O VIDEIRINHO

sexta-feira, janeiro 29, 2010

- O fracasso só surge quando tentas agradar a todos !

TRIO ODE MIRA

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Sorriem como no final do terceiro acto, ainda que não tenham tido nenhuma actuação.

Ainda que saibamos por Kepling, que tanto o êxito como o fracasso são impostores ou farsantes, é altamente preferível que nos engane o primeiro, mas antecipadamente estão contentes, José Socrates, Nicolas Sarkozy e François Fillon.

Por que sorriem tanto os políticos quando se reúnem?

Nunca saberemos se se alegram por se verem, se por se encontrarem em tão badaladas ocasiões.

Mantêm as mãos unidas durante mais tempo do que exige uma saudação e mostram o melhor dos sorrisos quando já se ausentaram, chateados, os fotógrafos.



Em determinados casos, os líderes demoram no estreitar relações os mesmos minutos que as pessoas normais demoram em estreitar laços.

Quero dizer que investem os mesmos minutos em nos mostrar que tiveram muito gosto em se conhecer, que as pessoas correntes ocupam gloriosamente numa queca.

Dito de outra maneira: os políticos gastam mais tempo nas suas relações exteriores que nas interiores.

O nosso Primeiro Ministro, que corrige com frequência o rumo que não tem, talvez seja o mais amável de todos.

Talvez seja um descendente dum dos melhores “maitres” do Hotel Hilton.


Emir of Qatar Sheikh Hamad bin Khalifa Al-Thani


François Fillon tem um inequívoco ar sorumbático e Sarkozy um rosto de funcionário público.

Nada impede que o “trio Ode Mira” tenha boa voz, mas mesmo que não os queiramos ouvir no actual momento histórico, todos queremos que passe quanto antes à História.

“Portugal está a sair da crise”, disse o nosso legítimo representante, que ninguém pode acusar de pessimista, nem de clarividente.

Há que dar-lhe ouvidos e não aos mexeriqueiros, como o “Financial Times”.

Por que toda a Europa zomba deste senhor sorrisos, tão amável?

Talvez porque não conheçam quem aspira substituí-lo.

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quinta-feira, janeiro 28, 2010

- Afogo as minhas mágoas há tanto tempo que elas já sabem nadar !

SILHUETAS

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Nem sequer o rei mago Baltazar, que creio que também era negro, foi recebido com maior entusiasmo.

Obama foi o maior depositário da esperança colectiva dos últimos tempos, incluindo o que costumamos chamar de “a noite dos tempos”, iluminada apenas por rajadas de trovões, relâmpagos e as faíscas da Bíblia, que não poupa as previsões meteorológicas.

Mas ao presidente do país mais poderoso do mundo caiu-lhe nos braços uma tarefa que excede o seu poder: tem que se encarregar deste planeta suburbano.

Uma das suas quintas, digo cercanias ou bairros, desapareceu pura, simples e materialmente.

A tragédia do Haiti, que é a maior catástrofe de toda a história da ONU, não só dizimou do mapa um país, mas juntou-o com a crise económica mais universal das recentes épocas.



Mau momento para exercer a caridade, que segundo as pessoas caridosas, para a entender bem, deve começar por elas mesmas.

O caos e a pilhagem estão de férias no Caribe.

Ninguém pode saber com precisão o número de mortos, mas tão-pouco poderá saber-se mais adiante, já que metade não estavam registados, incluindo algumas das três Parcas.

A natureza que é sempre neutral e ao mesmo tempo nos envia um terramoto como uma laranja, é uma terrorista intermitente.

Nem sequer o FBI conseguiu fotografá-la colocando-lhe o cabelo e os olhos de Gaspar Llamazes, que não tem culpa de nada.


Por que não atribuir-lhe os traços do bispo (ou dos bispos) que não assinou(ram) a declaração, no final da reunião do Conselho Permanente da CEP (Conferência Episcopal Portuguesa), ou do padre Manuel Morujão que é o porta-estandarte dos sectários … e não se mostra gago, cego, surdo e mudo, no ancestral e penumbroso jugo eclesiástico.

Por que tem pouco cabelo?

