O VIDEIRINHO

domingo, julho 24, 2011


- Segundo cientistas espanhóis, a cerveja fortalece os ossos das mulheres.
Mas enfraquece-lhe as pernas, (segundo "eu") !

DOCE VIZINHA

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Recordo um passado que não quis viver, sobrevivo a um presente que não tinha prognosticado e depara-se-me um futuro repleto de utopias. 

Convivo dia a dia com um sem fim de fantasias insatisfeitas e, enganando-me a mim mesmo, pude manter bastante altas as minhas esperanças de cumpri-las. 

Está em cima da mesa, todavia, a de ser um astronauta (sempre tive o sonho de  viajar ou ‘andar na Lua’) e ainda que a percentagem de probabilidades seja ínfima ou nula, continuo imaginando-me sobre um palco, tocando um piano de cauda, com uma imensa multidão de pessoas cantando as minhas canções. 


Alimento-me de ilusões e especulo constantemente com possíveis realidades que se encontram infinitamente distanciadas das minhas possibilidades. 

Como a fantasia com o mulherão da minha vizinha, por exemplo, que agora ganhou o hábito de me vir pedir açúcar quase todos os dias. 

Eu convido-a a jantar e ela aceita encantada, mas no fundo sei que aquela situação é uma mera miragem; um holograma que se desvanece quando tento abraçá-la.
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sábado, julho 23, 2011

- Ainda bem que sempre existe outro dia. E outros sonhos. E outros risos. E outros amores. E outras pessoas. E outras coisas ! (Clarice Lispector)

VOLTA AO MIOLO

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Um industrial, (do Norte), bem sucedido, horrorizou-se quando viu um pescador algarvio tranquilamente recostado contra o seu barquito e fumando uma cachimbada. 

– Por que não saiu para pescar? 
Perguntou o industrial. 

– Porque já pesquei o suficiente por hoje, respondeu o pescador. 

– E por que não pesca mais do que o que necessita? 
Insistiu o industrial. 

– E o que ia fazer com ele? 
Perguntou por sua vez o pescador. 

 
– Ganharia mais dinheiro, foi a resposta. 
Então poderia ir para águas mais profundas e pescar mais peixes. 
Então ganharia o suficiente para comprar umas redes de nylon, com as quais obteria mais peixes e mais dinheiro. 
Tão logo ganharia para ter dois barcos... e até uma verdadeira frota, quem sabe. 
Então seria um homem rico, como eu. 

– E o que faria então? 
Perguntou de novo o pescador. 

- Poderia sentar-se e desfrutar da vida, respondeu o industrial. 

– O que crê que estou a fazer neste preciso momento? 
Respondeu o pescador.
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sexta-feira, julho 22, 2011

- Cheguei ao meu limite: ainda ontem marquei um encontro comigo mesmo. 
Não fui, por medo de não me encontrar !

ÍCAROS

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Longe de ser um dom, ter asas quando mais ninguém as tem pode chegar a ser muito duro. 

Neste mundo de seres desasados, desprovidos de impulsos naturais para se elevarem, de nada serve que me sobressaia das costas um par de gigantescos e emplumados instrumentos de voo. 

Em vez de ser algo belo e exótico, os mutantes membros que me forneceu a natureza converteram-me numa espécie de freak a excluir e com sorte, a ignorar. 

 
Finalmente o que num momento da minha vida acreditei como uma bênção da evolução, terminou por converter-me num peso inútil na hora de vestir-me, de banhar-me, de dormir e até de ir ao cinema. 

Se ao menos me compreendessem, se ao menos soubessem o complicado que é carregar com asas tão longas e pesadas quando há um mundo inteiro que não as necessita nem as aprecia.
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quinta-feira, julho 21, 2011

- Os velhos fumadores nunca morrem, simplesmente se esfumam !

LUMBALGIA

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Cada vez que me visto pela manhã, sinto que estou a disfarçar-me  de uma pessoa que não sou. 

Visto o mesmo par de calças e a mesma camisa de todos os dias, coloco no meu rosto uma máscara que me faz ver como alguém que não quero ser, tomo o café com leite (para encher a caneta), meto uma "bucha" e abalo para o trabalho. 

Subo ao autocarro carregando com o peso de um disfarce que me custa desfilar. 
 

Saio, caminho uns quarteirões, aperto o nó da gravata para que não se notem os defeitos, pulo escada acima até à minha “toca” de trabalho, ligo o computador; volto a desligá-lo oito horas mais tarde. 

Regresso a minha casa esgotado.

São sete e pico da tarde, enquanto descalço os sapatos, saco o disfarce e espero que me passem as dores de costas. 

É verdadeiramente incrível o que pesa o “uniforme” de trabalho.

