O VIDEIRINHO
sábado, junho 29, 2013
DEVANEANDO
.
Estou a escrever do meu táxi, numa pausa, já só me resta 21% da bateria do meu computador portátil e acabo de dar-me conta que me esqueci do carregador em casa.
Se me tenho apercebido antes, não teria empregue aqueles 79% de bateria na busca do nome daquela actriz porno, ou deusa protestante, que me enfeitiçou ontem à noite (voltei a esse site e o seu vídeo já tinha desaparecido) e depois sonhei com ela, um sonho divino: eu era o conservador da conservatória do registo de propriedades e ela entrou no meu “estaminé” e pediu-me, por favor, se podia requalificar o seu umbigo (de zona edificável para parques e jardins) e assinei um papel com a requalificação; então começou a crescer, do seu umbigo, uma planta carnívora vestida, com o caule, com batina e colarinho clerical.
A planta abriu as suas fauces e no seu interior encontrei dois anéis.
Então, a actriz porno ou deusa e eu casámo-nos, ali mesmo, com a planta carnívora do seu umbigo oficiando a união.
Na noite de núpcias, disse-me que levava uma vida inteira a esperar por este momento, ela era virgem.
E eu estava chateado, é claro.
– Puxa!
Porra!
Acabo de ver-te numa Web porno, na secção “Interracial big cock”!
– E o que fazias tu amor, vendo pornografia?
– Não mudes de tema!
– Isto é só um sonho, lembras-te?
Aqui e agora sou virgem.
– Posso corroborar.
És virgem, disse a planta carnívora.
Nisto despertei.
Instantes antes de me reconciliar com ela.
Instantes antes de comprovar se mentia.
Por isso acabo de empregar os 79% da bateria em procurá-la de entre dezenas de vídeos porno (árduo trabalhão).
Necessitava do seu nome; mais dados que me aproximassem dela.
Agora penso que já sei.
Parece-me que se chama Barbie Bridges, aliás, Melissa Scott e, ainda que aquele negro falasse em inglês e ela uma linguagem inteligível (difícil entendê-la com a boca tão cheia), admirou-me comprovar que é de nacionalidade americana.
De Los Angeles, Califórnia para ser mais exacto.
E do ponto de vista onírico, minha esposa.
Como estava a dizer, já só tenho 9% de bateria, estou no meu táxi e não creio que volte a casa mais cedo do que as 3 (necessito de um bar para pensar na minha nova vida com a Melissa) e de publicar os meus posts à meia-noite e já é meia-noite (6%).
Não gosto de escrever com tantas pressas, sob pressão, do ícone, da merda da bateria (2%), mas entendam-me, estou loucamente apaixonado.
03MAI2011
.
.
sexta-feira, junho 28, 2013
PREMEDITADO
.
Era tão bela como ausente das ruas, dos carros e, sobretudo, de mim.
Imediatamente a ter-me indicado o destino não muito longínquo, pegou no seu iPhone entre os dedos e colocou-o sobre as pernas e assim o manteve, teclando e sorrindo o que lia, colada sempre ao visor de cristais líquidos, sem levantar a vista por nada e muito menos por mim.
Precisamente por isso, pelo meu ataque de solidão em conflito com a sua beleza, não me ocorreu outra coisa que chamar a sua atenção mediante um método talvez algo bruto (por acaso o amor à primeira vista não o será?) ainda que resulte sempre: pisar bruscamente no travão com a desculpa, que eu sei, de algum gato imaginário que se cruzou de repente ou uma pomba ou um buraco… qualquer coisa mais ou menos plausível.
E se melhor o pensei, mais depressa o executei, mas não calculei ou calculei mal a potência da travagem.
Não esperava que ela, ou melhor, a cabeça dela acabasse enfaixando-se contra as costas do banco dianteiro, saltando ao mesmo tempo o iPhone pelo ar.
Face á violência do impacto soltei o pedal do travão e nesse momento ela recuperou a sua posição inicial.
Agora tinha o lábio inferior ensanguentado e os dentes da frente também.
Deitou uma mão à boca, viu o sangue e exclamou:
- O que se passou?
– Merda! Foi um gato que se cruzou num repente.
Está bem?
Disse parando o táxi encostado ao passeio.
– Sorte a minha!
Estou… a sangrar?
– Temo que sim.
Deixe-me ver.
Acerquei os braços por entre os bancos da frente, coloquei dois dedos no seu queixo (acetinado; muito suave ao tacto) e puxei-a com cuidado para ver melhor a ferida.
Era apenas um pequeníssimo corte provocado, supus, pelo impacto do gume dos seus dentes contra o mesmo lábio.
Procurei uma embalagem de lenços de papel e estendi-lha.
– Sinto muito, disse-lhe.
– Tenha calma.
A culpa foi minha.
Deveria estar mais atenta ou, pelo menos, ter colocado o cinto de segurança.
Já agora onde está o meu telemóvel.
– Espere que eu procuro-o.