Estes retratos robots prestam-se a grandes equívocos já que a cara não é sempre o espelho da alma.

Todos temos cara e alguns não têm alma.

Para acabar de arranjar-se, há muitos que não se olham ao espelho.

Quando Obama o faz, depois de ter tomado o controlo do Haiti, comprova que ficou branco.

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quarta-feira, janeiro 27, 2010

- Morrer por amor ?
Prefiro viver para amar !

UM DEUS PERNICIOSO ???

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Do ponto de vista religioso, três atitudes distinguem os homens: os crentes, os agnósticos e os ateus.

Ainda que é bem certo que nesta última, caberia uma subdivisão: ateus que procuraram a existência do Deus e que sem encontrarem resposta, são respeitosos para quem, mesmo não tendo qualquer sinal dele portanto sem o encontrar, se declaram crentes (???) e, em segundo lugar, aqueles que sem mostrarem qualquer interesse no seu encontro ou pesquisa, perderam a virtude da tolerância e declaram-se inimigos de tudo o que exuda crenças sobre um ser supremo.

A catástrofe do Haiti promove e de que maneira, que o nome de Deus seja iluminado.

Por um lado faz cambalear a fé dos crentes que não encontram resposta para tanta violência e desgraça.

Uns guardam silêncio.

Outros comentam que não há qualquer explicação para a brutalidade desse ser que não defendeu ninguém.



Outros agarram-se à figura de Cristo, quando, sendo filho de Deus, inexplicavelmente para ele, também perdeu a vida e se dirigiu a seu pai, perguntando-lhe porquê e pedindo-lhe que não o deixasse passar por esses momentos.

Por outra parte, os ateus recalcitrantes, recorrem a esse ente negado por eles, para demonstrar aos demais que têm razão ao não admiti-lo.

“Se o vosso Deus é tão bom como dizeis, não permitiria estas desgraças; portanto não existe”.

Na verdade, os poetas da religião, dizem que Deus criou o existente, o homem, a terra e a natureza, operando em liberdade.

Poder-se-á afirmar que o homem é o maior culpado da maioria das desgraças que ocorrem?

Por exemplo e voltando ao Haiti, sim.




Temos de culpá-los dessa outra catástrofe endémica que rodeia os haitianos desde que a França os abandonou à sua sorte.

Chegando a “ganhar” o título de ser declarado o mais pobre povo da Terra.

O país sempre esteve governado por presidentes miseráveis e exploradores; já não tem recursos naturais que permita uma vida digna aos seus habitantes, (americanos e franceses tudo “pilharam”); carecem de cuidados de saúde; o analfabetismo é gritante; a insegurança, máxima

… Entendo que é um desastre diferente e menos chamativo do que o que aconteceu, mas com resultados ainda mais desgraçados: a má-vida e a morte lenta dos seus habitantes através dos tempos.



Tudo isto sabem-no bem as Nações Unidas e o resto do mundo, sem que ninguém (excepto esses seres anónimos, muitos deles com raízes cristãs) lhes deite a mão.

Temos que esperar que estas tragédias ocorram para podermos, uns mais do que outros, deitar mãos à obra?

Isto há-de passar e reconstruir-se-á o país, mas os haitianos continuarão a viver ali à espera de um novo terramoto, que sem dúvida se repetirá com o passar do tempo.

Por que os homens não tomam medidas agora, que se está a tempo e se desloca a população para zonas mais seguras, dentro ou fora do Haiti?


Deus interferirá???

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terça-feira, janeiro 26, 2010

- Será possível matar o tempo sem ferir o futuro ?

VAIDADES ???

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Hidratantes, aftershaves, esfoliantes, anti-olheiras ou pés-de-galinha, revitalizantes, cremes, pomadas, tónicos … a industria de cosmética recrudesce o seu génio para satisfazer um sector que já deixou de ser minoritário.

Vivemos a nova revolução masculina ou trata-se de um mero mecanismo de “sobrevivência” ante as mudanças sociais que se produziram na relação homem-mulher?

