O VIDEIRINHO
quinta-feira, dezembro 08, 2011
quinta-feira, novembro 17, 2011
"PERIGO DE MORTE DOS TALHERES"
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Creio que não surpreenderia ninguém se dissesse que os japoneses são um povo sábio.
Talvez surpreendesse mais gente se o dissesse desnudo, assim... continuarei a tirar a roupa.
Um momento..., enganchou-se-me uma perna das calças.
Os japoneses são um povo sábio.
(Exclamações de assombro entre o público. Oh! Ah! Disse-o desnudo. Vestido não teria tanta graça. Etc….)
Recentemente visitei o Japão para levar a esse grande país uma grande oferta
Pensei que a minha viagem ia acabar com séculos de angústia e longas refeições, além das lutas intermináveis com os últimos bagos de arroz que resistem a ser agarrados e, que no final, se deixam no fundo da tigela por preguiça e depois de inauditos esforços, lágrimas e dores nos dedos das mãos.
De facto, calcula-se que os restaurantes chineses e japoneses atirem para o lixo em cada ano, arroz suficiente para alimentar vários países africanos e a "família" pelintra, digo, política de Cavaco Silva, nomeadamente Dias Loureiro, que bem necessitado anda que lhe dêem o arroz.
Então pois, coloquei-me no famoso cruzamento de Shibuya, alcei o garfo, disse algo parecido como:
“japoneses, trago-vos um gar…” e fui atropelado por um autocarro.
Muitos jornalistas visitaram-me no hospital e foi aí que pude demonstrar-lhes a vantagem que tem o garfo sobre os dois pauzinhos e a quantidade de ataques de raiva que cada um pode aforrar graças ao seu uso.
Acreditei que tinha a audiência completamente a meu favor, mas um jornalista, já quase ancião – teria num mínimo 39 anos – mostrava o seu desagrado com caretas de desagrado (a redundância é propositada, como outras mais por aí) e atirando-me alguns amendoins com uma certa raiva (para além do desagrado).
Interroguei-o sobre as razões da sua animosidade e explicou-me que “o garfo" é perigoso.
Qualquer um pode estar a comer e tirar um olho ao parceiro do lado, sem querer".
E para exemplificar a sua advertência, inadvertidamente espetou-me um garfo num olho.
– Tem razão, confessei logo que consegui parar de gritar.
Os garfos são perigosos, mas os pauzinhos, também.
E para melhor exemplificar a minha afirmação, cravei, sem querer, um pauzinho no outro olho.
Juntos chegámos à conclusão de que comer, em geral, acarreta muitos riscos e isso sem valorar o que se pode supor ao utilizar uma faca.
As facas são ARMAS e é surpreendente que não haja mais mortes nos restaurantes.
Ah!, e com as colheres, qualquer um também pode sacar um olho acidentalmente.
Quis exemplificar esta última advertência para não restarem dúvidas, mas já não tinha mais olhos…
Globalmente, este jornalista japonês e eu combinámos escrever um livro sobre a necessidade de comer só sandes e sopa, esta directamente da malga para salvar a vida.
Intitula-se:
“PERIGO DE MORTE DOS TALHERES”.
Que casualidade, ou coincidência coincidente, tal como este post.
Dito isto, custou-me regressar a Portugal porque cada vez que saía à rua, quando tentava atravessar era atropelado e tinha que regressar à clínica.
Puseram-me dois olhos de vidro, mas não vejo nada bem com eles.
Creio que estão avariados.
Vou ver se na Multiópticas arranjo alguns baratinhos.
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terça-feira, novembro 15, 2011
REALIDADE REAL
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Reconheci o actor.
A actriz também.
Apanharam o meu táxi numa dessas tantas ruas “anónimas”, indicaram-me um destino que a ninguém importa e começaram a falar daquilo que qualquer casal fala, de temas quotidianos e outras banalidades.
O caso é que ao olhá-los pelo espelho comecei a pensar no estranho que teria de ser essa precisa mistura entre o sentimental e a sua profissão compartilhada.
Recordei que ambos tinham actuado juntos, como um casal de ficção, num qualquer filme.
