá e adeus ao mesmo tempo. 
Alguma vez a minha cabeça me disse que isso, só isso, é a vida. 
Mas pensei que a minha cabeça tinha voltado a beber e sorri. 
Nada novo, diremos os dois quando coloque o ponto final.
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segunda-feira, outubro 20, 2014


- A minha nova obsessão é a orla do palpitante sutiã da minha psicanalista !

“TEMPUS FUGIT”

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Vou brincar contigo e dizer-te que quero parar o tempo. 
Melhor dizendo: Eu quero que se passem coisas sem que o tempo passe. 
Mas sei que quando assomar à janela dentro de duas horas o céu já não queimará nem será azul transparente, senão laranja ou rosa gelo. 
E dentro de três horas voltarei a assomar-me e tudo será negro, sem lua, sem estrelas,  mas com tudo a desfilar aos meus olhos (palavras, esboços, palavras, tratados de Física, palavras, receitas de cozinha, palavras, histórias de amor, palavras, a dor de meu passado amanhã, palavras, sangue, ouro, fissuras, rios, palavras) com o tempo a galope, rindo-se da minha cara de palhaço desatinado, das minhas mãos que agarram o ar como se pudessem estrangulá-lo, como se fosse um deus corrupto brincando com o mundo como eu brinco contigo. 

 

Mas vou brincar contigo como o tempo brinca comigo e dizer-te que quero que pintes a velocidade com a tua melhor paleta de cores e talento, para eu a escaqueirar e enganar-me no momento que dura o meu fôlego e estas palavras que despacho de soslaio, a galope. 
Porque tu também, leitor, és como o tempo.
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quinta-feira, outubro 16, 2014


- Passos Coelho e Cª. a distribuirem sorrisos ás vítimas dos seus cortes é do mais pornográfico que vi em muitos anos !

VORAGINOSOS


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Não trabalhei na indústria farmacêutica, assim, poder-me-ão dizer não saber do que escrevo. 

Será??? 

O Estado não investe na investigação, é um facto mais do que evidente e palpável. 

Em resgatar bancos, SIM! 
Mas em saúde e educação… estamos conversados. 

Então quem investiga novos fármacos, novos tratamentos? 
Pois a indústria farmacêutica. 
Logicamente que não falamos das irmãs da caridade, mas de empresas que arriscam muito, mas muito dinheiro, para encontrar novas substâncias e patentes. 

Ninguém faz ideia ou imagina o dinheirão que se investe para investigar um fármaco e conseguir que seja aprovado pela FDA

Assim, quando um cidadão cai enfermo e necessita de um tratamento de última geração, fica nas mãos das farmacêuticas e não, como seria lógico, do Estado. 

Um amigo meu está algo doente de há um ano para cá. 
Há um fármaco, chamado Sofosbuvir, nome comercial Solvaldi, que cura 90% das hepatites. 
 
Fabrica-o um laboratório que se chama Gilead Sciences. 
Tomem nota. 

São milhares de cidadãos que necessitam dele. 

Sabem quanto pedem pelo tratamento? 

46.000 euros (por um ciclo de tratamento; nalguns casos são necessários dois). 

A EU está (ou esteve) a negociar com eles. 

Em Espanha, a administração da saúde está disposta a pagar até 30.000 €, preço considerado justo, mas o Gilead não dá o braço a torcer. 

Com a China já baixaram o preço. 

É tão difícil encontrar aquele ponto em que uma empresa ganha dinheiro, muito dinheiro, mas não extorsiva. 

Esperemos que o n/governo chegue a um acordo, são muitos os cidadãos que necessitam tratamento e espero que lho possam fornecer. 

Os pobres estão aprisionados entre o desmazelo economicista do estado e a voracidade dos laboratórios.
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sábado, outubro 11, 2014


- Arte do sexo é a arte de controlar o descontrolo !

CONTAS AJUSTADAS

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Apresentou-se em casa da amante do seu marido com uma pistola na mão. 
Espumava pela vindicta que imaginara; ia humilhá-la obrigando-a a tirar as roupas, a dançar pela casa toda, exigindo-lhe que lhe explicitasse, com uma almofada, as técnicas amatórias com que o tinha desencaminhado..., deslumbrado… 
Quando no final do dia, ele, vaidoso, penteado e bem cheiroso, abriu com a sua própria chave a casa da sua amante, encontrou-as abraçadas, desnudas, “esfregando-se” uma na outra, no sofá. 