Entre todas as teorias que se poderão colocar sobre a mesa, talvez a mais interessante a expor, pela sua predisposição a criar debate é a proposta por uma facção mais feminista na qual propõem (entre outros factores) a incorporação da mulher no mundo do trabalho activo, o seu acesso a postos de responsabilidade e a equiparação dos seus direitos, a todos os níveis, como causas de motivar um sentimento de insegurança no homem, que assim se vê obrigado a repensar um papel masculino assumido durante muito tempo.



Os homens, neste contexto, são vulneráveis e conscientes de que as mulheres estão, mais do que nunca, numa posição e em condições de reclamar o melhor do seu parceiro; agora são eles os que devem estar fantásticos a cada momento, que se devem manter atraentes para elas, cuidar dos seus corpos, dos seus rostos e professar a doutrina da nova religião “Beckhan”, o exemplo da perfeição metrossexual masculina.

Se esta teoria é verdadeira, seria preocupante que a pressão exercida, voluntária ou involuntariamente sobre o homem pela actual e mais do que merecida posição da mulher, não pode provocar mais do que um sentimento feminino de satisfação e inclusivamente uma certa forma de “revanche” histórica:



“boys, isto toca-vos a vocês mesmos e não sentimos nenhuma comiseração porque já tivemos que passar pelo mesmo.

Isto faz-nos pensar se esta incorporação massiva masculina à metrossexualidade não emascara o princípio de um novo tipo de homem, se na verdade estamos perante uma igualdade entre sexos, ou se pelo contrário, só saberemos conviver enquanto algum@ se imponha ao outr@.

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segunda-feira, janeiro 25, 2010

- Onde há a verdadeira valia encontra-se também, a verdadeira modéstia !

GOD SAVE THE KING

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Não se trata de pedir que Deus salve o primeiro ministro, nestas negociatas ou negociações orçamentais, ou quiçá qualquer rei ou rainha em especial, prédica ou súplica cada vez menos frequente, dado o escasso número de países monárquicos, mas sim de rogar pelo presidente dos EUA.

Barack Obama declarou guerra à banca e alinhou-se nas filas dos que não podem viver sem serem explorados por ela.

Anunciou que lhes proibirá os investimentos de alto risco, que são os que a ela não lhe permitem "nenhum" e está disposto a que os contribuintes do seu país não voltem a ser reféns dos grandes bancos, que são as catedrais do nosso tempo.



“Se querem guerra, vão tê-la”.

É claro, temos de assumir que o presidente do país mais poderoso de todo o mundo e arredores, sabe onde se meteu, mas não sabemos é o que lhe podem meter no corpo: mais balas do que a Kennedy, mas igualmente certeiras.

O Dinheiro, com maiúscula, é muito mais terrível que o Ku-Klux-Klan.

Quando Obama foi eleito, há um ano de larguíssimos dias, temeu-se que a cor da sua epiderme os incitasse a encurtá-los.

Por isso, é o homem mais escoltado do mundo, mas agora, depois do seu repto, tem um inimigo abstracto que jamais perdeu uma guerra, ainda que tenha sido derrotado em batalhas parciais.



Nada de revelar o seu plano de operações, que consiste em proibir as operações especulativas, as Bolsas despencaram-se ruidosamente e a vida vai de mal a pior, mesmo nesta remota província do Império.

Por cá, PSI-20 foi severamente castigado, já que a anunciada batalha de restrições, determinou estratégias defensivas.

Por que foi anunciado?

Os militares gostam muito do “factor surpresa”, mas este desafio está previsto.

Também é previsível que a Obama lhe ocorra um azarado acidente ou que seja vítima de um desses misteriosos crimes cuja solução continua sem solução pelos anos fora.

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domingo, janeiro 24, 2010

- Baco, Vénus e tabaco, põem o homem fraco !

OPOSIÇÃO À OPOSIÇÃO

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A grandiosa notícia à escala mundial é que os Estados Unidos já controlam o Haiti.

Pelo menos é o que se diz, ainda que seja dizer muito, desde que 5000 marines dominam o aeroporto, o palácio Presidencial e patrulham as ruas de Port-au-Prince.

A pequena notícia, à escala nacional é que o governo não controla a oposição, qualquer que seja ela.

