Quebrando garras, amarras, grilhões,
caminhamos para aquele ápice, aquele instante,
ordenado e intuitivo, porque parou o pensamento,
onde para homens e feras não há proibições.
Eu o animal, tu a fêmea.
Ambos na procura do prazer enérgico, frenético, veemente,
com os corpos sugados, sorvidos, chupados,
com indícios e vícios que suspiram e aspiram pecados.
Líquidos de mel de efluxos eflúvios, fluindo livremente,
deliciosos indícios de que cevámos exuberantemente.
Beijos que enlouquecem, braços e abraços de loucura,
corpos perversos que não tergiversam,
só pedem sexo, muito, mesmo sem nexo.
Seios ingurgitados em boca escaldante, ansiosa, ardente,
tudo é premente, em corpos excitados, quentes,
com línguas cobrejantes, vibrantes, trementes.
As reluzentes estrelas do nosso vasto céu,
iluminam suspiros, cicios, gemidos, gritos e lamentos,
que sussurram, soam, ecoam troam,
enquanto não chega o clímax no aparente véu.
Nos corpos que navegam, flutuam etereamente,
à força de remos, de pernas enleadas, serpenteantes,
que formam um trilho, um só caminho, anelantes,
com a noite a acompanhar dolente, amante, quente,
de prazeres infindos, intensos, incontáveis, abundantes,
onde não há segredos, degredos, medos, anseios,
nas curvas que deverão ser rectas ou rectas, curvas,
que a força animal inata, que nos cria e mata,
nos faz navegar, vogar, sonhar, perdurar.
Perder-se perdidamente em gemidos, ais, lamentos,
com a força que a paixão reflecte em cada leito,
nos corpos prostrados, cansados, violados pela noite tamanha,
que os desejos, os prazeres, a esperança, de cada pleito,
nos alvos lençóis manchados, amarrotados, revoltos, infamados,
espraiem-se com toda a força com que cada um sobe a montanha!
xistosa - josé torres
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