Rio Cheonggyecheon
Se há que desalojar um milhão de pessoas para construir uma sede olímpica, que procurem outro local.
Se há que criar uma ilha artificial para ampliar um aeroporto, ganham-se hectares ao mar.
Se há que desafiar as leis da gravidade e construir arranha-céus mais altos, corre-se este risco.
Conseguem-se assim grandes urbes, modernas e vanguardistas, mas que perderam o encanto de antanho.
Ainda que outras vezes, este urbanismo arriscado tenha resultados que estimulam a vida de uma cidade.
Cheonggyecheon é um dos sítios favoritos dos coreanos.
Depois da guerra da Coreia, Seul construiu por cima dos escombros uma cidade que não parou de crescer e que hoje alcança os dez milhões de habitantes.
Este “progresso” repentista, secou o rio com o mesmo nome da cidade, Cheonggyecheon e mais tarde construíram sobre o seu leito uma auto-estrada de seis faixas de rodagem, que cortava a meio o coração da cidade.
Até que em 2003, o equivalente a presidente da câmara, Lee Myung-bak, apostou numa arriscada operação para recuperar o rio.
Apesar das críticas da oposição, derrubou a “M-30 de Seul” e construiu um parque fluvial de oito quilómetros de comprimento, para lazer dos seus cidadãos.
Dois anos e seiscentos milhões de euros depois, inaugurou este parque fluvial, que se transformou na zona de encontro para os habitantes de Seul.
Onde antes circulavam 180.000 veículos por dia, agora famílias, casais, pares e turistas, passeiam pelas margens do rio.
Vinte e duas pontes cruzam-no, para manter unidas as duas partes da cidade que antes só se miravam uns aos outros com a auto-estrada de permeio.
Converter uma auto-estrada num parque é possível.
A recuperada artéria é o local predilecto dos pequenos que no Verão podem até refrescar-se nas cristalinas águas, onde se incluem 19 espécies de peixes.
Mais de 50 milhões de pessoas já passaram por aqui, desde a sua abertura em 2005 e muitos, fazem-no simplesmente para sentar-se tranquilamente, escutar o fluir da água e esquecerem-se por instantes do tráfego e os arranha-céus que os rodeiam.
Ainda que também haja detractores, que criticam o facto de serem elevadas mecânicamente as 120.000 toneladas de água que diariamente são necessárias para manter vivo o rio artificial, a maioria dos cidadãos apoiam e aplaudem o projecto e confiaram em Lee Myung Bak que iniciou as obras.
De tal modo que o elegeram para o actual cargo, nem mais nem menos que o Presidente da Coreia do Sul.
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