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quarta-feira, julho 20, 2011

- Será que o 'Biodiesel' é bebível e saudável ?

CHOP SOY DE VACA (Parte II)



… Continuação

O tipo ficou surpreendido com a celeridade com que tinham cozinhado, mas pensando melhor, imaginou que havendo quatro empregados na sala, na cozinha existiriam outros tantos cozinheiros. 

Subterfúgios típicos da mente para se enganar a si própria e não conhecer a autêntica realidade. 

Já que o verdadeiro motivo porque tinha sido elaborado com tanta destreza o chop suey, era porque estava pré-cozinhado: do congelador para o microondas e ei-lo pronto. 

Os chineses são assim. 

Era esse todo o segredo da sua economia. 

Colocavam toda a carne no assador… mas carne congelada! 

Eis as entranhas do dragão asiático. 

Não era necessário ser um magnata da economia para dar conta de que este modesto restaurante chinês era um microcosmos de como operava o gigante asiático.

E bem, o nosso tipo mastigava a vitela com fruição. 

Sentia-se chinês com aquela carne no seu interior. 

"Picava" os cogumelos e o pimento com devoção, empapando-os na soja e… que diabo...! 

O que era aquilo que brilhava debaixo da cebola? 

Meteu os dedos no prato e… sacou uma figurinha branca como se fosse de marfim!; era o que lhe parecia, um chinês com barbas da Dinastia Ming… ou o raio que o parta… 

- E isto? 
Disse o comensal, levantando um pouco o tom da voz; nem que estivesse a comer uma fatia de bolo-rei!! 

Além disso ainda faltam uns dias para isso; grande porra anteciparem as festas natalícias!!! 

Então a chinesa aproximou-se com passos curtos e rápidos, como se estivesse num arrozal murcho e seco de Beijing…

- Diga-me senhole; quê oculeu? 

O tipo levanta a figurinha sem dizer 'nestes'. 

A chinesa fica de boca aberta… 

- É Confúcio senhole. 

Diga-me: qual é o ploblema?... 

– O “ploblema é que eu pedi chop suey de vitela e não isto… 

- Mas senhole, não me diga que não gosta de Confúcio… 
Aah! 
Não diga mais nada! 
O senhole é de Lao Tse. 

O comensal ficou calado: muito tenso. 

Mas, efectivamente, a chinesa tinha acertado na “mouche”, pois para aquele adicto ao chop suey de vaca o pensamento de Lao Tse fazia uma diferença muito superior às fanfarrices de Confúcio. 

Pagou e foi-se. 

Aquela jogada de lhe colocarem no prato um Confúcio foi um golpe baixo para ele…

02DEZ2010
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terça-feira, julho 19, 2011


- Para que terei nascido num mundo tão grande se só vou conhecer uma ínfima parte ?

CHOP SOY DE VACA (Parte I)

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Um tipo entra num restaurante chinês com uma fome dos diabos por “chop suey de vaca”. 

Já passava das duas horas e o restaurante estava completamente vazio, salvo uma mesa ocupada por três tristes trabalhadores que absorviam apaticamente os últimos sorvos do café. 

Ainda que com quase nula clientela, no restaurante havia, pelo menos, quatro empregados, todos eles descrevendo órbitas aparentemente não definidas. 

Todos de origem oriental: três homens e uma mulher.

Ah!...

Uma aranha percorria as escamas de uma escultura de um terrífico dragão vermelho situado a poucos metros da porta de entrada. 

Talvez o aracnídeo corresse porque temia ser chamuscado pelas chamas do dragão. 



Um rosto de Buda mirava-a com compaixão a partir de um diminuto mostruário de vidro situado em frente… 

- Olá. 
Diz-lhe a mulher oferecendo-lhe a carta da ementa. 

O tipo tinha claro o que ia comer e assim atalhou a rotina: 

- Boas tardes. 
Queria uma dose de “chop suey de vaca”. 

A chinesa olha-o com cara de chinesa. 

– Chop suy de vaca? 
E alguma coisa mais? 

“Alguma coisa mais”, pensava o tipo para si, repetindo as palavras da chinesa com certa irritação; como se um prato de chop suey de vaca não fosse suficiente. 

Então, com firmeza, com o efeito contundente do impacto na mesa, responde-lhe: 

- Sim, traga-me também um quilo de laranjas chinesas. 




A empregada fica surpreendida pela estranha petição do cliente. 

–Peldone-me senhol! 
Disse lalanjas da China? 

– Sim, laranjas da China. 
Foi o que eu disse. 

–Peldone-me senhol! 
Mas lnalanjas da China não está na ementa… 

- Pois bem. 
Então vem somente o chop suey de vaca. 

– Sim senhol. 
De bebele? 