(Nota: neste momento já se “desapartaram” e estão apontando-lhe a quatro mãos!)
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sexta-feira, outubro 10, 2014


- Desnudas-te como se estivesses sozinha e de imediato descobres que estás comigo. 
Como então te quero entre os lençóis e o frio !

SINALADO

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Dizia a minha mãe: “filho, é de má educação apontar com o dedo outra pessoa”. 
Quiçá apontar ás mulheres que ocupam altos cargos de poder poderia ser igual, ou pode ser que, pelo facto em si mesmo de serem notícia, as suas nomeações sejam machistas: eu não o vejo assim, penso, mas bem, são os movimentos sociais que vêm gerando os novos tempos.

“Pessoal”, vós não os conheceis, mas assinalo alguns exemplos:  

María Estela Martínez, conhecida como Isabelita Perón e Dilma Russeff, as primeiras mulheres presidentes no seu país.

Cristina Lagarde, a primeira mulher/homem, ou o inverso, presidente do FMI.
Maria Manuela Dias Ferreira Leite, a primeira ministra das Finanças de Portugal.
Mary Barra, a primeira mulher Directora Geral do gigante General Motors.

 
                                                                                                             Tirada DAQUI 

Gostaria também de comentar que os clubes de prestígio do Reino Unido têm vindo desde o século passado, ou melhor, desde sempre, praticando uma obstrução total para admitir como sócios pessoas de nascimento feminino. 

Li, um recente artigo sobre a Escócia, o berço do golfe. 

Existem vários clubes onde só são admitidos homens, concretamente o Saint Andrews cujos estatutos datam de 1754, onde uma placa colocada na porta principal rezava: 
“No dogs, no ladies”, hoje já retirada. 

Uma recente votação deu como resultado 85% a favor da admissão das segundas e, digo eu, será que os britânicos querem assim tanto ás suas mascotes, por que não os primeiros?

  Helena Santos e Costa

Mas não deixa de ser um avanço para a paralisia cerebral no conservadorismo tradicional. 

Helena Santos e Costa, pela primeira vez na Europa, foi contratada treinadora de futebol para uma equipa profissional na Europa, (acabou declinando o cargo por ingerências no seu trabalho). 
Existem algumas mais, mas no futebol amador, entre elas, Tihana Nemcick, ex-modelo, treinadora de uma equipa masculina croata da 5ª divisão. 
Em Espanha, pela primeira vez uma mulher foi designada capitã da equipa de ténis que vai disputar a Taça Davies, (não sem muita polémica). 
Como poderá uma mulher entrar nos balneários dos tenistas?

 Thiana Nemcick, ex-modelo, treinadora de uma equipa masculina croata da 5ª divisão

Bem, não quero interromper o vosso descanso, mas sim deixar uma reflexão. 
No dia em que a nomeação de uma mulher para um cargo relevante ou de poder que não seja notícia, começará a era da esperada igualdade entre géneros; só as capacidades do indivíduo deverão constituir as diferenças de posto, cargo ou lugar. 

Estarei certo ou errado?
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quinta-feira, outubro 09, 2014


- E nada mais. 
Só uma mulher para alegrar-me, só os olhos duma mulher para reconfortar-me, só corpos desnudos, territórios em que não me canso !

MOSQUITOS COM AUTORIDADE

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Chamam-lhe o “mosquito”.
Trata-se de um emissor de sons de baixa frequência que se tornam especialmente desagradáveis para os “pessoais” com menos de 25 anos e imperceptíveis para os que superam esta idade. 

No Reino Unido, alguns comerciantes têm começado a instalá-los, (não sem polémica), nos seus estabelecimentos comerciais, (e já há mais de 6000 instalados), para manter na linha a juventude, que ao que parece, é a responsável por todos os seus males.
Em Espanha também se considerou o uso do “mosquito”, para dispersar os beberrões do “botellón” (jovens que consomem grandes quantidades de álcool na via pública).

Cada país tem os seus fantasmas. 

E não saio do meu assombro desde que escutei falar do invento, cujo uso roça o inconstitucional, que dispara igualmente para vândalos e para jovens bem comportados dentro de uma faixa etária, que martiriza indiscriminadamente a jovens e a bebés de berço. 


