O VIDEIRINHO

sábado, abril 30, 2011

- Se me pedes a lua, o sol e o vento, sei que me é impossível comprazer-te, mas verás que o intento !

O PODER DE DEUS

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Motivos para levantar-me a cada manhã? 

Só um: a incerteza? 

Porquê? 

Ao invés do que dizem os católicos, muçulmanos, protestantes, baptistas, testemunhas de Jeová e demais adoradores do macabro, não acho que a vida seja um meio para ganhar a própria parcela VIP no céu dos zombies, senão um fim em si mesmo. 

Ou, dito de outra maneira, os que não fo***, não transam, não se emborracham, não blasfemam (como os que se encantam blasfemar, que se fo**, lixe Deus), não comem carne nem desejam a mulher do próximo, porque todos eles ainda têm uma margem para prevaricar ou postergar no seu imaginativo céu, vivem e viverão sempre reprimidos e a crédito. 


Prefiro seguir as minhas feromonas do meu instinto animal e vegetal, mesmo a 50%, vivendo tudo a débito, sem saber, nem me interessar o que se passará, nem atirando as culpas para nenhuma deidade inventada ou maquilhada ou ainda metamorfoseada muitos séculos atrás (antes de Darwin, Nietzsche, Hawkins e ao fracassado CERN). 

E se amanhã me chateio com o taxista e acabo em coma, não quero ninguém a pedir a nenhum deus a minha pronta recuperação (prefiro ser eu a pedi-la ao médico).

E se no final esticar o pernil, também não quero ninguém a dizer “foi-se porque Deus assim o quis”, porque denunciarei o médico por negligência. 
 

E quando estiver na fase terminal e sofrendo, sedam-me ou droguem-me, por amor de Deus. 

Morrerei na mesma, mas sem dor. 

Ainda recordo o caso do Dr. Montes. 

Foi crucificado, salvo erro, pela fundamentalista presidente do Partido Popular, (espanhol) – Madrid, por sedar os seus pacientes terminais, no lugar de deixá-los morrer, de forma natural, retorcendo-se com dores até que o altíssimo decidisse a hora exacta deles “embarcarem”. 

Este caso criou precedentes e, desde então, os médicos da Comunidade de Madrid sedam os doentes terminais (que agonizam e em certos casos morrem por causa da mesma dor) com medo de possíveis demandas dos seus católicos, apostólicos e romanos familiares.


Todas as religiões são altamente perigosas. 

Lobotomizam. 

Limitam. 

São castradoras. 

Frustram esse presente de deus que é o orgasmo, ou o presunto ibério ou as alheiras de Mirandela, ou a tentação nas suas múltiplas manifestações. 

Anulam o livre e puro pensamento. 

Disse!
20NOV2010
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quinta-feira, abril 28, 2011

- Faz com que aquele candidato aldrabão trabalhe !
Não votes nele!

CHALACEAR

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Com tão só acercar-se, inspirava uma gargalhada. 

Não era a fisionomia do seu corpo, não eram as peculiaridades da sua cara, o seu nariz alongado ou os seus pómulos pronunciados. 

Quiçá o par de lunetas. 

Também não era o seu estranho corte de cabelo o que invocava ao riso. 

Digno de investigação, os médicos, entre risadas contidas e lágrimas de gargalhadas, devem ter chegado a uma conclusão. 

Parecia ser uma questão natural. 

O seu corpo emanava uma substância contagiosa similar ao gás hilariante (ou gás do riso), que inevitavelmente induzia qualquer um que se aproximasse uns metros. 

Poderia muito bem ter ficado conhecido na comunidade “científica” como o “homem hilariante”, aquele de quem todos riam ou melhor dito, com quem todos riam. 

Basta imaginar-se o homem hilariante viajando num transporte colectivo, subindo num elevador, submetendo-se a um exame oral, fazendo uma entrevista de trabalho ou galanteando uma mulher, para darmo-nos conta do complexo que foi a sua vida. 