Saltou pelos ares – tacteei debaixo dos bancos dianteiros e encontrei-o; estendi-lho, aproveitando para roçar os seus dedos com os meus.
– Obrigado.
Parece que não se avariou.
Do mal o menos…
– Espere um momento.
Vou entrar naquele café e pedir uma pedra de gelo para colocar no lábio.
– Não, não.
Calma.
Não se preocupe.
Não parece que seja nada.
Só um pouco de sangue, disse, lambendo o lábio com a ponta da língua; momento cardíaco.
Não sucedeu mais nada.
Continuámos o trajecto e ao sair, neguei cobrar a viagem, pelo incómodo.
Saiu e foi-se… com o meu lenço de papel no lábio e eu senti-me mal e bem.
Culpado por aquele golpe sujo que não pretendia, mas bem porque a bela jovem se lembraria de mim enquanto durasse a irritação daquele pequeno corte no seu lábio (que tocaria uma ou outra vez com a sua mesma língua), mas culpado também por sentir-me pela sua ferida (que tocaria uma ou outra vez com a sua mesma língua), mas bem… e sem dúvida culpado porque a bela jovem se recordaria de mim… … num insuportável circulo vicioso...
.
quinta-feira, junho 27, 2013
VAMPIROS
.
Há poucos dias fui testemunha de uma conversação entre dois assessores bolsistas, ambos residentes na City de Londres, em viagem de negócios pelo Porto.
Apanharam o táxi no aeroporto de Pedras Rubras, sem bagagem, com destino ao Restaurante Terra, na Rua do Padrão (Foz), só para “comer” com um cliente e de seguida apanharem o avião de volta.
Durante o trajecto, como digo, falaram da estratégia a seguir com este cliente, apodado, por eles mesmos, como “pai filho da puta”.
Para ambos, e em petit comité, todos os seus clientes compartilhavam o apelativo de “filhos da puta” em diferentes graduações de parentesco segundo o volume da massa que manejassem, bem como a sua “maior ou menor capacidade para não ter escrúpulos” (literal).
Também se referiram a eles como “doentes” e “psicopatas das finanças”.
Neste caso, pelos vistos, “papá filho da puta” queria que os meus dois utentes lhe “colocassem” um “pacote quente” de 12 milhões (de euros ou dólares, não o disseram) “a três meses”.
Falaram de percentagens e ganhos que não direi (porque podeis estar-me a ler em horário infantil).
Também chamou a minha atenção a sua capacidade para alternar o português com terminologia anglo-saxónica (tecnicismos económicos impossíveis de traduzir), como se tivessem criado uma linguagem própria só entendível por eles, convertendo assim que a modos de complexo, o que, no fim de contas, poderia resumir-se no seguinte: a Bolsa não é mais que um casino onde os pequenos jogadores por vezes ganham e os grandes nunca perdem.
Aí está o problema: os grandes nunca perdem.
Nem mesmo quando criaram a actual crise mundial.
Desta vez deram-lhe tão forte à roleta que a bolita saltou e o croupier assalariado perdeu um olho.
E esse olho perdido (por culpa, suponho, de um rápido efeito da coca do que lançou a bola) gangrenou em recortes sociais, mais desemprego, incumprimento nas moradias e andares, nos veículos e demais penúrias, para o resto dos mortais que limpamos as suas mesas de jogo e continuamos a limpar e continuaremos limpando até que se nos inchem de todo os tomates.
Agora os nossos governos também são croupiers que trabalham para os grandes.
Esta nova e falsa democracia consiste em votar nuns tipos que farão o que dizem esses grandes “jogadeiros”.
E eu não votei no jogadeiro.
E os meus tomates estão roxos.
Roxos de raiva.
Por isso também apoiarei uma qualquer manifestação pelo manto de miséria que se abateu pelo meu país.
Espero que quando chegar a hora, também tu estejas presente, ainda que seja só para defenderes sem coágulos, esse sangue que te corre nas veias.
12SET2009
.
terça-feira, junho 25, 2013
TELENOVELA
.
A minha mamã deitou-me sobre uma manta que estava esticada sobre a mesa da sala de jantar.
Ela utiliza sempre aquela mesma manta repleta de patos amarelos, com a desculpa de que a mim só me atrai aquela mesmíssima.
Na realidade, se tem patos, ursos ou cães, para mim é absolutamente indiferente.
Atrás das minhas costas estava a televisão emitindo uma dessas telenovelas que hipnotizam a minha mamã e a deixam perplexa durante horas, diante do ecrã.
Eu estava nu e o vento de um ventilador fazia-me um bocado de frio.
Tive que começar a espernear e a queixar-me um pouco para que me prestasse atenção, mas ela continuava com o olhar fixo no ecrã.
De repente, veio-me a sensação de urinar, há medida e no momento exacto.
O líquido emergiu descontrolado, salpicando por completo o rosto da minha mamã.
Ainda que lhe tenha interrompido a telenovela, nenhum de nós conseguiu aguentar as gargalhadas.
