O VIDEIRINHO

domingo, outubro 09, 2011

OUTRA VIDA

.


Nos seus 60 anos, Estevão, nunca trabalhou na sua vida. 

Disse-mo sem dar muito importância ao assunto. 

Pertence a uma família endinheirada, a culpa não é sua. 

Recebeu a sua primeira herança milionária ao cumprir 18 anos e, desde então, só se ocupou da gestão do seu património sem grandes ganâncias nem mais ambição que a sua inata curiosidade. 

– Dois dos meus irmãos arruinaram-se porque quiseram sacar a maior rentabilidade possível da sua parte da herança. 

Um deles na Afinsa e Forum Filatélico. 

Outro nos casinos de meio mundo, disse-me. 

Estevão optou por viver a vida e aprender dela. 

É um leitor voraz, cultíssimo. 

No fim dos anos setenta comprou uma casa na ilha de Formentera (a mais pequena ilha habitada das Baleares e o último paraíso do Mediterrâneo, onde só se tem acesso de barco a partir de Ibiza. 
Que nostalgia ao escrever estas linhas…). 


Ai possui uma pequena horta que ele mesmo cultiva e o abastece. 

Também pesca. 

E pinta a óleo e a sua televisão não tem antena (só vê filmes em DVD). 

E anda de bicicleta.

Encanta-se com as conversas de bar e jogar xadrez com os amigos. 

Agora deu-lhe para aprender a tocar guitarra e está a estudar à distância História de Arte. 

Nos seus 60 anos não sabe o que é aborrecer-se, faltam-lhe as horas. 

Muitos outros não sabem o que fazer depois do trabalho.  

– Viemos a este mundo para sacar-lhe o suco. 
Estamos obrigados a aprender e a crescer. 
Muitos trabalham, não só para subsistir, como para criarem necessidades que não necessitam ( redundância é propositada). 
Pensam que trocar o seu velhinho carro por um mais pequeno é um sintoma de fracasso. 
Lutam para aumentar o seu património e, com ele, o seu conceito de status. 


Retratos de Cafe Majestic, Porto
Café Majestic - Porto 
Clicar na imagem

Associar o crescimento pessoal ao dinheiro é um erro que, no final, sai caro. 
Gera uma eterna insatisfação. 
E rancor. 
E invejas prejudiciais. 

Diz-me isto enquanto o transporto no meu táxi desde o aeroporto até ao Majestic. 

Ficou no Porto com um amigo de infância para jogar uma partida de xadrez. 

– Se perder, regressarei a Formentera est mesma Tarde/noite, disse-me. 

Pedi por favor para presenciar a partida. 

Disse-me que sim. 

Deixei-o em Santa Catarina (Majestic) e fui aparcar na Praça dos Poveiros. 

Tínhamos combinado encontrarmo-nos no Clube de Xadrez do Porto logo ali em Passos Manuel. 

Fui. 

A partida durou cerca de hora e meia. 

Ele só bebeu dois cafés, pagou tudo e deixou uma suculenta gorjeta. 

Quando o amigo ganhou, Estevão deu-lhe um forte abraço e agradeceu-lhe a lição de hoje. 



Pediu-me para o levar novamente ao aeroporto. 

Ao despedirmo-nos, com outro abraço, convidou-me a passar uma temporada em sua casa na ilha de Formentera. 

– Quando quiser telefone-me. 
A minha casa é sua. 
Ali poderá actualizar o blog com calma. 
Pago o avião e empresto uma cana para pescar. 

Deu-me um cartão com o seu nome; só, Estevão, sem apelidos, e o número do seu telemóvel. 

Talvez lhe telefone. 

Vou necessitar de lições intensíssimas de xadrez.
.

sábado, outubro 08, 2011


- Faço aos outros o mesmo que fazem comigo, talvez um pouco pior !

FANTASIAR

.


(Imagina-te a leres este arrazoado, no formato de uma ou duas colunas, numa qualquer edição do Jornal de Notícias). 

