O VIDEIRINHO

terça-feira, outubro 22, 2013

VACUIDADE


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Toda a palavra mal dita deveria ser silêncio, tal e qual como o ruído. 

Entre dois que não se falam, há um espesso silêncio de que ambos são donos, ou algum ou nenhum deles. 

O nada é parecido mas não é silêncio. 

O silêncio é o substituto da acção e, a palavra, substituta forçada e confusa em todos aqueles momentos que temos de ir lá acudir na falta de melhores argumentos. 

Ir-se-ão os amantes, os irmãos, os colegas, os amigos… e permanecerá o silêncio ali abandonado, preenchendo o espaço de tudo o que poderia ou deveria ser dito e ninguém se apreçou para se pronunciar. 

 

De que enches tu o teu silêncio, de que permitirás que se encha ou se impregne; de indiferença, de fastio, censura, renúncia ou desconcerto, de esperança, de ilusão…, de esquecimento…? 

O silêncio mais amável é aquele que se anuncia, que de alguma maneira se solicita àquele ou aqueles que permanecem atentos a ti e ás tuas palavras. 

O prelúdio de um discurso arrebatado, ocupa-te o teu tempo. 

Se me voltas as costas levas o silêncio, não o quero aqui comigo. 

Quem outorga e quem cala? 


Que parte me darás a mim do teu silêncio que chega a parecer-se tanto àquele a quem não sabe quem és, nem de que cor é a tua voz porque nunca te escutou? 

Ou é apenas para mim?, 

Que detalhe, meu amigo. 

Pior é o silêncio no que se apetrecha o que não quer escutar diga-se o que se diga e ocorra o que ocorra. 

Fala-me ou escuta-me, saiamos deste silêncio.   

Salvo se te interessam mais as suas palavras do que as minhas.
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4 comentários:

Tétisq disse...

Por vezes o silencio faz-se ouvir...

Táxi Pluvioso disse...

Sempre pensei que a vacuidade era o lugar onde estavam as vacas.

Fa menor disse...

O silêncio... essa voz, por vezes, tão violência!

Prefiro as palavras quando o silêncio só se faz de acusação.

Abraços, amigo!

Fa menor disse...
Este comentário foi removido pelo autor.