O VIDEIRINHO

sábado, junho 07, 2014

- É muito triste ser rico e bonito e o despertador acabar com este sonho !

ASPIRÂNCIA

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Marcelo, vendedor de aspiradores industriais veio até ao Porto em trabalho e passou a noite num hotel do centro. 

Pela manhã, de volta para o aeroporto, contou-me a incrível história que acabava de lhe acontecer: 

"Depois de todo um dia de encontros com clientes, decidiu ir até ao quarto, não sem antes beber um aperitivo no bar do hotel". 

Depois de entrar, fixou-se num congresso que justamente nesse instante começava num salão contiguo, com as portas ainda abertas e um ostentoso catering em ambos os lados da sala. 

Num pequeno cartaz da entrada podia ler-se: “Simpósio de cirurgia plástica”. 

Impressionado com a qualidade do catering, decidiu aproximar-se um pouco mais. 

Todos os lugares estavam ocupados, excepto um, de modo que, sem pensar duas vezes, entrou com a intenção de comer e beber de borla. 

Mas não tinha reparado que, no assento, estava uma creditação e, como já era tarde para recuar (toda a fila teve que se levantar para o deixar passar), não lhe restou outra alternativa que pegar na creditação do assento, colocá-la na lapela e fazer-se passar por um tal “Marc Anderson. Cirurgião Plástico”. 

 

 

Marcelo aguentou estoicamente a tagarelice (para ele) da conferência, aplaudiu o palestrante e depois, durante o catering, acercou-se dele uma loira impressionante que entabulou conversação (enquanto ele continuava a fingir ser “Marc Anderson. Cirurgião Plástico”): a mulher desejava aumentar os peitos e queria pedir-lhe um conselho. 

Marcelo eclipsado pela “modelo” e já com uns aperitivos e meia dúzia de cervejas emborcadas, no final da festa propôs à mulher subir ao seu quarto com a intenção de apalpar melhor o contorno e a forma dos seus peitos “e assim fazer um orçamento mais aproximado”. 

Ela, surpreendentemente, acedeu. 

E entre meios de peritagem acabaram na cama, fazendo amor, o que provou ser extremamente estranho, considerando a diferença abissal entre os dois (ele era gordo, baixo, careca). 

 

Depois de umas quecas, trocaram números de telefone e telemóveis (porque não, pensou Marcelo) e a mulher foi-se embora. 

A verdade é que na manhã seguinte, Marcelo recebeu um Whatsapp da referida loiraça. 

A mensagem dizia: 

“Marcelo, sei que és casado e não me seria difícil localizar a tua mulher. 

Proponho-te um acordo: se me ofereceres o aumento do peito, não direi absolutamente nada do que se passou ontem à noite”. 

Ao que Marcelo respondeu: 

“Tentas chantagear-me? Vai em frente. Conta-lhe tudo.” 

Marcelo mostrou-me as mensagens no seu telemóvel, bem como a foto de perfil do Whatsapp dela (efectivamente, era uma mulher impressionante). Então, meio a sério, meio a brincar, disse-me: 

- Agora sei porque me dedico a vender aspiradores. Sempre aspirei a viver outras vidas.

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sexta-feira, junho 06, 2014

- O protesto civil há-de chegar até onde seja necessário para repelir os crimes desta governança !

SABICHOSOS (Parte II)

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… CONTINUAÇÃO


Neste negócio de fariscar pelos livros, para os autênticos sábios, é curiosa a persistente relação que os autores encontraram entre a sabedoria e a mulher. 

São ostensivamente misóginos, inimigos do género feminino. 

Zombam das mulheres e descarregam os seus fracassos amorosos; não há sábio a quem uma mulher não engane; se uma mulher é sábia, não a deixes entrar em tua casa; a mulher que sabe é tão estúpida como o homem que  maquilha a cara; uma mulher literata é um erro da natureza; o ouro prova-se com o fogo, a mulher com a sua ignorância. 