.
segunda-feira, junho 24, 2013
NATÁLIA
.
Estou a "cozer" estas linhas num bar, na única mesa que estava livre, justamente debaixo dum enorme televisor.
Estão a jogar futebol e assim, os “devotos”, uns 20, olham como se fosse para mim, mas mais para cima.
Sinto-me observado ainda que ninguém me ligue puto.
Como Strike (banda do pop punk brasileiro).
É difícil escrever enquanto todo o mudo parece que te olha e berra:
Oaaaa… Uiiii…. Boaaa… ao mesmo tempo que digito, como se escutasse as minhas frases em tempo real.
Isto gera-me uma pressão bastante estúpida, mas vai funcionando.
Obriga-me a escrever mais concentrado.
Goolo!, gritam todos.
Dois homens abraçam-se.
Atrás, uma garota olha-me.
Veste uma t-shirt de "Os Belenenses" com o seu nome gravado: NATÁLIA.
O seu parceiro é o tipo que acaba de abraçar o outro.
Ela apenas sorriu com o golo da sua equipa.
Suponho que se converteu ao futebol para compartilhar a clubite dele.
Tão absurdo é o amor.
Tão absurdo é o futebol.
Olho para Natália e escrevo.
Volto a olhar e volto a escrever.
Nada atrai mais uma mulher que a sua própria curiosidade.
Ela sabe que estou a escrever sobre ela, mas não sabe o quê.
Sabe que me inspira, mas não em que direcção.
De facto, para ela agora o futebol não existe.
Olha-me e franze as sobrancelhas, confusa.
O seu parceiro continua com o braço sobre o ombro do outro tipo.
Para ele só existe o televisor.
A equipa da sua vida.
Cada vez que se move e me tapa a visão da sua parceira, ela move-se e procura-me com o olhar.
Voltamos a manter o contacto e sorrio.
Atenta ao meu sorriso, ela olha o seu parceiro e abraça-o, mas ele afasta-a e continua a comentar as jogadas com o seu amigo.
O futebol é coisa de homens.
Pelo menos para ele.
Ela levantou-se e foi ao WC.
Agora volta, (3 minutos).
Com efeito, esperei que saísse do WC e "fiz-me" de conta a um encontro casual.
Tirada DAQUI
Previamente escrevi num guardanapo uma nota para ela:
"A mim tão-pouco me interessa o futebol. Mantenho o segredo”.
Consegui dar-lha, com os meus olhos a escassos dez centímetros dos seus.
Entrei no WC dos cavalheiros, deixando a porta entreaberta e aí pude ver que ela voltou a entrar no seu quarto de banho para lê-la.
É importante entender a sua reacção.
Procurou a intimidade para ler a minha nota escrita.
Não a recusou, nem a atirou ao solo.
Escondeu-se para ler a minha nota.
Dadas as circunstâncias, o mais lógico teria sido esperar que ela saísse do WC, para conhecer a sua reacção, ou para dar o passo seguinte, mas inquieta mais pelo imprevisível; assim saí e voltei para a minha mesa.
Ela ainda tardou um par de minutos antes de voltar.
Pensou durante três ou quatro longos minutos na nota e na situação que eu tinha provocado.
Ao voltar a juntar-se ao seu parceiro voltou a mirar-me.
Continua a olhar-me.
Agora sem qualquer pudor.
Olha-me fixamente e eu a ela.
Quis interpretar um sinal de socorro nos seus olhos; talvez seja.
Acaba o jogo.
Aproximo-me do balcão para pedir a conta.
Nisto cruzo-me com o seu parceiro e pergunto-lhe:
- Como ficou o jogo?
– Ganhámos.
– Duvido, disse-lhe.
Ela não está.
Perdi o seu rasto.
Pago, volto para a mesa e desligo o computador.
Irei para casa.
Ao abandonar o bar e entrar no meu táxi (estacionado mesmo á porta), encontrei o mesmo guardanapo, que tinha escrito para Natália, no limpa-párabrisas.
Abaixo da minha nota havia um número de telefone, escrito a esferográfica e uma indicação:
“Lig-me mnhã das 8 pás 8,30 da maã. Eu t/cntari”.
Rasguei o guardanapo.
Não gosto de madrugar.
Nem de abreviaturas…
.
sábado, junho 22, 2013
COINCIDÊNCIAS COINCIDENTES
.
Um táxi dirige-se do ponto A para o ponto B a uma velocidade de 50 Km/h.
Por sua vez, outro táxi realiza o trajecto oposto a uma velocidade de 75 Km/h.
A distância entre A e B é, suponhamos, sete quilómetros.
Com estes dados, os alunos calculam em que ponto se cruzam os dois táxis.
Mas o professor reserva-se com alguns detalhes.
Os alunos não sabem, por exemplo, que no primeiro táxi viaja o marido da passageira do segundo táxi.
Tão-pouco sabem que à passageira em questão acabam de se lhe romper as águas, ou que o ponto A é, precisamente o hospital onde pensa dar à luz (e o ponto B, a casa de ambos).