“O meu pequeno, é grande”, diziam os latinos e fica mal considerar menor o que nos afecta directamente, ainda que seja o encerramento dum tasco ou de um quiosque no nosso bairro.

Ás oposições foi-lhes feita u
ma oferta dessas que não têm mais remédio que rechaçá-las ou aprová-las.


Agora parece que a discussão do salário mínimo já não se coloca, pois é tão pequeno que não se pode andar sempre a mexer-lhe, sujeito a desgaste e portanto, ficar mais curto.

Quem é que está contente com o dinheiro que ganha?

Inclusivamente as poucas pessoas que se mostram satisfeitas com a sua retribuição crêem que simplesmente se lhes fez justiça, reconhecendo os seus méritos e que já estava na hora.

Também as pessoas mais modestas têm pontos de semelhança com aquele ilustre escritor e académico que disse a um jornalista para iniciar a entrevista e d
eixar as coisas claras: “Eu, que sou muito humilde, como as pessoas de valor extraordinário ...”.



Sócrates está obrigado a recuperar o controlo que controla os outros dissidentes ou divergentes (uma espécie de controlo universal mas só no nosso cardenho).

Hoje por hoje, não há nem uma alma que possa dizer que é sua.

O ministro das Finanças (Teixeira dos Santos), pode provar aos detractores a subtileza do seu génio.

Terá, entre outros a antipática tarefa de negociar com os antipáticos contrários.

Consta que ninguém ganha demasiado e muito menos com essa responsabilidade, com excepção de alguns irresponsáveis escolhidos a dedo, mas infelizmente é disso que há mais.

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sábado, janeiro 23, 2010

- Queria mudar o mundo que falhou miseravelmente.
Agora, só tento não deixar que o mundo me mude a mim !

PÁREAS NO HAITI

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Os cronistas mais audazes, que são sempre os que chegam primeiro depois das catástrofes, já que se tivessem acudido antes, não as poderiam relatar, asseguram que a vida está lentamente a voltar à vida no Haiti.

Custa-lhe avançar porque tem que passar por cima de muitos cadáveres.

Os Estados Unidos dispõem-se a enviar outros 4000 soldados mais para aquele país caribenho que deixou de ser, não só um país do Caribe, como uma nação que figurava no mapa.

Quiçá irá ser uma estrela mais no firmamento móvel da bandeira americana.

Nunca se sabe, mas neste caso não seria o pior que poderia acontecer aos sobreviventes.

De momento, o que sabemos é que há muitas dificuldades para adoptar crianças que ficaram com vida depois do terrível terramoto.



A terra voltou a tremer e agora os que tremem, são os que querem acolher em suas casas os que ficaram sem casas.

Há muitas solicitações de lares que desejam incrementar o número dos seus habitantes, incorporando crianças haitianas, mas a adopção não é fácil.

Entende-se que não o seja, mas que não seja impossível.

Há gente má que empesta o mundo e há que tomar precauções.

Bandos organizados, que disfarçam bons sentimentos de solidariedade, para recrutar crianças e adolescentes, que imediatamente se destinam à prostituição ou à mendicidade.



A quem se entrega uma criancinha de cor canela ou de iodo?

A cor da infância é sempre a da inocência.

Que será dessas criaturas de olhos esbugalhados pela dor e de embutido mel nos seus frágeis corpos?

Os seus mais velhos morreram.

Não entendem o que se passou.

Ninguém o entende.

Somos capazes de repartir desgraças e piedades.

Num certo sentido, vivemos como Deus, que há muito tempo faz o mesmo.

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sexta-feira, janeiro 22, 2010

- Só acredito nas pessoas que se ruborizam !

LOUCAMENTE

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Olha-me


examina-me


atrai-me


conquista-me


tacteia-me


apalpa-me


abraça-me


aperta-me


beija-me


descontrola-me


enlouquece-me


espoja-me


despoja-me


viola-me


sussurra-me


ama-me.


Depois caminha, de mãos dadas, pela mesma vereda.




josé torres


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quinta-feira, janeiro 21, 2010

- Só o néscio tacteia a profundidade com os dois pés !
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PINTURAS RUPESTRES

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Nesta hora portuguesíssima, que cada um vê num relógio diferente, há muitos cidadãos que estão a trepar ás paredes e outros que se dedicam a conspurcá-las, escrevendo nelas.