– Water, my friend… passaram uns escassos três minutos e o sempre delicioso chop suey de vaca estava sobre a mesa; com a carne e especiarias crepitando pelo calor; exalando esse irresistível olor a soja, cultivada seguramente nas margens do Mekong (tanto se me dá que o tal rio não passe na China; o seu nome soava estupendamente) e verduras da selva exótica da Indochina.

02DEZ2010

Continua...

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segunda-feira, julho 18, 2011

- Queria voltar a ser criança, porque os joelhos esfolados curam bem mais rápido que os corações partidos !

INESQUECÍVEL

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Tirada DAQUI
Desde pequeno que fui exercitando a minha memória ao ponto de poder recordar absolutamente tudo o que creio ser necessário recordar. 

Aromas, sons, vozes, paisagens, rostos, nomes, números de telefone, tudo aquilo que no meu perfeito juízo não deverei esquecer, é meticulosamente armazenado no meu cérebro seguindo uma estrita ordem lógica de catalogação que me permite aceder à informação sem nenhum inconveniente. 

Sou capaz, qual trovador, de recordar livros completos. 

Incluso, redobrando os meus esforços, posso penetrar nos túneis mais antigos da minha memória e acender as luzes dos reservados onde albergo as recordações da minha meninice. 



Mas em todos eles há um especial ao qual guardo grande estima e depois de anos e anos de adestramento, logrei colocá-lo em todos os habitáculos da minha memória. 

Hoje em dia posso recordar o meu primeiro beijo como se tivesse sucedido ontem: a minha mãe recebendo-me de braços abertos estendidos, aconchegando-me ao seu peito, apoiando os lábios na minha fronte.
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domingo, julho 17, 2011

- Os néscios e os peixes nadam sempre contra a corrente !

DISSIMULAÇÃO

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A teu novo chefe ensina-te a manejar o taxímetro e algumas peculiaridades do carro. 

Dá-te as chaves e despede-se de ti, "até amanhã". 

A partir daí serás tu só, estarás só, qual naufrago, sem ninguém ao teu lado que te explique ou te aconselhe ou te confesse esses típicos truques dum taxista veterano. 

Em que ruas ou posturas se encontram mais facilmente clientes segundo as horas, o que deves fazer se desconheces o local de destino ou como chegar lá ou que alternativas deverás seguir para evitar os engarrafamentos. 

Sais da garagem pela primeira vez, acendes a luz de letreiro de táxi e no primeiro cruzamento de ruas que se te apresenta é o primeiro dilema: direita ou esquerda? 


Optas por virar à direita apesar de não saberes muito bem porquê (ainda não tens a “funcionar” essa intuição de que tanto se fala) e encontras uma larga avenida e pela primeira vez entras no BUS (sempre quiseste circular por aí). 

Escassos metros depois (será a tal sorte de principiante) uma mulher levanta o braço e faz-te o sinal característico. 

Enquanto te aproximas começam a tremer-te as pernas. 

Páras ao seu lado e esqueces de pulsar no botão dos 4 piscas (‘warning’ ou ‘atenção perigo’). 

Também te esqueces de dar os bons dias à tua passageira quando ela entra. 

– Para a Rua do Lindo Vale, por favor, diz-te quando acaba de fechar a porta. 

Não conheces essa rua, mas engoles a saliva e aceleras.

 
– Direita! Direita! 

 Indica-te ela no cruzamento seguinte, justamente antes de o ultrapassares. 

Dás uma guinada. 

Por sorte conservas os teus bons reflexos. 

– Desculpe. 
Sou novo e … 

- Não se preocupe senhor. 
Todos havemos sido novos alguma vez. 
Eu indico o caminho. 

– Obrigada, suspiras de alívio. 

Nunca antes te tinham tratado por senhor. 

– Para começar, deveria ligar o taxímetro. 

Olhas para o dito cujo. 

Continua livre. 

Esqueceste-te também de accioná-lo, com os nervos. 
Carregas no botão que te ensinou o teu chefe e os números começam a correr. 

A passageira continua a dar-te as indicações até chegar ao seu destino. 

Páras o taxímetro, ela estende-te uma nota de 5 euros. 


É a tua primeira nota. 

Sai. 

Estás tenso. 

Procuras a postura de táxis mais perto e aí ficas atrás de outros cinco táxis. 

Na rua, os taxistas fazem uma panelinha. 

Supões que estão a falar de coisas de taxistas. 

Querias, mas não te atreves a colocar os pés fora do táxi e acercar-te deles. 

És novo nisto e demasiado tímido. 

Que dizer-lhes? 

Como entrar? 

E se me recusam por ser maçarico? 

Então vem-te à mente aquele primeiro dia no colégio, quando mudaste de Castelo Branco para o Porto. 

Aí todos se conheciam; tu eras o único 'novo’. 