O arrazoado de letradice que agora estás a ler no autocarro ou no metro, ou… a caminho do curro, digo trabalho, continuará lá quando desviares a vista e fechares as folhas do jornal. 

Talvez quando acabares de me ler, deixarás o Jornal de Notícias sobre o assento da carruagem para que outros, também, o leiam. 

E esses outros talvez acabem por pousar os olhos nessas mesmas linhas enquanto agarram com ambas as mãos os bordos das mesmas folhas que agora tu sustentas, como se tocassem eles as tuas mesmas mãos, mas noutro tempo. 

TIRADA  DAQUI 

Ou agora pode ser que este mesmo diário, que resgataste do assento de uma carruagem, tenha as impressões digitais de outro leitor anterior que se esqueceu de limpar os dedos da manteiga do pequeno-almoço, enquanto passava as folhas e te dê para acariciar as suas impressões, ou colocar as tuas por cima e fiques abismado com a idêntica simetria entre o desenho dos seus polegares e os teus e, te interrogues: 

Quem será? 

Ou poderá suceder que mandes parar um táxi com o mesmo jornal debaixo do braço e o taxista que pára e saúdas, seja eu, que sou taxista e escrevi isto a pensar em ti. 

Olhos nos Olhos (1894) - Edvard Munch (Noruega)

(Para tua “orientação”: Agora imagina que algum leitor do JN, enquanto lê, repara na impressão do anterior leitor, coloca o seu dedo e ambos os contornos coincidem. 

Imagina que, vitima de uma curiosidade sem limites, decide investigar a procedência dessa impressão digital. 

Imagina que se lembra daquele amigo da PJ e lhe pede que analise a impressão digital do jornal. 

Imagina que ele lhe dá uma foto da dona dessa impressão digital. 

Continua a fantasiar e, no dia seguinte, o leitor volta a viajar no metro, como faz todos os dias e no outro extremo da carruagem, subitamente, reconhece a sedutora (para ele) mulher da foto. 

Fantasia que se aproxima, senta-se a seu lado e cruzam olhares. 

Fantasia que os seus olhos, tal e qual as suas impressões digitais, também coincidem na perfeição. 

Imagina que surge o amor).

15FEV2011
.

sexta-feira, outubro 07, 2011

- Não há nada que me preocupe tanto como o ser indefinido "Excelência" !

DESASSISADO (?)

.


Duas adolescentes que transporto no banco traseiro, “palram”: 

– Juro que não consigo parar de pensar nisso. 

– Esquece-o. 
O Zé já passou por ti… Marta. 

– Mas se ainda não passou mais que três semanas que o deixei... 
Como pode já estar com outra? 

– Já não sei mais que queres que te diga, parva. 
Esquece-te dele. 

– E como queres que me esqueça? 

– Faz uma foto e coloca-a no congelador. 

– O quê? 

– Sim, maluquinha. 
Coloca uma foto do Zé no congelador. 

Comigo funcionou quando foi do Cláudio. 

Fi-lo e esqueci-me dele num piscar de olhos. 

Colocar uma foto no congelador para esquecer alguém? 

Pensei enquanto conduzia completamente ausente, só na aparência, da sua conversa. 

Aquilo pareceu-me uma típica “estupidice” de adolescentes com mais carga sugestiva do que outra coisa. 

Ainda que, pensando bem, talvez eu necessitasse desta mesma sugestão para esquecer-me de Eduarda. 

Se tudo fosse assim tão fácil e se resumisse a colocar uma foto dela no congelador… 

Por que não tentá-lo? 

Há uns tempos decidi queimar todas as fotos de Eduarda mas, à falta de uma foto sua, será que poderia usar uma minha? 

Não era Eduarda uma parte de mim? 

Mal cheguei a casa fiz uma foto de mim mesmo, imprimi-a em A4 e meti-a no congelador. 