Imaginei a raridade que é, ser interprete de um papel de um casal, com a própria esposa, ensaiar juntos um amor de guião diferente do real ou inclusivamente beijarem-se e acariciarem-se metidos ambos na pele do outro.
E aprender a sentir como sentiria o personagem que interpretas e beijar com os seus lábios e anular os teus.
E arriscar dissimular e sobrepor um sentimento ficticio depois do golpe da claquete.
Imagina que o actor se mete tanto no guião que acaba por se enamorar ainda mais da personagem que ela interpreta e é mesmo ela.
Imagina que ao acabar a rodagem, regressam juntos a casa e ele não pode evitar continuar a pensar nessa outra ela do filme.
Imagina que acabam, como em cada noite, fazendo amor, mas agora ele não pode evitar sentir-se culpado, infiel a ela mas não ao seu corpo.
Imagina que sensação dual tão atroz.
Nota:
Absorto como estava nestes pensamentos, perdi completamente a atenção do carro que me precedia e quando travou, dei-lhe um ligeiro toque por detrás.
Com o impacto, a actriz bateu contra as costas do banco da frente, só isso.
Nada de grave.
Forneci os meus dados ao outro condutor e desculpei-me perante os dois, confessando os meus motivos.
Que me distraí pensando em tudo isto e que tinha um blog onde misturo a fantasia com o devaneio, a aberração com a ficção e a realidade e esta realidade poderia ser um bom post.
Tirada DAQUI
Hei-de reconhecer que me surpreendeu a reacção de ambos.
Talvez, movidos mais pela curiosidade que pelo incidente, mostraram-se dispostos a participar no jogo e prometeram entrar no blog; lê-lo e deixar um comentário.
Agradeço-lhes do coração.
Do coração real.
Depois de ter "passado pelas brasas" acordei...
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segunda-feira, novembro 14, 2011
PIC-NIC
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A princípio as nossas vidas serão sonhos narcóticos.
Emocionantes e viciantes.
Pensarei em ti em cada semáforo, em cada engarrafamento, em cada sande de presunto sem queijo.
Serão aureolas tuas as estrelas, as mudanças de declive das tuas ancas e as minhas horas, sem as tuas horas, puro spam.
E cada vez que te vejo haverá um novo ERA na NASA.
E limparei o meu táxi e irei buscar-te, cada tarde, ao trabalho.
Aos domingos levar-te-ei aos subúrbios e aí junto aos cabos de alta tensão, montaremos um pic-nic com vinho e sushi.
E debaixo da ponte de ferro beijar-te-ei, ainda que acabe com os lábios doridos e exangues.
Ainda que se oxidem as pedras.
Ainda que se afoguem os mergulhadores.
Mil capítulos depois, este piloto venderá o seu táxi.
E com esse dinheiro montaremos, juntos, um centro de depilação para “ratas”.
Enquanto isso, continuarei a dar voltas.
Procurando-te lá onde a casualidade das ruas queira que estejas.
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domingo, novembro 13, 2011
DEITADOS
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Olhos cerrados, boca entreaberta, pertinho da minha.
Os meus lábios quase roçando os seus lábios.
Noto o seu hálito.
Está adormecida.
Afasto com cuidado o lençol.
Pouco a pouco.
Emergem os seus ombros, a leve curva dos seus seios.
Aproximo o meu olho direito do piercing do seu mamilo direito.
É um aro ou argola com uma pequena bola metálica (já tinha reparado nele ontem à noite).
Vejo-me reflectido na bola.
O meu nariz vê-se grande na bola e o meu pómulo pequeno e distorcido, como muito longe.
Toco sem querer o seu mamilo direito com a ponta do nariz.
O meu nariz ou o seu mamilo é suave.
Ou ambos.
Nunca o saberei.
Afasto mais o lençol e detenho-me nas complexas pregas do seu umbigo.
Deus estava doente.
Deito a língua de fora.
Sabe a sal.
A cicatriz de seu cordão umbilical esconde o afluir de todos os mares.
Duas ilhas nas suas ancas, um vale seco e um sumidouro.
E do outro lado dos contornos das suas ancas, o nada.
Ou a cama.