Pensando, pensando, de repente lembrei-me do insigne escritor humorístico que eu poderia ter sido. 

Vejo-me e revejo-me como director duma revista para gargalhear. 

(Duvidam? Vejam a “besta” branca que chegou a presidente dos EUA e até escreveu um livro). 

Bem, mas auto-elogiando-me (quem me poderá valer, ou fazê-lo por mim?), fico sentado na minha secretária desesperado, tudo o que escrevo dá para rir, o pessoal ri-se sem reparos de tudo o que escrevo… nunca serei um grande escritor, daqueles de renome, um escritor famoso… os escritores desta categoria escrevem sempre coisas que dão muita pena, coisas muito tristes, grandes tragédias. 

Estou persuadido de que para escrever bem há que sofrer muito. 



Não sei quem disse que, escrever é chorar; que escrevo assim porque a minha vida é uma festa contínua, que os meus amigos são uns farristas, que o meu mundo é um mundo sem problemas, por isso, sentei-me num montão de agulhas que me picam o cu, mas é inútil esta angústia, este sofrimento é excessivo e não me deixa pensar. 

Iniciei uma série de experiências qual delas a mais terrífica, como colocar palitos entre as unhas, machucar os tomat..., digo, testículos com pinças, dessas grandes que até lhe chamam pinças de crocodilo, atei uma corda ao pescoço com um peso de trinta quilos que quase me asfixiava, assisti a diversos funerais para motivar-me ante os familiares entristecidos, provei centos de métodos de tortura tentando inspirar-me sem nenhum resultado para escrever um livro dramático, pois se o fizesse todo o pessoal rir-se-ia. 


Acredito que para ser um bom escritor há que ter nascido sendo-o já; assim continuarei contando as tolices que me ocorram, ainda que, o pessoal se mije ou não a rir, porque, além do mais, se não o faço, não vou poder nem comer; nunca entendi muito bem, mas alguém me devia pagar para escrever cenas cómico-burlescas, imbecilidades …  

Alguém sabe quanto ganham os políticos???

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terça-feira, abril 26, 2011

- Sim, há outra oportunidade.
A única !

INSIGNIFICANTES

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 Ás vezes, grandes personalidades recebem-te sem passares pela sala de espera. 

Ao porteiro de serviço anuncias a tua chegada e a personagem faz-te passar sem demora. 

Digamos que a personagem tem contigo o “detalhe” de fazê-lo. 
Outras vezes pelo contrário, nunca está para ti; nem ao telefone, nem pessoalmente. 

Uma saudação de passagem e umas breves palavras, não é uma conversa. 

Ou esse parceiro de estudos ou de borgas que diz ter muita pressa, dá-te o seu cartão e pede que lhe telefones. 

Pode ser que num local onde já não o oiças comente: 
“ Um borra-botas (sarrafaçal) da faculdade”. 

É o trivial nos “triunfadores” e sobretudo da política.


Isto ocorre neste pequeno mundo onde os méritos pessoais consistem, na maioria das vezes, na capacidade de humilhação do indivíduo. 


O ser honesto e realizar trabalho com lhaneza, não é garantia de êxito. 


Nas filas dos desempregados há muitas pessoas honestas capazes de realizar bem um trabalho. 


Aos políticos e aos novos-ricos, há que escovar-lhes o fato e chegar-lhes vaselina. 


Mas lá diz o refrão: 
“Não sirvas a quem serviu nem peças a quem pediu”.

"O sabe naturaleza
más que supo en otro tiempo,
o tantos que nacen sabios
es porque lo dicen ellos."
 