Até aqui nada se avançou; não é possível saber quantos sábios podem existir, mas a mulher não pode ser. 


Entre os antigos gregos, circulava pela boca do povo o nome de sete sábios, cada um baseado numa cidade diferente, conhecidos por criar uma série de aforismos ou frases memoráveis ​​que foram consideradas um verdadeiro guia para a vida. 

De Sólon, mencionava-se: 
“nada com excesso, tudo com medida” e os outros tinham os seus próprios ditos ou sentenças. 

Analisadas as suas biografias, seis deles foram políticos e só este Sólon, filósofo e matemático (Sólon de Atenas). 

Hoje em dia, pelo contrário, não se conhece nenhum político sábio nem letrado ou erudito. 

Afirmam terem lido, mas não podemos acreditar. 


É curioso, mas a qualificação de sábio não se aplica a nenhum poeta, músico, historiador, dramaturgo, teólogo, mas circulam rumores que existe uma tendência favorável para aplicá-lo aos jogadores de futebol (sábios do pé) e aos corredores automobilísticos (sábios da roda).

Se eu tivesse autoridade para fazê-lo, proporia uma nova denominação a um tal Helbert Hubbard, (ou Elbert Hubbard), pela sua frase: 
“Todo o homem está condenado a ser louco cinco minutos ao dia; a sabedoria consiste em não exceder esse limite”. 

E por que não a minha própria candidatura... eu que criei a frase:
“Sábio é o que se conforma com não sê-lo”. 

Só conheço um; mas esse, como prima pela humildade, só sei dele quando me olho ao espelho.
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quinta-feira, junho 05, 2014

- Os povos que esquecem a sua história, estão condenados a repetí-la.
Os que a recordam... 
Também !


SABICHOSOS (Parte I)

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Quantos foram ou são os sábios? 

Depende do que cada um entenda por sábio. 

Se tomamos a palavra no significado original dos gregos, nenhum, já que os homens não podem chegar a ser sábios, senão somente “amantes da sabedoria”. 

Sócrates (não o ‘sábio contemporâneo’ que todos conhecemos, rsss,rsss, mas o do séc. V a.C.), dizia que só é sábio o que sabe que não sabe nada: “Só sei que nada sei”. 

Segundo o poeta, escritor e humanista espanhol, Fray Luís de León, tem havido poucos, conforme diz num conhecido verso: 
“os poucos sábios que no mundo o terão sido” (ODA I - Vida retirada). 


Para os primitivos japoneses, muito anteriores, sábios eram os homens que tinham aprendido os ensinamentos dos três místicos “macacos”, não ouvir, não ver e não falar. 

Vendo-os juntos, um tapando a vista, outro os ouvidos e o terceiro a boca, compreende-se de imediato que já, nesses vetustos tempos, se regiam pelo princípio incrédulo de que a sabedoria era perigosa e que era muito mais segura a ignorância. 

Um certo miúdo meu conhecido, tão-pouco sabe quantos há no mundo, mas de uma coisa tem a certeza, o seu pai é um deles. 

E expressa-o desta maneira: 
“O meu ‘velho’ sim, é um sábio, vive os dias bêbado e não se preocupa com nada”. 


Para Enrique Santos Discépolo (conhecido como Discepolín) o filósofo dos tangos argentinos, é impossível sabê-lo, porque nada nem ninguém é melhor, tudo é igual “até mesmo um burro / que um grande professor “ e vivemos espezinhados, todos no mesmo lodo. 
(Cambalache). 

Um antigo provérbio israelita afirma que, sábio é quem “escuta uma palavra e entende duas”. 

Há ‘milhentas’ opiniões sobre sábios em todas as culturas, mas de nenhuma delas se pode inferir quem o foi ou é, nem quantos houve ou há no mundo. 

 
Ninguém se daria ao trabalho de rastreá-los nem de verificá-los. 