É o mesmo.
Agora faço deslizar o lençol com os dentes.
Pouco a pouco, compõe-se a figura do seu sexo no eixo das suas pernas.
Aproximo-me por cima.
Cheira a electricidade estática.
A perigo.
Um pote de mel vazio.
A isóbara.
Chupo o dedo e introduzo-o no seu sexo com cuidado.
Percorro as suas paredes com a polpa dos dedos.
Braille húmido.
Sou um cego a ler a Bíblia.
Afasto-me.
Volto a deitar-me a seu lado.
Não sei o seu nome.
Apenas nos conhecemos ontem.
No meu táxi.
As circunstâncias não importam.
O seu nome não importa.
Agora dorme.
Profundamente.
É tudo.
28FEV2011
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sábado, novembro 12, 2011
CANÇÕES DE NANAR
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Agora com Natália tudo é sexo, ansiedade e desejos.
Já não falamos, pelo menos como antes.
Só “quecas”, abraçamo-nos e choramos à vez (sempre chora o abraçado, nunca, ou quase, o abraçador).
Durante o ‘acto’, Natália mostra-se com uma desinibição assustadora.
Procura-me buracos impróprios numa lesbiana militante como ela.
Talvez procure aquilo que sabe que eu não quero precisamente por isso: quanto menos prazer tenha eu, mais desfruta ela.
Agora por exemplo, não me deixa tocar-lhe nos seios com o desejo que merecem.
Só me permite sugar os mamilos, como uma mãe amamentando o seu rebento.
Cada vez que o faço, embala-me entre os seus braços enquanto me canta canções de nanar em alemão.
Proibido “trepar” se tenho a barba grande (não se concentra).
Proibido fazer amor olhos nos olhos (sempre de costas).
Proibido deixar cair cinza das beatas nas suas nádegas.
Proibido chorar durante a penetração.
Proibido ejacular na sua pele, só dentro dela.
Isto sim: sem preservativo (diz que toma a pílula).
Depois do orgasmo (ela avisa-me sempre: três, dois, um, meee...erda!” como se não quisesse ou procurasse retardá-lo ou evitá-lo), voltamos as costas.
Depois um de nós volta-se e abraça o outro.
Esse outro chora.
Quando sou eu o abraçado, costumo fingir que choro no princípio, mas acabo sempre por chorar de verdade.
Não há motivos.
Só choro pelo simples prazer de aliviar tensões acumuladas.
Não mais de dez lágrimas depois, parto em direcção a minha casa e masturbo-me pensando neste último preciso encontro.
Não ao sexo em si, mas sim no abraço posterior ou nesse momento que me dá o peito e me canta canções de embalar em alemão.
E o orgasmo manual sempre é melhor do que o que tive com ela.
Ou pelo menos mais livre.
Ou mais sincero.
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quinta-feira, novembro 10, 2011
PLETISMÓGRAFO
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Talvez seja uma maluquice das minhas, mas ultimamente parece-me ver nas televisões muitos anúncios de água de colónia ou perfume.
Olho para o calendário e não há nenhum dia do pai ou da mãe à vista, nem S. Valentim e o Natal ainda vem longe…
Será uma indirecta de algum obscuro poder factível para que dissimulemos os efeitos olorosos na nossa anatomia que comportam os rigores estivais em que estamos imersos?
Será.
Já que falo desta questão, gostaria de compartir o lançamento no mercado norte-americano de uma nova fragância masculina.
Chama-se “Eau Flirt” e como podem deduzir pelo nome, trata-se de um perfume que assegura efeitos sensualmente prodigiosos aos seus potenciais utilizadores.
Segundo os seus criadores, este perfume está clinicamente provado para que os homens conquistem e cortejem sem parar.
Em que se baseiam para tão luminosa ideia?
Pois é, na sua elaboração, os seus criadores inspiraram-se nuns estudos científicos realizados pela “Fundação para o estudo e tratamento do Olor e do Gosto”, que se não sabem, eu digo, situa-se em Chicago.