Por um erro de coordenação o marido chegou primeiro ao hospital.
Ao ver que a sua mulher ainda não tinha chegado e que também não atendia o telemóvel, apanhou um táxi para ir à sua procura.
Tão-pouco sabem que, ao cruzarem-se no ponto exacto que os alunos agora calculam, o taxista disse ao marido:
- Que casualidade.
Naquele táxi que acaba de se cruzar connosco viajava uma fulana que conheci há uns meses e que acabou, também, por conhecer a minha casa, a minha cama, a minha fogosidade.
São dados importantes que ninguém ensina nas escolas.
Daí o fracasso do nosso sistema educativo.
.
sexta-feira, junho 21, 2013
TUDO TEM PREÇO
.
É fácil encontrar qualquer coisa.
Armas, um assassino profissional, um “papel” de cocaína, miúdos, documentos, restos ósseos, psiquiatras, medalhas, arte sacra.
Selecciono a mulher adequada de entre um rosário de cem.
Cabelo ondulado, olhos escuros, sardas, mamas nem grandes nem pequenas, simplesmente “aquela” medida, pele bronzeada e voz doce.
Desligo o taxímetro e travo o meu táxi à sua altura.
Deito a cabeça de fora e aproximar-se-á.
Exponho-lhe as minhas necessidades: “francês”, “grego profundo”, submissão.
Negoceio um preço.
Com o que pago não só compro o seu tempo; como também anulo sua vontade.
Invento uma cena que apazigúe os meus traumas:
- Chamar-te-ás Eduarda e tratarás de resistir-me.
Brigaremos primeiro durante pelo menos dez minutos, e depois deixar-te-ás levar e fingirás que gostas.
Ausência para o pequeno almoço
Atingirás o clímax orgasmático quando eu o atingir também e dormirás abraçada a mim, acariciando-me o cabelo.
De manhã tomaremos o pequeno almoço em silêncio enquanto leio o jornal.
Depois do pequeno almoço poderás partir.
Contrato fechado?
- Sim.
- Agora diz-me que me queres.
- Quero-te.
- Diz-me: és o homem da minha vida.
- És o homem da minha vida.
Neste caso 500€ equivalem a duas descargas de esperma machão, três contusões que esconderás com maquilhagem e uma notável descida do meu nível de ansiedade.
O nosso acordo comercial eximir-me-á de toda e qualquer culpa: o preço fê-lo ela.
Ela aceitou as minhas condições.
Nota:
Querias capitalismo?
Vendo-te meia dúzia de copos.
.
quinta-feira, junho 20, 2013
ANULAR INTRODUÇÃO
.
Ligo o computador, conecto-me à internet e acedo ao editor deste blog
(Blogger).
Clico na aba “Mensagem nova” e no mesmo instante abre-se um quadro
de texto (sem texto, como é evidente).
É o mesmo ritual de cada dia, ao longo
destes últimos longos seis anos: começar a escrever aconteça o que acontecer,
digitando palavra após palavra, formar uma ideia, dar-lhe corpo, acrescentar,
remover, ir-me abaixo um instante ou elevar-me a mil, a intervalos de
milésimas.
Começar a escrever implica ter tempo, apartar os problemas do
quotidiano, ou melhor ainda, borrifar-me neles.
Ás vezes escrevo sobre
passageiros que na realidade são traumas disfarçados de tipos gordos com
bigode, viajando num táxi imaginário.
Chamo-lhes “montes de conversa fiada
literária”, personagens inventadas que servem para aplacar a minha ira.
Por vezes
escrevo com tanta raiva que, inclusivamente, até saltam as teclas do
computador.
Recordo uma ocasião que em pleno orgasmo criativo saltou pelos ares
a tecla “Z” e em vez de voltar a encaixá-la no teclado (estava on fire), meti-a
na boca.
E imediatamente, sem querer, engoli-a.
Passei vários dias sem pegar
olho, sentindo cólicas ou convulsões cada vez que escutava ou lia qualquer
palavra que incluísse a letra “Z”.
Foi o meu psiquiatra quem conseguiu
acalmar-me:
“Esquece essa merda dessa tecla.
A letra “Z” é surda, por amor de
Deus”.
Escrevo estas linhas a partir duma esplanada, com WiFi, de um bar em
Angeiras.
Deixei uma passageira muito perto daqui, vi a esplanada e aparquei o
táxi.
Funciono sempre assim: deixando-me levar pelo acaso.
Sem horários.
Sem lugares
fixos.
Sem chefes.
Sem pressões.
Nunca me senti obrigado a escrever.
Além
disso, não me pagam para isso.
Sou livre.
.
sábado, junho 15, 2013
.
A CONDESSA DESCALÇA
Recordo o primeira vez que me apaixonei; tinha onze
anos e ela trinta e cinco, eu moreno, ela morena, eu em Castelo Branco, ela em
Hollywood.