Shakespeare disse que são uns quantos mais do que os parasitas; Montaigne opina que sábio é aquele homem que vê mais do que deveria ver, mas menos do que pode; o francês Philippe Quinault sustém com prudência que sábio é quem não é mais do que o necessário. 

CONTINUA…
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quarta-feira, junho 04, 2014


- A felicidade é uma decisão !

DE CHOFRE!!!

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Foi ele que deitou a mão ao fecho e abriu a porta do meu táxi. 

Mas só ela entrou. 

- Não entras? Perguntou-lhe. 

- Não. Não posso. 

- Porquê? Retorquiu ela. 

- Marta... já não te amo. 

- Como? 

- Tenho estado a pensar e… é isso. 
Que já não te amo. 

Não houve mais palavras. 

Talvez ele procurasse alguma reacção nela, mas ao não a encontrar fechou a porta e foi-se... caminhando rua abaixo. 

Ela e eu permanecemos em silêncio. 

Ainda não me tinha indicado o destino previsto quando entrou no meu táxi, justamente antes daquele “já não te amo”. 

Optei por não dizer nem fazer nada. 

Não iniciei a marcha nem accionei o taxímetro. 

É melhor não tocar nos sonâmbulos. 

Entendi perfeitamente o seu bloqueio. 
 
 
 
Não conheço frase mais inesperada: “já não te amo”. 

Ninguém espera escutá-la nunca, nem muito menos mastigá-la, assumi-la. 

Soa como uma guilhotina a cair: “já não te amo” sssstchh. 

E a alma mutilada rodando, sem sangue. 

Não há sangue porque te deixa seco. 

Tão-pouco existe um plano B. 

Não é um desvio brusco do guião, senão outro filme.

Quem achas ser o protagonista, nunca morre na cena do táxi, mas no final, pouco antes do preto do final e os títulos dos créditos do filme. 

Necessitamos de diálogos que expliquem as roturas, não um título e um bater estrondoso de portas. 


Necessitamos mastigar a tragédia para não nos engasgarmo-nos com ela. 

É insuportável a incerteza do já não te quero. 

Já?, agora?, a partir deste preciso momento em adiante? 

Existe esse preciso momento? 

Onde está a linha da fronteira? 

No puxador da porta do táxi? 

Nota: 
O que aconteceu depois, quando finalmente conseguiu sair do seu bloqueio, guardo-o para uma próxima oportunidade. 
É demasiado denso, intenso e... até a paisagem se incendiou.
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terça-feira, junho 03, 2014

CAVACO cidadão de Boliqueime



- Gosto mais de ti quando te sonho… então faço de ti o que quero !

VIAJANTES APÓLIDAS

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Caminhas só pelas ruas de uma cidade que não conheces, que não é a tua e no entanto não encontras nenhuma diferença: sentes os mesmos edifícios, as mesmas luzes, os mesmos táxis. 

Os transeuntes também têm unhas, cotovelos e joelhos e até ossos por dentro. 

E movem-se. 

Respiram. 

Alguns beijam-se. 

Ou bebem água, ou cerveja, ou café nas esplanadas. 

Ou falam ainda que tu não entendas patavina do que dizem. 

Continuas a caminhar rua abaixo, como a água e os teus passos levam-te até uma praça com um monumento de aspecto antigo. 

Aproximas-te e olha-lo só porque os demais também o olham.

 
 
Todos tiram fotos menos tu.  

Todos querem recordar menos tu. 

Todos confiam no bem que envelhecerá o seu presente. 

Valentes ou ingénuos todos. 

Menos tu.  

Diversos guias turísticos explicam aos seus respectivos grupos os porquês do monumento.

Um deles leva um distintivo do teu mesmo país. 

Acercas-te e saúdas, mas ninguém te parece conhecer.

Nem sequer a guia. 

Para que servem então as bandeiras? 

E ainda que falem no teu mesmo idioma não entendes nada. 

Fazem parte do teu país, mas não são o teu mundo. 

Então aí te dás conta do lugar que ocupas. 

Turista sem pátria.
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