O VIDEIRINHO

quinta-feira, abril 30, 2015

- Sou um optimista; mesmo quando sou obrigado a subir a uma árvore para fugir do leão, ainda aprecio a paisagem !

NOS CONFORMES


.

Tudo, a dor e os risos, juntam-se às vezes num ponto e eclode e gera uma canção. 

Dancemos juntos. 

Tudo: a ânsia, as cócegas, as vontades, a letargia e os teus orgasmos.

A ira e a calma, o medo, decepção, as borboletas. 

Puxar dos galões e maquilhares-te. 

Rimmel waterproof, não me lixes! 

Pensar que o mundo somos dois e muitos acessórios.

Fazer do gozo uma grande festa. 

Tapar os ouvidos com as tuas coxas. 

Não me escutar. 

Sem filtros anti-spam. 

Somos o nosso próprio vírus. 


O meu táxi transporta-me a mim, tu és um corpo. 

Ando triste. 

Dói-me o fígado. 

Álcool de queimar as penas.

Outros conformes. 

Desafinar. 

E que se f*da a NASA. 

Os pesadelos são pesos pequenos no feminino. 

Descartemos o suicídio. 

A arma na boca provoca-me náuseas. 

Tenho acrofobia. 

Sou imune aos comprimidos. 

A vida magoa só agora. 

Relógio de sol. 

Ainda consciente como sou de quem sou, sempre quererei arriscar a ser outro.
.

quarta-feira, abril 29, 2015


- O governo é especialista em dar-nos pontapés nas canelas e depois ensinar-nos, diante das câmaras, a colocar gaze e álcool !

VIDA E MENTIRA

.



Ainda nos falta um passo em frente, um ponto extra de coragem ou dar um murro na mesa para dizer o que realmente pensamos. 

À vizinha do quinto, ao notário, à sogra, ao juiz, ao polícia. 

Imagina as oportunidades perdidas, as contrariedades acumuladas, os resquícios de ódio e de amor que aí ficam. 

Imagina o que seria de ti se dissesses tudo. 

Agora estarias divorciado, moribundo, ou talvez no cárcere, mas serias o homem mais livre da terra. 

Abandonamos a infância quando aprendemos a mentir, a ser comedidos, politicamente correctos, socialmente adaptados. 

Aprendemos a comer “merda” em público fingindo apetite até que o corpo se habitue e o dissocie e sacie em fome o que há. 


Aprendemos a pensar e aplicar filtros antes de falar. 

A elaborar uma listagem de palavras tabu para cada pessoa: não digas ao teu chefe que a suas piadas não têm graça nenhuma, nem à mulher do teu irmão que te masturbas pensando nela, nem ao director da tua sucursal bancária que meta as filhas da p*uta das comissões pelo dito cujo acima. 

Já nem as drogas nos fazem felizes. 

Traçam-nas com talco porque nos têm medo.

Imagina só um político sob os efeitos de umas drogas sem adulterar, soltando a sua autêntica essência em prime time ante os olhos atónitos de meio mundo. 


Que se declare abertamente homossexual, ou reconheça que entrou na política para demonstrar à sua mamã o muito que vale o palerma da família. 

Ontem entrou no meu táxi a mulher mais bela deste mundo. 

Se em lugar de mostrar-me cortês e correcto tivesse soltado tudo quanto me passou pela cabeça, talvez tivesse ganho uma murraça, mas essa murraça ter-me-ia causado a dor mais feliz da minha vida. 

E agora estaria a colocar no blog, não este palavreado,  uma foto com a marca da sua linda e, quiçá macia mão, na minha cara, ou o meu olho arroxeado ou o sangue no meu nariz como sinal de vitória. 

A verdade ás vezes dói, não é?
.

terça-feira, abril 28, 2015

- Ele enamorou-se das suas flores e não das suas raízes e no Outono não soube o que fazer !

FORA DE TEMPO

 .


Há dias que convém recordar o conselho de Ramón Gómez de la Serna, para não colarmos as fúcias nas vidraças da janela: podem transmitir-nos toda a desolação do mundo. 

São dias inexoravelmente iguais uns aos outros que se podem confundir com os que vêm formando parte da procissão do tempo, mas se apresentam mais por esta época do ano, quando as árvores distribuem prospectos amarelos pelas ruas e caminhos e nos parece que faz mais frio do que nunca. 

A sensação de ser um estranho acentua-se nessas ocasiões e mais que um hóspede, alguns consideram-nos como uns sub-arrendatários com direito a cozinha. 

Como será este estranho lugar quando não tenhamos memória dele? 