De repente lembrei-me do lazarento Bush, (a prova mais que provada de que Deus não existe) e do seu livro que publicou, já que tenho a certeza absoluta que já escreveu mais livros do que aqueles que leu. 
Este general romano, do que realmente estava orgulhoso era que lhe chamassem “O africano”, tudo o resto correspondia-lhe por direitos de família. 
O apodo tinha-o ganho ele. 
Hoje isto, já não se estila. 
A prova mais palpável é a de Cavaco-presidente, que o é por pertencer a uma determinada "família". 
Os seus méritos? 
Nenhum!!! 
Sócrates? 
Catastrófico foi o seu nascimento! 
É um pária ou ilota.
Assim, na cúpula do Estado temos personagens que não singraram por mérito próprio para sê-lo. 

 

Toda a cambada seguinte tem o direito de pensar que isso é um exemplo a seguir. 

Não é o mesmo ser que estar; não é o mesmo ser engraçado que fazer-se engraçado. 

É o mesmo servir que ser vil. 

E a vileza, é esta a moeda de troca destes vilões que nos tocou conviver. 
Trabalhar de maneira justa, ficou para outros tempos e outras pessoas. 
A política e os negócios, está enxameada de medíocres. 
De medíocres ou de nulidades totais, claro. 
E assim cá vamos indo de mal a pior. 
Há coisas muito pior que um maluco parvo ou tolo; um maluco parvo ou tolo com má sorte. 
E destes, está infestada a geografia pátria. 



Mas sempre se disse de muitos tontos que, não lhes metas o dedo na boca que te mordem. 

Para que estas coisas não se apreciem, inventou-se: “o politicamente correcto”. 

Para consegui-lo, distorce-se a linguagem e utilizam-se eufemismos. 

Se quiseres passar por erudito, pegas num copo de água e introduzes no discurso umas “macarrónicas latinices” ou estrangeirismos pacóvios. 

Por muitas voltas que dês, continuarás sem conseguir ser recebido como a personagem que realmente és. 

Isso fica para que se faça entre iguais. 

Não iguais enquanto posição social, iguais em fundamentos.
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domingo, abril 24, 2011

- O inexistente é tudo o que não desejamos, mas acreditando em algo que existe, atingímo-lo !

LIBERDADE OU MEDO (Parte II)

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...CONTINUAÇÃO 




A NOVA ORDEM MORAL SUSTENTA-SE NO MEDO 
– Tem-se medo de tudo. 

Medo de perderes o teu trabalho, a tua casa ou tudo o que foste esculpindo durante toda uma vida. 

E este, é o pior dos medos porque afecta directamente o indivíduo. 

Há outros medos latentes, por exemplo, um ataque terrorista islâmico. 

A globalização não nos trouxe a liberdade, pelo contrário, trouxe-nos a submissão a padrões nunca antes conhecidos na história. 

Por estes dias assistimos horrorizados, outros impávidos e serenos e outros atiçando áscuas à expulsão de emigrantes que deixaram de ser úteis ou rivalizando com o televisivo Sarkozy expulsando os ciganos. 

Meteram-nos medo dizendo que com eles podemos perder o nosso meio de viver (sustento). 




MEDO 
– Richard Bach no seu livro “Fernão Capelo Gaivota” narra-nos a aventura de uma gaivota que queria voar como se se tratasse de um falcão. 

Procura a perfeição no seu voo. 

E, a pequena gaivota é expulsa do bando. 

Se nasceu gaivota, deve continuar gaivota. 

E com este medo entranhado até ao tutano, é presa fácil para os predadores do bando. 

Não há aqui nada novo, porque é isto mesmo que vêm praticando as diversas religiões para com os seus “fieis” desde os alvores do tempo. 

As religiões e o poder político/militar sempre se apoiaram mutuamente. 

O Tea Party, não é nada mais do que um movimento para que o medo seja maior. 

Agora tememos muito mais o fogo eterno. 



Ainda que se há inferno, este deve estar cheio de “guias” religiosos pela sua intrínseca maldade. 

Ficamos atónitos com a majestade de uma águia no seu voo. 

Não é debalde que os poderosos a levam nos seus estandartes. 