Como a cada domingo depois de regressar de casa de Baptista Mendes, amigo dos meus pais e meu padrinho, o único com televisão, onde podia viajar visualmente (só aos domingos).
Melhor e maior mesmo, só no Cine Teatro Avenida (Castelo Branco).
Não sei como… mas entrei e vi “A Condessa Descalça”, suponho ter sido um sábado.
A protagonista, a “ bela bailarina espanhola, Maria Vargas, (Ava Gardner); uma esbelta actriz de lábios apetitosos, lábios que nos meus sonhos sabiam a neve, framboesas, nostalgia e mel; pernas esculturais para suporte de tão desejosa e esbelta escultura; tinha um magnetismo felino.
Como a cada domingo depois de regressar de casa de Baptista Mendes, amigo dos meus pais e meu padrinho, o único com televisão, onde podia viajar visualmente (só aos domingos).
Melhor e maior mesmo, só no Cine Teatro Avenida (Castelo Branco).
Não sei como… mas entrei e vi “A Condessa Descalça”, suponho ter sido um sábado.
A protagonista, a “ bela bailarina espanhola, Maria Vargas, (Ava Gardner); uma esbelta actriz de lábios apetitosos, lábios que nos meus sonhos sabiam a neve, framboesas, nostalgia e mel; pernas esculturais para suporte de tão desejosa e esbelta escultura; tinha um magnetismo felino.
Nessa noite o sono abandonou-me
e no dia seguinte fê-lo o apetite, qualquer recanto tornava-se um bom lugar
onde repousar a vista, o meu coraçãozito autista assim mandava.
Creio que foi na noite seguinte quando a minha mãe, alertada pelo meu comportamento, se sentou na beira da minha cama para se inteirar do meu estado.
Eu descrevia os sintomas com a mesma inocência que o fazia ao médico de família, “sinto aqui… como que um…”
Foi até que num repentino movimento de mãos, me despenteou e que o seu gesto sério se transformou num sorriso.
Zé, tonto, o que se passa contigo… é que estás apaixonado.
Era tal o meu estado de enfermo, que unicamente reconhecia e aceitava a imensidade oceânica como barreira insuperável na nossa história de amor.
Durante semanas o meu peito converteu-se numa lúgubre adega vazia e húmida, podia sentir nas suas paredes a condensação de cada lágrima.
Teria mesmo dado o meu Meccano por uma só carícia sua!
Creio que foi na noite seguinte quando a minha mãe, alertada pelo meu comportamento, se sentou na beira da minha cama para se inteirar do meu estado.
Eu descrevia os sintomas com a mesma inocência que o fazia ao médico de família, “sinto aqui… como que um…”
Foi até que num repentino movimento de mãos, me despenteou e que o seu gesto sério se transformou num sorriso.
Zé, tonto, o que se passa contigo… é que estás apaixonado.
Era tal o meu estado de enfermo, que unicamente reconhecia e aceitava a imensidade oceânica como barreira insuperável na nossa história de amor.
Durante semanas o meu peito converteu-se numa lúgubre adega vazia e húmida, podia sentir nas suas paredes a condensação de cada lágrima.
Teria mesmo dado o meu Meccano por uma só carícia sua!
Passaram-se
cinquenta anos e não a esqueci.
Não sei se foi amor, fantasia, loucura, química, ou tudo junto, provavelmente que tudo seja a mesma coisa; mas nestes anos aprendi algo sobre este estranho fenómeno.
Podes apaixonar-te horas ou inclusivamente anos, de aquém te ama e odeias, do que queres e não suportas, do que existe e não conheces, de um proxeneta príncipe azul, de umas costas desnudas, de uma mulher de cem homens, de um homem que não é homem, de ti ou de ninguém.
Para ser amplamente feliz não é necessário acasalar-se, apaixonar-se ou amar, mas para deixar de sê-lo basta tão só em fazê-lo com a pessoa equivocada.
Não sei se foi amor, fantasia, loucura, química, ou tudo junto, provavelmente que tudo seja a mesma coisa; mas nestes anos aprendi algo sobre este estranho fenómeno.
Podes apaixonar-te horas ou inclusivamente anos, de aquém te ama e odeias, do que queres e não suportas, do que existe e não conheces, de um proxeneta príncipe azul, de umas costas desnudas, de uma mulher de cem homens, de um homem que não é homem, de ti ou de ninguém.
Para ser amplamente feliz não é necessário acasalar-se, apaixonar-se ou amar, mas para deixar de sê-lo basta tão só em fazê-lo com a pessoa equivocada.
Demasiados casais estão com quem podem e não com quem
querem.
A dependência nutre a cobardia e, nestes casos, o conformismo mata a ilusão dando aso a uma espécie de simbiose parasitária em forma de par ou casal, casamento, namoro ou noivado.
As pessoas não amam, emparelham-se.
Não acredito nos casais, mas sim no casal, não creio na fidelidade, mas sim na lealdade, não creio no amor, mas sim na sua probabilidade.