 

Os que acreditamos no progresso moral, muito menos evidente que o material, devemos alegrar-nos: o Tribunal Penal Internacional, único tribunal permanente com autoridade para processar pelos delitos de genocídio e crimes contra a humanidade, declarou, por fim, ilícito o recrutamento de miúdos soldados. 

Até agora estimava-se normal que criaturas menores de 15 anos se matassem e morressem em muitos lugares, sem ir mais longe na República Democrática do Congo. 

A construção de uma alma colectiva vai para além do além ou, dito de outra maneira, o futuro da humanidade está muito distante porque não fomos capazes de abandonar Atapuerca

 
 
No que a mim diz respeito, que sou o homem primitivo que tenho mais à mão, recordo que não pude votar até que tivesse trinta anos. 

Eram assim as “coisas”. 

Também me apanhou já vivo e crescidito a Declaração Universal dos Direitos Humanos. 

O meu tempo esteve cheio de contratempos e o que se passou comigo também ocorreu a muita boa gente que apareceu por aqui por aquelas datas. 

Se nos descuidamos não vemos a proibição teórica de que os meninos exerçam de patriotas, de guerreiros, de assassinos e de mártires...
.

segunda-feira, abril 27, 2015


- Quando te acariciei é que dei conta que tinha vivido toda a minha vida com as mãos vazias !

REPRIMIDO

.

Estou a enamorar-me de uma mulher que não é a minha, mas não me hei-de apaixonar porque tenho que dar atenção à minha própria esposa à qual devo permanecer fiel, como jurei, faz um montão de anos. 
Não posso deixar de pensar na outra e ás vezes creio que estou a ponto de “dar o salto” e cometer adultério, mas vou-me deixar de maluquices e continuar a cumprir com o meu dever. 
Continuarei feliz por estar casado, até que termine de viver, como venho fazendo, como costumo fazer e como assim mesmo tenho pensado continuar a fazer. 
Costuma passar-se isto de me apaixonar a destempo – o que quer dizer  que me ocorre com mais frequência do que deveria suceder – mas sempre que me começo a apaixonar por outra, a minha, que não se acaba por habituar a isso, desata a chorar e atira-me à cara os meus devaneios sem deixar de se lamentar, pelo que volto a reconsiderar e a reconduzir o meu matrimónio, uma e outra vez.




Assim continuo a levar o matrimónio, pior ou melhor, desde que me casei faz muitos anos, porque assim o decidi, como tantas vezes tenho deixado dito. 
Ando a repeti-lo todo o dia a mim mesmo: 
“Tenho que fazer o que tiver que fazer. 
Não posso apaixonar-me e pronto”. 
E agora tenho que terminar este relato porque não pára de tocar o telefone desde que o comecei. 
Deve ser ela. 
É ela. 
Ai!
.

domingo, abril 26, 2015


- Resolvido o enigma do sorriso da Gioconda: um dos meninos do Botticelli surpreendeu-a, de noite, com um dedo acariciando o baixo ventre !

SOLUÇÕES PARA PROBLEMAS COMUNS





PARA DESPORTISTAS COM GRANDES LÁBIOS:

TODOS SABEMOS QUE É IMPRESCINDÍVEL CUIDAR DOS LÁBIOS COM UM BOM PROTECTOR LABIAL. 
HOJE EM DIA TUDO SE INVENTA. 
O ÚLTIMO PARA PROTEGER OS LÁBIOS.

CLICA  AQUI:


 


ALGUNS GOLFISTAS SÃO TÃO FANÁTICOS QUE NÃO PODEM PARAR DE PENSAR EM METÊ-LA NO BURACO (logicamente que me refiro à bola), MAS NUNCA IMAGINEI QUE O SEXO NUM CAMPO DE GOLFE FOSSE ASSIM: 

CLICA  AQUI:
 

CÓDIGO DA ESTRADA

SE AO RENOVARES A CARTA DE CONDUÇÃO (POR TERES DEIXADO CADUCÁ-LA) TE FIZEREM UMA PERGUNTA COMPLICADA… SERÁ QUE ACERTARIAS? 
ENTÃO VAMOS LÁ VER COMO ANDAM OS TEUS CONHECIMENTOS DO CÓDIGO. 
VAIS A CONDUZIR NUMA VIA ESTREITA E VÊS UM SINAL QUE DIZ: 
“PROIBIDO ULTRAPASSAR NOS PRÓXIMOS 2 KM”… E AO MESMO TEMPO, À TUA FRENTE SEGUE UM CICLISTA. 
O QUE FAZES? 