Tal é o porte que uma família delas chamamos-lhe real. 

Mas a águia apareceu muito antes dos reis. 

A águia reina em todos os continentes igualmente, majestosa e imponente. 

Em qualquer continente é a liberdade por excelência. 

Seguindo a esteira de Fernão Capelo Gaivota, podemos conquistar a liberdade ainda que morramos nesse empenho. 

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sábado, abril 23, 2011

- Chegar a ser um perfeito depressivo exige toda uma vida de dedicação !

LIBERDADE OU MEDO (Parte I)

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Em casa tenho uma catatua macho e um canário que canta como só os canários sabem cantar. 

Se passo perto deles e não lhes digo nada, não ficam muito satisfeitos. 

A catatua solta uns silvos consideráveis. 

Nasceram em cativeiro e em cativeiro continuam a viver. 

Mas… 

Se lhes abrisse a porta e os deixasse livres, morreriam, não sabem procurar o sustento. 

Mas pelo contrário, se tiveres uma ave de rapina, por exemplo a águia do Benfica ou outra qualquer para falcoaria, terás que enganá-la com um isco ou chamariz para que volte à tua mão. 

 

Desorientando-se, não há problemas, caçará e viverá. 

O seu instinto diz-lhe que tem que caçar e fá-lo. 

As aves de rapina são livres, mas acomodam-se à rapina nas lixeiras. 

Os pardais, são sedentários e muitos deles, urbanos. 

Se observarmos a natureza e quisermos assimilar os seus ensinamentos, veremos que a liberdade em muitos casos supõe um esforço considerável. 

É o esforço sobretudo dos predadores, que se não caçam, não comem. 

Do mesmo modo nos comportamos, nós os humanos. 



A nossa liberdade em muitas ocasiões, não é gratuita. 

Temos que pagar um alto preço por ela. 

Até a rejeição de muitas pessoas de nosso meio temos de pagar para sermos totalmente livres. 

HÁ MEDO À LIBERDADE 
– Nestes dias assistimos, uns horrorizados, outros impávidos e serenos ao que está a acontecer ao povo saharaui que procura a liberdade. 

Se aceitassem de bom grado o submetimento à tirania do monarca medieval Alawites, a vida ser-lhes-ia mais cómoda. 

Mas os saharauis perderam o medo de ser livres. 


CONTINUA…

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sexta-feira, abril 22, 2011

- Um brinde aos que nos conquistaram, aos trouxas que nos perderam, aos sortudos que ainda nos vão conhecer... e aos finórios que nos vão roubando !

NARCOLEPSIA (*)

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 “Algo pior que não despertar depois de se deitar para dormir, é nunca mais voltar a adormecer”, pensa e imagina essa situação, com os olhos injectados em sangue, abertos na obscuridade do teu quarto, esperando inutilmente que as pálpebras se consigam fechar, ou, como é apanágio no meu léxico, que as “persianas” se cerrem. 

Preocupa-o chegar ao extremo de se encontrar fisicamente impossibilitado para dormir.

“A falta total de descanso, seguramente, é a pior das torturas”, reflecte ante a ausência de sono e paranóico desvela-se, preso do temor de viver essa desgraça. 


“A pior das mortes”, continua magicando e insiste dando voltas sobre voltas na cama, girando o corpo para um lado e para o outro, boca para cima, boca para baixo com as mãos debaixo da almofada. 

Depois, sem dar conta, adormece. 

Entrega-se ao glorioso descanso ainda que só seja por escassos minutos até que, finalmente, desperta ante o recorrente pesadelo de não voltar a dormir nunca mais.



18 de Março - Dia Europeu da Narcolepsia – um transtorno neurológico que se caracteriza pelos “ataques súbitos de sono” e sonolência excessiva. 

Pensa-se que perto de 3/4 dos narcolépticos sofre de catalepsia, uma perda brusca da energia muscular que faz que se caia, inesperadamente, em qualquer situação, a dormir.