Segundo esta instituição, o homem sente uma imediata excitação sexual quando percebe um aroma que combina o cheiro a torta de abóbora (uma especialidade parecida com o “nosso” toucinho do céu, que também deveria ser feito só com amêndoa e é aldrabado com abóbora) e a lavanda.
Assim a modos que, como se um donut o borrifares com um ambientador, desses que utilizas para a casa cheirar a campo.
Não sei.
No meu caso o do pastelito e da pastelaria em geral cumpre-se, ainda que mais não seja do que um simples condicionamento pavloviano que por outra qualquer coisa.
Não é que eu queira entrar em algo estonteante, imediato, mas sim que experimente algo parecido à felicidade.
Como se uma coisa não leve a outra por uma simples associação de ideias…
Deixando a brincadeira de lado, muitos interrogar-se-ão como é que a dita cuja Fundação conseguiu a façanha de identificar aqueles olores que nos põem atiradiços.
Pois, fazendo um estudo cem por cento empírico.
Submeteram uma série de voluntários a um pletismógrafo, aparelho que mede as alterações no volume (circunferência) do pénis e também em várias zonas do corpo, enquanto os faziam inalar os aromas diversos substâncias.
Pois bem, com a lavanda e o toucinho do céu, digo, torta ou pastel de abóbora, comprovaram que o fluxo sanguíneo aumentava cerca de 40%.
Em segundo lugar ficou um donut e um pedaço de alcaçuz, com 31,5%.
Os pesquisadores ressaltaram nas suas conclusões que podem ser muitas as explicações para esta relação entre odor e excitação: a memória de um alimento favorito de um parceiro sexual anterior, ou simplesmente o perfume mais eficaz conseguiram um maior relaxamento no sujeito estudado.
Chegado a este ponto assaltam-me várias dúvidas.
Considera-se que o perfume de sempre, Eau Flirt, seja dirigido ao público masculino heterossexual para ir atraindo fêmeas como um animalito de um documentário da RTP2, na época do cio.
Então, para que utilizam um olor que excita os homens?
Para atrair um semelhante?
Para que o usufrutuário esteja excitado sexualmente e predisposto todo o dia, para “todo o serviço”?
Só podem ser coisas da "idade dos três metais"!
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quarta-feira, novembro 09, 2011
UM CU ALMOFADA
Má época para falar destas coisas.
O calor não favorece grandes mostras de carinho na cama, durante as noites de Verão.
Vamos lá, o justo e necessário em determinados momentos.
Depois, com a satisfação do dever cumprido, cada um para o seu ‘ladeco’, que não há nada pior que notar a presença humana desprendendo calor, numa noite calorosa e abafadiça.
Reconheço que sou um pouco, de natureza um tanto ou quanto arisca e que me chateia bastante, (em português vernáculo), que se me grudem ás costas como uma Kiki (aquele boneca japonesa, popular há uns anos), quando intento descansar, inclusivamente no Inverno.
Algum trauma terei por aí.
No entanto, há pessoas que se transformam em autênticos koalas quando se metem na cama.
Inclusive em pleno Verão.
Deles vou deixar umas patacoadas.
O que se passa quando uma pessoa extremamente carinhosa por avatares do destino, termina compartindo a cama com alguém de natureza báltica?
Algum trauma terei por aí.
No entanto, há pessoas que se transformam em autênticos koalas quando se metem na cama.
Inclusive em pleno Verão.
Deles vou deixar umas patacoadas.
O que se passa quando uma pessoa extremamente carinhosa por avatares do destino, termina compartindo a cama com alguém de natureza báltica?
Pois que estamos ante um problema real.
Ou impõe a sua vontade e incomoda sobremaneira o seu parceiro de leito, ou fica no seu recanto abandonado e com uma grande sensação de frustração.
Escusado será dizer que ambas as situações são bastantes incómodas e, ao paspalho, podem ser desencadeante de outros problemas mais graves no casal.
Para evitar este tipo de situações, uma empresa norte-americana criou a “Booty pillow”. Trata-se de uma almofada que reproduz a zona lombar e o traseiro de uma mulher, com biquíni incluído.
O seu criador reconhece que a inspiração lhe chegou de repente quando um dia, estando na cama com a sua noiva, esta se deitou de cu para o ar a ler e ele apoiou a cabeça entre bochechas do dito cujo e o fundo das costas.
