
Asseguro, porque não juro, aos meus pacientes leitores isso que talvez suspeitem: que não gosto de dar a manhã a ninguém, nem a quem lê o(s) meu(s) blog(s) a meio da tarde ou até à noite.
Como sou modesto e à falta evidente de outros méritos, sou uma pessoa pouco pesada, até talvez das menos pesadas das que me lembro de conhecer.
O que me ocorre, quando não sei “o que fazer”, é algo como a poesia aspira a uma certa intemporalidade - “com três feridas eu, a da vida, a da morte e a do amor”, como disse Miguel Hernández (*), que o mataram com uma quarta – isso que chamamos periodismo periódico, (não é retumbância, é escrever todos os dias), é dependente da actualidade.
Os jornais registam o que se está a passar e por vezes … param … e não contam tudo.
Outras vezes desvanecem-se.
Por isso se diz que não há nada mais antigo que o jornal de ontem: mudaram os números da lotaria, o marido que bateu na mulher é outro, o que morreu de acidente de viação ia alcoolizado, o programa de televisão é diferente e até o número da cúpula, do dia do mês é diferente.

O mau é que variou o conclave de tolos que trepavam na direcção dos assuntos colectivos.
Sei que devo pedir desculpas por falar da crise e dos seus legítimos causantes, de Obama e das suas impossíveis esperanças.
Das caixas e bancos e aqueles enredos financeiros que só alguns conhecem, da dimensão da Primavera, do aumento dos desempregados e a ruína que paira sobre nós todos, ou quase.
De que devo falar?
Eu sei que ver e ouvir é uma triste chatice, mas, além do mais, logo eu que não sou nada triste.
Não porque não tenha motivos, mas porque me dá ganas sê-lo.
Teria que glosar sobre outras coisas, entre outras, mas quais são?
A vida portuguesa está cheia de presságios funestos.
O que posso fazer?
Se algum de vocês, entretanto tiver uma boa notícia, rogo-vos que ma dêem a conhecer.
Terei um bom motivo para escrever algo depois da Páscoa.
Obrigado a todos os que se esforçarem!!!
Sei que devo pedir desculpas por falar da crise e dos seus legítimos causantes, de Obama e das suas impossíveis esperanças.
Das caixas e bancos e aqueles enredos financeiros que só alguns conhecem, da dimensão da Primavera, do aumento dos desempregados e a ruína que paira sobre nós todos, ou quase.
De que devo falar?
Eu sei que ver e ouvir é uma triste chatice, mas, além do mais, logo eu que não sou nada triste.
Não porque não tenha motivos, mas porque me dá ganas sê-lo.
Teria que glosar sobre outras coisas, entre outras, mas quais são?
A vida portuguesa está cheia de presságios funestos.
O que posso fazer?
Se algum de vocês, entretanto tiver uma boa notícia, rogo-vos que ma dêem a conhecer.
Terei um bom motivo para escrever algo depois da Páscoa.
Obrigado a todos os que se esforçarem!!!

Miguel Hernández(*)
Poeta espanhol, 1910/1942, que se alistou no exército republicano espanhol.
Chegou a representar o governo da república em Moscovo.
Sabendo que era perseguido pelos fascistas de Franco, entrou em Portugal, onde foi preso pela polícia política de Salazar e entregue ás “autoridades” espanholas.
É preso e mais tarde libertado.
Volta a ser encarcerado em Madrid , julgado e condenado á morte em 1940.
Comutam-lhe a pena para 30 anos de prisão.
Morre sem assistência com bronquite e tifo que degeneraram em tuberculose.
CANCIÓN ULTIMA de Miguel Hernandez, Joan Manuel Serrat
Pintada, no vacía:
pintada está mi casa
del color de las grandes
pasiones y desgracias.
Regresará del llanto
adonde fue llevada
con su desierta mesa,
con su ruinosa cama.
Florecerán los besos
sobre las almohadas.
Y en torno de los cuerpos
elevará la sábana
su intensa enredadera
nocturna, perfumada.
El odio se amortigua
detrás de la ventana.
Será la garra suave.
Dejadme la esperanza.
Pintada, no vacía:
pintada está mi casa.
Miguel Hernández "foi morto numa prisão" de Alicante
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