Para um sorriso, uma anedota velhinha:

- E então senhor Cordeiro! Está a funcionar fazer a contagem de carneirinhos na altura de adormecer? Acredito que com esta técnica milenar aquele velho problema da insónia seja coisa do passado? Afirmou o médico.

- Não foi resolvido não doutor! Disse o paciente.


- Ora bolas! Porque não?

- Porque tenho mais de cinquenta carneiros que são muito agitados, não param nem para comer. 

E há mais doutor: 
À noite, lá fora faz um frio do caraças. Só este mês já fiquei gripado umas quatro vezes...
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quinta-feira, abril 21, 2011

- Quanto melhor não é morrer por algo que viver por nada !

HORAS SEM TEMPO

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Para abrir o apetite, ou pelo contrário, para “assustá-lo”, deixo aqui um pequeno fragmento da conversação que mantiveram dois “velhadas”, um casal octogenário, durante o percurso no meu táxi. 

- Que lindo dia de sol que está, disse ela.

- Sim. Está sol, retorquiu ele.

- Mas sol, sol. Daquele que cresta, não é? 

- Muito sol, sim. 

- E sem nenhuma nuvem. 

- O céu está limpo, sim, rezingou ele.

- Quanto durará este tempo?

- Dure lá o que durar, Ju: 
Vê lá que raio de perguntas fazes. 

- Claro, com a mudança da hora, agora anoitece mais tarde. 

- Isso é verdade. 

Quedo-me por aqui para não aborrecer ninguém. 

Aquilo, mais do que uma conversação, parecia um concurso de obviedades. 

E asseguro-vos que de entre todo aquele carrocel de frases (e houve mais, muitas mais que aqui não aparecem) não encontrei uma única com um mínimo, mesmo ínfimo, de conteúdo. 


Nenhum dos dois disse absolutamente nada que o outro não soubesse, ou até eu, ou qualquer outro. 

Falavam por falar talvez porque já não tinham nada novo que dizer entre ambos, nem que dizer ao resto. 

Pelos meus cálculos, aqueles anciãos tinham mais de cinquenta anos de casados. 

Tal dado poder-vos-á parecer até romântico, mas não. 

Refiro-me ás suas consequências. 

Com o passar do tempo, as suas vidas deixaram-se levar pela mais pura e dura rotina; uma rotina que anula, que aniquila qualquer vislumbre ou desejo de novidade. 

E é tal o grau, que já não falam para se comunicar, senão para rechear a inércia de uns anos extra com os quais já não contavam. 


Assim actuam os que acham que já esgotaram todas as suas etapas e já não lhes fica mais objectivo nenhum, do que esperar, sentados, o resto dos seus dias. 

Não há nada mais que aportar para além de ver crescer os seus netos (autónomos todos eles) ou de fazer um mundo da mais insignificante estupidez. 

Nesses casos, mas só nesses, tantos anos de matrimónio não são mais do que um empecilho para a quimera de exprimir a vida. 

Geram rotinas, lobotomizam. 

E quando um deles falta, o outro abandona-se ainda mais e inclusive, morre de saudade. 

De saudade mal entendida. 

E quando faltarem os dois, fica a descendência, qualidades e uma vaga recordação. 

Nada mais.
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terça-feira, abril 19, 2011

- A vida é o sonho que considerarmos mais a sério !

UM SONHO

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O mar embravecia por momentos. 

A luz do amanhecer e a costa já estariam perto mas a tempestade anunciava-se implacável. 

Com sorte, num par de horas arribariam a porto seguro e poderiam escapar ás suas ferozes investidas. 

Despertou aconchegado no catre do seu camarote depois de uma péssima noite, por ter sonhado com ela. 

Uma vez mais. 

Era a última coisa que desejava, evocá-la, nem sequer nas ficções do sonho. 