Para fazer passar o tempo (a minha passageira não tinha dito quanto demorava a fazer efeito o esconjuro) dispus-me a escrever isto. 


Imagem: Paul Redair - Tirada daqui


Até ao momento, parecia-me que tudo ia bem, mas ao chegar ao quarto parágrafo comecei a esquecer-me de coisas. 

Primeiro o meu nome (tive que consultar documentos do blog para recordar: josé torres). 

Imediatamente esqueci-me da minha profissão (também só me apercebi quando vi o meu táxi estacionado à minha porta), ou a minha idade; sim tenho uma irmã, o número de eleitor, o NIF, o PIN do meu telemóvel, o meu número de telefone fixo, os meus gostos… 

O que faço aqui a escrever? 

Porque diabo tenho o blog INSÉTE? 

O que é um blog? 

Será que me esquecerei como se escrevem as palavras? 

Pavralas, pavasls, que rademed retos...
.

quinta-feira, outubro 06, 2011


- Os contos de fadas são mais que reais; não porque lhes ensinem ás crianças que existem os dragões - as crianças já sabem que existem -, senão porque lhes ensinam que se pode derrotar aos dragões !

CRIMINOSO, EU???

.


Imagina que alguém te acusa de um delito que não cometeste. 

Imagina que uma jovem mulher, larva recente, se inteira e por prudência aparta-se de ti. 

Imagina que, asfixiado pela sua distância (pelo seu distanciamento, a chamas e confessa-te as suas dúvidas: todas essas chispas não atingiram o lume suficiente para colocar a mão no fogo. 

A sua primeira reacção, de certo modo, é compreensível. 

A vida tem esse ponto de crueldade. 

Nem sempre as rosas são cor-de-rosa. 

Tratas então de explicar-lhe a tua inocência e ela simula acreditar, talvez até acredite, o teu álibi é bastante convincente. 


Mas há algo diferente no seu olhar. 

Agora há distanciamento, nota-lo. 

Já não sabes o que dizer para eliminar esse incidente, esse rumor. 

Em certos casos é mais fácil demonstrares-te culpado que provar a tua inocência. 

É mais fácil mostrar o cadáver que provar que não há cadáver se não sabes, sequer, quem morreu. 

Ainda que provada a tua inocência compreendes que não há forma de dissipar as suas dúvidas. 

Ela vive e quer viver tranquila na sua atalaia, sem indícios nem suspeitas sobre alguém que ainda não é nada, talvez outra larva de borboleta, um esboço de projecto com vistas para o mar. 


Apenas um taxista que escreve coisas lindas e deleita ouvidos. 

Imagina que o taxista manchado pelo erro não pode fazer marcha atrás nem fugir para diante. 

Imagina que, para recuperar a confiança anterior, tem que começar do zero ou pior, de mais abaixo. 

Sem delito mas com antecedentes criminais. 

É esse o sentimento.
.

quarta-feira, outubro 05, 2011

- O beijo é a menor distância entre dois pares de lábios ! (josé torres)

NA "MOUCHE"

.


Mandas parar o meu táxi porque justamente acabas de sair do trabalho e eu, também, passava justamente por aí, (são as coincidências coincidentes) como poderia ter passado outro táxi e deter-se ao aceno ou gesto de qualquer outra passageira. 

Há centenas de táxis; milhares de passageiros. 

Entras, indicas-me o teu destino e nisto, noto que o meu olor te desconcerta. 

Casualmente uso o mesmo perfume que o Zé, o teu Zé. 

Perdão, já não é nada teu. 

Já não é o teu Zé. 

Deixou de sê-lo. 

Não te acostumas. 

Não passou o tempo suficiente. 


De facto, tu presenteaste-o com aquele perfume, sim, pelo vosso aniversário. 

Desde então ele só o usava em ocasiões especiais. 

Como aquela vez que te levou a um restaurante tailandês, para celebrar o seu primeiro ordenado. 