Graças ao invento, agora é possível garantir que numa determinada zona não entrem as hormonas nem os sonhos adolescentes, os primeiros amores nem a folia da inconsciência, favorecendo guetos de velhice, metros quadrados de tristeza e solidão.
E não posso deixar de imaginar essas zonas como lugares tristes, sejam-no ou não.
Esquecem, os que instalam o “mosquito”, que badamecos e vândalos também os há para além dos 25 anos. 
São marginalizados um número muitíssimo grande de jovens, de ambos os sexos, que não querem destruir o seu património. 
Marginam um número insólito de jovens, aos quais lhes é vetado um direito tão básico como transitar ou descansar numa zona que é propriedade pública.





A sua proliferação não faz mais do que desqualificar os seus partidários. 
Justamente por cima desses emissores irritantes há habitações onde podem estar a tentar adormecer alguns estudantes e crianças. 
É só mais uma demonstração de como o medo arrasta os homens para a estupidez, para caminhos fáceis com saídas difíceis. 
O que aconteceria se encontrassem algo parecido, mas que só incomodasse mulheres ou homens? 
O que aconteceria se colocássemos nas mãos destes mesmos indivíduos uma arma similar para afugentar imigrantes? 
O que seria de nós se pudéssemos decidir quem transita e quem não transita por certas ruas, atendendo a determinadas características? 




Eu sei-o: acabaríamos agrupados de dez em dez. 
Os jovens morenos com as jovens morenas; os adultos homossexuais de 1,80 m com adultos homossexuais de 1,80 m, as feministas com as feministas, os fãs de Eminem, longe dos fãs dos Sex Pistols, os parvos com os parvos, os espertos com os espertos; porque não gostamos de misturas, porque tememos todos os que se afastam do que somos. 

O som é a historieta; se é incómodo ou não, o debate é estéril. 
O fundamental é o que nos ensina a sua irrupção numa sociedade de medos: o perigoso avanço da ideia da exclusão como solução para todos os males da convivência.

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quarta-feira, setembro 17, 2014


- Entretanto os pássaros continuam cantando patranhas, cagando impunes sobre as cabeças dos homens brancos. 
Por vezes desejo ser pássaro !

EM CADEIA


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A mulher não parava de falar, que sim o $#&§T0P, que sim o calor, que sim a nova digressão de Bruce Spingsteen, mas eu não podia evitar aquela mala isotérmica que agora repousava a seus pés sobre o tapete, a meu lado, no assento do pendura. 

Enquanto ela me falava eu fazia uns cálculos: a mulher tinha saído da loja dos congelados e apanhou o meu táxi ás 18:28 (viu-me sair da postura), suponhamos que transcorreram, previamente, com os produtos fora do congelador,  outros dois ou três minutos. 

O que poderia acontecer entre tirá-los do frio, chegar à caixa, pagá-los e colocá-los na mala térmica. 

O trajecto era curto, mas até agora tínhamos apanhados três semáforos no vermelho e dois carros a tentar estacionar, azar, mas já tinham transcorrido uns sete ou oito minutos desde que a passageira sacou a mercadoria do frio, até este momento. 

 


 

 

Quanto demorariam os produtos a descongelar apesar da mala isotérmica? (Não faço a mínima ideia. 

Seria como perguntar: quanto tempo dura um peixe fora de água?).

De qualquer maneira, faltavam-me dados. 

Desconhecia que produtos transportava na mala térmica. 

Não é o mesmo uma pescada congelada, que gelados cremosos. 

Se se tratasse de gelados, com toda a certeza que demorariam muito menos tempo a descongelarem-se e então, qual cadeia de frio qual carapuça: um gelado descongelado é como um peixe morto. 

E eu não gostaria de matar ou ser cúmplice à força de nenhum assassinato. 

Não no meu táxi. 

Então ocorreu-me uma ideia. 

Com a intenção de aumentar uns graus, accionei o ar condicionado no máximo, a menor temperatura possível e dirigido para a mala térmica.


 

 

 

A mulher continuou a falar como se nada se tivesse passado, mas nisto, dei conta que calçava sandálias e o jacto do ar frio nos seus pés nus, deve-lhe ter percorrido o corpo, pois instalou-se nos seus mamilos que se intumesceram e emergiram como bóias na praia-mar (do outro lado do seu top de alças, sem sutiã). 

Agora não só continuava angustiado, vítima de uma angustia crescente e proporcional ao estado intrínseco da mala, senão naquela imagem dos seus mamilos erectos, que para além disso me excitou. 

Estranha mistura de sensações, sem dúvida. 

E digo já que será por culpa de uma associação inconsciente de ideias, mas depois daquele trajecto, cada vez que vejo derreter-se algo, não posso evitar sentir uma certa excitação sexual. 

E quando vejo um peixe morto.

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