Levantou-se descomposto, mareado, tiritando, sussurrando palavras incompreensíveis febris e amargas. 

Olhou em redor, na penumbra, intentando reconhecer o local onde se encontrava. 

Era o acolhedor aposento do seu barco, o seu lar desde há muitos meses, do qual não tinha voltado a desembarcar desde aquele dia, desde que a perdera... 

Esfregou os olhos e tentou despertar e serenar-se. 

No sonho ela caminhava sobre as águas enquanto ele, intentando alcançá-la, dava penosas e angustiosas braçadas. 

Sereia no mar - Cezzanne

De vez em quando a etérea jovem voltava-se, olhava-o nos olhos e sorria-lhe. 

O seu cabelo dourado flutuava vaporoso no vendaval, os pés acariciavam o cúspide branco das ondas. 

De vez em quando, o seu corpo pálido e desnudo desaparecia por detrás de muralhas de ondas da maré. 

Apenas podia vê-la. 

Um vendaval salgado e enlouquecedor gatafunhava-o todo depois de um milhão de gotas de espuma de mar imaculadas. 

Voltou a sentir um frio insuportável. 

Tinha febre, seguramente, como a primeira vez que pensou nela desejando-a. 

Desceu do beliche com lerdeza e inapetência. 

Olhou pela vigia, só nevoeiro e escuridão. 

Por um instante acreditou distinguir as luzes da costa próxima. 

Pensou nas casualidades que o tinham conduzido a encontrá-la, que rara fortuna ou desgraça lhe tinha sido outorgado para depois lha arrebatarem. 


Caprichou numa chávena de café tentando uma vez mais extinguir esse abrasador desconsolo, serenar essa maldita ausência, esquecer a dor de saber que existiram instantes e locais em que se amaram. 

Subiu ao convés sentindo-se incapaz de aceitar qualquer vida sem ela. 

Saudou com apatia os seus subordinados e tirou do suporte um impermeável amarelo. 

Dirigiu-se á coberta. 

Um calafrio insuportável estremeceu a sua pele de estambre. 

Dando uns passos indecisos acercou-se do abismo escuro e depois, sem qualquer vislumbre de dúvida, deixou-se cair borda fora. 

A água não tardou a inundar-lhe os pulmões. 

Tudo acabava ali. 

Perdeu os sentidos lentamente. 

Deixou de sentir frio e voltou a sonhar com ela. 

A jovem puxava-o firmemente sem deixar de olhá-lo nos olhos, sem deixar de sussurrar-lhe palavras alentosas, impotente e exausta.


Não aguento mais, disse-lhe ele rendendo-se à morte. 

Emitindo um atípico gemido a jovem puxou ainda com mais força o pesado corpo. 

Não muito longe, distinguia-se já o fulgor de um porto iluminado. 

O marinheiro despertou muito aturdido, com o coração batendo aceleradamente. 

Nessa mesma manhã embarcaria para Cabo Verde. 

Abraçou-se a ela rapidamente como um miúdo temeroso. 

Depressa se reconfortou no seu suave e cálido corpo desvestido, no fragrante calor dos seus peitos, no seu ventre, nas suas coxas. 

Ela entreabriu os olhos e um maravilhoso sorriso alumiou o seu rosto. 

Beijaram-se.

O que aconteceu? 
Perguntou-lhe num sussurro, não dormiste bem? 

Não é nada, respondeu ele, foi só um mau sonho, um estranho sonho em que te perdia…

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segunda-feira, abril 18, 2011

- Tens que ter a certeza de obter o que amas, caso contrário, terás que amar o que ganhares !

REBUÇADOS E ESPINGARDAS

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Entre as coisas que o americano médio teme que decida o seu novo presidente, aparte de uma equitativa distribuição dos impostos, é a restrição da venda de armas.

Gostam muito e abundam os mortíferos bazares onde se podem adquirir preciosas pistolas, dessas que são o último grito dos que albergam um balázio dentro.

