.
Toda
a palavra mal dita deveria ser silêncio, tal e qual como o ruído.
Entre dois que
não se falam, há um espesso silêncio de que ambos são donos, ou algum ou nenhum
deles.
O nada é parecido mas não é silêncio.
O silêncio é o substituto da acção
e, a palavra, substituta forçada e confusa em todos aqueles momentos que temos
de ir lá acudir na falta de melhores argumentos.
Ir-se-ão os amantes, os
irmãos, os colegas, os amigos… e permanecerá o silêncio ali abandonado, preenchendo o espaço de
tudo o que poderia ou deveria ser dito e ninguém se apreçou para se pronunciar.
De que enches tu o teu silêncio, de que permitirás que se encha ou se impregne;
de indiferença, de fastio, censura, renúncia ou desconcerto, de esperança, de
ilusão…, de esquecimento…?
O silêncio mais amável é aquele que se anuncia, que
de alguma maneira se solicita àquele ou aqueles que permanecem atentos a ti e
ás tuas palavras.
O prelúdio de um discurso arrebatado, ocupa-te o teu tempo.
Se me voltas as costas levas o silêncio, não o quero aqui comigo.
Quem outorga
e quem cala?
Que parte me darás a mim do teu silêncio que chega a parecer-se
tanto àquele a quem não sabe quem és, nem de que cor é a tua voz porque nunca
te escutou?
Ou é apenas para mim?,
Que detalhe, meu amigo.
Pior é o silêncio no
que se apetrecha o
que não quer escutar diga-se o que se diga e ocorra o que ocorra.
Fala-me ou
escuta-me, saiamos deste silêncio.
Salvo
se te interessam mais as suas palavras do que as minhas.
.


4 comentários:
Por vezes o silencio faz-se ouvir...
Sempre pensei que a vacuidade era o lugar onde estavam as vacas.
O silêncio... essa voz, por vezes, tão violência!
Prefiro as palavras quando o silêncio só se faz de acusação.
Abraços, amigo!
Enviar um comentário