- Ex-namorada é como fato antigo, olhas as fotos e não acreditas que um dia tiveste
a coragem de sair com aquilo!
O VIDEIRINHO
quarta-feira, outubro 19, 2016
REALISMO
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A “mulher autêntica” não se envergonha das suas carnes, não esconde as suas
estrias nem a sua celulite.
A mulher autêntica” está feliz consigo mesma porque o
“homem autêntico” encontra-a irresistível sem muitos retoques, tal e qual como ela
é.
A “mulher autêntica” tem os mesmos mamilos sensíveis e as mesmas costas que as
demais.
O “homem autêntico” entesoa-se com o seu cheiro a mangas maduras e o seu
sabor a sal.
Ele mete os seus dedos entre o matagal emaranhado de cabelos sem
pentear e degusta as costas curvadas da "mulher autêntica”.
Ela empina o cu sem
pudor, como toda a “mulher autêntica”, puta e provocativa.
A "mulher autêntica” diz
palavras sujas e morde os lábios, degustando o sabor da ousadia.
Ao “homem autêntico” dá-lhe uma pontada de desejo cada vez que ela o olha com olhos de pantera e se estira e revolve entre lençóis, porque sabe que a “mulher autêntica” está à disposição e chama-o.
A “mulher autêntica” conhece os reveses do amor e despe-se de preconceitos e dos “ai não” antes de apresentar-se ante o “homem autêntico”, seu dono e senhor, seu servente e vassalo.
O “homem autêntico” sempre a possui, agradecido e devolve-lhe o favor com suspiros que a ela lhe saem de entre as pernas em forma de borboletas molhadas.
A "mulher autêntica” não teme nada.
A "mulher autêntica” experimenta tudo.
A "mulher autêntica” aguenta tudo porque o “homem autêntico” adora-a.
ISTO
O meu, o importante, o que me perdura;
perfeito como a quinta-feira ou o verão.
Este que nunca perco, quase irmão,
o menos frio, a maior doçura.
O comparável a um sopro na cintura,
e a inocente mão de minha mão;
o deitar a soluçar precoce,
o que tem também da minha loucura.
Este sorri por ser homem,
este absurdo mal de fruta com nome:
ou meu próprio enorme coração enorme.
O necessário testemunho celestial
da minha absoluta palidez de trigo,
que me beija por dentro quando durmo.
Carilda Oliver Labra
.segunda-feira, outubro 10, 2016
“MENS SANA…”
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Transaminase, triglicéridos, ácido úrico, colesterol do bom (HDL), colesterol do mau (LDL), nível de glicose, pressão sanguínea, parâmetros acima do máximo (preocupa-te) ou abaixo do mínimo (preocupa-te).
Controlo no consumo de gorduras saturadas e não saturadas; saberias diferenciá-las?... calorias, proteínas, minerais, vitaminas.
Não fumar seja porque motivo for.
Não consumir drogas.
Beber com moderação.
Dizem que um copito de vinho ás refeições é bom para o coração.
Dizem que é melhor comer as frutas antes das refeições e não depois (melhora a digestão).
Dizem que beber água durante as refeições engorda.
Dizem que o pequeno almoço é a refeição mais importante do dia.
E cenouras para a vista.
E ameixas para ir à retrete.
E uvas passas para a memória.
E Danacol, Actimel, Adoçante.
Fibras com leite magro.
Normalmente tudo isto é anunciado por uma "garina" bonitíssima, elegante e sem olheiras.
Tabelas de exercícios.
Treino cardiovascular.
Pilates.
A natação é o desporto mais completo.
A partir de certa idade convém caminhar durante uma hora por dia.
Recomenda-o o médico que fuma.
Parque acima, parque abaixo: “a rota do colesterol” (todos os locais têm a sua rota: procura a tua!).
Irei a pé do trabalho para casa e, com o que aforrarei em táxis, comprarei uma bicicleta estática.
Já tenho pensado onde colocá-la: na sala da televisão.
Estou chatead@ comigo: ontem passei-me com os doces.
Amanhã mesmo começo uma nova dieta.
Operação biquíni ou adeus flutuadores, já sabes.
Frango grelhado, verduras, saladas e três litros de água por dia (será que a cerveja também poderá ser considerada?
Parece-me que ouvi dizer que 90% é água. Assim, em cada dez, só bebo uma).
No WC tenho uma balança com memória.
Melhor do que a minha.
Como são espertas estas máquinas agora…
O meu objectivo?
Perder cinco quilos.
E outros cinco no mês que vem.
Desta vez tenho que consegui-lo, custe o que custar, ou seja, tenho que ser forte.
“Mens sana in corpore sano”.
Viverei mais anos.
Com esforço viverei mais anos.
Com sacrifício.
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segunda-feira, outubro 03, 2016
DAR AOS PEDAIS
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Levantamo-nos para trabalhar como todos os dias.
Tarefa quotidiana; tarefa de todos os dias.
E para poupar, viajamos de bicicleta.
Assim o fazemos durante longos anos, aforrando uma boa maquia para pagar alugueres, comprar roupa, alimentarmo-nos, financiar uma ou outra escapadela a um restaurante, ir ao cinema, adquirir a última tecnologia, comprarmos alguns livros usados e demais coisitas que representam algum gasto.
Mas num determinado dia, montamos a bicicleta e ao fim de poucas pedaladas, começamos a sentir o peso do quotidianamente executado, das responsabilidades, da rotina.
O pedal torna-se cada vez mais pesado até que é impossível avançar e, não nos resta outra escolha do que girar o guiador, voltar a casa e telefonar para o trabalho para dizer que nos sentimos doentes.
Nesse preciso momento, damo-nos conta que a postura de cansado não é só o ónus de cansado, como também o de aborrecido.
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