Qualquer um que olhe os muros da sua pátria, pode fomentar a sagrada propensão para a leitura, mas concomitantemente não pode desenvolver o seu estranho impulso de escrever, já que quase todos os espaç
os urbanos estão ocupados.

Sempre se falou do evidente perigo social que con
stitui um louco com um lápis, mas o mau é que agora o número de loucos, de todas as cores políticas, é idêntico ao dos lápis de cores.

Para maior confusão, entre eles infiltraram-se alguns artistas verdadeiros, que acreditam que a sua “favela” é o “ar.co” e para dar nas vistas e darem-se a conhecer pretendem sobrevoar sobre a marabunta de borradores de fachadas.



O fenómeno, que já é antigo, está sempre pujante, de maneira que as Câmara Municipais, cada vez se vêem mais obrigadas a destinar verbas para a limpeza de eventuais obras de arte.

É uma maneira de gastar o dinheiro e dar-lhe visibilidade, já que, o que embolsam, só brilha nos bolsos do destinatário.

Já sabemos que desde que se deu em dizer que todos os génios têm um parafuso solto, não há chanfrado que não se creia um génio.

Antes, quero dizer na inacabada transição para a actualidade, abundava a perspicácia nos chamados “grafiteiros” , mas agora o que abunda, são os desbotados.




Houve tempos em que os transeuntes mais liberais podiam sorrir ao ler os mútuos dictérios políticos, incluindo os metafísicos.

Não deixava de ser uma forma de transmitir o pensamento do autor desconhecido.

Nunca mais esquecerei daquele graffiti que dizia, “A vida é um barco, assinado: Caldeirão de Merda”.

Foi uma lástima apagá-lo das paredes, mas também foi um gasto.

Limpar as cidades custa muito dinheiro.

Não sei se menos do que educar os cidadãos, incluindo os loucos armados de lápis grafiteiros.

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quarta-feira, janeiro 20, 2010

- Os donos do povo serão sempre os que sabem prometer o Paraíso !

ATÉ À VISTA

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Acolhêmo-los de braços abertos na época em que as nossas mãos entravam e saíam, quase incólumes, dos bolsos.

Os imigrantes contribuíram muito para divulgar a fama de que Portugal era a mais hospitaleira das nações europeias: aqui era bem acolhido todo o mundo, com a condição de que chegassem com uma máquina fotográfica ou uma marmita.

Os nossos hóspedes favoritos tinham que chegar de TGV e avião ou de bateira e batel.

Ou até em transatlânticos ou a pé.

Necessitávamos por igual dos dois tipos de clientes.

Agora as coisas alteraram-se bruscamente: os visitantes ricos escasseiam e os pobres urge enxutá-los.

Nada menos que 35.000 imigrantes estão no desemprego, a que se juntam os nativos, que poderão formar um verdadeiro engarrafamento ás portas do IEFP.



O melhor que podem fazer é ir-se com a mala da música e do suor ás costas.

Aqui já não são necessários, até sobram, mas será da mais elementar cortesia mostrar-lhes a nossa gratidão pelos serviços prestados.

Ao que parece, isso de lhes dizer que tivemos muito gosto em conhecê-los e em explorá-los de acordo com as nossas leis é algo que temos delegado nas obras, nas culturas debaixo de plásticos infernais e nas esquentadas cozinhas.

Tudo isto só demonstra que a imensa maioria dos nossos imigrantes oferecem uma enorme resistência ao calor.


Aguentam o seu e o nosso, a altas temperaturas e além disso, não só suam pouco, como também ganham pouco.

A crise desvalorizou ambas as admiráveis condições laborais já que começa a ter muita concorrência com os nativos e para provar o nosso patriotismo, preferimos que nos lave o solo pátrio uma jovem dos nossos arredores, do que uma brasileira ou africana.

Isto só demonstra que continuamos a ser uns cuidadosos patriotas, desses que não querem a ninguém em concreto, mas que professam um grande amor ao território.