Inclusive os miúdos sonham estar armados até aos dentes de leite.

Aos seus irmãos mais velhos e aos seus pais é-lhes permitido pela Constituição dos EUA.

Fez muito pelos rifles um péssimo
actor chamado Charlton Heston, que deveria permanecer para sempre no planeta dos símios e já se sabe que a miudagem tudo o que vê no cinema...



Agora parece que se regista um aumento com precedentes no comércio das armas de fogo ao mesmo tempo que passam graves dificuldades as fábricas de automóveis.

Não creio ser verdade o que asseguram as séries e novelas policiais de que “quem tem uma arma acaba por usá-la”.

Haveria mais crimes e sobretudo
haveria bem mais ruído nesse grande país, que tenta mudar de pele aproveitando a variação da cor da epiderme do seu primeiro mandatário.

A este homem não se lhe ocorrerão coisas mais lógicas e sensatas?

Não lhe auguro longa vida se enverga por este caminho.



Proibir a venda livre aos particulares de fuzis de assalto, ali, pode ser considerado como um atentado contra liberdade.

É necessária uma panóplia muito grande, mas ficam bastante bem e bonitas em qualquer casa.

Um fuzil tipo Kalashnikov, do tipo desses que matam num abrir e fechar de olhos para sempre, pode ser adquirido pelo que aqui custa um presunto da pá de porco.

De pata branca, branquíssima, pois claro.


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sábado, abril 16, 2011

- Liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome ! (Clarice Lispector, 1920/1937, escritora brasileira nascida na Ucrânia e jornalista no Jornal do Brasil)

MAUS FIGADOS

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Alguém com um ego mal educado baseia-se no passado: que lhe mostra o que é e o que chegou a ser ou a ter. 

Baseia-se, por sua vez, no futuro, pois ambiciona ser ou ter mais. 

Para isso, o ego, ainda que pareça contraditório, necessita sair dessa pessoa, precisa sair do seu próprio eu. 

Precisa do outro, precisa dos demais para mostrar-se, sem eles não tem razão de ser. 

Pelo contrário, uma pessoa com um ego bem orientado para o autoconhecimento não necessita da aprovação de nada nem de ninguém excepto de si mesmo, para justificar os seus actos. 

Aí reside a grandeza e a força de um autoconhecimento adequado, base por outro lado da inteligência intrapessonal. 

Só assim poderemos chegar a ser algum dia empáticos. 
(A empatia é a base da inteligência interpessoal). 

Portanto, na minha opinião claro está, uma pessoa com um ego baseado no passado e no futuro não aproveita o presente, não se desenvolve bem no “agora”. 


De maneira que não sabe e não pode adaptar-se continuamente à mudança. 

Não possui adaptabilidade, questão imprescindível nestes tempos líquidos, porque não percebe adequadamente a realidade, já que esta se mostra necessariamente no agora, no presente. 

A consequência de uma percepção como esta, uma percepção defeituosa, desemboca, evidentemente, numa errónea interpretação da realidade. 

Se formos um pouco mais além, seguramente que uma pessoa com um ego destas características não pode ser feliz e é provável que se angustie por isso. 

Isto é assim, na minha opinião mediada pelo meu ego, porque tem o interior ocupado plenamente pelo seu ego, o que lhe provoca, ou pode provocar-lhe, com relativa facilidade, um vazio existencial, ainda que possa parecer uma contradição. 


Já escutaste, viste ou ouviste alguma vez que o dinheiro não traz a felicidade? 

As pessoas com um ego assim, necessitam encher esse vazio e o seu próprio ego; este de que estamos a falar, o que está mau educado; não lhes deixa perceber que a matéria com a que se enche esse vazio não está no ter senão no ser. 

Será que estais de acordo? 

É que depois desta revoada toda, não sei se me passei dos carretos e fiquei sem perceber o que queria escrever. 