E um dia a probabilidade cumpre-se e encontras-te com o coração de treze anos chapinhando num oceano para dois, com a utopia por desempacotar e compartir o teu primeiro Meccano.
Nesta matéria… não vale a pena substitutos.
A dependência nutre a cobardia e, nestes casos, o conformismo mata a ilusão dando aso a uma espécie de simbiose parasitária em forma de par ou casal, casamento, namoro ou noivado.
As pessoas não amam, emparelham-se.
Não acredito nos casais, mas sim no casal, não creio na fidelidade, mas sim na lealdade, não creio no amor, mas sim na sua probabilidade.
E um dia a probabilidade cumpre-se e encontras-te com o coração de treze anos chapinhando num oceano para dois, com a utopia por desempacotar e compartir o teu primeiro Meccano.
Nesta matéria… não vale a pena substitutos.
.
.
quarta-feira, junho 12, 2013
SONOS E SONHOS
.
Para mim, um dos melhores momentos do dia é quando ele finaliza... uma vez na cama, os breves segundos que antecedem o sono são extraordinários, o corpo ignora a gravidade, as pálpebras sabendo da sua inutilidade, caem rendidas, sem resistência.
Esses segundos não têm medida de tempo, podes sentir como tudo o que te rodeia passa a fazer parte de um cenário sem importância, a escuridão apaga-se e o raciocínio desvanece-se dando passo à criatividade.
É nesse instante que o cérebro aproveita a noite para actuar sem ser observado e desfrutar sem ser julgado, provavelmente esses instantes representam a verdadeira liberdade do ser humano.
Eu tenho sonhos maus e sonhos bons, cheguei a sonhar que um desalmado que me apunhalava, sentindo mesmo o frio metal entre as minhas “tripas” e asseguro que isso dói.
"O sono da razão produz monstros" - Francisco de Goya
Mas à poucos sonhos atrás, recebia outra visita com melhores intenções, umas mãos femininas moldavam suavemente o meu pescoço e com delicadeza faziam-me entrega de um delicioso beijo com sabor a lágrima, menta e açúcar, um beijo desses que não se esquecem, parecendo que esse beijo se tivesse preparado minuciosamente antes da sua entrega, entrega que curiosamente provinha de uns lábios inacessíveis, para mim, durante o dia... quando acordas, o teu peito inunda-se com uma estranha sensação de ressaca sentimental e emocional.
"Sono sem sonhos" de Abigail Vasthi Schlemm
Através dos sonhos podes fazer tudo, inclusivamente o mais íntimo com a pessoa mais inverosímil que possas imaginar; podes visitar e abraçar os ausentes, caminhar nu no lombo de um elefante azul, podes ser um anti-herói, chorares até encharcares a almofada, fazer amor sem sexo, teres muito sexo sem amor, conhecer outro tipo de desconhecidos, estrangular o teu chefe, viajar sem pesadas malas, sentar-te na tua velha carteira de escola, mergulhares entre nuvens e whisky, ou ser lapidado por trinta e sete notários sem gravata...; reconhecerão que durante o dia as nossas possibilidades se reduzem consideravelmente em rígidos emaranhados e complexas barreiras.
Creio sinceramente que os sonhos são uma ferramenta natural para não enlouquecermos quando estamos despertos, digamos que são um refúgio natural nocturno do pântano do nosso social diário.
Os sonhos são tão 'flipantes' que nunca me interessei interpretá-los, compreendê-los ou desencriptá-los, creio que este esforço é preferível aplicá-lo no que ocorre durante o dia ao meu redor.
A privação do sono é um dos mais efectivos métodos de tortura e a proibição e esterilização dos sonhos o mais cruel dos pesadelos.
Faz agora cinco anos que “ensinei a voar”, o meu despertador.
.
terça-feira, junho 11, 2013
segunda-feira, junho 10, 2013
RELAXE
.
Passei a tarde a
empilhar capítulos de “The Wire” (3 horas), a limpar com uma escova, as juntas
dos azulejos da cozinha (45 minutos) e a furar e arquivar recibos da luz e a consertar uma
carcaça de um lustre de Ikea (1 hora e 20 minutos), mas nada disto conseguiu
aplacar a minha ansiedade por ter dado trela a Marta, uma dessas amigas "Grande
Reserva" com direito a orgasmo.
Chamou-me para ficar (pisca... piscadela de olhos
rapida) e respondi-lhe que não podia, tinha que levar o esquilo ao
veterinário.
– Não sabia que tinhas um esquilo.
Eu tão-pouco, pensei.
De
qualquer maneira fiquei de lhe telefonar mais tarde e fi-lo.
Várias horas
depois de pendurar o lustre do IKEA consertado, voltei a telefonar-lhe, entre
soluços, para lhe dizer que o meu esquilo tinha morrido e que estava a pensar
em demandar o veterinário por negligência e que ela, como advogada, talvez me
pudesse representar no processo a mover.
Disse-me que nunca se tinha deparado
com um caso assim, que verificaria no Código e que, de qualquer maneira,
poderíamos encontrarmo-nos combinar para aprofundar os detalhes.