Ou quando o apresentaste aos teus pais. 

Nessa ocasião Zé ofereceu umas flores à tua mãe desconhecendo que ela era alérgica. 

Grande vergonha passou o pobre… 

Sorris. 

Estava tão galante com aquela camisa bege e aquele blazer… 


Com o passar do tempo corroeu-se o elo, ou talvez fosses tu. 



Tu cansaste-te. 

Tu quiseste provar outras coisas. 

Outros tipos, outros mundos. 

E provaste, claro. 

E agora sabes que não foi ruim. 

Basta notar. 

Agora mesmo. 

Ninguém como Zé. 

Chegamos ao teu destino. 

Pagas a corrida e antes de saíres do meu táxi respiras fundo, uma vez mais, o meu perfume. 

Ao saíres vejo-te pegar no telemóvel que tinhas no bolso. 

Pareces nervosa. 

Manipulas as teclas e levas o telemóvel ao ouvido. 

Leio os teus lábios: 
"Zé? Sou eu a Carmen".
.

terça-feira, outubro 04, 2011

- Sou uma pessoa boa e portanto, muito diferente de qualquer um de vós (rsss, rsss, rsss) ! (josé torres)

SANTARRÕES

.


Os pobres querem ser ricos, os ricos mais ricos ainda e o mais rico de todos tem dores de cabeça ou daria até o último dólar com a vontade de recuperar a seu defunto cão Boby. 

Custa-nos destrinçar a ansiedade boa da má (a primeira impulsiona-nos para viver, a outra corrói-nos por dentro). 

Em qualquer caso, consumimos Alprazolam para os altos e Prozac para os baixos. 

E quando o vazio espreita, cortamos cebola como subterfúgio para chorar e essas lágrimas reconciliam-nos, outra vez mais, com o mundo. 

As telenovelas ensinaram-nos a amar, o Facebook a fazer amigos e os bancos a comer cenouras sem utilizarmos as mãos. 


  

Temos correctores de olheiras, alargadores e extensores do pénis, sutiãs milagrosos, futurólogos com facilidades de pagamento, táxis porta a porta, não sei quantos canais de TV, mas mais do que um saco cheio, camisas com a marca bordada no peito, depilação lazer, amuletos ou bichinhos de estimação, futebol, planos para pensões, cartões de crédito, cigarros electrónicos, revistas do coração, filhos e netos que nos tornarão imortais, zoos, cruzeiros, o 112, pratos pré-cozinhados, cromos do “papa e sus muchachos”, p*utas ao domicílio ou num exílio (quiçá idílio ou devaneio) à nossa escolha, políticos disfarçados de marionetas, massagens da ponta dos cabelos à ponta dos pés com paragens estratégicas...


A culpa é sempre do outro; viste o que se passa no Egipto? 

Esses sim, que têm tomates e borrifam-se nos sindicatos. 

E ante o temor da crise, compremos sofás mais cómodos. 

Por causa das costas.
.

domingo, outubro 02, 2011

- “Pela parte que lhe respeita o país espera.
O quê?
O momento em que pela boa razão de não haver mais coisa que se colecte, porque estará colectado tudo, deixe de haver quem empreste por não haver mais quem pague.” ! (EÇA de QUEIRÓS)

TESTE DE GRAVIDEZ

.


Ao aspirar o habitáculo do táxi, encontrei debaixo do meu assento um pequeno saco de plástico de uma farmácia e, dentro, um teste de gravidez. 

Na sua caixa estava um numero de telefone escrito com uma esferográfica. 

Impelido, mais pela curiosidade, do que pelo meu dever de localizar a sua dona para adverti-la do extravio, disquei o número de telefone. 

- Estou? Disse uma voz de homem. 

– Boa tarde. Com quem falo por favor? Perguntei. 

– Quem é você? 

– Sou um taxista. Tenho algo que… lhe pode pertencer. 