1 – CONDUZES DURANTE OS 2 KM ATRÁS DO CICLISTA? 
2 – ULTRAPASSA-LO TOMANDO AS DEVIDAS PRECAUÇÕES? 

QUAL A RESPOSTA CORRECTA? 

TU O QUE FARIAS?


CLICA  AQUI:


TARADICES










.

sábado, abril 25, 2015


- Fazíamos amor ás escuras, tenho uma memória táctil daquelas noites !

DIETAS

.


Todos anos com o bom tempo a mesma cantilena: há que emagrecer para caber nos vestidos, para resplandecer no biquíni, para nos comprazermo-nos ao espelho. 

E tudo isto leva a seguir dietas que muitas vezes são nocivas para a nossa saúde. 

Pode-se ler em diversificadas fontes que há dietas nocivas para a saúde. 

Há as dietas milagre, as de só comer uma coisa, ou as de engolir absolutamente tudo. 

E os nutricionistas e médicos já não sabem como dizer que o segredo é comer equilibradamente de tudo e, fazer desporto. 

Uma das mais criticadas (e seguidas!!!), é a dieta de Dukan que elimina hidratos de carbono e a gordura da alimentação diária e substitui-a por quantidades ingentes de proteínas. 

 
(Diz-se que o preto emagrece! Mas ao fim de três semanas, nem um grama)
Nós interrogamo-nos: se somos seres omnívoros que comemos de tudo e tudo nos alimenta, será seguro, por ser são, renunciar por completo a um nutriente? 

Muitos endocrinologistas já declararam explicitamente que: 
Não existem as dietas milagre: nem a de Dukan, nem quaisquer outras” e que, pelo contrário, perder peso sem uma dieta equilibrada acarreta perigos e, é certo, ganhar-se peso quando se abandonam. 

Sã e sem atracções sim, mas há que comer. 

E desfrutar disso. 

É verdade que satisfaz mais, pesar meio quilo menos, que comer uma tablete de chocolate? 

 

Em princípio muita gente fala dos benefícios da dieta de Dukan, mas, o seu criador já foi advertido que poderá estar em contra a saúde pública vender esta actuação ocultando as desvantagens, pois o francês o único que almeja é engordar a conta bancária. 

Os seus livros e conselhos são uma campanha de marketing, não de saúde pública. 

O recomendável para todas as ansiosas é olharem-se ao espelho e decidir honesta e objectivamente se necessitam perder peso ou não; e se têm problemas de sobrepeso, se foi um médico que o recomendou, ir a um nutricionista certificado. 

Se o tabagismo, o alcoolismo ou a bulimia não se curam lendo livros, o que pode fazer pensar que o sobrepeso sim? 

Sabemo-lo, mas não seguimos este procedimento. 
.

sexta-feira, abril 24, 2015

- Num segundo podem passar-se muitas coisas.
- Eu sei porque vivo num terceiro e ouve-se tudo !

PORTA do CÉU OU do INFERNO?

.


A jovem doutora Paula lamentava-se da sua descoberta. 

Maldizia a cada instante a hora em que lhe tinha ocorrido realizar a investigação. 

É certo que tudo surgiu quando a destinaram ao Departamento de Medicina Legal e Ciências Forenses, durante a sua formação como médica. 

A doutora sussurrava com um estremecimento de desgosto: 

- Maldita a hora em que fiz o estudo do ADN. 

Entre alguns residentes e médicos adjuntos do Instituto Nacional de Medicina Legal, comentava-se com alguma jocosidade, as surpresas que se obtêm dos testes de paternidade ordenados pelos juízes. 

As estatísticas refectem que ± 25% dos testes de paternidade que se fazem, (cerca de 4 por dia), resultam negativos, o mesmo é dizer que 1 em cada 4 portuguesitos, o progenitor pode muito bem ser o melhor amigo, o picheleiro (canalizador-encanador), o carteiro ou até o homem da botija de gás. 

Tudo começou logo ao aterrar nas âmago do departamento. 


 

Reuniu a família e disse-lhes que as primeiras práticas fazem-se com a família (são as cobaias!), tal como lhe tinha dito o seu tutor. 

Paula é a mais velha de quatro irmãos e sem encomendar-se a Deus nem ao diabo, obteve amostras de sangue, do pai, mãe e dos três irmãos. 

A surpresa apareceu com os resultados de dois dos irmãos mais novos. 

Não eram filhos do seu pai! 

Como é que a mãe lhe podia ter feito tamanha ignomínia ao seu pai que tanto idolatrava? 

Para Paula o seu pai era um deus, venerava-o até ao exagero. 