"Aprofundar", voltou a soar-me a
sexo e eu continuava sem sentir-me preparado, mas talvez com a desculpa do meu recente
luto, poderia evitar esta parte e encontrarmo-nos só como amigos, sem a
intimidade habitual.
Assim, acedi.
Fiquei de recolhê-la com o táxi e levá-la a
jantar à Cunha.
Marta levava um vestido preto, cingido, meias pretas e cabelo com
franja à Uma Thurman em Pulp Fiction.
Estava incrível.
Ao entrar para o táxi deu-me um beijo no canto da boca.
– Sinto muito o que aconteceu ao teu esquilo.
Estava incrível.
Ao entrar para o táxi deu-me um beijo no canto da boca.
– Sinto muito o que aconteceu ao teu esquilo.
Com isto desatei a chorar e abracei-me a ela.
Nunca antes tinha chorado pela perda de um bicho imaginário, mas aquilo resultou numa autêntica libertação para mim, muito melhor que vinte horas de terapia, melhor inclusive que uma caixa de Xanax.
Durante o jantar, Marta escutou os meus lamentos e prometeu ajudar-me jurídica e emocionalmente.
Depois tomámos uns copos e despedimo-nos com um casto beijo nos lábios.
Foi a primeira vez em muitos anos que o encontro não acabou em sexo e, nessa noite, dormi como um esquilo. Um esquilo vivo, entenda-se.
Nunca antes tinha chorado pela perda de um bicho imaginário, mas aquilo resultou numa autêntica libertação para mim, muito melhor que vinte horas de terapia, melhor inclusive que uma caixa de Xanax.
Durante o jantar, Marta escutou os meus lamentos e prometeu ajudar-me jurídica e emocionalmente.
Depois tomámos uns copos e despedimo-nos com um casto beijo nos lábios.
Foi a primeira vez em muitos anos que o encontro não acabou em sexo e, nessa noite, dormi como um esquilo. Um esquilo vivo, entenda-se.
.
domingo, junho 09, 2013
BEIJO CEGO
.
A uns cinquenta metros do meu táxi vi um homem parado no passeio com óculos de sol, uma bengala e um cartaz de “TÁXI” entre as suas mãos.
O meu era o único táxi livre na rua, assim avancei vagarosamente até ele (o tráfico era intenso e a rua estreita, de sentido único) com a intenção de deter-me à sua altura, ajudá-lo a entrar e depois levá-lo onde desejasse.
Mas antes de consegui-lo sucedeu algo inesperado.
O carro anterior ao que me precedia, um VW Golf vermelho, deteve-se à altura do cego, abriu por dentro a porta do "lugar do morto" e depois de trocar umas palavras com ele, este dobrou a sua bengala e entrou no carro.
Buzinei desalmadamente.
Sem qualquer dúvida que aquele condutor se fez passar por taxista com a intenção de estafar o pobre cego.
Como a rua era estreita e apenas se interpunha outro carro, não tive outro remédio que esperar que o falso táxi se detivesse no semáforo seguinte para me acercar e censurá-lo pela sua falta de escrúpulos.
O meu era o único táxi livre na rua, assim avancei vagarosamente até ele (o tráfico era intenso e a rua estreita, de sentido único) com a intenção de deter-me à sua altura, ajudá-lo a entrar e depois levá-lo onde desejasse.
Mas antes de consegui-lo sucedeu algo inesperado.
O carro anterior ao que me precedia, um VW Golf vermelho, deteve-se à altura do cego, abriu por dentro a porta do "lugar do morto" e depois de trocar umas palavras com ele, este dobrou a sua bengala e entrou no carro.
Buzinei desalmadamente.
Sem qualquer dúvida que aquele condutor se fez passar por taxista com a intenção de estafar o pobre cego.
Como a rua era estreita e apenas se interpunha outro carro, não tive outro remédio que esperar que o falso táxi se detivesse no semáforo seguinte para me acercar e censurá-lo pela sua falta de escrúpulos.
Mas o trânsito estava fluido e o Golf continuou rua fora até ao cruzamento com a Rua do Bonfim e prosseguiu em frente para a Avenida Fernão de Magalhães.
Aí aproveitei e tentei ultrapassar outros carros para alcançá-lo.
Por sorte, um deles era um carro da Polícia.
Buzinei para chamar a sua atenção.
Enquanto avançávamos, o carro patrulha baixou o seu vidro e eu o meu.
Gritei para o agente da polícia:
- Detenham aquele Golf vermelho.
Sem mais nada foram atrás do Golf e eu também.
Foi abordado quando já se detinha no semáforo: o carro patrulha parou à sua esquerda e eu à sua direita.
Mas pouco depois de me deter e me dirigir para ele, fiquei pálido.
Aí aproveitei e tentei ultrapassar outros carros para alcançá-lo.
Por sorte, um deles era um carro da Polícia.
Buzinei para chamar a sua atenção.