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terça-feira, janeiro 19, 2010

- A noite avançada é um sussurro e deleite para o corpo !

GUERREIRO EM DESCANSO

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É uma verdade que o descanso do trabalho também é parte do trabalho.

Incluso o Sumo Fazedor se sentiu fatigado depois de criar o mundo em seis dias e teve que tirar uma folga ao sétimo.

Mesmo que isso justifique uma certa precipitação.

Não sei se algum teólogo se atreveu a reprovar a celeridade, visto que o que saiu era muito mais melhorável.

Se por acaso tivesse tido mais tempo, as coisas teriam sido muito diferentes para as suas criaturas temporais.

Ao presidente norte americano Obama, que temos confundido com o Redentor da nossa época, estão reprovando-o por se cansar e tenha tirado umas férias.


Querem que trabalhe como um negro e os seus inimigos políticos, que os tem de todas as cores, criticam-no severamente porque está de férias no Hawai, em vez de estar de pé junto ao canhão, com tanta artilharia dispersa que há.

Sempre nos deram vontade de rir os dez reis de gente que quando ostentam um “carguito”, quer seja local ou nacional, asseguram que não têm nem um minuto livre.

Que seria destes pobres diabos se tivessem que ocupar do inferno em que se transformou o mundo?

Está claro que a atenção que se requer para estar condolío pelo atentado suicida do Paquistão, onde morreram 88 pessoas, que gostavam do voleibol, não pode ser investida para lamentar as mortes provocadas nos atentados no Afeganistão.


O que é que pode fazer Obama?

Nem o seu poderoso país tem tantas bandeiras para enxugar as lágrimas.

Demasiada responsabilidade a sua.

Não há que lhe exigir a permanência.

Que continue no Hawai.

Aos nossos líderes, quando apanham um mal ganho descanso, também temos que agradecer-lhes.

Brilham mais com a sua ausência e além disso dão uma oportunidade de recuperar o que fica, que há pouco tempo chamávamos economia nacional.

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segunda-feira, janeiro 18, 2010

- Não levarei arrependimentos nem o peso da hipocrisia.
Tenho pena daqueles que se enganam a si mesmos por dinheiro ou posição, (ou por opção) !

DEUS EXISTE ???

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Muitos dos sobreviventes da catástrofe programada pela Mãe Natureza no Haiti, entregam-se à pilhagem.

Está comprovado que os assaltos aos estabelecimentos de víveres e os saques das poucas casas que ficaram em pé depois do terramoto, têm como protagonistas os esfomeados, mas reprova-se-lhes a sua conduta.

O primeiro que perdem os flagelados, depois da esperança, são os bons modos.

Tão-pouco nos naufrágios se manifesta, a reluzir, a virtude da cortesia.

Inclusivamente os que viajam em primeira classe esquecem-se de dizer, “por favor” e “passe você primeiro”, quando se trata de alcançar um bote repleto ou um salva-vidas.

O desespero e a cólera
estendeu-se a Port-au-Prince, que é uma sucursal do inferno, esse que não existe, mas que sem dúvida nenhuma tem muitas sucursais terrestres.



A resposta internacional está a ser lentíssima, além de insuficiente e prevê-se que vá ser menor.

Talvez a compaixão seja um sentimento que tenha caducidade.

Se resistimos aos primeiros embates, vai-se atenuando e o que no início foi piedade, torna-se em aceitação.

Todos mostramos
uma admirável capacidade para suportar as desgraças alheias.

E além de tudo, quando são remotas.

Não conheço ninguém, entre os meus amigos, que são selectos, porque fui eu que os seleccionei, que não se tenha estarrecido ante a tragédia, mas tão-pouco houve algum que tenha deixado um almoço.



À sobremesa temos comentado o incompreensível comportamento desse que chamam divindade.

Uns acreditam que esse Deus é neutral, ou seja, que o mundo escapou-se das suas mão e outros, esgrimem a não menos estranha tese que se esqueceu completamente do que criou.

Outros não sabem, nem respondem.

Organizar ajudas é mais difícil que sentir o desejo de ajudar.

Inclusivamente do que dar dinheiro.

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