E não era para menos. 

Era um grande pai, sempre preocupado com os quatro filhos para que nada lhes faltasse; até se podia dizer que era mais carinhoso com os filhos mais novos, com os que não se uniam os laços de sangue. 

– Meu Deus! 
Lamentava-se amargamente Paula. 
Deverei dizer aos meus irmãos que o meu pai não é o pai deles? 
Terão o direito de conhecer o seu verdadeiro pai? 

 
Mas o que mais a atormentava era ver a sua mãe. 

Sempre tão dependente do seu pai, dos filhos, da casa, da roupa… mas a prova de ADN desmascarou-a. 

“É uma puta”, dizia a doutora em momentos de obsessão e ofuscamento mental, quando a raiva a cegava. 

No entanto, o seu pai e seus irmãos adoravam-na, inclusive até a própria doutora antes de conhecer a infame notícia. 

Não sabia a quem se socorrer, se a um advogado, a um psiquiatra…? 

Tinha perfeita consciência de que nas suas mãos estava a porta do inferno ou a do paraíso. 

Que culpa tinham os seus irmãos mais novos? 

Como reagiria o seu pai quando conhecesse a crua realidade? 

– Santos inocentes, santos inocentes, repetia a jovem doutora ante uma garrafa de vodka, quase vazia, no seu apartamento, com a mente posta no seu pai e nos seus dois irmãos.

15NOV2011
.

quinta-feira, abril 23, 2015


- IMAGINO QUE UM DIA DEIXO DE TER QUE IMAGINAR O SABOR DOS TEUS BEIJOS !


PESO NA CONSCIÊNCIA

.


Ontem à noite sofri um acidente. 

Ou melhor, atropelei algo, não sei exactamente o quê ou quem, talvez fosse um cão, ou um javali, ou uma criança obesa. 

Havia muito nevoeiro, circulava com três passageiros a não mais de 110 km/h, pela faixa esquerda da A28, quando de repente, algo se cruzou numa fracção de segundo, como um clarão. 

Não tive tempo para distinguir com precisão e muito menos esquivá-lo. 

O caso é que fosse esse algo com corpo e pernas, ou patas e talvez cabelo (um ser vivo, sem dúvida) atingiu o pára-choques do meu táxi, soou um forte impacto, PUM!!! e nesse instante tive que controlar o táxi, agarrar bem o volante para evitar chocar depois contra os separadores de betão. 

Quando por fim consegui manter a situação debaixo de controlo, reduzir a velocidade e chegar-me para a direita (vinham carros) terão decorrido entre 700 e mil metros desde o impacto. 

Não podia fazer marcha atrás (era demasiada a distância, rsrsrs) nem consegui distinguir nenhum corpo sobre o asfalto. 
 
 

Os passageiros, por sua vez, empalideceram com o susto. 

Eu nem tanto: já nasci pálido. 

Arranquei, deixei os passageiros no seu destino (era muito perto dali) e imediatamente regressei veloz ao local dos factos. 

A minha surpresa chegou ao não encontrar qualquer rasto do sucedido. 

A violência do impacto tinha sido, sem dúvida nenhuma, necessariamente mortal, mas não havia corpo. 

Nem na berma, nem na autoestrada. 

Talvez outro carro lhe tenha embatido também, arrastando-o para longe, ou alguém se deteve para o recolher e assistir. 

Oxalá. 

A questão é que esta noite dormi como uma pedra. 

E agora, ao pensar nos acontecimentos, entendo o porquê: não consegui colocar uma cara à vítima, nem vi o seu corpo inerte no chão, nem pude distinguir, se foi um cão, a sua raça, ou se levava uma coleira com o nome gravado numa chapa (talvez “Frosky”, ou “Boby”, os diminutivos doem mais, são mais próximos). 


Se tivesse tido conhecimento de tal dado, sem dúvida, ter-me-ia sentido mal, ou pelo menos mais incomodado pese o facto de não ter podido evitar o impacto. 

Um atropelamento sempre gera um verdadeiro peso de consciência em grau exponencial se se trata de um animal pequeno, ou maior, ou doméstico, ou pior: uma pessoa. 

Não é o mesmo atropelar sem saber o quê, que uma rata, que um javali, que um veado, que um gato ou um cão vadios, que um gato ou um cão domésticos, que um inimigo, que um homem anónimo, que um conhecido. 

Verdadeiramente é um pouco absurdo que assim suceda (todos eles são seres vivos, em qualquer caso), mas não podemos evitar ter em conta o peso relativo da sua alma.

12FEV2012
.