Recordaste que entraste na sala de aulas e ocupaste o primeiro e único assento livre, na primeira fila e o professor apresentou-te a toda a turma e não sabias onde meter-te. 

TAXISTA AOS TIROS

Ao longo do dia ninguém meteu conversa contigo. 

Tu tão-pouco soubeste como te acercares, nem sequer no recreio, quando todos jogavam futebol e tu ficaste mudo e quedo, só, olhando-os, mordendo sem grande vontade a sande de presunto e queijo que a tua mãe te preparou. 

Passaram largos anos desta cena e, sem dúvida, hoje sentes-te igualzinho como naquele dia. 

Abres o porta-luvas do carro e sacas uma sande de presunto e queijo que tu mesmo te encarregaste de preparar esta manhã. 

Enquanto “descascas” lentamente a película que envolve a sande, de repente, sentes uma vontade indómita de chorares. 

Mas não choras. 

Lá no fundo, pensas, continuas a ser o mesmo. 

Pelo menos com o passar dos anos a vida ensinou-te a dissimular.

27JAN2011
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sábado, julho 16, 2011

- Sempre sonhei viver sozinho, por isso me divorciei !

UM NOME

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Convencido que era o grande amor da sua vida, decidiu fazer uma tatuagem com o nome da sua amada. 

Escolheu o braço (ombro) esquerdo para gravar um coração expelindo amor em catadupas. 

Abarcando todo esse seu coração, um nome claramente ressaltava visível, numa caligrafia gótica inglesa, “Silvana”. 

A sensação de arrependimento não tardou a chegar e deu conta do seu erro quando ela, um dia lhe confessou que não o amava, que se tinha enamorado de outro homem, que não podia continuar a viver uma mentira. 


Desde a separação, tudo o que se relacionava com ela e a recordava terminou no lixo, mas, ainda que quisesse não podia arrancar o braço. 

Voltou ao local onde lhe tinham realizado a tatuagem e pediu que lha voltassem a pintar  com uma tarja ou algo parecido, para cobrir o nome de “Silvana”; mas mesmo que o oculte, Silvana sempre ficou ali. 

As recordações não são coisas que se possam tapar com um pouco de tinta.
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sexta-feira, julho 15, 2011

- Viver do nada, sem nada e por nada, é o que nos está a começar a suceder !

NORMALIDADE

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Nunca tive no meu táxi um tipo tão normal. 

O seu rosto era normal, o seu penteado era normal, os seus óculos eram normais, a sua camisa era normal, a sua gravata, as suas calças, o seu relógio e as suas unhas eram normais. 

Deu-me as indicações para o seu destino num tom de voz o mais convencional. 

Um destino, para outra parte, bastante típico… 

Mantivemos uma conversação bastante normal.. 

Sobre o trânsito, o tempo e isso que normalmente desembuchamos. 

Volta e meia o meu passageiro olhava através da janela com uma expressão neutra, que não dizia nada. 

Antes de abandonar o táxi, com o taxímetro a marcar 3,50€, esticou-me uma nota de 5€ e fez um gesto (o típico gesto de mão esticada) para que eu ficasse com o troco. 

– O clássico arredondar, pensei.
 

Momentos depois de o perder de vista dei-me conta que, numa cidade como o Porto, conhecer alguém tão normal era, no mínimo, extraordinário. 
Podia dizer que a sua normalidade o denunciou. 
Era tão normal que valia a pena fazer dele uma menção especial. 
Uma estátua em qualquer praça, um post num qualquer blog, ou seja lá o que for. 
O meu táxi é como a energia: nada se cria, nada se perde; somente se transforma. 
Nada se perde porque tenho seguro contra todos os riscos. 
E, entretanto, transforma-se em cada ‘corrida’, com cada passageiro. 
Porque no meu táxi sempre se passa algo. 
Nenhum dia é igual ao anterior, assim como nenhum passageiro se parece com qualquer outro. 
Cada um dirige-se a um ponto diferente, do seu escritório ao seu bar para uns copázios, do hotel onde se hospeda ao velório na capela mortuária, ou do bordel à igreja.

TAXIS DO MUNDO SLIDESHOW



E todos me falam num tom diferente, a sua pele desprende um olor diferente e o seu destino demonstra uma história peculiar. 

Como peças de um puzzle urbano difíceis de encaixar. 

Neste mundo passam-se coisas incríveis. 

Detalhes que, se não prestamos a suficiente atenção, acabarão por passar inadvertidos. 

Se queres sacar o maior proveito a esta vida, recomendo-te que apanhes um táxi, baixes o vidro e abras bem os olhos, os ouvidos, o nariz. 

Recomendo-te que mostres a língua e estendas os dedos para tocar e beijar tudo.

22JAN2011

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