Talvez cheire a fim de semana.

Mas como quando não percebo faço que percebo, para as pessoas que perceberam, perceberem que eu percebi. 

Estão a perceber? 

Talvez não percebam, mas agora só posso deixar um abração e saudações loucas.

Ah! E que percebam o que eu queria que percebessem.
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terça-feira, abril 12, 2011

20 de Fevereiro de 2011:

Fernando Nobre

SURDO EU???

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JAMES BLAKE - The Wilhelm Scream



Comecei a ouvir aos soluços o novo CD de James Blake e pensei que o leitor lazer do meu táxi estava sujo. 

Como não sou ninguém sem a música deixei por instantes de trabalhar e levei o meu táxi a uma oficina de áudio, que me solucionaram o problema em apenas um par de horas (e outro par de notas de 20 euros). 
Confiado no bom e bem fazer dos técnicos, saí de novo para trabalhar e, mesmo antes de introduzir sequer o mesmo CD, fez-me sinal uma cliente que entrou e disse-me: 
– Bo..tar… Ru...a da Bo…ist…a tin… trê… 
– Desculpe? 
– Eu di…se tri...ta trê. 
– Não entendo o que diz. 
– …stá s…ur…do? 
– Já não sei bem. 
Ás vezes… 
Não podia acreditar que agora ouvia, aos soluços, a cliente. 
Então compreendi que a falha não era do meu leitor de CD, mas eu mesmo. 

TIRADA DAQUI

Talvez tivesse um cabo desligado no ouvido interno que fazia mau contacto com o circuito de potência do cérebro. 
Tentei bater na cabeça com a mão, para ver se o cabo voltava ao seu lugar. 
– Fale-me agora, disse à cliente. 
– E q… que…re q..lhe di…ga? 
– Porra! 
– Tinta…ê…s. 
O stress. 
Poderia ser o stress. 
Ou o efeito secundário dessa gripe que não cheguei a curar totalmente. Deveria ir ao médico.
Ou ao otorrino. 
Grande palavra: “otorrinolaringologista”: Guiness com o pedantismo para quem a inventou. 
Marquei consulta para o meu médico de família e aí estive como uma estaca, na sala de espera, aguardando a minha vez. 
Havia um televisor na sala de espera emitindo um programa informativo. 




Escutei o jornalista, também aos soluços, mas imediatamente a imagem passou para uma conferência de imprensa do PSD, tratando de justificar o que disseram cá no burgo que deitou abaixo o governo e o que ampliaram (para o bem ou para o mal dos nossos e dos deles pecados) lá pela Alemanha ou arredores e, então aí, escutei tudo duma “tirada”, sem soluços. 
Daí passaram a outra declaração de outro político, este do PS, explicando, a grosso modo, como um merceeiro, que não é possível cancelar a hipoteca da casa entregando as chaves ao banco credor e então, de novo, escutei tudo muito bem, sem sobressaltos. 
Aí compreendi que o meu problema era selectivo. 
Só sou capaz de entender bem os políticos. 

Contei os meus sintomas ao médico. 
No mesmo instante fez-me o diagnóstico: 
– Sofres do mal da hipocrisia. 
Por acaso não frequentas as posturas de táxi junto das sedes dos partidos, dos centros do poder (câmaras, juntas, etc.) ou quem sabe, até da Assembleia da República? 
– Já estive, (muitas vezes) estacionado muito perto desses centros de poder. 
– Será isso. 
Não te preocupes. 
Tem cura. 
Alterna cada uma destas receitas de oito em oito horas. 
O médico estendeu-me umas quantas listas dos deputados do PS e outros tantos do PSD (apresentados nas últimas eleições). 
Dezasseis horas depois já tinha mastigado duas, uma de cada um e, parece-me que funciona. 
Agora escuto com redobrada nitidez o cidadão comum, os clientes e não entendo uma porra do que dizem os políticos. 
Obrigado doutor.