Enquanto avançávamos, o carro patrulha baixou o seu vidro e eu o meu.
Gritei para o agente da polícia:
- Detenham aquele Golf vermelho.
Sem mais nada foram atrás do Golf e eu também.
Foi abordado quando já se detinha no semáforo: o carro patrulha parou à sua esquerda e eu à sua direita.
Mas pouco depois de me deter e me dirigir para ele, fiquei pálido.
Encontrei o cego virado para o condutor do Golf (um tipo loiro e bem parecido).
Estava a beijá-lo na boca.
Um dos polícias saiu do carro e aproximou-se de mim:
- Quer que detenhamos esses homens por se beijarem?
- Não... Desculpe.
- Você é xenófobo?
O polícia mandou-me à merda enquanto deixou que o condutor do Golf prosseguisse a sua marcha.
Nota:
Estou confuso.
Talvez o tipo do Golf já o conhecesse, ou já tivessem sido um par, ou até tivesse acontecido uma coincidência por sorte.
Ou talvez, por culpa de um farsante, fiquei sem saber a que sabe um beijo de um cego.
Estava a beijá-lo na boca.
Um dos polícias saiu do carro e aproximou-se de mim:
- Quer que detenhamos esses homens por se beijarem?
- Não... Desculpe.
- Você é xenófobo?
O polícia mandou-me à merda enquanto deixou que o condutor do Golf prosseguisse a sua marcha.
Nota:
Estou confuso.
Talvez o tipo do Golf já o conhecesse, ou já tivessem sido um par, ou até tivesse acontecido uma coincidência por sorte.
Ou talvez, por culpa de um farsante, fiquei sem saber a que sabe um beijo de um cego.
.
sábado, junho 08, 2013
HERANÇA DE SILICONE (PARTE II)
… CONTINUAÇÂO
A verdade é que o tipo era um charlatão.
Tinha uma lábia incrível.
Bom, como estava a dizer, a minha amiga voltou do quarto de banho, apresentou-se e, blá, blá, blá, convidou-nos para outra rodada e, no final, acabámos trocando números de telefone.
O tipo encantador, telefona-me no dia seguinte e insiste para jantar com ele, nesse mesmo dia, num restaurante maravilhoso.
Então pensei, por que não?
Concordei e… comemos, rimos, vinho, copos e depois, convida-me para a sua casa; no final passou-se o que tinha de se passar.
Levou-me para ao quarto, começámos… já sabes, com os amassos… tirou-me o vestido, o sutiã e justamente quando me chupava as mamas, desculpa, mas foi mesmo assim, começa a invadir-me uma paranoia do “catano”.
Tinha uma lábia incrível.
Bom, como estava a dizer, a minha amiga voltou do quarto de banho, apresentou-se e, blá, blá, blá, convidou-nos para outra rodada e, no final, acabámos trocando números de telefone.
O tipo encantador, telefona-me no dia seguinte e insiste para jantar com ele, nesse mesmo dia, num restaurante maravilhoso.
Então pensei, por que não?
Concordei e… comemos, rimos, vinho, copos e depois, convida-me para a sua casa; no final passou-se o que tinha de se passar.
Levou-me para ao quarto, começámos… já sabes, com os amassos… tirou-me o vestido, o sutiã e justamente quando me chupava as mamas, desculpa, mas foi mesmo assim, começa a invadir-me uma paranoia do “catano”.
Já te disse que era mais velho do que eu, mas assim tão perto, deu-me para imaginar que poderia ser meu pai.
Não sei… tinha parecenças, inclusivamente tinha uma cicatriz atrás do pescoço parecidíssima e, apreciando bem, teria mais ou menos a mesma idade que o meu pai quando morreu.
Mas com tudo isto, “deixei-me ir”.
E dá-me muita vergonha dizer-te isto, mas em pleno pelejar juro-te que nunca antes me tinham dado semelhante queca.
Não sei… tinha parecenças, inclusivamente tinha uma cicatriz atrás do pescoço parecidíssima e, apreciando bem, teria mais ou menos a mesma idade que o meu pai quando morreu.
Mas com tudo isto, “deixei-me ir”.
E dá-me muita vergonha dizer-te isto, mas em pleno pelejar juro-te que nunca antes me tinham dado semelhante queca.
Imagina um tipo igualzinho ao meu pai “comendo-me”, perdão, succionando os mamilos, e eu entretanto a imaginar que está a tentar sugar-me, tal qual, como um bebé, não o leite materno, mas sim o silicone que precisamente ostento graças à morte do meu pai.
E agora, não sei se parecerá bem voltar-me a encontrar com ele, o que achas tu?
– Eu?
Creio sinceramente que necessito de apanhar ar e de umas férias.
E agora, não sei se parecerá bem voltar-me a encontrar com ele, o que achas tu?
– Eu?
Creio sinceramente que necessito de apanhar ar e de umas férias.
.
Subscrever:
Mensagens (Atom)


