Abriu-se-lhe o céu.
Desabou-lhe o mundo na inteligência!!!
Ou impõe a sua vontade e incomoda sobremaneira o seu parceiro de leito, ou fica no seu recanto abandonado e com uma grande sensação de frustração.
Escusado será dizer que ambas as situações são bastantes incómodas e, ao paspalho, podem ser desencadeante de outros problemas mais graves no casal.
Para evitar este tipo de situações, uma empresa norte-americana criou a “Booty pillow”. Trata-se de uma almofada que reproduz a zona lombar e o traseiro de uma mulher, com biquíni incluído.
O seu criador reconhece que a inspiração lhe chegou de repente quando um dia, estando na cama com a sua noiva, esta se deitou de cu para o ar a ler e ele apoiou a cabeça entre bochechas do dito cujo e o fundo das costas.
Abriu-se-lhe o céu.
Desabou-lhe o mundo na inteligência!!!
Num piscar de olhos criou um protótipo e lançou-o no mercado, (nunca se soube se com as medidas da sua parceira.
Parece-me que custam 30 €, são em poliuretano e há muitíssimos modelos de diferentes cores.
Algumas tipo leopardo, para uma noite de cortejo exótica.
Ainda não foi lançada a do "leãozinho".
Como a solidão ou a falta de carinho e sexo, na cama está pelas ruas da amargura, também existem no mercado umas almofadas que reproduzem um torso masculino com um só braço que permitem ao seu utente aninhar-se e sentir-se protegido durante o sono.
Assim, todo o mundo fica contente.
E no Japão...
Bom, pois no Japão para dormir profundamente preferem outra zona corporal.
Um pouco mais incómoda para a parte passiva que representa, isso sim...
Melhor arrojar o travesseiro e agarrar-se ao natural.
Será que não há por aí inventores mais inventivos?
Parece-me que custam 30 €, são em poliuretano e há muitíssimos modelos de diferentes cores.
Algumas tipo leopardo, para uma noite de cortejo exótica.
Ainda não foi lançada a do "leãozinho".
Como a solidão ou a falta de carinho e sexo, na cama está pelas ruas da amargura, também existem no mercado umas almofadas que reproduzem um torso masculino com um só braço que permitem ao seu utente aninhar-se e sentir-se protegido durante o sono.
Assim, todo o mundo fica contente.
E no Japão...
Bom, pois no Japão para dormir profundamente preferem outra zona corporal.
Um pouco mais incómoda para a parte passiva que representa, isso sim...
Melhor arrojar o travesseiro e agarrar-se ao natural.
Será que não há por aí inventores mais inventivos?
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terça-feira, novembro 08, 2011
REFRESCAR
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Tudo marcha a uma velocidade que assusta.
Para demonstrá-lo não há mais do que entrar na imprensa diária e ler de cima abaixo os títulos mais destacados e uma vez acabada a revisão, pulsar a tecla F5 (actualizar página).
Verão que nesse intervalo de tempo as notícias já são outras, ou pelo menos as mais destacadas foram substituídas por notícias novas ou mais recentes ou mais importantes.
Mas esta loucura pelo imediatismo da informação também se infiltra sem querer, na nossa vida ordinária.
No meu táxi, por exemplo, vivo refém de um F5 imaginário.
Se circulo por uma rua que se me afigura obsoleta, refresco a rua e de súbito dois carros chocam, ou começa a chover, ou aparece um malabarista ameaçando o semáforo, ou me alça o braço Quentin Tarantino.
Também tendo a actualizar as conversações que mantenho com os utentes do meu táxi.
É difícil desenvolver um tema sem saltar para outros quando o percurso é mais extenso.
Aí o utente e eu competimos a ver quem pulsa primeiro o seu F5 e muda de tema deixando o outro na valeta.
Que o comam os cães.
E funciona.
O meu F5 funciona com todos excepto contigo.
Depois de tanto tempo e tanto esforço, continuo sem encontrar a tecla que actualize o nosso, amor.
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segunda-feira, novembro 07, 2011
VACUIDADES
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As cordas vocais puxam por ti.