– Tá bem. 
O que for deixe na portaria. 
Na sede do Partido Socialista, na Rua de Santa Isabel. 
Fale com o snr. Xxx. 

– Bem, mas…  

– Não se preocupe. 
Quando chegar, entregue o recibo com a importância da viagem de táxi e pagar-lhe-ão. 


– Não, não… 
O que queria dizer é que… o que tenho é um… teste de gravidez com o seu número de telefone anotado na embalagem. 
Por isso é que e telefonei para aí. 

(Silêncio) 

– Continua aí? 

– Vai-te fo… 

- Há algum problema? 

– Uffff… 

 – Encontra-se bem? 

– Depois telefono. 
Tchau. 

Supus que, dito isto, me desligaria o telefone. 
Mas não desligou. 
Talvez tenha carregado no tecla equivocada. 
Soou um clock, como se tivesse deixado o telefone sobre a mesa e em fundo comecei a escutar uma conversação com outro homem. 

– Fecha a porta. 

– O que se passa? 

– Recordas aquela gaja que levei a minha casa depois da reunião? 


– A do PSD? 

– Sim. 

– Essa que te fez o… 

- Sim. 
Essa. 
Acabo de me inteirar que pode estar grávida. 

– Não me fo… lixes! 
Mas não tomaste precauções? 

– Disse-me que tomava a pílula, nem desconfiei! 

– Que grande chatice! 
E a poucos dias das eleições… 
O que faço? 

– Deixa-me pensar… 
Fala com ela. 
Não acredito que arrisque a tê-lo. 
Seria o fim da sua carreira política e, também, da tua. 
Propõe-lho assim. 

– Está bem. 
Vou tentar localizá-la. 

Soou um ruído como do homem pegando de novo no telefone. 

Então desliguei.
 
 .



sábado, outubro 01, 2011

- Amar não é dizer-te, cara a cara, que te amo; é sem palavras, encostar os meus lábios aos teus ! (josé torres)

FAÇO BEIJOS

.

 O beijo de Gustav Klimt

O casalinho falava baixinho, quase boca a boca, talvez para mastigarem os seus sussurros, quiçá para odorarem as suas palavras. 

Olhavam-se nos lábios em plano picado, como duas aves de rapina sobrevoando o ninho dos lábios do outro. 

Mas não se beijavam nem chegaram a beijar-se por si mesmos. 

Foi por um buraco. 

O meu táxi caiu num buraco por eu estar pendente das suas bocas, através do espelho retrovisor. 

E com o brusco balanceio, os seus lábios uniram-se. 

Beijaram-se por minha culpa. 

Fui eu que acendi a centelha de outro beijo mais profundo, sem barreiras, agora com as bocas abertas e as suas línguas jogando ao desejo e à “capoeira”. 

 
Um beijo que só acabou ao terminar o trajecto e nem sequer se despegaram (para talvez não perderem o néctar das suas salivas), pagaram apressadamente, fecharam a porta e partiram beijando-se pelo passeio fora até se fazerem pequenos ao afastar-me. 

E talvez agora, ao escrevinhar estas linhas, continuem puxando o fio invisível que selam os seus lábios. 

E tudo por um buraco. 

Isto fez-me sentir um semi-deus. 

Muito acima do deus fazedor de epidemias. 

Nas minhas mãos está o poder de fazer pessoas beijarem-se. 

Ou graças à minha péssima condução. 


Sou a centelha que ateia o amor. 

E o meu sócio, o aldrabão e vigarista do presidente da câmara (como quase todos) e a pedra: mandei-lhe um mail pedindo-lhe que não conserte nunca os buracos do asfalto. 

Se me der ouvidos, os dois mano a mano, semearemos a paixão nos assentos traseiros dos táxis do mundo. 

E não haverá guerras, nem mais fome para além do vazio de beijoqueiros. 

Meu povo e minha pova!!! 

Entrem no meu táxi!!! 

Ofereço paixões. 

Ou acidentes de percurso que valem a pena.
.