Não falas: é o decoro, o costume.
Formulas-me perguntas cujas respostas, na realidade, já conheces ou não te importam.
É o caso de encheres o vazio sonoro do trajecto.
Um acordo não escrito entre ambos: eu conduzo, tu dás-me conversa da treta.
São sempre as mesmas perguntas, em cada táxi (dois ou três… por dia):
- “Então como vai a tarde, chefe?”;
“Está negra esta coisa com a crise, não é verdade?”;
“Está um frio do caraças, não acha?”.
São perguntas cómodas e universais, sempre relaxadas porque conheces de antemão as respostas.
Se o motorista (eu) respondeu com um monossílabo, sabes que eu não sinto vontade de falar.
Se o taxista se alonga suavizando, continuas com o teu mostruário de frases feitas, comuns até não poderes mais, cuidadosamente assépticas, neutrais.
Domina um amplo leque.
A tua proferida:
“Os políticos são todos iguais”.
Com esta não falhas.
Dão-te sempre razão.
E no fim do trajecto, ao saíres do carro, deixarás o habitáculo tão vazio com antes.
Não terás aprendido nada; tão-pouco o taxista.
Absurda maneira de encher o silêncio.
Será isso?
Encher o silêncio de ruído.
Evitar o silêncio para não pensar.
Ou despertar a atenção do motorista como quem lança foguetes numa praça lotada.
Ou sentir-se integrado no mundo.
Cómodo no pensamento único.
Mais um, um de muitos.
Sem voto mas com voz.
O rei dos mortos vivos.
17FEV2011
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sábado, novembro 05, 2011
CHEGOU O CARTEIRO
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Ontem recebi o seguinte e-mail, enviado para o contacto deste blog.
Copio e colo:
Caro José Torres.
O meu nome é Eduarda e sou leitora assídua do teu blog.
Encantam-me as tuas historias e ao meu marido Jaime também.
Desde há uns bons tempos que tínhamos o costume de ler-te ao pequeno almoço.
Cada manhã um de nós lia o teu post em voz alta enquanto o outro escutava, preparando as torradas e o café com leite.
Conto-te isto, no passado, não por casualidade.
De há uns tempos para cá já não te lemos juntos.
Sucede que há umas semanas Jaime “encheu-se” de mim, pelas minhas constantes lisonjas para com a tua pessoa, que oxalá conseguisse “montar-me” no teu táxi, porque tens pinta de ser um tipo interessante, que escreves genialmente, etc.
Exacerbou-se ao ponto de acreditar que eu tinha algo contigo.
Igualmente como a protagonista de muitas das tuas histórias eu também me chamo Eduarda e além disso, a descrição que fazes dela assemelha-se bastante à minha, já que também tenho o cabelo longo e encaracolado, os olhos escuros e, por que não dizê-lo, sou bastante “graciosa”.
Por isto Jaime encontrou a desculpa perfeita para “suspeitar” que esses teus posts estavam dirigidos a mim.
O caso é que creio que a desconfiança do meu marido não é mais que uma escusa que montou para romper comigo, colocando-me como culpável, já que suspeito, há uns tempos, que, precisamente é ele quem tem um caso com uma companheira do seu trabalho.
Mais do que suspeitas, estou cem por cento segura.
Ela chama-se Liliana e tenho provas.
Por que te conto isto?
Interrogas-te.
Pois bem, necessito que me ajudes.
Tenho que me vingar dele, seja como for, dar-lhe onde mais lhe doa.
Tinha pensado, se te parece bem, que tu escrevesses um post falando de mim, com uma foto em que eu e tu estejamos no teu táxi em atitude carinhosa, beijando-nos ou algo parecido e depois dissesses que era brincadeira e escrevesses a seguir, o da sua infidelidade com Liliana.
Que inventasses algo como tu sabes para lhe dar nas fúcias com sua própria medicina.
Sei que ele te continua a ler e também a Liliana.
Aliás, foi precisamente ela que nos indicou o teu blog.
Seria uma vingança perfeita.
O que me dizes?
Responde, por favor.
É muito importante.
Grata antecipadamente.
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